Avaliação da Qualidade de Vida Urbana no Município de Osasco/SP utilizando Geoprocessamento
Geografia e Pesquisa (2008)
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Abstract
This work evaluates urban quality of life from census data (Resultados do Universo do IBGE) and orbital remote sensing (Landsat ETM+ image) system. The dimensions considered were environmental quality, socioeconomic and education level. For integration, spatialization e data processing, were employed Geoprocessing techniques, with use of Geographic Information System e Digital Image Processing. The results were based in data analyzes from statistical measure and their spatial distribution.
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Avaliação da Qualidade de Vida Urbana no Município de Osasco/SP utilizando Geoprocessamento
Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 1
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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA – UNESP
Reitor
Marcos Macari
Vice-Reitor
Herman Jacobus Cornelis Voorwald
Pró-Reitor de Administração – PRAD
Júlio Cézar Durigan
Pró-Reitora de Extensão Universitária e Assuntos
Comunitários – PROEX
Maria Amélia Máximo de Araújo
Pró-Reitora de Pós-Graduação – PROPG
Marilza Vieira Cunha Rudge
Pró-Reitor de Pesquisa – PROPE
José Arana Varela
Pró-Reitora de Graduação – PROGRAD
Sheila Zambello de Pinho
CAMPUS EXPERIMENTAL DE OURINHOS
Coordenador Executivo
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Coordenadora do Curso de Geografia
Andréa Aparecida Zacharias
REVISTA GEOGRAFIA E PESQUISA
COMISSÃO EDITORIAL
Luciene Cristina Risso (Editora-Chefe)- UNESP Ourinhos
Fabiana Lopes da Cunha (Subeditora) – UNESP Ourinhos
Márcio Rogério Silveira – UNESP Ourinhos
CONSELHO CIENTÍFICO
Ailton Luchiari – USP / SP, Alice Yatiyo Asari – UEL,Andrea Aparecida Zacharias – UNESP /
Ourinhos, Ângela Massumi Katuta – UEL, Angelita Matos Souza – UNICAMP, Antonio
Nivaldo Hespanhol – UNESP / P. Prudente, Antonio Thomáz Junior – UNESP / P. Prudente,
Bernadete Castro Oliveira – Unesp / Rio Claro, Carlos José Espindola – UFSC, Celso Donizeti
Locatel – UFS, Cenira Lupinacci – UNESP / Rio Claro, Eliseu Saverio Sposito – UNESP / P.
Prudente, Elson Luciano Silva Perez – UNESP / Rio Claro, Fabrício Pedroso Bauab –
UNIOESTE, João Lima San’tanna Neto – UNESP / P. Prudente, João Osvaldo Rodriguez –
UNESP / Presidente Prudente, Jonas Teixeira Nery – UNESP / Ourinhos, Jose Flávio Morais
Castro – PUC / Minas Gerais, José Manuel Mateo Rodriguez – Universidad De Havana /
Cuba, João Márcio Palheta da Silva – UFPA, José Messias Bastos – UFSC, Lisandra Pereira
Lamoso – UFGD, Lucia Helena Gerardi – UNESP / Rio Claro, Marcelo José Lopes De Souza –
UFRJ, Marcello Martinelli – USP / SP, Maria Bernadete de Oliveira – UNESP / Rio Claro, Maria
Encarnação Beltrão Sposito – UNESP / P. Prudente, Maria Inez Machado Borges Pinto – USP /
SP, Paulo Fernando Cirino Mourão – UNESP / Ourinhos, Ricardo Antonio Tema Nunez – UM
/ México, Rosangêla Doin de Almeida – UNESP / Rio Claro, Silvia Aparecida Guarnieri
Ortigosa – UNESP / Rio Claro, Tânia Costa Garcia – UNESP / Franca,
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volume 2 - número 1
jan./jun. 2008
Ourinhos
volume 2 - número 1
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Ourinhos
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© 2007 Curso de Geografia do Campus Experimental de Ourinhos
CAPA
Márcio Rogério Silveira
Imagem:
Centro Histórico de Salvador(BA)
Fonte da Imagem
(imagem modificada): www.sertaonews.com.br/run/news/read/?id=28632
DIAGRAMAÇÃO E EDITORAÇÃO
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IMPRESSÃO
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Os textos aqui publicados são de exclusiva responsabilidade dos autores.Permite-se a reprodução
parcial, desde que mencionada a fonte. Solicita-se permuta – Se solicita intercambio – We ask
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ADMINISTRAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA
Universidade Estadual Paulista, Campus Experimental de Ourinhos
Curso de Geografia
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19910-206 Ourinhos - SP
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E-mail: revistageografiaepesquisa@yahoo.com.br
EDITORES RESPONSÁVEIS
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Experimental de Ourinhos. Curso de Geografia.— Ourinhos: Curso de
Geografia, 2008.
Semestral
v.2, n.1, jan./jun.
ISSN 1982-9760
1. Geografia. 2. História. I. Universidade Estadual Paulista. Campus
Experimental de Ourinhos. Curso de Geografia. II. Título.
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1. Geografia. 2. História. I. Universidade Estadual Paulista. Campus
Experimental de Ourinhos. Curso de Geografia. II. Título.
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 5
SUMÁRIO
ENTREVISTA COM A GEÓGRAFA DORA DE AMARANTE ROMARIZ ..... 09
Profa. Luciene Cristina Risso
SISTEMA DE INFORMAÇÕES AMBIENTAIS DA BACIA
HIDROGRÁFICA DA REPRESA DE ITUPARARANGA COMO
SUPORTE À IMPLANTAÇÃO DE UMA ÁREA DE PROTEÇÃO
AMBIENTAL NO ESTADO DE SÃO PAULO. .......................................... 17
Prof. Dr. Nobel Penteado de Freitas et al.
AS CATEGORIAS DE ANÁLISE DA CARTOGRAFIA NO
MAPEAMENTO E SÍNTESE DA PAISAGEM. ......................................... 33
Profa. Dra. Andrea Aparecida Zacharias
GEOMORFOLOGIA URBANO-AMBIENTAL. ......................................... 57
Andrey Luis Binda
GEOMORFOLOGIA, CLIMATOLOGIA E CARTOGRAFIA AMBIENTAL
NA INTERNET: EXPERIÊNCIAS NA UNIVERSIDADE ESTADUAL
DE LONDRINA-PR. ............................................................................... 69
Profa. Dra. Eloiza Cristiane Torres e Profa. Dra. Rosely Sampaio Archela.
NAMORANDO A LAGOA DO PERI:
UMA APRECIAÇÃO LÍRICA DA PAISAGEM. .......................................... 81
Luiz Otávio Cabral.
TRANSPORTE HIDROVIÁRIO INTERIOR DE CARGAS:
ARTICULAÇÃO ESPACIAL E INTERNACIONALIZAÇÃO
DOS MERCADOS. ................................................................................ 95
Nelson Fernandes Felipe Junior e Prof.Dr. Márcio Rogério Silveira.
CRISE DO FORDISMO E TRANSFORMAÇÕES NO MUNDO
DO TRABALHO: EVOLUÇÃO E DINÂMICA DO MERCADO
DE TRABALHO FORMAL DE OURINHOS
E DE PRESIDENTE PRUDENTE. ............................................................. 113
Nildo Aparecido de MELO e Prof.Dr. Márcio Rogério SILVEIRA.
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA URBANA
NO MUNICÍPIO DE OSASCO/SP UTILIZANDO
GEOPROCESSAMENTO. ...................................................................... 139
Prof.Ms. Rúbia Gomes Morato.
(1-164)
SUMÁRIO
ENTREVISTA COM A GEÓGRAFA DORA DE AMARANTE ROMARIZ ..... 09
Profa. Luciene Cristina Risso
SISTEMA DE INFORMAÇÕES AMBIENTAIS DA BACIA
HIDROGRÁFICA DA REPRESA DE ITUPARARANGA COMO
SUPORTE À IMPLANTAÇÃO DE UMA ÁREA DE PROTEÇÃO
AMBIENTAL NO ESTADO DE SÃO PAULO. .......................................... 17
Prof. Dr. Nobel Penteado de Freitas et al.
AS CATEGORIAS DE ANÁLISE DA CARTOGRAFIA NO
MAPEAMENTO E SÍNTESE DA PAISAGEM. ......................................... 33
Profa. Dra. Andrea Aparecida Zacharias
GEOMORFOLOGIA URBANO-AMBIENTAL. ......................................... 57
Andrey Luis Binda
GEOMORFOLOGIA, CLIMATOLOGIA E CARTOGRAFIA AMBIENTAL
NA INTERNET: EXPERIÊNCIAS NA UNIVERSIDADE ESTADUAL
DE LONDRINA-PR. ............................................................................... 69
Profa. Dra. Eloiza Cristiane Torres e Profa. Dra. Rosely Sampaio Archela.
NAMORANDO A LAGOA DO PERI:
UMA APRECIAÇÃO LÍRICA DA PAISAGEM. .......................................... 81
Luiz Otávio Cabral.
TRANSPORTE HIDROVIÁRIO INTERIOR DE CARGAS:
ARTICULAÇÃO ESPACIAL E INTERNACIONALIZAÇÃO
DOS MERCADOS. ................................................................................ 95
Nelson Fernandes Felipe Junior e Prof.Dr. Márcio Rogério Silveira.
CRISE DO FORDISMO E TRANSFORMAÇÕES NO MUNDO
DO TRABALHO: EVOLUÇÃO E DINÂMICA DO MERCADO
DE TRABALHO FORMAL DE OURINHOS
E DE PRESIDENTE PRUDENTE. ............................................................. 113
Nildo Aparecido de MELO e Prof.Dr. Márcio Rogério SILVEIRA.
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA URBANA
NO MUNICÍPIO DE OSASCO/SP UTILIZANDO
GEOPROCESSAMENTO. ...................................................................... 139
Prof.Ms. Rúbia Gomes Morato.
(1-164)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 20086
RESENHAS
FERREIRA, Felipe. Inventando Carnavais:
O surgimento do Carnaval Carioca no Século XIX
e Outras Questões Carnavalescas. São Paulo: Annablume, 2004.
Profa. Dra. Fabiana Lopes da Cunha. ............................................... 157
Normas de publicação .................................................................... 163
RESENHAS
FERREIRA, Felipe. Inventando Carnavais:
O surgimento do Carnaval Carioca no Século XIX
e Outras Questões Carnavalescas. São Paulo: Annablume, 2004.
Profa. Dra. Fabiana Lopes da Cunha. ............................................... 157
Normas de publicação .................................................................... 163
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 7
EDITORIAL
A revista Geografia & Pesquisa é uma publicação periódica de
cunho científico voltada para pesquisadores da ciência geográfica e áreas
afins, que se tornou realidade em 2007.
Esta realidade foi possível, graças às aspirações dos professores
do curso de Geografia da UNESP, campus de Ourinhos (SP) e esforço
para a veiculação da divulgação da produção intelectual do pensamento
geográfico.
Neste segundo número, o leitor vai dialogar com as multiplicidades
das temáticas geográficas como geoprocessamento, cartografia, paisagem,
percepção ambiental, carnaval, mercado de trabalho, transporte
hidroviário e uma entrevista com a professora Dora de Amarante Romariz.
Esta diversidade é importante para mostrar a riqueza dos estudos
geográficos perante a realidade atual.
O espectro de autores aumentou, em relação ao primeiro número,
e teve participação de pós-graduandos e docentes pesquisadores da
USP (Universidade de São Paulo), UNESP (Universidade Estadual
Paulista)- campus de Presidente Prudente, UNESP- campus de Ourinhos,
UEL (Universidade Estadual de Londrina) e IELUSC (Associação
Educacional Luterana Bom Jesus/Joinville- SC).
Esperamos que estas comunicações sejam úteis e reiteramos o
convite à comunidade na divulgação da pesquisa e consolidação do
periódico.
Luciene Cristina Risso
Editora Chefe
EDITORIAL
A revista Geografia & Pesquisa é uma publicação periódica de
cunho científico voltada para pesquisadores da ciência geográfica e áreas
afins, que se tornou realidade em 2007.
Esta realidade foi possível, graças às aspirações dos professores
do curso de Geografia da UNESP, campus de Ourinhos (SP) e esforço
para a veiculação da divulgação da produção intelectual do pensamento
geográfico.
Neste segundo número, o leitor vai dialogar com as multiplicidades
das temáticas geográficas como geoprocessamento, cartografia, paisagem,
percepção ambiental, carnaval, mercado de trabalho, transporte
hidroviário e uma entrevista com a professora Dora de Amarante Romariz.
Esta diversidade é importante para mostrar a riqueza dos estudos
geográficos perante a realidade atual.
O espectro de autores aumentou, em relação ao primeiro número,
e teve participação de pós-graduandos e docentes pesquisadores da
USP (Universidade de São Paulo), UNESP (Universidade Estadual
Paulista)- campus de Presidente Prudente, UNESP- campus de Ourinhos,
UEL (Universidade Estadual de Londrina) e IELUSC (Associação
Educacional Luterana Bom Jesus/Joinville- SC).
Esperamos que estas comunicações sejam úteis e reiteramos o
convite à comunidade na divulgação da pesquisa e consolidação do
periódico.
Luciene Cristina Risso
Editora Chefe
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 9
ENTREVISTA COM DORA DE AMARANTE ROMARIZ
Por Luciene Cristina Risso1 .
1) O que a levou a interessar-se por cursar Geografia e História
pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do
Brasi l?
R: Desde os tempos de Ginásio sempre gostei muito da matéria, tendo
sido monitora do Gabinete de Geografia no Instituto de Educação do
Rio de Janeiro, onde me formei professora primária. Assim, ingressar
no Curso de Geografia da Faculdade Nacional de Filosofia era a
solução ideal para corresponder à minha vontade de aperfeiçoamento
em Geografia.
2) Em sua carreira acadêmica foram feitos vários cursos de
especialização, entre eles o de Biogeografia com o professor
Pierre Dansereau. Gostaria de saber sobre esta sua
experiência em particular.
R: Tive a sorte de, terminando a Faculdade, entrar para o Conselho
Nacional de Geografia (parte integrante do IBGE), numa época em
que as pesquisas em Geografia, não só lá, como em todo o país,
estavam em seu início. Mesmo nas Faculdades a formação que
recebíamos ainda apresentava muitas lacunas. Em vista disso, os
dirigentes do Conselho, sempre que possível, procuravam propiciar
a seus geógrafos possibilidades para que aprimorassem seus
conhecimentos.
Um professor da Faculdade de Filosofia, o professor Francis Ruellan,
foi contratado com a principal finalidade de treinar os geógrafos do
CNG nas técnicas de trabalhos de campo. Além disso, quando ele
verificava a nossa falta dos conhecimentos necessários em
determinado assunto, organizava cursos a respeito dos mesmos. Assim
fez, por ex., para cartografia, geologia, entre outros; cursos esses
que eram ministrados dentro do horário normal do expediente.
Os fins de semana eram destinados a excursões. Éramos sempre
divididos em equipes que congregavam também, sempre que
possível, alguns alunos do Departamento de Geografia da Faculdade.
Em 1945 o Departamento de Geografia da Faculdade Nacional de
Filosofia convidou o Professor Pierre Dansereau para que lá
ministrasse um curso de Biogeografia. Tomando conhecimento disso,
1 Profa.Dra.UNESP-Ourinhos SP. Email: luciene@ourinhos.unesp.br.
(9-15)
ENTREVISTA COM DORA DE AMARANTE ROMARIZ
Por Luciene Cristina Risso1 .
1) O que a levou a interessar-se por cursar Geografia e História
pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do
Brasi l?
R: Desde os tempos de Ginásio sempre gostei muito da matéria, tendo
sido monitora do Gabinete de Geografia no Instituto de Educação do
Rio de Janeiro, onde me formei professora primária. Assim, ingressar
no Curso de Geografia da Faculdade Nacional de Filosofia era a
solução ideal para corresponder à minha vontade de aperfeiçoamento
em Geografia.
2) Em sua carreira acadêmica foram feitos vários cursos de
especialização, entre eles o de Biogeografia com o professor
Pierre Dansereau. Gostaria de saber sobre esta sua
experiência em particular.
R: Tive a sorte de, terminando a Faculdade, entrar para o Conselho
Nacional de Geografia (parte integrante do IBGE), numa época em
que as pesquisas em Geografia, não só lá, como em todo o país,
estavam em seu início. Mesmo nas Faculdades a formação que
recebíamos ainda apresentava muitas lacunas. Em vista disso, os
dirigentes do Conselho, sempre que possível, procuravam propiciar
a seus geógrafos possibilidades para que aprimorassem seus
conhecimentos.
Um professor da Faculdade de Filosofia, o professor Francis Ruellan,
foi contratado com a principal finalidade de treinar os geógrafos do
CNG nas técnicas de trabalhos de campo. Além disso, quando ele
verificava a nossa falta dos conhecimentos necessários em
determinado assunto, organizava cursos a respeito dos mesmos. Assim
fez, por ex., para cartografia, geologia, entre outros; cursos esses
que eram ministrados dentro do horário normal do expediente.
Os fins de semana eram destinados a excursões. Éramos sempre
divididos em equipes que congregavam também, sempre que
possível, alguns alunos do Departamento de Geografia da Faculdade.
Em 1945 o Departamento de Geografia da Faculdade Nacional de
Filosofia convidou o Professor Pierre Dansereau para que lá
ministrasse um curso de Biogeografia. Tomando conhecimento disso,
1 Profa.Dra.UNESP-Ourinhos SP. Email: luciene@ourinhos.unesp.br.
(9-15)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200812
Considerando que, apesar das devastações sofridas, ainda é possível
mostrar alguns aspectos bem significativos dos principais tipos de
nossa vegetação, decidi preparar uma obra semelhante para o Brasil.
Tendo em vista, porém, todas as dificuldades que nossos professores
enfrentam para adquirir material de trabalho, resolvi ampliar a
abordagem feita pelos franceses (apenas a fotografia, ligeiro
comentário sobre a mesma e localização precária num planisfério).
Escrevi um texto e coloquei as fotografias adequadas à sua ilustração,
além da inclusão de mapas. Não se trata, portanto, de simples
fotografias comentadas, mas de um conjunto de noções bem
integradas.
À semelhança de R.Clozier, organizador da obra francesa, dei
preferência à utilização dos nomes populares dos diferentes tipos de
vegetação, tornando o trabalho acessível a qualquer nível de ensino.
O professor, logicamente, utilizará a linguagem que julgar mais
adequada à compreensão de seus alunos.
Em lugar, entretanto, de ditar as características de cada tipo de
vegetação, deverá, apresentada a fotografia do mesmo, orientar os
estudantes para que eles, por si mesmos, percebam essas
características, anotando-as com suas próprias palavras.
Será, assim, atingida a finalidade do método preconizado:
“Aprender...primeiro vendo!”.
Infelizmente, devo confessar, parece não ter havido a esperada
percepção da importância desse material!
6) Falando especificamente sobre a classificação da vegetação
brasileira, o que a senhora pensa das classificações atuais?
R: Ao que eu saiba, existe, em nível universal, uma classificação,
publicada pela UNESCO, denominada “International Classification
and Mapping of Vegetation”, edição trilingue (inglês, francês,
espanhol), tem 94 páginas, tendo sido editada em Paris, em 1973.
Tendo em vista sua utilização em mapas na escala ao milionésimo
(adotada mundialmente) tomou por base, sobretudo os aspectos
fisionômicos, tendo a vantagem, entre outras, de ser uma classificação
aberta: permite que em cada área em que for adotada, sejam inseridos
os tipos locais, nas categorias que lhes sejam adequadas.
No Brasil, há publicações do IBGE a esse respeito, como “Classificação
da Vegetação Brasileira”, adaptada a um sistema universal (1991);
“Manual Técnico da Vegetação Brasileira” (1992). Existe, ainda,
publicado pelo Ministério das Minas e Energia, o Boletim Técnico
do Projeto RADAMBRASIL, intitulado “Fitogeografia Brasileira –
Classificação Fisionômico-Ecológica da vegetação neotropical”,
publicado em 1982.
(9-15)
Considerando que, apesar das devastações sofridas, ainda é possível
mostrar alguns aspectos bem significativos dos principais tipos de
nossa vegetação, decidi preparar uma obra semelhante para o Brasil.
Tendo em vista, porém, todas as dificuldades que nossos professores
enfrentam para adquirir material de trabalho, resolvi ampliar a
abordagem feita pelos franceses (apenas a fotografia, ligeiro
comentário sobre a mesma e localização precária num planisfério).
Escrevi um texto e coloquei as fotografias adequadas à sua ilustração,
além da inclusão de mapas. Não se trata, portanto, de simples
fotografias comentadas, mas de um conjunto de noções bem
integradas.
À semelhança de R.Clozier, organizador da obra francesa, dei
preferência à utilização dos nomes populares dos diferentes tipos de
vegetação, tornando o trabalho acessível a qualquer nível de ensino.
O professor, logicamente, utilizará a linguagem que julgar mais
adequada à compreensão de seus alunos.
Em lugar, entretanto, de ditar as características de cada tipo de
vegetação, deverá, apresentada a fotografia do mesmo, orientar os
estudantes para que eles, por si mesmos, percebam essas
características, anotando-as com suas próprias palavras.
