A interactividade na esfera do Ciberjornalismo
Abstract
A tecnologia gera o campo cultural (Kerckhove, 1997). Com base nesta premissa, é objecto de estudo a transformação do campo comunicacional que se verifica com os novos media. Neste sentido, propõe-se a análise da alteração dos processos de produção e, consequentemente, de recepção de notícias introduzida pela interactividade. Parte-se do pressuposto de que a interacção é um elemento incontornável da própria comunicação mediada por computador, pelo que o novo paradigma da comunicação introduzido pela Cibercultura emerge como noção central na problematização a desenvolver. São elementos de análise: o novo cenário digital do Ciberjornalismo, as características dos novos media, a emergência da interactividade enquanto processo de comunicação, e os self media como extensão dos novos media.
A interactividade na esfera do Ciberjornalismo
135
A interactividade na esfera do Ciber jor nalismo Inês Albuquerque Amaral 1 1 Instituto Superior Miguel Torga
Resumo A tecnologia gera o campo cultural (Kerckhove, 1997). Com base nesta premissa, é objecto de estudo a transformação do campo comunicacional que se verifica com os novos media. Neste sentido, propõese a análise da alteração dos processos de produção e, consequentemente, de recepção de notícias introduzida pela interactividade. Partese do pressuposto de que a interacção é um elemento incontornável da própria comunicação mediada por computador, pelo que o novo paradigma da comunicação introduzido pela Cibercultura emerge como noção central na problematização a desenvolver. São elementos de análise: o novo cenário digital do Ciberjornalismo, as características dos novos media, a emergência da interactividade enquanto processo de comunicação, e os self media como extensão dos novos media.
Nota introdutória A alteração do campo sóciocultural e, consequentemente, comunicacional que se verifica com a introdução das novas tecnologias nas esferas pública e privada da sociedade interfere directamente na forma como percepcionamos o mundo. Os novos media são dispositivos que «operam a recontextualização comunicacional dos nossos dias» (Marcelo, 2004). Actualmente, vivemos o início do paradigma da individualização, com o progressivo processo de informatização da sociedade. Este paradigma traduzse na possibilidade do receptor ser também emissor, assumindose assim como um modelo de personalização. Neste sentido, as novas tecnologias vieram introduzir novas formas de discurso e de leitura A transição da massificação para a individualização da comunicação permite a materialização da metáfora da “aldeia global”, postulada por Marshall McLuhan. A transmutação do analógico para o digital implica também que os tradicionais modelos de edição e publicação de informação sofram alterações no suporte electrónico. Os novos media obrigam a uma reconfiguração das práticas jornalísticas na medida em que a interactividade, como característica principal do cenário digital, permite a personalização da informação.
136
As características dos novos media As especificidades da comunicação no espaço virtual, que decorrem das características da sociedade contemporânea, implicam novas rotinas jornalísticas e novas linguagens. Canavilhas (2001) considera que com o jornalismo online «a máxima “nós escrevemos, vocês lêem” pertence ao passado». Interessa, por isso, analisar a forma como a tecnologia foi apropriada pelo Ciberjornalismo. Se o processo de recepção se altera com a Internet, a produção do discurso jornalístico tem de se adaptar ao meio interactivo. Os novos dispositivos tecnológicos acrescentam à prática jornalística um novo “modus operandi”. O ambiente online caracterizase pela instantaneidade e o final do “dead line” convencional; a interactividade e a participação activa do utilizador; e a hipertextualidade, abolindo as convencionais noções de tempo e de espaço dos media tradicionais, introduz o conceito de leitura nãolinear – produção activa de significados (Puccinin, 2003). A verdadeira dimensão da Internet traduzse num medium interactivo e dinâmico, que combina elementos estáticos e em movimento (capturados do real e/ou sintetizados por computador), sem limites espaciotemporais. Umberto Eco, nos anos 60, sugeriu a noção de “obra aberta”, que formulava um conjunto de princípios que irrompem e produzem uma textualidade singular. Esta premissa pode ser recuperada com o hipertexto, tendo em conta dos seus princípios: descontinuidade, indeterminação e pluralidade. João Canavilhas (2001) apresenta quatro factores estruturantes da diferença entre jornalismo tradicional e jornalismo digital: distribuição (o acesso), personalização (o papel activo do utilizador), periodicidade (fim da lógica de “uma edição, um produto”) e informação útil (prática e objectiva). Estes elementos inseremse na reconfiguração que a Internet faz do espaço mediático. Neste sentido, verificamse alterações no modo de acesso à informação jornalística e na sua organização estrutural e formal. O Ciberjornalismo mantém os princípios básicos da profissão, mas necessita de se adaptar a três níveis: difusão, organização da informação e redacção/apresentação da informação. Palacios (2002) enumera seis características particulares do jornalismo digital: multimédia/convergência, interactividade, hipertextualidade, personalização, memória e
Sign up today - FREE
Mendeley saves you time finding and organizing research. Learn more
- All your research in one place
- Add and import papers easily
- Access it anywhere, anytime