Será, assim, atingida a finalidade do método preconizado:
“Aprender...primeiro vendo!”.
Infelizmente, devo confessar, parece não ter havido a esperada
percepção da importância desse material!
6) Falando especificamente sobre a classificação da vegetação
brasileira, o que a senhora pensa das classificações atuais?
R: Ao que eu saiba, existe, em nível universal, uma classificação,
publicada pela UNESCO, denominada “International Classification
and Mapping of Vegetation”, edição trilingue (inglês, francês,
espanhol), tem 94 páginas, tendo sido editada em Paris, em 1973.
Tendo em vista sua utilização em mapas na escala ao milionésimo
(adotada mundialmente) tomou por base, sobretudo os aspectos
fisionômicos, tendo a vantagem, entre outras, de ser uma classificação
aberta: permite que em cada área em que for adotada, sejam inseridos
os tipos locais, nas categorias que lhes sejam adequadas.
No Brasil, há publicações do IBGE a esse respeito, como “Classificação
da Vegetação Brasileira”, adaptada a um sistema universal (1991);
“Manual Técnico da Vegetação Brasileira” (1992). Existe, ainda,
publicado pelo Ministério das Minas e Energia, o Boletim Técnico
do Projeto RADAMBRASIL, intitulado “Fitogeografia Brasileira –
Classificação Fisionômico-Ecológica da vegetação neotropical”,
publicado em 1982.
(9-15)
Page 13
Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 13
Além de algumas interpretações nem sempre muito claras, essas
classificações são todas excessivamente técnicas, não se prestando à
utilização por professores e estudantes em geral. Se pudermos
conseguir que eles cheguem a diferenciar, pelos seus nomes comuns,
os nossos principais tipos de vegetação, sabendo distingui-los na
paisagem, já nos daremos por muito satisfeitos.
7)Um dos grandes problemas do ensino de Geografia é
propiciar o entendimento das formações vegetais do Brasil.
Por que isto acontece? Como melhorar?
R: Lamento dizer, mas, esse problema surgiu, em parte, por culpa
dos próprios geógrafos. De alguns anos para cá, um certo número
deles passou a ignorar totalmente o fato de que a geografia é uma
ciência de síntese, englobando tanto as áreas físicas quanto humanas
e esqueceram as primeiras, dentre elas a Fitogeografia.
Fazendo-se uma pesquisa quanto aos trabalhos ultimamente
publicados, é fácil de ver-se que, muitos deles abordam aspectos
mais de cunho puramente sociológico, econômico, entre outros.
Como, naturalmente, não havia o necessário preparo para isso, os
resultados deixaram a desejar, desacreditando, assim, os verdadeiros
geógrafos.
Logicamente, a vegetação sendo um dos elementos do meio físico,
pouco espaço tem ocupado nesses estudos, sendo também muito
restrito o material disponível sobre esse assunto.
Como melhorar? Não é coisa que possa ocorrer de uma hora para
outra. Isso dependerá, é óbvio, de que os próprios geógrafos se
conscientizem da importância que a fitogeografia pode ter nos estudos
de uma região, e passar a seguir os princípios visados por Humboldt,
que preconizava, sempre, uma total integralização dos diferentes
aspectos de cada área em estudo.
8) A senhora teve diversas experiências profissionais, inclusive
atuando como colaboradora do ICITV (Institut de la Carte
Internationale du Tapis Vegetal) de Toulouse, França;
assessorias técnicas, etc, como bacharel em Geografia.
Mas, atualmente poucas vagas de emprego são oferecidas
para geógrafos bacharéis. Qual sua opinião sobre esse
fato e qual a importância dos bacharéis nos órgãos
públ icos?
R: Se realmente participei, depois de aposentada, de vários trabalhos,
tanto do Brasil quanto na França, isso deveu-se à minha especialização
em Fitogeografia e não pelo fato de ser bacharel. Emprego mesmo,
(9-15)
Além de algumas interpretações nem sempre muito claras, essas
classificações são todas excessivamente técnicas, não se prestando à
utilização por professores e estudantes em geral. Se pudermos
conseguir que eles cheguem a diferenciar, pelos seus nomes comuns,
os nossos principais tipos de vegetação, sabendo distingui-los na
paisagem, já nos daremos por muito satisfeitos.
7)Um dos grandes problemas do ensino de Geografia é
propiciar o entendimento das formações vegetais do Brasil.
Por que isto acontece? Como melhorar?
R: Lamento dizer, mas, esse problema surgiu, em parte, por culpa
dos próprios geógrafos. De alguns anos para cá, um certo número
deles passou a ignorar totalmente o fato de que a geografia é uma
ciência de síntese, englobando tanto as áreas físicas quanto humanas
e esqueceram as primeiras, dentre elas a Fitogeografia.
Fazendo-se uma pesquisa quanto aos trabalhos ultimamente
publicados, é fácil de ver-se que, muitos deles abordam aspectos
mais de cunho puramente sociológico, econômico, entre outros.
Como, naturalmente, não havia o necessário preparo para isso, os
resultados deixaram a desejar, desacreditando, assim, os verdadeiros
geógrafos.
Logicamente, a vegetação sendo um dos elementos do meio físico,
pouco espaço tem ocupado nesses estudos, sendo também muito
restrito o material disponível sobre esse assunto.
Como melhorar? Não é coisa que possa ocorrer de uma hora para
outra. Isso dependerá, é óbvio, de que os próprios geógrafos se
conscientizem da importância que a fitogeografia pode ter nos estudos
de uma região, e passar a seguir os princípios visados por Humboldt,
que preconizava, sempre, uma total integralização dos diferentes
aspectos de cada área em estudo.
8) A senhora teve diversas experiências profissionais, inclusive
atuando como colaboradora do ICITV (Institut de la Carte
Internationale du Tapis Vegetal) de Toulouse, França;
assessorias técnicas, etc, como bacharel em Geografia.
Mas, atualmente poucas vagas de emprego são oferecidas
para geógrafos bacharéis. Qual sua opinião sobre esse
fato e qual a importância dos bacharéis nos órgãos
públ icos?
R: Se realmente participei, depois de aposentada, de vários trabalhos,
tanto do Brasil quanto na França, isso deveu-se à minha especialização
em Fitogeografia e não pelo fato de ser bacharel. Emprego mesmo,
(9-15)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 17
SISTEMA DE INFORMAÇÕES AMBIENTAIS DA BACIA
HIDROGRÁFICA DA REPRESA DE ITUPARARANGA COMO
SUPORTE À IMPLANTAÇÃO DE UMA ÁREA DE
PROTEÇÃO AMBIENTAL NO ESTADO DE SÃO PAULO1
Nobel Penteado de Freitas2
José Paulo Marsola Garcia3
Fernando Shinji Kawakubo3
Ailton Luchiari4
Nivaldo Lemes da Silva Filho1
Lara Argoud2
Rúbia Gomes Morato3
Marcela Pellegrini Peçanha1
Massanori Takaki5
RESUMO Este artigo tem como objetivo apresentar os procedimentos
adotados na estruturação de um banco de dados geo-ambiental da bacia
hidrográfica da Represa Itupararanga, localizada no alto curso do rio Sorocaba.
O trabalho faz parte de um projeto maior de caráter multidisciplinar deno-
minado de Caracterização Geoambiental da Bacia da Represa de Itupararanga.
O projeto teve apoio financeiro do FEHIDRO e o seu objetivo foi realizar o
levantamento sistemático dos recursos naturais existentes na bacia com o
intuito de fornecer suporte a implantação e gestão da Área de Proteção
Ambiental (APA) de Itupararanga7 . Mapas derivados do Modelo de Elevação
Digital (como o de declividade e hipsometria), geológico, geomorfológico e
de uso/cobertura vegetal são apresentados. Utilizando a metodologia da
fragilidade ambiental proposta por Ross (1994), foram gerados mapas sínte-
ses que expressam a fragilidade potencial e ambiental do terreno.
Palavras chave: Geoprocessamento, APA, Itupararanga, Caracteriza-
ção, Banco de Dados Ambientais.
ABSTRACT The purpose of this paper is to show the procedures adopted
in the implementation of a geographic database of Itupararanga drainage
2 Projeto financiado pelo FEHIDRO
3 Núcleo de Estudos Ambientais, Universidade de Sorocaba – UNISO
4 Departamento de Geografia, Universidade Federal da Paraíba - UFPB
5 Departamento de Geografia, Universidade de São Paulo – USP (email: fsk@usp.br)
6 Departamento de Botânica, Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro.
7 A APA de Itupararanga foi promulgada no dia 1/12/1998 sob o número 10.100 e foi
complementada pela lei 11.579/03.
(17-32)
SISTEMA DE INFORMAÇÕES AMBIENTAIS DA BACIA
HIDROGRÁFICA DA REPRESA DE ITUPARARANGA COMO
SUPORTE À IMPLANTAÇÃO DE UMA ÁREA DE
PROTEÇÃO AMBIENTAL NO ESTADO DE SÃO PAULO1
Nobel Penteado de Freitas2
José Paulo Marsola Garcia3
Fernando Shinji Kawakubo3
Ailton Luchiari4
Nivaldo Lemes da Silva Filho1
Lara Argoud2
Rúbia Gomes Morato3
Marcela Pellegrini Peçanha1
Massanori Takaki5
RESUMO Este artigo tem como objetivo apresentar os procedimentos
adotados na estruturação de um banco de dados geo-ambiental da bacia
hidrográfica da Represa Itupararanga, localizada no alto curso do rio Sorocaba.
O trabalho faz parte de um projeto maior de caráter multidisciplinar deno-
minado de Caracterização Geoambiental da Bacia da Represa de Itupararanga.
O projeto teve apoio financeiro do FEHIDRO e o seu objetivo foi realizar o
levantamento sistemático dos recursos naturais existentes na bacia com o
intuito de fornecer suporte a implantação e gestão da Área de Proteção
Ambiental (APA) de Itupararanga7 . Mapas derivados do Modelo de Elevação
Digital (como o de declividade e hipsometria), geológico, geomorfológico e
de uso/cobertura vegetal são apresentados. Utilizando a metodologia da
fragilidade ambiental proposta por Ross (1994), foram gerados mapas sínte-
ses que expressam a fragilidade potencial e ambiental do terreno.
Palavras chave: Geoprocessamento, APA, Itupararanga, Caracteriza-
ção, Banco de Dados Ambientais.
ABSTRACT The purpose of this paper is to show the procedures adopted
in the implementation of a geographic database of Itupararanga drainage
2 Projeto financiado pelo FEHIDRO
3 Núcleo de Estudos Ambientais, Universidade de Sorocaba – UNISO
4 Departamento de Geografia, Universidade Federal da Paraíba - UFPB
5 Departamento de Geografia, Universidade de São Paulo – USP (email: fsk@usp.br)
6 Departamento de Botânica, Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro.
7 A APA de Itupararanga foi promulgada no dia 1/12/1998 sob o número 10.100 e foi
complementada pela lei 11.579/03.
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basin located at high course of Sorocaba River. This is part of a major
multipurpose and multidisciplinary project named Geoenvironmental
Characterization of Itupararanga Drainage Basin (CGBRI) that was supported
by FEHIDRO. The project aimed to systematically scan the natural resources
in the drainage basin to support the Itupararanga Área de Proteção Ambiental
(APA) – Environmental Protection Area –implementation and management.
Hypsometric and slope maps derived from the DEM (Digital Elevation
Model), as well as geologic, geomorphologic and land use/cover are
presented. Making use of the environmental fragility methodology developed
by Ross (1994), maps representing the terrain emerging and environmental
fragilities were also created.
Key words: Geomatic, APA, Itupararanga, Environmental
Characterization, Environmental Database.
INTRODUÇÃO
A expansão urbana acelerada tem gerado ao longo dos últimos
anos sérios problemas de conservação de áreas verdes destinadas tanto
ao abastecimento de água como locais de lazer à população.
A região de Sorocaba sofre atualmente um forte ciclo de
crescimento econômico e industrial. O principal manancial que abastece
os municípios é a represa de Itupararanga, responsável por 63% do
abastecimento da população (cerca de 800 mil pessoas), sendo Sorocaba
o maior consumidor.
A barragem de Itupararanga, situada na porção extremo oeste da
represa está localizada no município de Votorantim, alto curso do rio
Sorocaba. A empresa detentora da barragem é a Companhia Brasileira
de Alumínio (CBA). Além do fornecimento de água, a represa possui
outras funções como geração de energia elétrica e regularização da vazão
do rio Sorocaba durante os períodos de cheia (EMPLASA, 1985). Soma-
se ainda a função de espaço de lazer à população.
Análises laboratoriais realizadas no Núcleo de Estudos Ambientais
da Universidade de Sorocaba – UNISO mostram que a água observada
nas proximidades da barragem de Itupararanga é de ótima qualidade
(GARCIA et al. 2001). Apesar disto, uma série de problemas relacionados
especialmente ao uso e ocupação do solo têm sido observados ao longo
da bacia hidrográfica, que engloba uma área superior a 900Km2.
A principal atividade econômica existente na bacia é a agricultura
(faz parte do cinturão verde de São Paulo), que depende da água para a
irrigação. Outra característica marcante é a presença de inúmeras
chácaras de alto e médio padrão utilizadas como áreas de lazer de fins
(17-32)
basin located at high course of Sorocaba River. This is part of a major
multipurpose and multidisciplinary project named Geoenvironmental
Characterization of Itupararanga Drainage Basin (CGBRI) that was supported
by FEHIDRO. The project aimed to systematically scan the natural resources
in the drainage basin to support the Itupararanga Área de Proteção Ambiental
(APA) – Environmental Protection Area –implementation and management.
Hypsometric and slope maps derived from the DEM (Digital Elevation
Model), as well as geologic, geomorphologic and land use/cover are
presented. Making use of the environmental fragility methodology developed
by Ross (1994), maps representing the terrain emerging and environmental
fragilities were also created.
Key words: Geomatic, APA, Itupararanga, Environmental
Characterization, Environmental Database.
INTRODUÇÃO
A expansão urbana acelerada tem gerado ao longo dos últimos
anos sérios problemas de conservação de áreas verdes destinadas tanto
ao abastecimento de água como locais de lazer à população.
A região de Sorocaba sofre atualmente um forte ciclo de
crescimento econômico e industrial. O principal manancial que abastece
os municípios é a represa de Itupararanga, responsável por 63% do
abastecimento da população (cerca de 800 mil pessoas), sendo Sorocaba
o maior consumidor.
A barragem de Itupararanga, situada na porção extremo oeste da
represa está localizada no município de Votorantim, alto curso do rio
Sorocaba. A empresa detentora da barragem é a Companhia Brasileira
de Alumínio (CBA). Além do fornecimento de água, a represa possui
outras funções como geração de energia elétrica e regularização da vazão
do rio Sorocaba durante os períodos de cheia (EMPLASA, 1985). Soma-
se ainda a função de espaço de lazer à população.
Análises laboratoriais realizadas no Núcleo de Estudos Ambientais
da Universidade de Sorocaba – UNISO mostram que a água observada
nas proximidades da barragem de Itupararanga é de ótima qualidade
(GARCIA et al. 2001). Apesar disto, uma série de problemas relacionados
especialmente ao uso e ocupação do solo têm sido observados ao longo
da bacia hidrográfica, que engloba uma área superior a 900Km2.
A principal atividade econômica existente na bacia é a agricultura
(faz parte do cinturão verde de São Paulo), que depende da água para a
irrigação. Outra característica marcante é a presença de inúmeras
chácaras de alto e médio padrão utilizadas como áreas de lazer de fins
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de semana em razão da proximidade com a Região Metropolitana de
São Paulo (RMSP).
Uma das grandes preocupações que norteiam os ambientalistas e
a sociedade de maneira geral é a duplicação da Rodovia Raposo Tavares
(SP-270), que apesar de atravessar apenas um pequeno trecho da bacia
(em sua porção Nordeste, nos municípios de Vargem Grande Paulista e
São Roque), irá criar novos vetores de crescimento urbano. Tal fato
provavelmente irá contribuir com a degradação ambiental caso não sejam
estabelecidas políticas ambientais que visem à conservação deste
importante manancial de vital interesse para a sociedade.
As ações voltadas à conservação da água, do solo, do ar, da fauna
e da flora ainda são muito tímidas e insuficientes quando comparado à
intensidade e a velocidade da degradação que ocorre na bacia (GARCIA
et al. 2001). Todavia, algumas iniciativas devem ser destacadas como,
por exemplo: a criação do Comitê de Bacias Hidrográficas dos Rios
Sorocaba e Tietê em agosto de 1995; a proposição por este comitê pela
criação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Itupararanga (âmbito
Estadual); a realização do projeto financiado pelo FEHIDRO intitulado
“Caracterização Geo-Ambiental da Bacia da Represa de Itupararanga”
cujo presente artigo faz parte. Participaram deste projeto, pesquisadores
e professores da Universidade de Sorocaba (UNISO), Universidade
Estadual Paulista (UNESP) e Universidade de São Paulo (USP).
O Estado de São Paulo conta atualmente com 23 APAs Estaduais e
Federais, sem considerar a de Itupararanga. A maior parte delas localizada
na porção nordeste do Estado, mais precisamente na Serra da
Mantiqueira, ao longo do eixo Rio-São Paulo.
Apesar da região de Sorocaba passar por momentos de fortes
crescimentos populacionais, é bastante carente em termos de áreas
protegidas. A formulação de uma APA é considerada estratégica e de
fundamental importância para a conservação de áreas de manancial. A
APA constitui num instrumento da política ambiental que se caracteriza
pelo desenvolvimento sustentável na região (Lei nº 9.985/00), na qual
as atividades humanas devem ser exercidas no sentido de permitir a
integridade e a manutenção da qualidade ambiental do espaço (CABRAL
e SOUZA, 2002).
OBJETIVOS
O objetivo geral do projeto Caracterização Geo-Ambiental da Bacia
da Represa de Itupararanga consistiu em realizar o levantamento
sistemático dos recursos naturais existentes na bacia (identificando os
principais problemas ambientais e propondo medidas para a sua
(17-32)
de semana em razão da proximidade com a Região Metropolitana de
São Paulo (RMSP).
Uma das grandes preocupações que norteiam os ambientalistas e
a sociedade de maneira geral é a duplicação da Rodovia Raposo Tavares
(SP-270), que apesar de atravessar apenas um pequeno trecho da bacia
(em sua porção Nordeste, nos municípios de Vargem Grande Paulista e
São Roque), irá criar novos vetores de crescimento urbano. Tal fato
provavelmente irá contribuir com a degradação ambiental caso não sejam
estabelecidas políticas ambientais que visem à conservação deste
importante manancial de vital interesse para a sociedade.
As ações voltadas à conservação da água, do solo, do ar, da fauna
e da flora ainda são muito tímidas e insuficientes quando comparado à
intensidade e a velocidade da degradação que ocorre na bacia (GARCIA
et al. 2001). Todavia, algumas iniciativas devem ser destacadas como,
por exemplo: a criação do Comitê de Bacias Hidrográficas dos Rios
Sorocaba e Tietê em agosto de 1995; a proposição por este comitê pela
criação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Itupararanga (âmbito
Estadual); a realização do projeto financiado pelo FEHIDRO intitulado
“Caracterização Geo-Ambiental da Bacia da Represa de Itupararanga”
cujo presente artigo faz parte. Participaram deste projeto, pesquisadores
e professores da Universidade de Sorocaba (UNISO), Universidade
Estadual Paulista (UNESP) e Universidade de São Paulo (USP).
O Estado de São Paulo conta atualmente com 23 APAs Estaduais e
Federais, sem considerar a de Itupararanga. A maior parte delas localizada
na porção nordeste do Estado, mais precisamente na Serra da
Mantiqueira, ao longo do eixo Rio-São Paulo.
Apesar da região de Sorocaba passar por momentos de fortes
crescimentos populacionais, é bastante carente em termos de áreas
protegidas. A formulação de uma APA é considerada estratégica e de
fundamental importância para a conservação de áreas de manancial. A
APA constitui num instrumento da política ambiental que se caracteriza
pelo desenvolvimento sustentável na região (Lei nº 9.985/00), na qual
as atividades humanas devem ser exercidas no sentido de permitir a
integridade e a manutenção da qualidade ambiental do espaço (CABRAL
e SOUZA, 2002).
OBJETIVOS
O objetivo geral do projeto Caracterização Geo-Ambiental da Bacia
da Represa de Itupararanga consistiu em realizar o levantamento
sistemático dos recursos naturais existentes na bacia (identificando os
principais problemas ambientais e propondo medidas para a sua
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 25
circulam no meio. Entretanto, o equilíbrio é freqüentemente alterado
pelas intervenções humanas, gerando estado de desequilíbrios que
podem ser temporários ou até permanentes.
Tricart (1977) propôs a classificação dos meios naturais em três
categorias denotadas de Meios Estáveis, Meios Intergrades e Meios
Fortemente Instáveis. Os Meios Estáveis são marcados pelo predomínio
da pedogênese sobre a morfogênese. A vegetação que os recobre é
freqüentemente atingem a condição do clímax. Os Meios Intergrades ou
Intermediários são caracterizados pela interferência permanente da
morfogênese e pedogênese, excedendo de maneira concorrente sobre
um mesmo espaço. Já os Meios Instáveis são caracterizados por condições
de relevo agressivo e desfavorável ao desenvolvimento da cobertura
vegetal. São ambientes predominantemente morfogênicos, onde a
transmissão de fluxo de energia é muito intensa.
Diante dos estados de equilíbrio e desequilíbrio que o ambiente
está submetido (TRICART, 1977), Ross (1994) sistematizou uma hierarquia
de fragilidade representada por cinco classes: Muito Fraca, Fraca, Média,
Forte e Muito Forte. Estas categorias expressam a fragilidade do ambiente
em relação aos processos ocasionados pelos escoamentos superficiais
difusos e concentrados das águas pluviais.
Os procedimentos operacionais para a construção do mapa de
fragilidade ambiental exigiram num primeiro instante a confecção dos
mapas analíticos de relevo, solo, geologia, clima, uso da terra e cobertura
vegetal etc. Posteriormente, estas informações foram analisadas de forma
integrada adotando os critérios de fragilidades apresentados por Ross
(1994).
Dois mapas de fragilidade foram confeccionados. O primeiro é
denominado fragilidade potencial, que combina as informações de
declividade e forma do relevo com os tipos de solos e geologia. O segundo
mapa consiste na fragilidade ambiental propriamente dito, que considera
além da fragilidade natural do ambiente (potencial) o grau de proteção
que os diferentes tipos de uso e cobertura vegetal oferecem ao meio.
BANCO DE DADOS AMBIENTAIS DA BACIA DE
ITUPARARANGA
Conforme exposto anteriormente, o primeiro procedimento
adotado consistiu na definição do sistema de coordenadas. Os
parâmetros cartográficos especificados são apresentados na tabela 1.
(17-32)
circulam no meio. Entretanto, o equilíbrio é freqüentemente alterado
pelas intervenções humanas, gerando estado de desequilíbrios que
podem ser temporários ou até permanentes.
Tricart (1977) propôs a classificação dos meios naturais em três
categorias denotadas de Meios Estáveis, Meios Intergrades e Meios
Fortemente Instáveis. Os Meios Estáveis são marcados pelo predomínio
da pedogênese sobre a morfogênese. A vegetação que os recobre é
freqüentemente atingem a condição do clímax. Os Meios Intergrades ou
Intermediários são caracterizados pela interferência permanente da
morfogênese e pedogênese, excedendo de maneira concorrente sobre
um mesmo espaço. Já os Meios Instáveis são caracterizados por condições
de relevo agressivo e desfavorável ao desenvolvimento da cobertura
vegetal. São ambientes predominantemente morfogênicos, onde a
transmissão de fluxo de energia é muito intensa.
Diante dos estados de equilíbrio e desequilíbrio que o ambiente
está submetido (TRICART, 1977), Ross (1994) sistematizou uma hierarquia
de fragilidade representada por cinco classes: Muito Fraca, Fraca, Média,
Forte e Muito Forte. Estas categorias expressam a fragilidade do ambiente
em relação aos processos ocasionados pelos escoamentos superficiais
difusos e concentrados das águas pluviais.
Os procedimentos operacionais para a construção do mapa de
fragilidade ambiental exigiram num primeiro instante a confecção dos
mapas analíticos de relevo, solo, geologia, clima, uso da terra e cobertura
vegetal etc. Posteriormente, estas informações foram analisadas de forma
integrada adotando os critérios de fragilidades apresentados por Ross
(1994).
Dois mapas de fragilidade foram confeccionados. O primeiro é
denominado fragilidade potencial, que combina as informações de
declividade e forma do relevo com os tipos de solos e geologia. O segundo
mapa consiste na fragilidade ambiental propriamente dito, que considera
além da fragilidade natural do ambiente (potencial) o grau de proteção
que os diferentes tipos de uso e cobertura vegetal oferecem ao meio.
BANCO DE DADOS AMBIENTAIS DA BACIA DE
ITUPARARANGA
Conforme exposto anteriormente, o primeiro procedimento
adotado consistiu na definição do sistema de coordenadas. Os
parâmetros cartográficos especificados são apresentados na tabela 1.
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Itupararanga, 850-900m as planícies do rio Sorocamirim e Sorocabuçu,
900-950m os mares de morros (IPT, 1981b) e acima de 950m as regiões
serranas, especialmente a Serra de Paranapiacaba (1) e de São Roque
(2), onde as altitudes frequentemente ultrapassam os 1000 metros. Na
Serra de São Francisco (3) as altitudes restringem-se a 950-1000 metros.
Os intervalos de declividades foram estabelecidos seguindo a
análise da fragilidade ambiental (ROSS, 1994), ou seja, de acordo com
a capacidade de uso/aptidão agrícola associado com os valores críticos
da geotécnica. Os cinco intervalos em porcentagem (0-6, 6-12, 12-20,
20-30 e maior que 30) representam respectivamente as classes Muito
Fraca, Fraca, Média, Forte e Muito Forte. As declividades dominantes
na bacia são de 20-30% (fragilidade forte). Nas regiões serranas as
declividades ultrapassam muitas vezes os 30% (fragilidade muito forte).
Figura 2.
Os mapas de geologia, geomorfologia e uso/cobertura vegetal são
ilustrados na figura 3.
A geologia dominante corresponde a classe PSd, que representa
os granitos dos maciços de São Roque, Ibiúna e Caucaia. As classes PSE,
(17-32)
Itupararanga, 850-900m as planícies do rio Sorocamirim e Sorocabuçu,
900-950m os mares de morros (IPT, 1981b) e acima de 950m as regiões
serranas, especialmente a Serra de Paranapiacaba (1) e de São Roque
(2), onde as altitudes frequentemente ultrapassam os 1000 metros. Na
Serra de São Francisco (3) as altitudes restringem-se a 950-1000 metros.
Os intervalos de declividades foram estabelecidos seguindo a
análise da fragilidade ambiental (ROSS, 1994), ou seja, de acordo com
a capacidade de uso/aptidão agrícola associado com os valores críticos
da geotécnica. Os cinco intervalos em porcentagem (0-6, 6-12, 12-20,
20-30 e maior que 30) representam respectivamente as classes Muito
Fraca, Fraca, Média, Forte e Muito Forte. As declividades dominantes
na bacia são de 20-30% (fragilidade forte). Nas regiões serranas as
declividades ultrapassam muitas vezes os 30% (fragilidade muito forte).
Figura 2.
Os mapas de geologia, geomorfologia e uso/cobertura vegetal são
ilustrados na figura 3.
A geologia dominante corresponde a classe PSd, que representa
os granitos dos maciços de São Roque, Ibiúna e Caucaia. As classes PSE,
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 29
PSsr e ZM são respectivamente as rochas metassedimentares do
Complexo Embu, as rochas do grupo São Roque e as zonas miloníticas.
Ao longo dos vales fluviais encontram-se os depósitos aluvionares
recentes e atuais (Qa) e as coberturas cenozóicas indiferenciadas,
formadas por sedimentos pouco consolidados (TQ).
Com relação à geomorfologia, existe uma grande variação no
modelado, predominando as formas denudacionais (Dc) em relação às
planícies Fluvio-Aluviais (PLA) e os Terraços Aluviais (TA). Os números
23, 24, 22, 43 e 44 que sucedem à sigla Dc representam códigos, sendo
o primeiro dígito o grau de entalhamento dos vales e o segundo, a
dimensão interfluvial média (ROSS, 1997). Ambos os dígitos variam de
1 a 5 (muito fraco a muito forte).
As classes Dc que começam com o número 2 (Dc23 e Dc24)
possuem grau de entalhamento fraco, ou seja, de 20 a 40m. Os que
começam com 3 (Dc33 e Dc34), possuem entalhamento médio (40 a
80m.) e os que começam com 4 (dc43 e Dc44), entalhamento forte (80
a 160m). No segundo dígito, o número 3 possui dimensão interfluvial
média (750 a 1750m) e o número 4, pequena (250 a 750m).
O grau de entalhamento dos vales mais pronunciados encontra-
se ao norte, sudeste (onde se encontram a Serra de São Roque e
Paranapiacaba, ambos constituídos predominantemente por granito) e
a leste, delimitada pela zona milonítica.
Para o uso da terra e cobertura vegetal, sete classes foram
mapeadas: Mata, Vegetação de Várzea, Campo Limpo, Campo Sujo/
Capoeira, Área de Culturas/Chácaras, Área Urbanizada e Represa.
A maior parte da bacia é ocupada por atividades agrícolas
praticadas em pequenas propriedades, estendendo-se por toda a sua
porção central. As áreas matas nativas restringem-se a Serra de
Paranapiacaba e no entorno da Represa. Os principais núcleos urbanos
estão concentrados na região leste da bacia (Vargem Grande Paulista e
Cotia), próximo a Rodovia Raposo Tavares. Outro núcleo urbano
importante é Ibiúna, localizada na porção central.
A análise dos mapas ditos analíticos (ROSS, 1994) deu origem
aos mapas de fragilidade potencial e ambiental. Os resultados são
apresentados na figura 4.
(17-32)
PSsr e ZM são respectivamente as rochas metassedimentares do
Complexo Embu, as rochas do grupo São Roque e as zonas miloníticas.
Ao longo dos vales fluviais encontram-se os depósitos aluvionares
recentes e atuais (Qa) e as coberturas cenozóicas indiferenciadas,
formadas por sedimentos pouco consolidados (TQ).
Com relação à geomorfologia, existe uma grande variação no
modelado, predominando as formas denudacionais (Dc) em relação às
planícies Fluvio-Aluviais (PLA) e os Terraços Aluviais (TA). Os números
23, 24, 22, 43 e 44 que sucedem à sigla Dc representam códigos, sendo
o primeiro dígito o grau de entalhamento dos vales e o segundo, a
dimensão interfluvial média (ROSS, 1997). Ambos os dígitos variam de
1 a 5 (muito fraco a muito forte).
As classes Dc que começam com o número 2 (Dc23 e Dc24)
possuem grau de entalhamento fraco, ou seja, de 20 a 40m. Os que
começam com 3 (Dc33 e Dc34), possuem entalhamento médio (40 a
80m.) e os que começam com 4 (dc43 e Dc44), entalhamento forte (80
a 160m). No segundo dígito, o número 3 possui dimensão interfluvial
média (750 a 1750m) e o número 4, pequena (250 a 750m).
O grau de entalhamento dos vales mais pronunciados encontra-
se ao norte, sudeste (onde se encontram a Serra de São Roque e
Paranapiacaba, ambos constituídos predominantemente por granito) e
a leste, delimitada pela zona milonítica.
Para o uso da terra e cobertura vegetal, sete classes foram
mapeadas: Mata, Vegetação de Várzea, Campo Limpo, Campo Sujo/
Capoeira, Área de Culturas/Chácaras, Área Urbanizada e Represa.
A maior parte da bacia é ocupada por atividades agrícolas
praticadas em pequenas propriedades, estendendo-se por toda a sua
porção central. As áreas matas nativas restringem-se a Serra de
Paranapiacaba e no entorno da Represa. Os principais núcleos urbanos
estão concentrados na região leste da bacia (Vargem Grande Paulista e
Cotia), próximo a Rodovia Raposo Tavares. Outro núcleo urbano
importante é Ibiúna, localizada na porção central.
A análise dos mapas ditos analíticos (ROSS, 1994) deu origem
aos mapas de fragilidade potencial e ambiental. Os resultados são
apresentados na figura 4.
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200830
Figura 3
Figura 4
Observa-se que os mapas de fragilidade potencial e ambiental
são bastante parecidos, o que sugere trata-se de uma bacia ainda
conservada. A maior parte é classificada como fragilidade Forte. Na
represa, nos principais sistemas de falhas e nas áreas mais urbanizadas
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Figura 3
Figura 4
Observa-se que os mapas de fragilidade potencial e ambiental
são bastante parecidos, o que sugere trata-se de uma bacia ainda
conservada. A maior parte é classificada como fragilidade Forte. Na
represa, nos principais sistemas de falhas e nas áreas mais urbanizadas
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200832
CRÓSTA, A. P. Processamento Digital de Imagens de Sensoriamento
Remoto. 3º Reimpressão. Campinas:Universidade Estadual de Campinas, 1999.
EMPLASA . Os Problemas das Inundações na GSP: situação atual e
implementação de diretrizes metropolitanas. São Paulo: Empresa
Metropolitana de Planejamento Urbano, 1985.
GARCIA, J. P. M., FREITAS, N. P., SILVA FILHO, N. L., LUCHIARI, A., ARGOUD,
L., PEÇANHA, M. P. Caracterização Geo-ambiental da bacia da represa
de Itupararanga. São Paulo: Relatório Final do Convênio UNISO/UNESPE/
USP. 2001.
GODOY, A. M. Caracterização faciológica, petrográfica e geoquímica
dos maciços Sorocaba e São Francisco-SP. 1989. 220f. Monografia (Tese
de Doutorado) – Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo, São Paulo,
1989.
GORTE, B.G.H.; KOOLHOVEN W. Interpolation between isolines based on the
Borgefors distance transform. ITC Journal, v. 3, p. 245-247, 1990.
HASUI, Y. Mapa geológico da folha São Roque. Boletim IG. v. 6, 1975.
HOWARTH, R. J. Mapping, In: HOWARTH, R. J. Statistics and data analysis
in geochemical prospecting. Elsevier, 1983.
IBGE Cartas topográficas folhas Sorocaba, Jurupará, São Roque,
Juquitiba e Itapecerica da Serra. Ro de Janeiro: Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, 1973. Escala 1: 50 000.
IGC Carta de utilização da terra do estado de São Paulo, folha São
Paulo. São Paulo: Instituto Geográfico e Cartográfico, 1981. 1 mapa. Escala 1:
250 000.
IPT Mapa geológico do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto de
Pesquisas Tecnológicas, 1981. 2 vol. Escala 1: 500 000. Acompanha relatório
técnico.
MORATO, R. G. O Geoprocessamento como Subsídio ao Estudo da Fragilidade
Ambiental. 2000. 44f. Dissertação (Trabalho de Graduação Individual)
– Departamento de Geografia da FFLCH, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2000.
ROSS, J. L. S. Análise empírica da fragilidade dos ambientes naturais e
antropizados.
Revista do Departamento de Geografia. n.8, p.63-74. 1994.
ROSS, J. L. S.; MOROZ, I. C. Mapa Geomorfológico do Estado de São
Paulo. São Paulo: USP/IPT/FAPESP, 1997. 1 mapa. Escala 1: 500 000.
Acompanha relatório técnico.
TRICART, J. Ecodinâmica. Rio de Janeiro: Fundação Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, 1977.
(17-32)
CRÓSTA, A. P. Processamento Digital de Imagens de Sensoriamento
Remoto. 3º Reimpressão. Campinas:Universidade Estadual de Campinas, 1999.
EMPLASA . Os Problemas das Inundações na GSP: situação atual e
implementação de diretrizes metropolitanas. São Paulo: Empresa
Metropolitana de Planejamento Urbano, 1985.
GARCIA, J. P. M., FREITAS, N. P., SILVA FILHO, N. L., LUCHIARI, A., ARGOUD,
L., PEÇANHA, M. P. Caracterização Geo-ambiental da bacia da represa
de Itupararanga. São Paulo: Relatório Final do Convênio UNISO/UNESPE/
USP. 2001.
GODOY, A. M. Caracterização faciológica, petrográfica e geoquímica
dos maciços Sorocaba e São Francisco-SP. 1989. 220f. Monografia (Tese
de Doutorado) – Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo, São Paulo,
1989.
GORTE, B.G.H.; KOOLHOVEN W. Interpolation between isolines based on the
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Juquitiba e Itapecerica da Serra. Ro de Janeiro: Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, 1973. Escala 1: 50 000.
IGC Carta de utilização da terra do estado de São Paulo, folha São
Paulo. São Paulo: Instituto Geográfico e Cartográfico, 1981. 1 mapa. Escala 1:
250 000.
IPT Mapa geológico do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto de
Pesquisas Tecnológicas, 1981. 2 vol. Escala 1: 500 000. Acompanha relatório
técnico.
MORATO, R. G. O Geoprocessamento como Subsídio ao Estudo da Fragilidade
Ambiental. 2000. 44f. Dissertação (Trabalho de Graduação Individual)
– Departamento de Geografia da FFLCH, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2000.
ROSS, J. L. S. Análise empírica da fragilidade dos ambientes naturais e
antropizados.
Revista do Departamento de Geografia. n.8, p.63-74. 1994.
ROSS, J. L. S.; MOROZ, I. C. Mapa Geomorfológico do Estado de São
Paulo. São Paulo: USP/IPT/FAPESP, 1997. 1 mapa. Escala 1: 500 000.
Acompanha relatório técnico.
TRICART, J. Ecodinâmica. Rio de Janeiro: Fundação Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, 1977.
(17-32)
Page 35
Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 35
da paisagem. Como também não se pode negar que, ao tentar explicar
sua dinâmica, dentro do contexto ambiental, cabe à Geografia Física o
mérito das primeiras representações cartográficas, que, ao tentar
correlacionar seus elementos, sempre buscou possibilidades de descrevê-
las através de cenários gráficos.
Tais afirmações tornam-se perceptíveis nos numerosos trabalhos,
de natureza bio-geomorfológica, que trouxeram para a Geografia
diferentes teorias, paradigmas e procedimentos metodológicos na busca
de uma discussão, explicação e proposição da mesma.
Neste ínterim, a Teoria Geral dos Sistemas (TSG) formalizada
por Bertalanffy (1968)4 e ampliada por Chorley e Kennedy (1971)
despertou o olhar e análise geográfica e espacial sobre a paisagem a
partir da funcionalidade sistêmica.
O Paradigma Geossistêmico proposto por Sotchava (1960) e,
posteriormente por Bertrand (1977), que baseados nos princípios da
TSG, trouxeram a necessidade de se analisar a paisagem, de forma
indissociável, pelas escalas taxonômicas - ordem de grandeza em
que se manifesta o fenômeno -, e escala – espacial e temporal –, para a
partir daí chegar à sua representação, denominada como “Cartografia
das Paisagens”.
A Fisiologia da Paisagem, também conhecida como “Teoria
Geográfica da Paisagem”, difundida no Brasil, em 1968, pelo Prof. Aziz
Ab’Saber5 com a pretensão de mostrar que, como os estudos da natureza
são analisados de forma integrada, à Geografia Física caberia o esforço
de contribuir com trabalhos que estudem a paisagem em seus diferentes
aspectos considerando os processos recentes de ordem climática,
pedológica e morfológica, juntamente com a inclusão das pressões
sociais ao ambiente.
Para àqueles que adotam seus princípios, além da convencional
representação bidimensional – o mapa temático -, cartograficamente é
bastante comum observar trabalhos dotados de croquis paisagísticos
com representações singulares da paisagem, como também, trabalhos
que se utilizam dos Perfis Geo-Ambientais ou Geo-Ecológicos para a
leitura e representação da paisagem.
4 De acordo com Argento (1987, p. 50) a Teoria Geral dos Sistemas divulgado por Bertalanffy
ocorre em 1968, em detrimento de seu trabalho/artigo – “Problems of General Systems Theory”
– publicado pela revista Humam Biology, nº 23: 302-312, 1951.
5 Apud Conti (2001, p. 59).
(33-56)
da paisagem. Como também não se pode negar que, ao tentar explicar
sua dinâmica, dentro do contexto ambiental, cabe à Geografia Física o
mérito das primeiras representações cartográficas, que, ao tentar
correlacionar seus elementos, sempre buscou possibilidades de descrevê-
las através de cenários gráficos.
Tais afirmações tornam-se perceptíveis nos numerosos trabalhos,
de natureza bio-geomorfológica, que trouxeram para a Geografia
diferentes teorias, paradigmas e procedimentos metodológicos na busca
de uma discussão, explicação e proposição da mesma.
Neste ínterim, a Teoria Geral dos Sistemas (TSG) formalizada
por Bertalanffy (1968)4 e ampliada por Chorley e Kennedy (1971)
despertou o olhar e análise geográfica e espacial sobre a paisagem a
partir da funcionalidade sistêmica.
O Paradigma Geossistêmico proposto por Sotchava (1960) e,
posteriormente por Bertrand (1977), que baseados nos princípios da
TSG, trouxeram a necessidade de se analisar a paisagem, de forma
indissociável, pelas escalas taxonômicas - ordem de grandeza em
que se manifesta o fenômeno -, e escala – espacial e temporal –, para a
partir daí chegar à sua representação, denominada como “Cartografia
das Paisagens”.
A Fisiologia da Paisagem, também conhecida como “Teoria
Geográfica da Paisagem”, difundida no Brasil, em 1968, pelo Prof. Aziz
Ab’Saber5 com a pretensão de mostrar que, como os estudos da natureza
são analisados de forma integrada, à Geografia Física caberia o esforço
de contribuir com trabalhos que estudem a paisagem em seus diferentes
aspectos considerando os processos recentes de ordem climática,
pedológica e morfológica, juntamente com a inclusão das pressões
sociais ao ambiente.
Para àqueles que adotam seus princípios, além da convencional
representação bidimensional – o mapa temático -, cartograficamente é
bastante comum observar trabalhos dotados de croquis paisagísticos
com representações singulares da paisagem, como também, trabalhos
que se utilizam dos Perfis Geo-Ambientais ou Geo-Ecológicos para a
leitura e representação da paisagem.
4 De acordo com Argento (1987, p. 50) a Teoria Geral dos Sistemas divulgado por Bertalanffy
ocorre em 1968, em detrimento de seu trabalho/artigo – “Problems of General Systems Theory”
– publicado pela revista Humam Biology, nº 23: 302-312, 1951.
5 Apud Conti (2001, p. 59).
(33-56)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200836
E, mais recentemente, a Ecologia da Paisagem6 , introduzida na
Geografia por Troll em (1938)8 , quatro anos após Tansley (1935)7 , ter
divulgado o conceito de “ecossistema”, propõe a fundação de uma nova
ecociência (a Geoecologia ou a Ecologia das Paisagens), com o objetivo
dos geógrafos e ecólogos trabalharem em estreita colaboração na tentativa
de unificar os princípios da Vida e da Terra, para a busca do conhecimento
de como se processa a dinâmica da paisagem (Morelli, 2002, p. 25).
Anos mais tarde, Zonneveld (1979) traz a expressão “Unidade de
Paisagem” (land unit) como um conceito fundamental para a “abordagem
geográfica”. A partir de então, nasce uma diferença conflituosa, entre a
Geografia e a Ecologia, do que vem a ser uma unidade de paisagem.
Santos (2004), esclarece que:
“... na abordagem ecológica, as unidades da paisagem são entendidas
como cada unidade componente da paisagem no eixo horizontal. Um
remanescente florestal, por exemplo, é considerado uma unidade de
paisagem. Já na abordagem geográfica, a unidade de paisagem é um
espaço onde predominam atributos dos eixos horizontal e vertical de mesma
qualidade ou características comuns. Assim, um remanescente florestal
pode ser desdobrado em diferentes unidades se o solo e o relevo se
diferenciam (Santos, 2004, p. 145)”.
Mesmo apresentando concepções diferentes entre si,
principalmente no que concerne ao enfoque da dinâmica da paisagem
e sua representação cartográfica, todas essas Teorias convergem para
um ponto comum, a busca para sua explicação e sustentabilidade. Em
todos os casos, a noção de espaço - e da inter-relação do homem com
seu ambiente - está incutida na maior parte das definições.
Mas, afinal, o que é Paisagem? Paisagem, portanto, é o que vemos
diante de nós. É a realidade do visível (Ab’Saber, 1969, p. 4). Destaca-
se por suas propriedades visuais, pelo seu caráter dinâmico e por suas
peculiaridades às mudanças sociais, abrigando formas (do passado, do
presente e as possíveis tendências ao futuro), funções, estruturas e
processos distintos (Santos, 1986, p. 37). Sua produção e transformação
6 Ecologia da Paisagem caracteriza-se no meio científico por um duplo nascimento e,
conseqüentemente, por duas visões distintas acerca do entendimento da paisagem: uma sob a
“abordagem geográfica” e a outra sob os aspectos da “abordagem ecológica”. Segundo Metzger
(2001, p. 7), enquanto a abordagem geográfica privilegia o estudo da influência do homem
sobre a paisagem e a gestão do território; a abordagem ecológica enfatiza a importância do
contexto espacial sobre os processos ecológicos, e a importância destas relações em termos de
conservação biológica. Essas abordagens por apresentarem conceitos e definições distintas, e
por vezes conflitantes, dificultam a concepção de um arcabouço teórico comum.
7 Apud Argento (1987, p. 53)
8 Apud Argento (1987, p. 53)
(33-56)
E, mais recentemente, a Ecologia da Paisagem6 , introduzida na
Geografia por Troll em (1938)8 , quatro anos após Tansley (1935)7 , ter
divulgado o conceito de “ecossistema”, propõe a fundação de uma nova
ecociência (a Geoecologia ou a Ecologia das Paisagens), com o objetivo
dos geógrafos e ecólogos trabalharem em estreita colaboração na tentativa
de unificar os princípios da Vida e da Terra, para a busca do conhecimento
de como se processa a dinâmica da paisagem (Morelli, 2002, p. 25).
Anos mais tarde, Zonneveld (1979) traz a expressão “Unidade de
Paisagem” (land unit) como um conceito fundamental para a “abordagem
geográfica”. A partir de então, nasce uma diferença conflituosa, entre a
Geografia e a Ecologia, do que vem a ser uma unidade de paisagem.
Santos (2004), esclarece que:
“... na abordagem ecológica, as unidades da paisagem são entendidas
como cada unidade componente da paisagem no eixo horizontal. Um
remanescente florestal, por exemplo, é considerado uma unidade de
paisagem. Já na abordagem geográfica, a unidade de paisagem é um
espaço onde predominam atributos dos eixos horizontal e vertical de mesma
qualidade ou características comuns. Assim, um remanescente florestal
pode ser desdobrado em diferentes unidades se o solo e o relevo se
diferenciam (Santos, 2004, p. 145)”.
Mesmo apresentando concepções diferentes entre si,
principalmente no que concerne ao enfoque da dinâmica da paisagem
e sua representação cartográfica, todas essas Teorias convergem para
um ponto comum, a busca para sua explicação e sustentabilidade. Em
todos os casos, a noção de espaço - e da inter-relação do homem com
seu ambiente - está incutida na maior parte das definições.
Mas, afinal, o que é Paisagem? Paisagem, portanto, é o que vemos
diante de nós. É a realidade do visível (Ab’Saber, 1969, p. 4). Destaca-
se por suas propriedades visuais, pelo seu caráter dinâmico e por suas
peculiaridades às mudanças sociais, abrigando formas (do passado, do
presente e as possíveis tendências ao futuro), funções, estruturas e
processos distintos (Santos, 1986, p. 37). Sua produção e transformação
6 Ecologia da Paisagem caracteriza-se no meio científico por um duplo nascimento e,
conseqüentemente, por duas visões distintas acerca do entendimento da paisagem: uma sob a
“abordagem geográfica” e a outra sob os aspectos da “abordagem ecológica”. Segundo Metzger
(2001, p. 7), enquanto a abordagem geográfica privilegia o estudo da influência do homem
sobre a paisagem e a gestão do território; a abordagem ecológica enfatiza a importância do
contexto espacial sobre os processos ecológicos, e a importância destas relações em termos de
conservação biológica. Essas abordagens por apresentarem conceitos e definições distintas, e
por vezes conflitantes, dificultam a concepção de um arcabouço teórico comum.
7 Apud Argento (1987, p. 53)
8 Apud Argento (1987, p. 53)
(33-56)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 37
contínuas estão associadas, basicamente, a fatores sociais (interesses
humanos), os quais produzem e reproduzem, em diferentes escalas
espaciais e temporais, os contextos culturais e históricos da sociedade
(Zacharias, 2005 e 2006).
Assim, “analisar a paisagem significa ter um domínio da concepção
dialética e da essência dos fenômenos ambientais e geográficos, uma vez
que, para manter sua inter-relação, seus traços e configurações se revelam
através de três níveis dialéticos complexos, totalmente interdependentes
entre si: a paisagem natural (natureza), a paisagem social (sociedade) e a
paisagem cultural (transformações temporo-espaciais)” (Mateo Rodriguez,
2003, p. 9-10).
Fato que faz da Cartografia uma importante linguagem ao quadro
propositivo da paisagem. Associado aos fundamentos metodológicos
da representação gráfica (Semiologia Gráfica), a Cartografia constitui-se
em um importante instrumento de estudo das unidades de paisagem;
não apenas ao fornecer uma cartografia ambiental de síntese que busca
representar - através de mapeamentos temáticos - a relação dos
componentes que perfazem a natureza como um sistema e dela com o
homem; mas também ao permitir uma abordagem dinâmica, através da
elaboração de cenários gráficos, espaciais e temporais. Cada um desses
cenários pode possibilitar uma interpretação particular de um fato: o
que foi (cenário passado), o que é (cenário real), o que será se medidas
mitigadoras não forem tomadas (cenário futuro tendencial), como deveria
ser (cenário futuro ideal) frente às potencialidades e restrições naturais.
Pensando nisso, sem dúvida, o objetivo da cartografia, durante o
inventário da paisagem, agrega mais atribuições. Não tem apenas a
mera função da representação de um fenômeno ou atributo. Associa-
lhe, também, a comunicação. E, a priori, como meio de comunicação –
enquanto uma linguagem gráfica e visual - exige, portanto, como qualquer
outra área científica, o mínimo de procedimentos metodológicos, por
parte daqueles que a utilizam.
Considerando sua importância, a representação gráfica da
paisagem ainda se constitui em um desafio aos mapeamentos ambientais.
Tal fato é claramente percebido; primeiro, pela falta de conhecimentos
empíricos dos profissionais envolvidos em trabalhos que requerem sua
aplicabilidade. E, segundo, porque muitos trabalhos de Geografia relegam
a um plano inferior as regras da linguagem cartográfica, durante a
elaboração dos mapeamentos temáticos, em detrimento de estudos que
priorizam a discussão sobre conjuntos de operações e/ou manipulações,
possibilitados pelos sofisticados softwares ligados a geoinformação de
dados espaciais.
Porém, a maior questão prevalente se traduz na necessidade de
(33-56)
contínuas estão associadas, basicamente, a fatores sociais (interesses
humanos), os quais produzem e reproduzem, em diferentes escalas
espaciais e temporais, os contextos culturais e históricos da sociedade
(Zacharias, 2005 e 2006).
Assim, “analisar a paisagem significa ter um domínio da concepção
dialética e da essência dos fenômenos ambientais e geográficos, uma vez
que, para manter sua inter-relação, seus traços e configurações se revelam
através de três níveis dialéticos complexos, totalmente interdependentes
entre si: a paisagem natural (natureza), a paisagem social (sociedade) e a
paisagem cultural (transformações temporo-espaciais)” (Mateo Rodriguez,
2003, p. 9-10).
Fato que faz da Cartografia uma importante linguagem ao quadro
propositivo da paisagem. Associado aos fundamentos metodológicos
da representação gráfica (Semiologia Gráfica), a Cartografia constitui-se
em um importante instrumento de estudo das unidades de paisagem;
não apenas ao fornecer uma cartografia ambiental de síntese que busca
representar - através de mapeamentos temáticos - a relação dos
componentes que perfazem a natureza como um sistema e dela com o
homem; mas também ao permitir uma abordagem dinâmica, através da
elaboração de cenários gráficos, espaciais e temporais. Cada um desses
cenários pode possibilitar uma interpretação particular de um fato: o
que foi (cenário passado), o que é (cenário real), o que será se medidas
mitigadoras não forem tomadas (cenário futuro tendencial), como deveria
ser (cenário futuro ideal) frente às potencialidades e restrições naturais.
Pensando nisso, sem dúvida, o objetivo da cartografia, durante o
inventário da paisagem, agrega mais atribuições. Não tem apenas a
mera função da representação de um fenômeno ou atributo. Associa-
lhe, também, a comunicação. E, a priori, como meio de comunicação –
enquanto uma linguagem gráfica e visual - exige, portanto, como qualquer
outra área científica, o mínimo de procedimentos metodológicos, por
parte daqueles que a utilizam.
Considerando sua importância, a representação gráfica da
paisagem ainda se constitui em um desafio aos mapeamentos ambientais.
Tal fato é claramente percebido; primeiro, pela falta de conhecimentos
empíricos dos profissionais envolvidos em trabalhos que requerem sua
aplicabilidade. E, segundo, porque muitos trabalhos de Geografia relegam
a um plano inferior as regras da linguagem cartográfica, durante a
elaboração dos mapeamentos temáticos, em detrimento de estudos que
priorizam a discussão sobre conjuntos de operações e/ou manipulações,
possibilitados pelos sofisticados softwares ligados a geoinformação de
dados espaciais.
Porém, a maior questão prevalente se traduz na necessidade de
(33-56)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200844
a escala só é um problema epistemológico enquanto definidora de espaços
de pertinência da medida dos fenômenos, porque enquanto medida de
proporção ela é um problema matemático. Assim, ao definir as ordens de
grandeza para a análise, Lacoste aprisionou o conceito de escala e
transformou-o numa fórmula prévia, aliás já bastante utilizada, para recortar
o espaço geográfico. Sua reflexão sobre escala, apesar de oportuna e
importante, introduziu um truísmo, ou seja, o tamanho na relação entre
território e a sua representação cartográfica” (Castro, 2003, p. 122-123).
Mais adiante, em suas conclusões a autora diz que, na Geografia:
“... o raciocínio analógico entre escalas cartográfica e geográfica
dificultou a problematização do conceito, uma vez que a primeira
satisfazia plenamente às necessidades empíricas da segunda. Nas
últimas décadas, porém, exigências teóricas e conceituais impuseram-
se a todos os campos da Geografia, e o problema da escala, embora
ainda pouco discutido, começa a ir além de uma medida de
proporção da representação gráfica do território, ganhando novos
contornos para expressar a representação dos diferentes modos de
percepção e de concepção do real”, (Castro, 2003, p. 124).
Buscando entender tais considerações, fica claro que cada
elemento, componente ou fenômeno sobre a paisagem corresponde a
uma representação das informações, por meio de uma mensuração
escalar.
A escala cartográfica pressupõe de raciocínio puramente
matemático para representar o tamanho e a proporcionalidade do real.
Enquanto a escala geográfica enfrenta o problema do tamanho, dada
sua prerrogativa de análise espacial e temporal do fenômeno, que varia
do espaço local ao regional, do regional ao nacional, ou mesmo do
nacional ao mundial.
Os fenômenos geográficos ocorrem em todas as escalas. Sua
percepção, contudo, torna-se impossível dependendo da escala em que
se trabalha. A escala dos fenômenos que se dão no espaço é geográfica,
embora sua representação seja feita por meio da cartográfica. Em
determinadas escalas (geográficas maiores) alguns fatores não aparecem,
ou mesmo são visíveis. Neste caso, se faz necessário mudar de escala, o
que repercute na perda da visão de alguns destes fatores/agentes.
Quando se converte geograficamente uma escala de grande a
pequena, cartograficamente o processo é contrário, o pequeno se
transforma em grande e vice-versa. Isto significa que escala geográfica
grande corresponde a uma cartográfica pequena. E, inversamente, escala
geográfica pequena corresponde a uma cartográfica grande.
(33-56)
a escala só é um problema epistemológico enquanto definidora de espaços
de pertinência da medida dos fenômenos, porque enquanto medida de
proporção ela é um problema matemático. Assim, ao definir as ordens de
grandeza para a análise, Lacoste aprisionou o conceito de escala e
transformou-o numa fórmula prévia, aliás já bastante utilizada, para recortar
o espaço geográfico. Sua reflexão sobre escala, apesar de oportuna e
importante, introduziu um truísmo, ou seja, o tamanho na relação entre
território e a sua representação cartográfica” (Castro, 2003, p. 122-123).
Mais adiante, em suas conclusões a autora diz que, na Geografia:
“... o raciocínio analógico entre escalas cartográfica e geográfica
dificultou a problematização do conceito, uma vez que a primeira
satisfazia plenamente às necessidades empíricas da segunda. Nas
últimas décadas, porém, exigências teóricas e conceituais impuseram-
se a todos os campos da Geografia, e o problema da escala, embora
ainda pouco discutido, começa a ir além de uma medida de
proporção da representação gráfica do território, ganhando novos
contornos para expressar a representação dos diferentes modos de
percepção e de concepção do real”, (Castro, 2003, p. 124).
Buscando entender tais considerações, fica claro que cada
elemento, componente ou fenômeno sobre a paisagem corresponde a
uma representação das informações, por meio de uma mensuração
escalar.
A escala cartográfica pressupõe de raciocínio puramente
matemático para representar o tamanho e a proporcionalidade do real.
Enquanto a escala geográfica enfrenta o problema do tamanho, dada
sua prerrogativa de análise espacial e temporal do fenômeno, que varia
do espaço local ao regional, do regional ao nacional, ou mesmo do
nacional ao mundial.
Os fenômenos geográficos ocorrem em todas as escalas. Sua
percepção, contudo, torna-se impossível dependendo da escala em que
se trabalha. A escala dos fenômenos que se dão no espaço é geográfica,
embora sua representação seja feita por meio da cartográfica. Em
determinadas escalas (geográficas maiores) alguns fatores não aparecem,
ou mesmo são visíveis. Neste caso, se faz necessário mudar de escala, o
que repercute na perda da visão de alguns destes fatores/agentes.
Quando se converte geograficamente uma escala de grande a
pequena, cartograficamente o processo é contrário, o pequeno se
transforma em grande e vice-versa. Isto significa que escala geográfica
grande corresponde a uma cartográfica pequena. E, inversamente, escala
geográfica pequena corresponde a uma cartográfica grande.
(33-56)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200846
Cendrero (1989, p. 22), numa visão pragmática concernente à
decisão na escolha da escala de trabalho, lembra aos planejadores que
devem:
“...considerar, pelo menos, a quantidade de informações ou detalhamento
que se quer evidenciar no estudo; a extensão espacial da informação que
se quer mostrar; a adequabilidade de uma determinada base cartográfica
conforme os objetivos específicos; a quantidade de tempo disponível, e
os recursos que se dispõem para mapeamentos.
2.3 O Tratamento Gráfico e Visual da Informação
A elaboração de mapeamentos temáticos no momento do
inventário da paisagem, serve não apenas para descrever a paisagem
cartograficamente ou textualmente. Ao contrário, quando é destinada a
diferentes públicos, sua representação gráfica tem a tripla função de
registrar, tratar e comunicar visualmente a informação espacial.
Neste caso, especificamente, a terceira categoria de análise, o
tratamento gráfico e visual da informação (linguagem), deve basear-
se em uma linguagem monossêmica adequada (sentido único) a fim de
enaltecer a legibilidade e legitimidade da cartografia durante o inventário
e proposição da Paisagem.
Indagações que tornam o estruturalismo da “La Graphique” um
importante método e paradigma do tratamento gráfico e visual da
informação, para a elaboração de mapas temáticos da paisagem.
O Paradigma Semiológico foi sistematizado na França, na década
de 1960, por Jacques Bertin, com o propósito de explicar seu método
lógico da informação, no qual o mapa se define como uma modalidade
que explora visualmente o plano bidimensional da representação gráfica
e, por isto deve ser compreendido a partir de três componentes de
análises: a) os da imagem gráfica; b) da linguagem gráfica e; c) da
transcrição gráfica e visual.
Ao analisar os componentes da imagem gráfica, Bertin defende
a idéia de que a imagem, na representação gráfica, se constrói, se lê e se
interpreta segundo três instâncias:
• dois componentes de localização, relacionados aos
componentes geográficos, ou seja, as duas dimensões no
plano (latitude y e longitude x);
• um componente de qualificação (z), representada sobre o
plano através de seis variáveis visuais (variáveis retilíneas),
cuja finalidade maior é a qualificação da imagem, na terceira
dimensão visual (z), mediante manchas visuais. São elas: o
tamanho, o valor, a granulação, a cor, a orientação e a forma.
(33-56)
Cendrero (1989, p. 22), numa visão pragmática concernente à
decisão na escolha da escala de trabalho, lembra aos planejadores que
devem:
“...considerar, pelo menos, a quantidade de informações ou detalhamento
que se quer evidenciar no estudo; a extensão espacial da informação que
se quer mostrar; a adequabilidade de uma determinada base cartográfica
conforme os objetivos específicos; a quantidade de tempo disponível, e
os recursos que se dispõem para mapeamentos.
2.3 O Tratamento Gráfico e Visual da Informação
A elaboração de mapeamentos temáticos no momento do
inventário da paisagem, serve não apenas para descrever a paisagem
cartograficamente ou textualmente. Ao contrário, quando é destinada a
diferentes públicos, sua representação gráfica tem a tripla função de
registrar, tratar e comunicar visualmente a informação espacial.
Neste caso, especificamente, a terceira categoria de análise, o
tratamento gráfico e visual da informação (linguagem), deve basear-
se em uma linguagem monossêmica adequada (sentido único) a fim de
enaltecer a legibilidade e legitimidade da cartografia durante o inventário
e proposição da Paisagem.
Indagações que tornam o estruturalismo da “La Graphique” um
importante método e paradigma do tratamento gráfico e visual da
informação, para a elaboração de mapas temáticos da paisagem.
O Paradigma Semiológico foi sistematizado na França, na década
de 1960, por Jacques Bertin, com o propósito de explicar seu método
lógico da informação, no qual o mapa se define como uma modalidade
que explora visualmente o plano bidimensional da representação gráfica
e, por isto deve ser compreendido a partir de três componentes de
análises: a) os da imagem gráfica; b) da linguagem gráfica e; c) da
transcrição gráfica e visual.
Ao analisar os componentes da imagem gráfica, Bertin defende
a idéia de que a imagem, na representação gráfica, se constrói, se lê e se
interpreta segundo três instâncias:
• dois componentes de localização, relacionados aos
componentes geográficos, ou seja, as duas dimensões no
plano (latitude y e longitude x);
• um componente de qualificação (z), representada sobre o
plano através de seis variáveis visuais (variáveis retilíneas),
cuja finalidade maior é a qualificação da imagem, na terceira
dimensão visual (z), mediante manchas visuais. São elas: o
tamanho, o valor, a granulação, a cor, a orientação e a forma.
(33-56)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200848
Quanto à legibilidade referente às representações gráficas, esta
dependerá da mensagem veiculada e dos objetivos de cada
representação. Deve-se partir do princípio de que existem níveis
diferenciados de leitura da informação: o nível elementar, o nível de
conjunto e o nível médio.
Neste caso, Jacques Bertin alerta que um mapa temático deve
apresentar legibilidade nos três níveis. Para isto, o autor diferencia os
“mapas para ver”, cuja percepção é quase imediata, dos “mapas para
ler”, que requerem mais atenção. Nestes dada a complexidade gráfica,
exigindo do usuário uma leitura mais cuidadosa, signo por signo, pode
despertar múltiplas leituras e, conseqüentemente, a polissemia. Diz o
autor (1988, p. 49):
“... os mapas para ler impedem ... as multicomparações que fazem da
Cartografia Moderna e, principalmente da contemporânea com a inserção
dos SIG’s, um dos instrumentos de base do tratamento da informação.
Assim, para que as comparações sejam possíveis o mapa deve possibilitar
a leitura da informação espacial de forma imediata, ou seja, ser um mapa
para ver” (com grifo da autora).
Por fim, uma das grandes contribuições da Representação Gráfica,
para identificar de forma imediata a ocorrência de um fenômeno na
paisagem e que infelizmente pouco se observa, ou mesmo praticamente
não se vê nos mapas concebidos por Geógrafos, bem como pela
Geografia, é a solução que Bertin apresenta para diminuir o ruído da
comunicação bem como a polissemia nos mapas. Neste caso, duas
soluções são possíveis:
a) o uso da coleção de mapas, como “legenda visual”, cuja
funcionalidade é mostrar as ocorrências espaciais de cada fenômeno,
representado no plano bidimensional da superposição de várias imagens
em um mesmo mapa;
b) a cartografia de síntese, como uma cartografia integradora, cujo
objetivo é representar as escalas taxonômicas dos conjuntos espaciais
da paisagem, as quais são resultados de agrupamentos de lugares
caracterizados por agrupamentos de atributos ou variáveis visíveis na
paisagem.
Diante dessa realidade, concordando com Martinelli (1994), a
cartografia, observada pela representação gráfica das unidades de
paisagem, não pode ter, como tradicionalmente acontece, uma função
meramente ilustrativa. Pelo contrário,
“...deve constituir-se em um meio lógico capaz de revelar, sem
ambigüidades, o conteúdo embutido na informação mobilizada e portanto,
(33-56)
Quanto à legibilidade referente às representações gráficas, esta
dependerá da mensagem veiculada e dos objetivos de cada
representação. Deve-se partir do princípio de que existem níveis
diferenciados de leitura da informação: o nível elementar, o nível de
conjunto e o nível médio.
Neste caso, Jacques Bertin alerta que um mapa temático deve
apresentar legibilidade nos três níveis. Para isto, o autor diferencia os
“mapas para ver”, cuja percepção é quase imediata, dos “mapas para
ler”, que requerem mais atenção. Nestes dada a complexidade gráfica,
exigindo do usuário uma leitura mais cuidadosa, signo por signo, pode
despertar múltiplas leituras e, conseqüentemente, a polissemia. Diz o
autor (1988, p. 49):
“... os mapas para ler impedem ... as multicomparações que fazem da
Cartografia Moderna e, principalmente da contemporânea com a inserção
dos SIG’s, um dos instrumentos de base do tratamento da informação.
Assim, para que as comparações sejam possíveis o mapa deve possibilitar
a leitura da informação espacial de forma imediata, ou seja, ser um mapa
para ver” (com grifo da autora).
Por fim, uma das grandes contribuições da Representação Gráfica,
para identificar de forma imediata a ocorrência de um fenômeno na
paisagem e que infelizmente pouco se observa, ou mesmo praticamente
não se vê nos mapas concebidos por Geógrafos, bem como pela
Geografia, é a solução que Bertin apresenta para diminuir o ruído da
comunicação bem como a polissemia nos mapas. Neste caso, duas
soluções são possíveis:
a) o uso da coleção de mapas, como “legenda visual”, cuja
funcionalidade é mostrar as ocorrências espaciais de cada fenômeno,
representado no plano bidimensional da superposição de várias imagens
em um mesmo mapa;
b) a cartografia de síntese, como uma cartografia integradora, cujo
objetivo é representar as escalas taxonômicas dos conjuntos espaciais
da paisagem, as quais são resultados de agrupamentos de lugares
caracterizados por agrupamentos de atributos ou variáveis visíveis na
paisagem.
Diante dessa realidade, concordando com Martinelli (1994), a
cartografia, observada pela representação gráfica das unidades de
paisagem, não pode ter, como tradicionalmente acontece, uma função
meramente ilustrativa. Pelo contrário,
“...deve constituir-se em um meio lógico capaz de revelar, sem
ambigüidades, o conteúdo embutido na informação mobilizada e portanto,
(33-56)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 51
Figura 5 – Principais Procedimentos
para a Construção de Cenários
Fonte: Organizado por Zacharias (2006)
Mas por outro lado, também salienta o autor que:
“...na Cartografia Temática a própria concepção de uma cartografia
ambiental, ainda constitui-se em um desafio. Várias tentativas foram
feitas nestes últimos quinze anos. Mesmo assim, carece-se ainda de
um consenso do que seria um mapa do ambiente ou um mapa que
represente as escalas taxonômicas da paisagem” ( Martinelli, 1994,
p. 65 com grifo das autoras).
2. também, não se pode ignorar o profundo impacto que o
desenvolvimento da geotecnologia apresentou à representação
gráfica da Cartografia.
(33-56)
Figura 5 – Principais Procedimentos
para a Construção de Cenários
Fonte: Organizado por Zacharias (2006)
Mas por outro lado, também salienta o autor que:
“...na Cartografia Temática a própria concepção de uma cartografia
ambiental, ainda constitui-se em um desafio. Várias tentativas foram
feitas nestes últimos quinze anos. Mesmo assim, carece-se ainda de
um consenso do que seria um mapa do ambiente ou um mapa que
represente as escalas taxonômicas da paisagem” ( Martinelli, 1994,
p. 65 com grifo das autoras).
2. também, não se pode ignorar o profundo impacto que o
desenvolvimento da geotecnologia apresentou à representação
gráfica da Cartografia.
(33-56)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200852
A partir do avanço dos computadores e a adoção das
nomenclaturas, surgidas no início dos anos 80, de “cartografia
automatizada”, ou “cartografia assistida por computador” ou “cartografia
digital” – nota-se que os esforços para o uso e tratamento computacional
leva a uma maneira revolucionária de fazer cartografia (Cromley, 1992,
p. 191), sobretudo aquela destinada aos mapeamentos ambientais.
Sobre este assunto, com simples palavras, Menezes; Ávila (2005),
descrevem muito bem a problemática, destacando que:
“...a partir deste período os computadores começam também a afetar o
tratamento cartográfico profissional, para a construção de mapas. Qualquer
pessoa que possua um software de cartografia, bem como um hardware
com capacidade de processamento gráfico, é capaz de gerar mapas, com
pelo menos uma aparência de qualidade. Desta forma o que se vê, até
hoje, e com um crescimento cada vez maior, é uma popularização da
ciência cartográfica. Mais e mais pessoas passam a trabalhar com cartografia,
apoiadas nos sistemas computacionais, porém sem embasamento confiável
de conhecimentos cartográficos”, Menezes; Ávila (2005, p. 9317).
Cabe salientar que o uso da geoinformação é extremamente
importante à cartografia de síntese da paisagem. Assim como o seu
desenvolvimento permitiu agilidade, flexibilidade e rapidez no
cruzamento das informações espaciais ambientais; também, através
dessa popularização cartográfica, muito foi desmistificado, permitindo
o aparecimento de uma grande quantidade de mapas ambientais e outros
documentos cartográficos, disseminando a informação geográfica.
Porém, a maior polêmica que fica é que, muitas vezes os
mapeamentos ambientais de síntese, que representam e comunicam a
paisagem, apresentam-se com uma qualidade aquém dos princípios da
representação gráfica.
3. CONCLUSÃO
Pelo exposto no decorrer das discussões e preocupações
levantadas, pode-se constatar que é a emergência da questão ambiental,
no âmbito mundial, propõe novos rumos à Geografia. Esta tendência,
aliada às necessidades contemporâneas, implica em que as preocupações
dos geógrafos atuais se vinculem à demanda ambiental. Por conseguinte,
um dos caminhos mais trilhados segue-se aos estudos relativos à análise
da dinâmica da paisagem, sobretudo àqueles destinados aos
Planejamentos Físico-Territoriais e Ambientais. A natureza aparece
incorporada a essas análises, seja compreendida pelas suas formas de
apropriação, seja em relação aos impactos dessa atividade.
(33-56)
A partir do avanço dos computadores e a adoção das
nomenclaturas, surgidas no início dos anos 80, de “cartografia
automatizada”, ou “cartografia assistida por computador” ou “cartografia
digital” – nota-se que os esforços para o uso e tratamento computacional
leva a uma maneira revolucionária de fazer cartografia (Cromley, 1992,
p. 191), sobretudo aquela destinada aos mapeamentos ambientais.
Sobre este assunto, com simples palavras, Menezes; Ávila (2005),
descrevem muito bem a problemática, destacando que:
“...a partir deste período os computadores começam também a afetar o
tratamento cartográfico profissional, para a construção de mapas. Qualquer
pessoa que possua um software de cartografia, bem como um hardware
com capacidade de processamento gráfico, é capaz de gerar mapas, com
pelo menos uma aparência de qualidade. Desta forma o que se vê, até
hoje, e com um crescimento cada vez maior, é uma popularização da
ciência cartográfica. Mais e mais pessoas passam a trabalhar com cartografia,
apoiadas nos sistemas computacionais, porém sem embasamento confiável
de conhecimentos cartográficos”, Menezes; Ávila (2005, p. 9317).
Cabe salientar que o uso da geoinformação é extremamente
importante à cartografia de síntese da paisagem. Assim como o seu
desenvolvimento permitiu agilidade, flexibilidade e rapidez no
cruzamento das informações espaciais ambientais; também, através
dessa popularização cartográfica, muito foi desmistificado, permitindo
o aparecimento de uma grande quantidade de mapas ambientais e outros
documentos cartográficos, disseminando a informação geográfica.
Porém, a maior polêmica que fica é que, muitas vezes os
mapeamentos ambientais de síntese, que representam e comunicam a
paisagem, apresentam-se com uma qualidade aquém dos princípios da
representação gráfica.
3. CONCLUSÃO
Pelo exposto no decorrer das discussões e preocupações
levantadas, pode-se constatar que é a emergência da questão ambiental,
no âmbito mundial, propõe novos rumos à Geografia. Esta tendência,
aliada às necessidades contemporâneas, implica em que as preocupações
dos geógrafos atuais se vinculem à demanda ambiental. Por conseguinte,
um dos caminhos mais trilhados segue-se aos estudos relativos à análise
da dinâmica da paisagem, sobretudo àqueles destinados aos
Planejamentos Físico-Territoriais e Ambientais. A natureza aparece
incorporada a essas análises, seja compreendida pelas suas formas de
apropriação, seja em relação aos impactos dessa atividade.
(33-56)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200854
E são justamente os fatores que possibilitam à Cartografia: a)
desmistificar a função social do mapa; b) enaltecer um discurso crítico,
através de representações gráficas que mostrem as contradições de uso
pela sociedade na natureza; c) além de espacializar que são as relações
dinâmicas da sociedade com a natureza, no decorrer do tempo e espaço,
que transformam o espaço geográfico Paisagem, portanto, é o que vemos
diante de nós.
Afinal, utilizando as próprias palavras de Bertrand (1972) apud
Cruz (2004, p. 141-142), “estudar uma paisagem é antes de tudo
apresentar um problema de método que se traduz, na atualidade, nos
desafios quanto à taxonomia, dinâmica, tipologia e, principalmente pela
cartografia das paisagens”.
6.9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AB’SABER, A. N. Um conceito de gemorfologia a serviço das pesquisas sobre o
Quaternário. Geomorfologia. São Paulo - Instituto de Geografia – USP/SP, n.
18, 1969. 23 p.
ARGENTO, M. S. F. 1987. 123f. Mapeamento Ambiental Direcionado
para o Gerenciamento de Áreas Deltaicas. Modelagem em Sistemas
ambientais. Exame de Qualificação (Doutorado em Geografia) – Instituto de
Geociências e Ciências Exatas – IGCE, Universidade Estadual Paulista – UNESP,
Rio Claro. 1987.
BERTALLANFY, L. von. Teoria geral dos sistemas. Petrópolis-RJ. Editora
Vozes, 1973. 147p.
BERTRAND, R. B. Paysage et Geographie Física Globale. In: Caderno de
Ciências da Terra. Instituto de Geografia da Universidade de São
Paulo, n. 13, p. 249-272. 1972.
Cruz, O. (tradução). Paisagem e Geografia Física Global: Esboço Metodológico.
G.. R.RA’E GA, Editora UFPR, Curitiba, n. 8, p. 141-152. 2004.
BERTIN, J. Sémiologie graphique: lês diagrammes, lês résseaux, lês
cartes. Paris: Mouton et Gauthier-Villars, 1967. p. 34-39.
BERTIN, J. La graphique et le traitment graphique de I’information.
Paris: Flammarion, 1977. 277p.
BERTIN, J. Théorie de la communication et théorie de la graphique.
Mélagens: Charles Morazé, 1978, p. 1-6.
BERTIN, J. Ver ou Ler. Seleção de Textos, AGB, São Paulo, 18, pp. 45-43, 1988
BRAGA, R; CARVALHO, P. F. (orgs). Planejamento urbano e recursos hídricos.
Rio Claro: Laboratório de Planejamento Municipal –IGCE - UNESP, 2003. 83-
113p.
(33-56)
E são justamente os fatores que possibilitam à Cartografia: a)
desmistificar a função social do mapa; b) enaltecer um discurso crítico,
através de representações gráficas que mostrem as contradições de uso
pela sociedade na natureza; c) além de espacializar que são as relações
dinâmicas da sociedade com a natureza, no decorrer do tempo e espaço,
que transformam o espaço geográfico Paisagem, portanto, é o que vemos
diante de nós.
Afinal, utilizando as próprias palavras de Bertrand (1972) apud
Cruz (2004, p. 141-142), “estudar uma paisagem é antes de tudo
apresentar um problema de método que se traduz, na atualidade, nos
desafios quanto à taxonomia, dinâmica, tipologia e, principalmente pela
cartografia das paisagens”.
6.9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AB’SABER, A. N. Um conceito de gemorfologia a serviço das pesquisas sobre o
Quaternário. Geomorfologia. São Paulo - Instituto de Geografia – USP/SP, n.
18, 1969. 23 p.
ARGENTO, M. S. F. 1987. 123f. Mapeamento Ambiental Direcionado
para o Gerenciamento de Áreas Deltaicas. Modelagem em Sistemas
ambientais. Exame de Qualificação (Doutorado em Geografia) – Instituto de
Geociências e Ciências Exatas – IGCE, Universidade Estadual Paulista – UNESP,
Rio Claro. 1987.
BERTALLANFY, L. von. Teoria geral dos sistemas. Petrópolis-RJ. Editora
Vozes, 1973. 147p.
BERTRAND, R. B. Paysage et Geographie Física Globale. In: Caderno de
Ciências da Terra. Instituto de Geografia da Universidade de São
Paulo, n. 13, p. 249-272. 1972.
Cruz, O. (tradução). Paisagem e Geografia Física Global: Esboço Metodológico.
G.. R.RA’E GA, Editora UFPR, Curitiba, n. 8, p. 141-152. 2004.
BERTIN, J. Sémiologie graphique: lês diagrammes, lês résseaux, lês
cartes. Paris: Mouton et Gauthier-Villars, 1967. p. 34-39.
BERTIN, J. La graphique et le traitment graphique de I’information.
Paris: Flammarion, 1977. 277p.
BERTIN, J. Théorie de la communication et théorie de la graphique.
Mélagens: Charles Morazé, 1978, p. 1-6.
BERTIN, J. Ver ou Ler. Seleção de Textos, AGB, São Paulo, 18, pp. 45-43, 1988
BRAGA, R; CARVALHO, P. F. (orgs). Planejamento urbano e recursos hídricos.
Rio Claro: Laboratório de Planejamento Municipal –IGCE - UNESP, 2003. 83-
113p.
(33-56)
Page 56
Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200856
MARTINELLI, M; PEDROTTI, M. A Cartografia das unidades de paisagem:
questões metodológicas. Revista do Departamento de Geografia. USP,
São Paulo, n. 14, 2001, p. 39-46.
MENEZES, P. M. L. de; Ávila, A. S. Novas tecnologias cartográficas em apoio ao
ensino e pesquisa em Geografia. Anais. (CD-Room). X Encontro de Geógrafos
da América Latina – EGAL, USP, São Paulo, 2005, p. 9314-9327.
METZGER, J. P. O que é ecologia de paisagens? Biota Neotropica, Campinas,
vol.1, n. 1/2, Dez. 2001. 1-9 p.
MORELLI, A. F. 2002. 407f. Identificação e transformação das unidades
de paisagem no município de São José dos Campos (SP) DE 1500 A
2000. Tese (Doutorado em Geociências) – IGCE, UNESP, Rio Claro, 2002.
SANTOS, M. Pensando o espaço do homem. São Paulo: Hucitec, 2.ed.,
1986 156p.
SANTOS, R. F. dos. Planejamento Ambiental: teoria e prática. São Paulo.
Oficina de Textos, 2004, 184p.
SOTCHAVA, V.B. Por uma classificação geossistêmica da vida terrestre.
Biogeografia, n. 14, IGEOG, USP, 1972.
_____________. O estudo de geossistemas. Série métodos em Questão.
IGEOG, USP, n. 16, 1977.
TROLL, C. Die Geographische landschaft um ihre erforchung. Studium
generale III, 1938. p. 163-181.
ZACHARIAS, A. A. 2005. 110f. Zoneamento Ambiental e a Representação
Cartográfica das Unidades de Paisagens: propostas e subsídios para
o planejamento ambiental do município de Ourinhos/SP. Exame de
Qualificação (Doutorado em Geografia) - Instituto de Geociências e Ciências
Exatas – IGCE, UNESP, Rio Claro. 2005.
_____________. 2006. 200f. A Representação Gráfica das Unidades de
Paisagem no Zoneamento Ambiental: um estudo de caso no município
de Ourinhos/SP. Tese (Doutorado em Geografia) - Instituto de Geociências e
Ciências Exatas – IGCE, UNESP, Rio Claro. 2006.
ZONNEVELD, I. S. “The land unit – a fundamental concept in landscape ecology
and its applications”. Landscape Ecology, v. 3, n. 2, 1979, p. 67-86.
(33-56)
MARTINELLI, M; PEDROTTI, M. A Cartografia das unidades de paisagem:
questões metodológicas. Revista do Departamento de Geografia. USP,
São Paulo, n. 14, 2001, p. 39-46.
MENEZES, P. M. L. de; Ávila, A. S. Novas tecnologias cartográficas em apoio ao
ensino e pesquisa em Geografia. Anais. (CD-Room). X Encontro de Geógrafos
da América Latina – EGAL, USP, São Paulo, 2005, p. 9314-9327.
METZGER, J. P. O que é ecologia de paisagens? Biota Neotropica, Campinas,
vol.1, n. 1/2, Dez. 2001. 1-9 p.
MORELLI, A. F. 2002. 407f. Identificação e transformação das unidades
de paisagem no município de São José dos Campos (SP) DE 1500 A
2000. Tese (Doutorado em Geociências) – IGCE, UNESP, Rio Claro, 2002.
SANTOS, M. Pensando o espaço do homem. São Paulo: Hucitec, 2.ed.,
1986 156p.
SANTOS, R. F. dos. Planejamento Ambiental: teoria e prática. São Paulo.
Oficina de Textos, 2004, 184p.
SOTCHAVA, V.B. Por uma classificação geossistêmica da vida terrestre.
Biogeografia, n. 14, IGEOG, USP, 1972.
_____________. O estudo de geossistemas. Série métodos em Questão.
IGEOG, USP, n. 16, 1977.
TROLL, C. Die Geographische landschaft um ihre erforchung. Studium
generale III, 1938. p. 163-181.
ZACHARIAS, A. A. 2005. 110f. Zoneamento Ambiental e a Representação
Cartográfica das Unidades de Paisagens: propostas e subsídios para
o planejamento ambiental do município de Ourinhos/SP. Exame de
Qualificação (Doutorado em Geografia) - Instituto de Geociências e Ciências
Exatas – IGCE, UNESP, Rio Claro. 2005.
_____________. 2006. 200f. A Representação Gráfica das Unidades de
Paisagem no Zoneamento Ambiental: um estudo de caso no município
de Ourinhos/SP. Tese (Doutorado em Geografia) - Instituto de Geociências e
Ciências Exatas – IGCE, UNESP, Rio Claro. 2006.
ZONNEVELD, I. S. “The land unit – a fundamental concept in landscape ecology
and its applications”. Landscape Ecology, v. 3, n. 2, 1979, p. 67-86.
(33-56)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200858
INTRODUÇÃO
O crescimento urbano verificado nas últimas décadas em diversas
regiões brasileiras tem gerado cada vez mais processos de degradação
ambiental, sobretudo, através de projetos de planejamento inadequados,
que não conhecem as fragilidades e as potencialidades do ambiente
físico que compõem o sítio urbano.
Grigoriev (19682 ) apud Ross (1990, p. 10), descreve como “Estrato
Geográfico da Terra” a faixa que compreende à baixa atmosfera até a
crosta litosférica, que permite a existência do homem. Nesse espaço, o
relevo surge como o palco onde o homem se organiza através da
apropriação da natureza e onde ocorrem concomitantemente as
contradições sociais e a luta de classes.
O relevo é o principal agente físico que interfere a ocupação
urbana. Normalmente, esta se inicia em áreas mais favoráveis e, somente
depois, com a expansão urbana acabam ocupando áreas impróprias.
Neste contexto vale-se ressaltar o papel do valor da terra no espaço
urbano atribuído às melhores condições de infra-estrutura, e também,
às melhores áreas do ponto de vista geomorfológico.
A ocupação do relevo no ambiente urbano acarreta diversas
mudanças nas características físico-naturais das encostas, muitas vezes
essas alterações trazem consigo diferentes formas de degradação
ambiental.
O conhecimento das características físicas do espaço urbano, as
limitações e as potencialidades, torna-se de grande valia para o
estabelecimento de práticas mais racionais de uso da terra e de um
planejamento urbano mais condizente com tais especificidades. Além
disso, deve-se também reconhecer os processos de degradação ambiental
e os riscos geomorfológicos decorrentes da ocupação das vertentes,
fatores importantes a fim de procurar estabelecer medidas preventivas
e/ou corretivas.
E é nesse sentido que se insere a presente reflexão, a qual busca
através de um referencial bibliográfico atual demonstrar de forma simples
e objetiva o papel da geomorfologia no uso e ocupação do espaço urbano.
1. GEOMORFOLOGIA E O ESPAÇO URBANO
O Homem, desde seu surgimento no pleistoceno, vem
apropriando-se dos bens naturais, o desenvolvimento técnico científico
2 GRIGORIEV, A.A. The theoretical fundaments of modern physical Geography. In: The interaction
of sciences in the Earth, Moscou, 1968.
(57-67)
INTRODUÇÃO
O crescimento urbano verificado nas últimas décadas em diversas
regiões brasileiras tem gerado cada vez mais processos de degradação
ambiental, sobretudo, através de projetos de planejamento inadequados,
que não conhecem as fragilidades e as potencialidades do ambiente
físico que compõem o sítio urbano.
Grigoriev (19682 ) apud Ross (1990, p. 10), descreve como “Estrato
Geográfico da Terra” a faixa que compreende à baixa atmosfera até a
crosta litosférica, que permite a existência do homem. Nesse espaço, o
relevo surge como o palco onde o homem se organiza através da
apropriação da natureza e onde ocorrem concomitantemente as
contradições sociais e a luta de classes.
O relevo é o principal agente físico que interfere a ocupação
urbana. Normalmente, esta se inicia em áreas mais favoráveis e, somente
depois, com a expansão urbana acabam ocupando áreas impróprias.
Neste contexto vale-se ressaltar o papel do valor da terra no espaço
urbano atribuído às melhores condições de infra-estrutura, e também,
às melhores áreas do ponto de vista geomorfológico.
A ocupação do relevo no ambiente urbano acarreta diversas
mudanças nas características físico-naturais das encostas, muitas vezes
essas alterações trazem consigo diferentes formas de degradação
ambiental.
O conhecimento das características físicas do espaço urbano, as
limitações e as potencialidades, torna-se de grande valia para o
estabelecimento de práticas mais racionais de uso da terra e de um
planejamento urbano mais condizente com tais especificidades. Além
disso, deve-se também reconhecer os processos de degradação ambiental
e os riscos geomorfológicos decorrentes da ocupação das vertentes,
fatores importantes a fim de procurar estabelecer medidas preventivas
e/ou corretivas.
E é nesse sentido que se insere a presente reflexão, a qual busca
através de um referencial bibliográfico atual demonstrar de forma simples
e objetiva o papel da geomorfologia no uso e ocupação do espaço urbano.
1. GEOMORFOLOGIA E O ESPAÇO URBANO
O Homem, desde seu surgimento no pleistoceno, vem
apropriando-se dos bens naturais, o desenvolvimento técnico científico
2 GRIGORIEV, A.A. The theoretical fundaments of modern physical Geography. In: The interaction
of sciences in the Earth, Moscou, 1968.
(57-67)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200860
concomitante a valorização do urbano em detrimento do rural, que
ajudava na construção da ilusão de uma vida mais próspera na cidade.
O consumismo apresentava-se como o sonho das pessoas (SCARLATO,
2000).
Com isso, inicia-se um processo de urbanização que não foi
acompanhado pelo investimento em infra-estrutura. O resultado disso
foi que chegou às cidades um enorme contingente populacional,
ocupando novas áreas conforme suas possibilidades. Muitas delas sem
condições de pagar por um espaço mais adequado à moradia, acabaram
ocupando áreas de risco em encostas e fundo de vales, com mudanças
significativas na paisagem.
Dessa forma, evidencia-se o fato de que toda essa atividade de
ocupação humana ocorre sobre uma base sólida, chamada de relevo,
sendo suporte das interações naturais e sociais (CASSETI, 1991; CASSETI,
1994; MARQUES, 1995; XAVIER DA SILVA, 1995; GUERRA & MARÇAL,
2006;).
1.1. O relevo e a Geomorfologia Urbano-Ambiental
A conceitualização de geomorfologia, de maneira geral, refere-se
ao estudo das formas de relevo. Para isso, utilizam-se da identificação,
classificação e análise de suas características morfológicas, composição
dos materiais, processos atuantes, fatores controladores e sua dinâmica
evolutiva (COOKE & DOORNKAMP, 1990; CHRISTOFOLETTI, 1995;
XAVIER DA SILVA, 1995; GUERRA & MARÇAL, 2006; GUERRA, 2007).
Cooke & Doornkamp (1990) focalizam o papel da geomorfologia
aos fatos relacionados à atividade humana, sobretudo, através da
aplicação de seus estudos à gestão ambiental. Guerra & Marçal (2006)
também têm evidenciado a aplicação dos conhecimentos
geomorfológicos voltados à questão ambiental, numa perspectiva
integrada entre relevo e atividades humanas, a fim de fornecer bases
para a prevenção e mitigação de impactos ambientais, tanto em áreas
urbanas quanto em áreas rurais. Guerra (2007) completa dizendo que a
geomorfologia auxilia na compreensão dos ambientes transformados
pelo homem.
O relevo tal como se apresenta na superfície da terra, é produto
de uma relação antagônica entre os processos endógenos e exógenos.
Os processos endógenos se referem à resistência da camada rochosa e
dos processos tectônicos. Os exógenos são comandados através da
atmosfera na esculturação do relevo. (CASSETI, 1994; ROSS, 2000).
Ross (2003) é claro quando demonstra que o relevo é formado
pela relação entre as rochas que o sustentam, pelo clima que atua como
(57-67)
concomitante a valorização do urbano em detrimento do rural, que
ajudava na construção da ilusão de uma vida mais próspera na cidade.
O consumismo apresentava-se como o sonho das pessoas (SCARLATO,
2000).
Com isso, inicia-se um processo de urbanização que não foi
acompanhado pelo investimento em infra-estrutura. O resultado disso
foi que chegou às cidades um enorme contingente populacional,
ocupando novas áreas conforme suas possibilidades. Muitas delas sem
condições de pagar por um espaço mais adequado à moradia, acabaram
ocupando áreas de risco em encostas e fundo de vales, com mudanças
significativas na paisagem.
Dessa forma, evidencia-se o fato de que toda essa atividade de
ocupação humana ocorre sobre uma base sólida, chamada de relevo,
sendo suporte das interações naturais e sociais (CASSETI, 1991; CASSETI,
1994; MARQUES, 1995; XAVIER DA SILVA, 1995; GUERRA & MARÇAL,
2006;).
1.1. O relevo e a Geomorfologia Urbano-Ambiental
A conceitualização de geomorfologia, de maneira geral, refere-se
ao estudo das formas de relevo. Para isso, utilizam-se da identificação,
classificação e análise de suas características morfológicas, composição
dos materiais, processos atuantes, fatores controladores e sua dinâmica
evolutiva (COOKE & DOORNKAMP, 1990; CHRISTOFOLETTI, 1995;
XAVIER DA SILVA, 1995; GUERRA & MARÇAL, 2006; GUERRA, 2007).
Cooke & Doornkamp (1990) focalizam o papel da geomorfologia
aos fatos relacionados à atividade humana, sobretudo, através da
aplicação de seus estudos à gestão ambiental. Guerra & Marçal (2006)
também têm evidenciado a aplicação dos conhecimentos
geomorfológicos voltados à questão ambiental, numa perspectiva
integrada entre relevo e atividades humanas, a fim de fornecer bases
para a prevenção e mitigação de impactos ambientais, tanto em áreas
urbanas quanto em áreas rurais. Guerra (2007) completa dizendo que a
geomorfologia auxilia na compreensão dos ambientes transformados
pelo homem.
O relevo tal como se apresenta na superfície da terra, é produto
de uma relação antagônica entre os processos endógenos e exógenos.
Os processos endógenos se referem à resistência da camada rochosa e
dos processos tectônicos. Os exógenos são comandados através da
atmosfera na esculturação do relevo. (CASSETI, 1994; ROSS, 2000).
Ross (2003) é claro quando demonstra que o relevo é formado
pela relação entre as rochas que o sustentam, pelo clima que atua como
(57-67)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 61
agente modelador e pelos solos que o recobrem, numa relação
completamente dinâmica, que permite com que o relevo esteja sempre
em estado de evolução.
Conforme Casseti (1991) o processo de evolução do relevo é o
resultado de fatores exógenos, e de intervenções antrópicas, que ocorrem
na escala de tempo histórico, e que com exceção dos fenômenos
catastróficos, os fatores endógenos desenvolvem-se em escala de tempo
geológica.
Considerando-se as intervenções antrópicas, Guerra & Marçal
(2006, p.77) evidenciam o papel do homem como agente
geomorfológico:
“As encostas possuem uma evolução natural, mas nos ambientes que o
homem ocupa e, na maioria das vezes, provoca grandes transformações,
praticando extração mineral, construindo rodovias, ferrovias, casas e
prédios, ruas, represas, terraços etc., são produzidas encostas artificiais,
podendo abalar o equilíbrio anterior à ocupação humana”.
Segundo Rodrigues (2005, p. 101) a ação antrópica pode atuar
de modo a “...modificar propriedades e localização dos materiais
superficiais; interferir em vetores, taxas e balanços dos processos e gerar,
de forma direta e indireta, outra morfologia, aqui denominada de
morfologia antropogênica”.
Para Marques (1995, p.26) o homem “cada vez mais diversifica e
intensifica sua atuação, criando condições de interferir e, até mesmo,
controlar processos, criar e destruir formas de relevo”. Nesse sentido,
Nir (19835 ) apud Rodrigues (2005) propôs o termo
antropogeomorfologia, com o objetivo de dar ênfase ao homem/
sociedade como agente geomorfológico.
Com isso, os estudos acerca do relevo constituem-se uma medida
fundamental para o estabelecimento de atividades humanas. Nesse
contexto, diferentes autores têm aplicado o conceito de geomorfologia
ambiental, justamente, por relacionar o papel do homem enquanto
agente geomorfológico, ou seja, a integração entre questões sociais e
naturais, sendo todo esse conhecimento aplicado ao planejamento e ao
manejo ambiental (CUNHA & GUERRA, 2000; GUERRA & MARÇAL, 2006).
Quanto às análises de geomorfologia ambiental:
“Inclui o levantamento dos recursos naturais, a análise do terreno, a
avaliação das formas de relevo, a determinação das propriedades químicas
5 NIR, D. Man, a geomorphological agent: an introduction to anthropic Geomorphology.
Jerusalem: Ketem Pub. House, 1983.
(57-67)
agente modelador e pelos solos que o recobrem, numa relação
completamente dinâmica, que permite com que o relevo esteja sempre
em estado de evolução.
Conforme Casseti (1991) o processo de evolução do relevo é o
resultado de fatores exógenos, e de intervenções antrópicas, que ocorrem
na escala de tempo histórico, e que com exceção dos fenômenos
catastróficos, os fatores endógenos desenvolvem-se em escala de tempo
geológica.
Considerando-se as intervenções antrópicas, Guerra & Marçal
(2006, p.77) evidenciam o papel do homem como agente
geomorfológico:
“As encostas possuem uma evolução natural, mas nos ambientes que o
homem ocupa e, na maioria das vezes, provoca grandes transformações,
praticando extração mineral, construindo rodovias, ferrovias, casas e
prédios, ruas, represas, terraços etc., são produzidas encostas artificiais,
podendo abalar o equilíbrio anterior à ocupação humana”.
Segundo Rodrigues (2005, p. 101) a ação antrópica pode atuar
de modo a “...modificar propriedades e localização dos materiais
superficiais; interferir em vetores, taxas e balanços dos processos e gerar,
de forma direta e indireta, outra morfologia, aqui denominada de
morfologia antropogênica”.
Para Marques (1995, p.26) o homem “cada vez mais diversifica e
intensifica sua atuação, criando condições de interferir e, até mesmo,
controlar processos, criar e destruir formas de relevo”. Nesse sentido,
Nir (19835 ) apud Rodrigues (2005) propôs o termo
antropogeomorfologia, com o objetivo de dar ênfase ao homem/
sociedade como agente geomorfológico.
Com isso, os estudos acerca do relevo constituem-se uma medida
fundamental para o estabelecimento de atividades humanas. Nesse
contexto, diferentes autores têm aplicado o conceito de geomorfologia
ambiental, justamente, por relacionar o papel do homem enquanto
agente geomorfológico, ou seja, a integração entre questões sociais e
naturais, sendo todo esse conhecimento aplicado ao planejamento e ao
manejo ambiental (CUNHA & GUERRA, 2000; GUERRA & MARÇAL, 2006).
Quanto às análises de geomorfologia ambiental:
“Inclui o levantamento dos recursos naturais, a análise do terreno, a
avaliação das formas de relevo, a determinação das propriedades químicas
5 NIR, D. Man, a geomorphological agent: an introduction to anthropic Geomorphology.
Jerusalem: Ketem Pub. House, 1983.
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200864
Silva et al. (2004) evidenciam o fato de a erosão em áreas urbanas ser
diferente das encontradas no meio rural, pois as encontradas nas áreas
urbanas são condicionadas à concentração do fluxo, principalmente
devido à deficiência do sistema de drenagem urbana. Marçal & Guerra
(2006) indicam que a característica principal para o avanço das erosões
em áreas urbanas dá-se principalmente devido à escassa vegetação ou
onde a ocupação urbana ocorre de forma desordenada e sem infra-
estrutura.
Goudie (19899 ; 199010 ) apud Araújo et al. (2005) e Guerra &
Mendonça (2004) evidencia que as taxas de erosão em áreas urbanas
são maiores durante o período de construção da cidade (instalação de
um novo loteamento, por exemplo), isso porque, é nesta fase em que o
solo torna-se exposto aos agentes atmosféricos, decorrente da retirada
da vegetação e da movimentação da cobertura superficial para adequar
a topografia original à demanda da infra-estrutura. Após a fase de
construção, as taxas de erosão tendem a diminuir consideravelmente,
sobretudo onde é aplicado programas de planejamento urbano (GUERRA
& MENDONÇA, 2004).
Outra alteração refere-se à ocupação urbana em áreas com a
presença de vertentes íngremes, onde há a necessidade de modificar as
condições geomorfológicas do sítio urbano por meio de cortes, aterros
e terraplanagens, a fim de que se possam dar condições para a
implantação de obras de engenharia, tais como casas, prédios e ruas
(CHRISTOFOLETTI, 1993; CHRISTOFOLETTI, 1995). Essas alterações
podem além de tudo, desenfrear outras formas de degradação ambiental,
sobretudo, decorrente da desestabilização das vertentes (CUNHA &
GUERRA, 2000). Conforme Silva et al. (2004) essas alterações promovem
a exposição do solo que ficam à mercê dos processos erosivos. Fernandes
& Amaral (2000), Amaral & Feijó (2004) e Gonçalves & Guerra (2006)
também evidenciam o fato da ocorrência de movimentos de massa
induzidos pela ocupação do solo urbano nas cidades de Rio de Janeiro
e Petrópolis.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através do exposto, evidencia-se o papel dos conhecimentos
geomorfológicos na aplicação de medidas preventivas e/ou controladoras
desses processos de degradação do ambiente urbano. Small & Clark
9 GOUDIE, A. The nature of the environment. Oxford: Basil Blackwell Ltd, 1989.
10 GOUDIE, A. The human impact on the natural environment. Oxford: Basil Blackwell Ltd,
1990.
(57-67)
Silva et al. (2004) evidenciam o fato de a erosão em áreas urbanas ser
diferente das encontradas no meio rural, pois as encontradas nas áreas
urbanas são condicionadas à concentração do fluxo, principalmente
devido à deficiência do sistema de drenagem urbana. Marçal & Guerra
(2006) indicam que a característica principal para o avanço das erosões
em áreas urbanas dá-se principalmente devido à escassa vegetação ou
onde a ocupação urbana ocorre de forma desordenada e sem infra-
estrutura.
Goudie (19899 ; 199010 ) apud Araújo et al. (2005) e Guerra &
Mendonça (2004) evidencia que as taxas de erosão em áreas urbanas
são maiores durante o período de construção da cidade (instalação de
um novo loteamento, por exemplo), isso porque, é nesta fase em que o
solo torna-se exposto aos agentes atmosféricos, decorrente da retirada
da vegetação e da movimentação da cobertura superficial para adequar
a topografia original à demanda da infra-estrutura. Após a fase de
construção, as taxas de erosão tendem a diminuir consideravelmente,
sobretudo onde é aplicado programas de planejamento urbano (GUERRA
& MENDONÇA, 2004).
Outra alteração refere-se à ocupação urbana em áreas com a
presença de vertentes íngremes, onde há a necessidade de modificar as
condições geomorfológicas do sítio urbano por meio de cortes, aterros
e terraplanagens, a fim de que se possam dar condições para a
implantação de obras de engenharia, tais como casas, prédios e ruas
(CHRISTOFOLETTI, 1993; CHRISTOFOLETTI, 1995). Essas alterações
podem além de tudo, desenfrear outras formas de degradação ambiental,
sobretudo, decorrente da desestabilização das vertentes (CUNHA &
GUERRA, 2000). Conforme Silva et al. (2004) essas alterações promovem
a exposição do solo que ficam à mercê dos processos erosivos. Fernandes
& Amaral (2000), Amaral & Feijó (2004) e Gonçalves & Guerra (2006)
também evidenciam o fato da ocorrência de movimentos de massa
induzidos pela ocupação do solo urbano nas cidades de Rio de Janeiro
e Petrópolis.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através do exposto, evidencia-se o papel dos conhecimentos
geomorfológicos na aplicação de medidas preventivas e/ou controladoras
desses processos de degradação do ambiente urbano. Small & Clark
9 GOUDIE, A. The nature of the environment. Oxford: Basil Blackwell Ltd, 1989.
10 GOUDIE, A. The human impact on the natural environment. Oxford: Basil Blackwell Ltd,
1990.
(57-67)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 65
(198211 ) apud Guerra (2007, p.211), demonstram o fato de que “o
manejo adequado das encostas pode ser auxiliado pelo conhecimento
geomorfológico, devido a muitos dos fatores da instabilidade das
encostas serem estudados pela geomorfologia”.
Porém, evidencia-se que muitos dos processos de degradação
ambiental aqui demonstrados podem ocorrer em ambientes naturais,
ou seja, em áreas sem a ocupação humana, no entanto, chama-se atenção
ao fato de que quando “... o homem desmata, planta, constrói, transforma
o ambiente, esses processos, ditos naturais, tendem a ocorrer com
intensidade muito mais violenta...” (CUNHA & GUERRA, 2000, p.344).
Tais considerações denotam que a preocupação com a apropriação
do relevo é fundamental para a constituição de políticas de
desenvolvimento urbano, sobretudo, a partir de um momento histórico
no qual a idéia de planejamento adequado ao ordenamento territorial é
tão propagada no conjunto das propostas de implementação dos planos
diretores dos municípios. Entende-se que estas preocupações não são
recentes, mas têm sido difícil de problematizá-las no contexto de
mercado, no qual a expansão urbana dá-se de forma desordenada e
caótica.
Contudo, vive-se um período de consolidação e implementação
de planos diretores, onde colocar essa discussão não deve ser apenas
um compromisso técnico, mas, sobretudo político, no sentido de pensar-
se a ciência a favor da organização social.
REFERÊNCIAS
AMARAL, C. & FEIJÓ, R.L. Aspectos ambientais dos escorregamentos em áreas
urbanas. In: VITTE, A.C. & GUERRA, A.J.T. (Orgs). Reflexões sobre a
Geografia Física no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
ARAUJO, G.H de, ALMEIDA, J.R de & GUERRA, A.J.T. Gestão ambiental de
áreas degradadas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
BERTONI, J. & LOMBARDI, F. N. Conservação do Solo. 3.ed. São Paulo:
Ícone, 1990.
CASSETI, V. Ambiente e apropriação do relevo. São Paulo: Contexto,
1991.
CASSETI, V. Elementos de Geomorfologia. Goiânia: Editora UFG, 1994.
11 SMALL, R.J. & CLARK, M.J. Slopes and weathering. 2.ed. Inglaterra: Cambridge University
Press, Cambridge, 1982.
(57-67)
(198211 ) apud Guerra (2007, p.211), demonstram o fato de que “o
manejo adequado das encostas pode ser auxiliado pelo conhecimento
geomorfológico, devido a muitos dos fatores da instabilidade das
encostas serem estudados pela geomorfologia”.
Porém, evidencia-se que muitos dos processos de degradação
ambiental aqui demonstrados podem ocorrer em ambientes naturais,
ou seja, em áreas sem a ocupação humana, no entanto, chama-se atenção
ao fato de que quando “... o homem desmata, planta, constrói, transforma
o ambiente, esses processos, ditos naturais, tendem a ocorrer com
intensidade muito mais violenta...” (CUNHA & GUERRA, 2000, p.344).
Tais considerações denotam que a preocupação com a apropriação
do relevo é fundamental para a constituição de políticas de
desenvolvimento urbano, sobretudo, a partir de um momento histórico
no qual a idéia de planejamento adequado ao ordenamento territorial é
tão propagada no conjunto das propostas de implementação dos planos
diretores dos municípios. Entende-se que estas preocupações não são
recentes, mas têm sido difícil de problematizá-las no contexto de
mercado, no qual a expansão urbana dá-se de forma desordenada e
caótica.
Contudo, vive-se um período de consolidação e implementação
de planos diretores, onde colocar essa discussão não deve ser apenas
um compromisso técnico, mas, sobretudo político, no sentido de pensar-
se a ciência a favor da organização social.
REFERÊNCIAS
AMARAL, C. & FEIJÓ, R.L. Aspectos ambientais dos escorregamentos em áreas
urbanas. In: VITTE, A.C. & GUERRA, A.J.T. (Orgs). Reflexões sobre a
Geografia Física no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
ARAUJO, G.H de, ALMEIDA, J.R de & GUERRA, A.J.T. Gestão ambiental de
áreas degradadas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
BERTONI, J. & LOMBARDI, F. N. Conservação do Solo. 3.ed. São Paulo:
Ícone, 1990.
CASSETI, V. Ambiente e apropriação do relevo. São Paulo: Contexto,
1991.
CASSETI, V. Elementos de Geomorfologia. Goiânia: Editora UFG, 1994.
11 SMALL, R.J. & CLARK, M.J. Slopes and weathering. 2.ed. Inglaterra: Cambridge University
Press, Cambridge, 1982.
(57-67)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200870
INTRODUÇÃO
A utilização das novas tecnologias de informação e comunicação
no ensino de Geografia se baseia em pesquisas voltadas para a utilização
educativa da internet na formação dos alunos.
Nos tempos atuais a internet ganha destaque em ambientes
educacionais. Seu papel como instrumento em favor do processo de
ensino-aprendizagem é inegável, principalmente levando em conta a
facilidade atual de construção de home pages e blogs e da possibilidade
de manutenção das mesmas, de forma gratuita.
No caso específico do ensino de Geografia na Universidade
Estadual de Londrina os professores têm buscado novos ambientes de
aprendizagem capazes de aproveitar as inovações tecnológicas. Entre
as experiências de sucesso nessa direção destacam-se o projeto
Geografia on Line de Carvalho et al (2003) e o Portal da Cartografia
disponível em http://www.uel.br/projeto/cartografia de Archela et al
(2005). Ambos possuem a finalidade de apresentar a disciplina de
Geografia com utilização das páginas da internet enquanto um
instrumento de apoio didático, no qual professores e alunos podem
aprofundar suas pesquisas em áreas especificas como a cartografia, o
geoprocessamento e os sistemas de informação geográfica.
Vários outros projetos (especialmente, monografias de bacharelado
e de especialização em ensino de Geografia) vêm sendo desenvolvidos
com êxito, avançando, inclusive, para além da elaboração de páginas,
ou seja, com propósitos estritamente didático-pedagógico como o
desenvolvimento de Web Quests (ARCHELA et al, 2005), ambientes em
que o aluno interage com o conteúdo encontrado na internet. Esta
interação pode ser feita por meio de perguntas-respostas, jogos,
brincadeiras, mantendo como alvo principal o conteúdo abordado pelo
idealizador da página (no caso, o docente responsável).
Antes de relatar as experiências adquiridas por meio das páginas
de Cartografia, Geografia Geral, Climatologia, Geomorfologia e da
Cartografia Ambiental, dada sua importância para o ensino da Geografia,
acredita-se que seja de grande interesse escrever sobre alguns aspectos
que contribuíram para o desenvolvimento das novas tecnologias da
informação e comunicação.
Um panorama geral das telecomunicações:
importância e dados
As telecomunicações possuem um papel muito importante tanto
para a indústria quanto para o desenvolvimento econômico atual. Dentre
(69-79)
INTRODUÇÃO
A utilização das novas tecnologias de informação e comunicação
no ensino de Geografia se baseia em pesquisas voltadas para a utilização
educativa da internet na formação dos alunos.
Nos tempos atuais a internet ganha destaque em ambientes
educacionais. Seu papel como instrumento em favor do processo de
ensino-aprendizagem é inegável, principalmente levando em conta a
facilidade atual de construção de home pages e blogs e da possibilidade
de manutenção das mesmas, de forma gratuita.
No caso específico do ensino de Geografia na Universidade
Estadual de Londrina os professores têm buscado novos ambientes de
aprendizagem capazes de aproveitar as inovações tecnológicas. Entre
as experiências de sucesso nessa direção destacam-se o projeto
Geografia on Line de Carvalho et al (2003) e o Portal da Cartografia
disponível em http://www.uel.br/projeto/cartografia de Archela et al
(2005). Ambos possuem a finalidade de apresentar a disciplina de
Geografia com utilização das páginas da internet enquanto um
instrumento de apoio didático, no qual professores e alunos podem
aprofundar suas pesquisas em áreas especificas como a cartografia, o
geoprocessamento e os sistemas de informação geográfica.
Vários outros projetos (especialmente, monografias de bacharelado
e de especialização em ensino de Geografia) vêm sendo desenvolvidos
com êxito, avançando, inclusive, para além da elaboração de páginas,
ou seja, com propósitos estritamente didático-pedagógico como o
desenvolvimento de Web Quests (ARCHELA et al, 2005), ambientes em
que o aluno interage com o conteúdo encontrado na internet. Esta
interação pode ser feita por meio de perguntas-respostas, jogos,
brincadeiras, mantendo como alvo principal o conteúdo abordado pelo
idealizador da página (no caso, o docente responsável).
Antes de relatar as experiências adquiridas por meio das páginas
de Cartografia, Geografia Geral, Climatologia, Geomorfologia e da
Cartografia Ambiental, dada sua importância para o ensino da Geografia,
acredita-se que seja de grande interesse escrever sobre alguns aspectos
que contribuíram para o desenvolvimento das novas tecnologias da
informação e comunicação.
Um panorama geral das telecomunicações:
importância e dados
As telecomunicações possuem um papel muito importante tanto
para a indústria quanto para o desenvolvimento econômico atual. Dentre
(69-79)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 71
elas, o destaque maior fica a cargo do telefone (fixo ou celular) e dos
elementos a ele interligados (informática, satélites, cabos ou redes de
comunicações).
A importância das telecomunicações é tamanha que, atualmente
(e após a revolução técnico-científica) a localização de uma empresa
não está mais atrelada a uma fonte de matéria-prima. Principalmente a
partir dos anos de 1980 esta localização está mais associada à presença
de telecomunicações e, claro, a energia, transporte e mão-de-obra
qualificada para dinamizá-la.
Para se ter uma idéia, em 2000, o Brasil possuía 122 linhas de
telefones fixos e 48 celulares para cada mil habitantes. Havia também
31 computadores pessoais e 2,8 hosts (computadores permanentemente
ligados a rede) da internet para cada 1000 brasileiros. Atualmente, com
a divulgação de celulares, principalmente os pré-pagos e projetos
governamentais de apoio à informática nas escolas, por exemplo, esses
números aumentaram muito. Entretanto, em termos mundiais, esses
números são intermediários: melhores do que de economias mais pobres
e aquém das mais desenvolvidas.
A tabela 1 apresenta um panorama geral das telecomunicações e
a tabela 2 a distribuição da telefonia (veículo para a internet) para alguns
estados brasileiros.
Tabela 1 - Panorama geral das telecomunicações
Fonte: Banco Mundial. Word Developmente Report, 2001
síaP
edoremúN
ropsoxifsenofelet
setnatibahlim
edoremúN
seralulecsenofelet
setnatibahlimrop
edoremúN
serodatupmoc
limropsiaossep
setnatibah
stsohedoremúN
limroptenretniad
setnatibah
rodauqE 87 52 5,81 51,0
aivíloB 96 72 5,7 21,0
aissúR 791 5 60,4 5,1
lisarB 221 84 13 8,2
anitnegrA 302 87 3,44 78,3
acramaniD 066 463 873 2,36
AUE 166 652 954 9,391
(69-79)
elas, o destaque maior fica a cargo do telefone (fixo ou celular) e dos
elementos a ele interligados (informática, satélites, cabos ou redes de
comunicações).
A importância das telecomunicações é tamanha que, atualmente
(e após a revolução técnico-científica) a localização de uma empresa
não está mais atrelada a uma fonte de matéria-prima. Principalmente a
partir dos anos de 1980 esta localização está mais associada à presença
de telecomunicações e, claro, a energia, transporte e mão-de-obra
qualificada para dinamizá-la.
Para se ter uma idéia, em 2000, o Brasil possuía 122 linhas de
telefones fixos e 48 celulares para cada mil habitantes. Havia também
31 computadores pessoais e 2,8 hosts (computadores permanentemente
ligados a rede) da internet para cada 1000 brasileiros. Atualmente, com
a divulgação de celulares, principalmente os pré-pagos e projetos
governamentais de apoio à informática nas escolas, por exemplo, esses
números aumentaram muito. Entretanto, em termos mundiais, esses
números são intermediários: melhores do que de economias mais pobres
e aquém das mais desenvolvidas.
A tabela 1 apresenta um panorama geral das telecomunicações e
a tabela 2 a distribuição da telefonia (veículo para a internet) para alguns
estados brasileiros.
Tabela 1 - Panorama geral das telecomunicações
Fonte: Banco Mundial. Word Developmente Report, 2001
síaP
edoremúN
ropsoxifsenofelet
setnatibahlim
edoremúN
seralulecsenofelet
setnatibahlimrop
edoremúN
serodatupmoc
limropsiaossep
setnatibah
stsohedoremúN
limroptenretniad
setnatibah
rodauqE 87 52 5,81 51,0
aivíloB 96 72 5,7 21,0
aissúR 791 5 60,4 5,1
lisarB 221 84 13 8,2
anitnegrA 302 87 3,44 78,3
acramaniD 066 463 873 2,36
AUE 166 652 954 9,391
(69-79)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 73
data de meados de 1940, ou seja, a revolução em si se deu a partir dos
anos de 1980.
O telefone conheceu nos anos 1980 grande transformação com
um aumento na capacidade de transmissão e uma grande mobilidade,
resultante do uso de fibras óticas para transmitir sinais digitais e das
ligações com a informática e com os satélites de comunicação.
Em 1956, quando o primeiro cabo submarino entrou em operação,
ele possibilitava somente 89 conversas simultâneas entre a Europa e a
América do Norte. Desde o final dos anos 1980, a capacidade das
principais redes interurbanas e internacionais cresceu tão rápido que
um único cabo submarino instalado atualmente permite três milhões
de ligações simultâneas. Enquanto novos cabos são instalados, novos
satélites são lançados no espaço, permitindo o tráfego telefônico em
outras rotas, especialmente entre telefones celulares. Esse crescimento
na capacidade instalada refletiu-se nas tarifas que caíram bastante nos
anos 1990. Ao mesmo tempo, o telefone ganhou mobilidade; a
comunicação celular, que remonta ao final da Segunda Guerra Mundial,
tornou-se economicamente viável apenas no início dos anos 1980,
quando houve queda no preço dos processadores.
Em 1945 existiam apenas oito mil residências, em todo o mundo,
com um aparelho de televisão. Em 2000 esse número havia crescido
para cerca de um bilhão, cerca de 70% das residências do mundo. O
primeiro satélite de comunicações privado, o Teldstar, foi lançado em
1962, e posteriormente, em especial no final da década de 1980 e nos
anos 1990, inúmeros outros vieram transformar os noticiários de
televisão, que antes (até os anos 1970) eram apresentados com um dia
de atraso e hoje mostram as notícias do dia ou até no momento
(CAIRNCROSS, 2000).
Neste panorama apresentado por Cairncross (2000) tem-se que o
computador eletrônico foi o que sofreu a evolução com maior rapidez.
Primeiro, devido ao aumento do processamento (cada vez mais os
computadores e celulares se miniaturizam); segundo, porque os
computadores estão ligados uns aos outros com mais freqüência. “[...]
à medida que a potência do chip se multiplicou, o preço do
processamento de dados caiu, o tamanho do computador diminuiu e a
sua capacidade aumentou” (CAIRNCROSS, 2000).
Isto implica menor barreira física. Hoje, com cartão de crédito,
pode-se comprar em várias partes do mundo, independentemente da
moeda local, ou mesmo, tal compra pode ser efetuada “via internet”
tranqüilamente. Isto vem comprovar a relação estreita entre revolução
das comunicações e globalização.
(69-79)
data de meados de 1940, ou seja, a revolução em si se deu a partir dos
anos de 1980.
O telefone conheceu nos anos 1980 grande transformação com
um aumento na capacidade de transmissão e uma grande mobilidade,
resultante do uso de fibras óticas para transmitir sinais digitais e das
ligações com a informática e com os satélites de comunicação.
Em 1956, quando o primeiro cabo submarino entrou em operação,
ele possibilitava somente 89 conversas simultâneas entre a Europa e a
América do Norte. Desde o final dos anos 1980, a capacidade das
principais redes interurbanas e internacionais cresceu tão rápido que
um único cabo submarino instalado atualmente permite três milhões
de ligações simultâneas. Enquanto novos cabos são instalados, novos
satélites são lançados no espaço, permitindo o tráfego telefônico em
outras rotas, especialmente entre telefones celulares. Esse crescimento
na capacidade instalada refletiu-se nas tarifas que caíram bastante nos
anos 1990. Ao mesmo tempo, o telefone ganhou mobilidade; a
comunicação celular, que remonta ao final da Segunda Guerra Mundial,
tornou-se economicamente viável apenas no início dos anos 1980,
quando houve queda no preço dos processadores.
Em 1945 existiam apenas oito mil residências, em todo o mundo,
com um aparelho de televisão. Em 2000 esse número havia crescido
para cerca de um bilhão, cerca de 70% das residências do mundo. O
primeiro satélite de comunicações privado, o Teldstar, foi lançado em
1962, e posteriormente, em especial no final da década de 1980 e nos
anos 1990, inúmeros outros vieram transformar os noticiários de
televisão, que antes (até os anos 1970) eram apresentados com um dia
de atraso e hoje mostram as notícias do dia ou até no momento
(CAIRNCROSS, 2000).
Neste panorama apresentado por Cairncross (2000) tem-se que o
computador eletrônico foi o que sofreu a evolução com maior rapidez.
Primeiro, devido ao aumento do processamento (cada vez mais os
computadores e celulares se miniaturizam); segundo, porque os
computadores estão ligados uns aos outros com mais freqüência. “[...]
à medida que a potência do chip se multiplicou, o preço do
processamento de dados caiu, o tamanho do computador diminuiu e a
sua capacidade aumentou” (CAIRNCROSS, 2000).
Isto implica menor barreira física. Hoje, com cartão de crédito,
pode-se comprar em várias partes do mundo, independentemente da
moeda local, ou mesmo, tal compra pode ser efetuada “via internet”
tranqüilamente. Isto vem comprovar a relação estreita entre revolução
das comunicações e globalização.
(69-79)
Page 76
Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200876
No caso específico do ensino de Geografia, mais precisamente da
Geografia Física, algumas experiências tem sido desenvolvidas no sentido
de levar o ambiente computacional com maior freqüência para a sala
de aula. O objetivo inicial (no ano 2002) veio do anseio de se encontrar
materiais específicos de Geografia Física na rede, o que nem sempre era
encontrado com facilidade. Resolveu-se desenvolver uma home page a
fim de valorizar e divulgar os trabalhos desenvolvidos ao longo da
disciplina de Climatologia e também textos, artigos, matérias de
importância para a área e que poderiam ser utilizadas tanto pelos
universitários como pelo público em geral.
Assim, elaborou-se um “mapa do site” para organizar a
apresentação do material disponível até aquele momento:
• Página inicial (Index): com identificação da Universidade,
disciplina, professora organizadora, e-mail para contato;
• Sumário: página em que são elencados os conteúdos da
home page;
• Texto básico sobre Climatologia;
• Visita ao Instituto Agronômico do Paraná;
• Seminários;
• Trabalho de campo interdisciplinar;
• Trabalhos apresentados em congressos;
• O tempo em algumas cidades brasileiras: utilizando as
informações diárias do próprio site do Yahoo;
• Sites interessantes;
• Classificação das nuvens;
• Sugestões bibliográficas;
• Programa da disciplina;
O software utilizado foi o Front Page do Office XP e o material está
disponível no endereço: http://geocities.yahoo.com.br/uel_climatologia.
A partir do ano de 2003 outra página foi elaborada para a disciplina
de Geomorfologia (http://geocities.yahoo.com.br/uel_geomorfologia),
ampliando as perspectivas dos trabalhos, e evoluindo também no
conteúdo disponibilidado, sendo o mapa do site mais completo:
• Página inicial (Index): com identificação da Universidade,
disciplina, professora organizadora, e-mail para contato;
• Sumário: página em que são elencados os conteúdos da
home page;
• Texto básico sobre Geomorfologia (histórico feito pelos
alunos);
• Material de trabalhos de campo (integrados com outras
disciplinas e individuais);
(69-79)
No caso específico do ensino de Geografia, mais precisamente da
Geografia Física, algumas experiências tem sido desenvolvidas no sentido
de levar o ambiente computacional com maior freqüência para a sala
de aula. O objetivo inicial (no ano 2002) veio do anseio de se encontrar
materiais específicos de Geografia Física na rede, o que nem sempre era
encontrado com facilidade. Resolveu-se desenvolver uma home page a
fim de valorizar e divulgar os trabalhos desenvolvidos ao longo da
disciplina de Climatologia e também textos, artigos, matérias de
importância para a área e que poderiam ser utilizadas tanto pelos
universitários como pelo público em geral.
Assim, elaborou-se um “mapa do site” para organizar a
apresentação do material disponível até aquele momento:
• Página inicial (Index): com identificação da Universidade,
disciplina, professora organizadora, e-mail para contato;
• Sumário: página em que são elencados os conteúdos da
home page;
• Texto básico sobre Climatologia;
• Visita ao Instituto Agronômico do Paraná;
• Seminários;
• Trabalho de campo interdisciplinar;
• Trabalhos apresentados em congressos;
• O tempo em algumas cidades brasileiras: utilizando as
informações diárias do próprio site do Yahoo;
• Sites interessantes;
• Classificação das nuvens;
• Sugestões bibliográficas;
• Programa da disciplina;
O software utilizado foi o Front Page do Office XP e o material está
disponível no endereço: http://geocities.yahoo.com.br/uel_climatologia.
A partir do ano de 2003 outra página foi elaborada para a disciplina
de Geomorfologia (http://geocities.yahoo.com.br/uel_geomorfologia),
ampliando as perspectivas dos trabalhos, e evoluindo também no
conteúdo disponibilidado, sendo o mapa do site mais completo:
• Página inicial (Index): com identificação da Universidade,
disciplina, professora organizadora, e-mail para contato;
• Sumário: página em que são elencados os conteúdos da
home page;
• Texto básico sobre Geomorfologia (histórico feito pelos
alunos);
• Material de trabalhos de campo (integrados com outras
disciplinas e individuais);
(69-79)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 77
• Galeria de fotos (em que os discente colocam fotos de áreas
visitadas por eles, independentemente de ser viagem de
campo);
• Material das aulas teóricas e prática;
• Glossário (com termos pesquisados pelos discentes);
• Seminário sobre materiais didáticos (em que os discentes
produzem materiais que possam ser utilizados por
professores de ensino fundamental e médio que visitem a
página);
• Filmes;
• Sites interessantes;
• Outros itens: sugestões de materiais de sucata para
confecção de blocos didáticos, sugestões de massas para
simular efeitos no relevo, entre outros.
Essa atividade teve uma resposta positiva, pois, além de ser um
veículo de publicação dos trabalhos dos alunos, tornou-se um incentivo
às pesquisas, por seu caráter dinâmico (já que a cada nova turma de
graduação os conteúdos serão reelaborados e/ou adicionados á página).
A página de Geomorfologia no ano de 2007 vem passando por
uma renovação de conteúdo e layout visando ampliar o ambiente existente
com a inserção de uma WebQuest que se encontra em processo de
elaboração. Além da troca de experiências com outros profissionais e
estudantes de vários locais por meio de um link no qual estudantes de
Geografia de outros estados como Minas Gerais (Uberlândia) e Mato
Grosso do Sul (Três Lagoas), utilizam textos e atividades divulgadas na
página). Por ser, este projeto, destinado aos discentes do curso de
graduação em Geografia, a apresentação de novos temas e novas
abordagens constituem-se em um estímulo para pesquisa.
Outra experiência relatada vem com a Cartografia Ambiental, que
é uma disciplina do programa de mestrado em Geografia, Meio Ambiente
e Desenvolvimento da Universidade Estadual de Londrina. A partir do
ano de 2005, o programa da disciplina bem como todo o material
bibliográfico de desenvolvimento da disciplina foi disponibilizado no
blog criado especialmente para a disciplina, disponível em http://
cartografiaambiental.blogspot.com. Como essa disciplina envolve a
criação de mapas, além de discutir as abordagens teóricas e
metodológicas da Cartografia Ambiental, passou-se a utilizar blogs criados
e desenvolvidos pelos alunos como portfólios de atividades.
Como resultado dessas investidas pelo mundo das NTCs adotou-
se o portifólio na disciplina de estágio de observação e vivência docente,
cujos resultados podem ser observados nos portifólios desenvolvidos
(69-79)
• Galeria de fotos (em que os discente colocam fotos de áreas
visitadas por eles, independentemente de ser viagem de
campo);
• Material das aulas teóricas e prática;
• Glossário (com termos pesquisados pelos discentes);
• Seminário sobre materiais didáticos (em que os discentes
produzem materiais que possam ser utilizados por
professores de ensino fundamental e médio que visitem a
página);
• Filmes;
• Sites interessantes;
• Outros itens: sugestões de materiais de sucata para
confecção de blocos didáticos, sugestões de massas para
simular efeitos no relevo, entre outros.
Essa atividade teve uma resposta positiva, pois, além de ser um
veículo de publicação dos trabalhos dos alunos, tornou-se um incentivo
às pesquisas, por seu caráter dinâmico (já que a cada nova turma de
graduação os conteúdos serão reelaborados e/ou adicionados á página).
A página de Geomorfologia no ano de 2007 vem passando por
uma renovação de conteúdo e layout visando ampliar o ambiente existente
com a inserção de uma WebQuest que se encontra em processo de
elaboração. Além da troca de experiências com outros profissionais e
estudantes de vários locais por meio de um link no qual estudantes de
Geografia de outros estados como Minas Gerais (Uberlândia) e Mato
Grosso do Sul (Três Lagoas), utilizam textos e atividades divulgadas na
página). Por ser, este projeto, destinado aos discentes do curso de
graduação em Geografia, a apresentação de novos temas e novas
abordagens constituem-se em um estímulo para pesquisa.
Outra experiência relatada vem com a Cartografia Ambiental, que
é uma disciplina do programa de mestrado em Geografia, Meio Ambiente
e Desenvolvimento da Universidade Estadual de Londrina. A partir do
ano de 2005, o programa da disciplina bem como todo o material
bibliográfico de desenvolvimento da disciplina foi disponibilizado no
blog criado especialmente para a disciplina, disponível em http://
cartografiaambiental.blogspot.com. Como essa disciplina envolve a
criação de mapas, além de discutir as abordagens teóricas e
metodológicas da Cartografia Ambiental, passou-se a utilizar blogs criados
e desenvolvidos pelos alunos como portfólios de atividades.
Como resultado dessas investidas pelo mundo das NTCs adotou-
se o portifólio na disciplina de estágio de observação e vivência docente,
cujos resultados podem ser observados nos portifólios desenvolvidos
(69-79)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200878
pelos alunos, cujos resultados estão disponíveis nos quase trinta
portfólios construídos pelos alunos desta disciplina, disponível em http:/
/ensinodegeografia.blogspot.com. Nesse sentido, pode-se afirmar que
o blog vem se constituindo num excelente recurso de avaliação, pois,
permite ao professor acompanhar o desenvolvimento individual das
atividades dos alunos, além de possibilitar um contato direto desses
alunos com as tecnologias digitais.
O portifólio é uma experiência inovadora no ensino de Geografia,
sobretudo, quando apresentado na web, pois representa uma maneira
de reflexão sobre a aprendizagem. De fato, não é um “lugar” para colocar
tudo o que se fez durante o processo de aprendizagem como se fosse
um repositório, mas, serve para organizar o que realmente foi aprendido
e dar conta de como se aprendeu.
A utilização de portfólios teve sua origem no debate teórico,
influenciado pelo construtivismo, nos anos de 1980 e sua utilização na
web vem ocorrendo desde o ano 2000. Sua utilização dentro de uma
aprendizagem contextualizada, favorece o pensamento complexo,
porque mostra o que foi aprendido e passa por toda a expressão visual
e cognitiva. Um verdadeiro portfólio não é copiado. Cada aluno escolhe
o que vai ser colocado e como vai ser apresentado. Com essa
metodologia se faz uma verdadeira avaliação levando-se em conta
a maneira como o aluno se situou diante do conteúdo trabalhado, uma
vez que nem todos aprendem da mesma maneira.
Como resultado, os alunos desenvolvem uma linguagem
compartilhada e uma compreensão da mesma. Ele é o autor da
aprendizagem. Ocorre também, a auto avaliação na medida em que os
alunos organizam e comunicam o aprendizado para outros, pois o
portfólio apresentado em um blog se torna público. Alguns exemplos
podem ser visualizados em http://ensinodegeografia.blogspot.com.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entre as considerações sobre a utilização das novas tecnologias
da informação e comunicação em Geografia, pode-se afirmar que colocar
a imagem, a música e a internet, nas teias educacionais é uma forma de
tornar mais interessante o aprendizado dos conteúdos ministrados, de
aproximá-los da realidade e do cotidiano que está, a cada momento,
mais tecnológico.
É importante lembrar que ao elaborar uma página, está sendo
transmitida alguma informação para um público (no caso da rede)
mundial. Disso decorre que deve existir uma maior preocupação com a
(69-79)
pelos alunos, cujos resultados estão disponíveis nos quase trinta
portfólios construídos pelos alunos desta disciplina, disponível em http:/
/ensinodegeografia.blogspot.com. Nesse sentido, pode-se afirmar que
o blog vem se constituindo num excelente recurso de avaliação, pois,
permite ao professor acompanhar o desenvolvimento individual das
atividades dos alunos, além de possibilitar um contato direto desses
alunos com as tecnologias digitais.
O portifólio é uma experiência inovadora no ensino de Geografia,
sobretudo, quando apresentado na web, pois representa uma maneira
de reflexão sobre a aprendizagem. De fato, não é um “lugar” para colocar
tudo o que se fez durante o processo de aprendizagem como se fosse
um repositório, mas, serve para organizar o que realmente foi aprendido
e dar conta de como se aprendeu.
A utilização de portfólios teve sua origem no debate teórico,
influenciado pelo construtivismo, nos anos de 1980 e sua utilização na
web vem ocorrendo desde o ano 2000. Sua utilização dentro de uma
aprendizagem contextualizada, favorece o pensamento complexo,
porque mostra o que foi aprendido e passa por toda a expressão visual
e cognitiva. Um verdadeiro portfólio não é copiado. Cada aluno escolhe
o que vai ser colocado e como vai ser apresentado. Com essa
metodologia se faz uma verdadeira avaliação levando-se em conta
a maneira como o aluno se situou diante do conteúdo trabalhado, uma
vez que nem todos aprendem da mesma maneira.
Como resultado, os alunos desenvolvem uma linguagem
compartilhada e uma compreensão da mesma. Ele é o autor da
aprendizagem. Ocorre também, a auto avaliação na medida em que os
alunos organizam e comunicam o aprendizado para outros, pois o
portfólio apresentado em um blog se torna público. Alguns exemplos
podem ser visualizados em http://ensinodegeografia.blogspot.com.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entre as considerações sobre a utilização das novas tecnologias
da informação e comunicação em Geografia, pode-se afirmar que colocar
a imagem, a música e a internet, nas teias educacionais é uma forma de
tornar mais interessante o aprendizado dos conteúdos ministrados, de
aproximá-los da realidade e do cotidiano que está, a cada momento,
mais tecnológico.
É importante lembrar que ao elaborar uma página, está sendo
transmitida alguma informação para um público (no caso da rede)
mundial. Disso decorre que deve existir uma maior preocupação com a
(69-79)
Page 82
Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200882
Primeiras considerações
Atravessa esta paisagem, o meu sonho dum porto infinito[…]
E a sombra de uma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim e entra por mim dentro
E passa para o outro lado da minha alma...
(Fernando Pessoa)
Do ambiente em que vivemos esperamos mais do que condições
favoráveis à manutenção de nossas funções biológicas e recursos para
fazer funcionar a máquina econômica. Segundo Dubos (1981, p. 96):
“Queremos experimentar as satisfações sensoriais, emocionais e
espirituais que somente podem ser conseguidas mediante uma interação
íntima, ou melhor, uma real identificação com os lugares onde vivemos”.
Ao intitular seu livro com a frase “Namorando a Terra”, o autor
sugere que o relacionamento entre a espécie humana e a natureza devia
ser de respeito e de amor e não de domínio. Neste sentido, namorar a
Terra significa muito mais do que humanizar o ambiente, significa
também preservar certos ambientes naturais nos quais se experimentam
os mistérios que transcendem a vida diária e onde se sintoniza forças
que modelaram a espécie humana. Enquanto ambientes humanizados
dão-nos confiança porque neles a natureza foi reduzida à escala humana,
o selvagem nos força a uma comparação entre nós – enquanto criaturas
biológicas – e o cosmos.
Estas idéias não só indicam a origem do título deste texto –
derivado de um estudo mais amplo (CABRAL, 1999) – como também
permitem registrar as razões mais profundas que nos levaram a escolher
e desenvolver o tema. A intenção é discorrer sobre a topofilia dos usuários
com a paisagem da Lagoa do Peri, precisamente, a partir daqueles relatos
e observações que apontam para uma dimensão mais íntima e fascinante
da experiência. O enfoque recairá sobre a “Lagoa” por esse componente
espacial ser central no processo de percepção, representação e
valorização daquele ambiente.
Adotamos a Geografia Humanista como aporte teórico por
entender que se trata de uma abordagem apropriada para analisar a
subjetividade que permeia as interações homem-ambiente. Dentre
aqueles conceitos chaves apropriados por esse viés está o de “topofilia”,
que refere-se a afetividade humana pelo(s) lugar(es). Nesse sentido,
topofilia associa sentimento e espaço; envolve experiências positivas,
com ambientes atrativos, naturais e construídos.
(81-94)
Primeiras considerações
Atravessa esta paisagem, o meu sonho dum porto infinito[…]
E a sombra de uma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim e entra por mim dentro
E passa para o outro lado da minha alma...
(Fernando Pessoa)
Do ambiente em que vivemos esperamos mais do que condições
favoráveis à manutenção de nossas funções biológicas e recursos para
fazer funcionar a máquina econômica. Segundo Dubos (1981, p. 96):
“Queremos experimentar as satisfações sensoriais, emocionais e
espirituais que somente podem ser conseguidas mediante uma interação
íntima, ou melhor, uma real identificação com os lugares onde vivemos”.
Ao intitular seu livro com a frase “Namorando a Terra”, o autor
sugere que o relacionamento entre a espécie humana e a natureza devia
ser de respeito e de amor e não de domínio. Neste sentido, namorar a
Terra significa muito mais do que humanizar o ambiente, significa
também preservar certos ambientes naturais nos quais se experimentam
os mistérios que transcendem a vida diária e onde se sintoniza forças
que modelaram a espécie humana. Enquanto ambientes humanizados
dão-nos confiança porque neles a natureza foi reduzida à escala humana,
o selvagem nos força a uma comparação entre nós – enquanto criaturas
biológicas – e o cosmos.
Estas idéias não só indicam a origem do título deste texto –
derivado de um estudo mais amplo (CABRAL, 1999) – como também
permitem registrar as razões mais profundas que nos levaram a escolher
e desenvolver o tema. A intenção é discorrer sobre a topofilia dos usuários
com a paisagem da Lagoa do Peri, precisamente, a partir daqueles relatos
e observações que apontam para uma dimensão mais íntima e fascinante
da experiência. O enfoque recairá sobre a “Lagoa” por esse componente
espacial ser central no processo de percepção, representação e
valorização daquele ambiente.
Adotamos a Geografia Humanista como aporte teórico por
entender que se trata de uma abordagem apropriada para analisar a
subjetividade que permeia as interações homem-ambiente. Dentre
aqueles conceitos chaves apropriados por esse viés está o de “topofilia”,
que refere-se a afetividade humana pelo(s) lugar(es). Nesse sentido,
topofilia associa sentimento e espaço; envolve experiências positivas,
com ambientes atrativos, naturais e construídos.
(81-94)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 83
Lagoa do Peri: para além dos estereótipos
Situada no sul da Ilha de Santa Catarina e com uma lâmina d’água
de 5km2, a Lagoa do Peri é parte de uma bacia hidrográfica que drena
uma área de aproximadamente 20km2 (5% da superfície da ilha). Às
vezes propalada como o mais importante patrimônio natural da ilha, a
bacia – enquadrada como parque municipal desde o início da década
de 80 – constitui-se, indubitavelmente, num ecossistema único,
complexo e muito vulnerável, dada a sua reduzida extensão territorial e
a acentuada interação dos elementos que dão suporte à sua dinâmica:
geologia, relevo, clima, vegetação, hidrografia e o homem.
Atualmente, dependendo do ponto de vista e em virtude do alto
grau de regeneração da vegetação (Floresta Ombrófila Densa e Restinga),
as marcas antrópicas na paisagem tornam-se praticamente
imperceptíveis. Estando no local, especialmente às margens da lagoa,
evidencia-se que a dominância na composição da paisagem é
compartilhada entre os componentes naturais através de suas principais
propriedades visuais: a água se sobressaindo por sua forma superficial
(lagoa) e cor (escura); a vegetação, sobretudo pela cor (verde) e textura
(rugosa); e o relevo, por suas linhas, formas e escalas diferenciadas.
Enquanto conjunto, tais atributos conferem uma elevada qualidade
estética à paisagem.
Mesmo que devesse ser ampliada, deixaremos de lado a descrição
da paisagem enquanto estrutura visível para destacar os aspectos mais
intangíveis associados à Lagoa do Peri.
É sabido que a apreciação lírica de uma paisagem sofre influência
de modelos culturais. Conforme Collot (1990), a significação afetiva de
certas paisagens pode ser codificada por verdadeiros estereótipos; tais
são as associações que se propõe entre o lago e a paz, o vale e a doçura,
o pico e a audácia. Tuan (1980, p. 32), por sua vez, acrescenta que: “Os
elementos verticais na paisagem evocam um sentido de esforço, um
desafio de gravidade, enquanto os elementos horizontais lembram
aceitação e descanso.” Por outro lado, esses próprios significados
estereotipados não são completamente arbitrários: eles se apoiam em
estruturas características do próprio objeto espacial, que mantém relação
metafórica com atitudes corporais e existenciais fundamentais.
Cientes disto, convém focalizar as motivações e explicações que
levam certos usuários (principalmente visitantes e moradores) a
associarem a horizontalidade e as águas calmas da Lagoa à estados de
sossego, tranqüilidade, serenidade, paz, repouso (Figura 1):
(81-94)
Lagoa do Peri: para além dos estereótipos
Situada no sul da Ilha de Santa Catarina e com uma lâmina d’água
de 5km2, a Lagoa do Peri é parte de uma bacia hidrográfica que drena
uma área de aproximadamente 20km2 (5% da superfície da ilha). Às
vezes propalada como o mais importante patrimônio natural da ilha, a
bacia – enquadrada como parque municipal desde o início da década
de 80 – constitui-se, indubitavelmente, num ecossistema único,
complexo e muito vulnerável, dada a sua reduzida extensão territorial e
a acentuada interação dos elementos que dão suporte à sua dinâmica:
geologia, relevo, clima, vegetação, hidrografia e o homem.
Atualmente, dependendo do ponto de vista e em virtude do alto
grau de regeneração da vegetação (Floresta Ombrófila Densa e Restinga),
as marcas antrópicas na paisagem tornam-se praticamente
imperceptíveis. Estando no local, especialmente às margens da lagoa,
evidencia-se que a dominância na composição da paisagem é
compartilhada entre os componentes naturais através de suas principais
propriedades visuais: a água se sobressaindo por sua forma superficial
(lagoa) e cor (escura); a vegetação, sobretudo pela cor (verde) e textura
(rugosa); e o relevo, por suas linhas, formas e escalas diferenciadas.
Enquanto conjunto, tais atributos conferem uma elevada qualidade
estética à paisagem.
Mesmo que devesse ser ampliada, deixaremos de lado a descrição
da paisagem enquanto estrutura visível para destacar os aspectos mais
intangíveis associados à Lagoa do Peri.
É sabido que a apreciação lírica de uma paisagem sofre influência
de modelos culturais. Conforme Collot (1990), a significação afetiva de
certas paisagens pode ser codificada por verdadeiros estereótipos; tais
são as associações que se propõe entre o lago e a paz, o vale e a doçura,
o pico e a audácia. Tuan (1980, p. 32), por sua vez, acrescenta que: “Os
elementos verticais na paisagem evocam um sentido de esforço, um
desafio de gravidade, enquanto os elementos horizontais lembram
aceitação e descanso.” Por outro lado, esses próprios significados
estereotipados não são completamente arbitrários: eles se apoiam em
estruturas características do próprio objeto espacial, que mantém relação
metafórica com atitudes corporais e existenciais fundamentais.
Cientes disto, convém focalizar as motivações e explicações que
levam certos usuários (principalmente visitantes e moradores) a
associarem a horizontalidade e as águas calmas da Lagoa à estados de
sossego, tranqüilidade, serenidade, paz, repouso (Figura 1):
(81-94)
Page 85
Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 85
parece que a cabeça já vai melhorando. Agora quando eu boto o pé ali na
beira da Lagoa então, parece uma coisa que vai abrindo outra alma na
vida, parece que vai clareando até as vista... a gente sente outro clarão!
(morador, aposentado)
Numa perspectiva fenomenológica, pode-se dizer que a paisagem
se define como espaço ao alcance do olhar e à disposição de todo o
corpo. Ligando-se aos comportamentos possíveis do sujeito, afirma Collot
(ibidem), o ver amplia-se para um querer e um poder. No caso aqui
considerado, a Lagoa pode ser cobiçada e encarada como um desafio,
evocando uma atitude que se diferencia daquela de passividade,
associada à idéia de sossego:
Pra mim toda vez que eu venho e olho pra Lagoa, eu imagino o dia que eu
vou atravessar à nado e chegar até o outro lado... é um desafio que eu
estou querendo a toda hora superar. (visitante, psicóloga)
Percebe-se assim, mesmo sabendo que os relatos apenas sugerem
o que é experienciado como intenção ou volição, que a Lagoa assume
significados que vão além das simples definições fornecidas pelos
estereótipos.
Um outro dado que revela a afetividade de alguns moradores pelo
lugar e por conseguinte à Lagoa, surge num intento onde sua forma é
comparada a de um coração. Cientes desta analogia, percebe-se o sentido
implícito na declaração de um morador:
Eu sou apaixonado pelo formato dessa Lagoa! (morador, surfista)
De acordo com a literatura esotérica e psicanalítica, a água –
especialmente a água parada – tende a ser um símbolo do princípio
feminino. Daí este mesmo morador se pronunciar à respeito do que
mais gosta na paisagem e destacar a Lagoa como se estivesse se referindo
a uma mulher:
Lógico que é da Lagoa... de poder ter esse corpo d’água ao meu lado!
Diante da hipótese de não mais poder freqüentar o lugar, um
visitante recorre à mesma metáfora:
Se eu não pudesse vir mais aqui, eu iria tentar achar um lugar que fosse
parecido, que tivesse as mesmas características. Agora eu ia sentir muita
falta porque a gente se apaixona, é um namoro que eu tenho com esse
lugar. Eu acho que eu sentiria uma grande falta daqui, uma saudade
enorme dessa Lagoa! (visitante, professor/corretor de imóveis)
(81-94)
parece que a cabeça já vai melhorando. Agora quando eu boto o pé ali na
beira da Lagoa então, parece uma coisa que vai abrindo outra alma na
vida, parece que vai clareando até as vista... a gente sente outro clarão!
(morador, aposentado)
Numa perspectiva fenomenológica, pode-se dizer que a paisagem
se define como espaço ao alcance do olhar e à disposição de todo o
corpo. Ligando-se aos comportamentos possíveis do sujeito, afirma Collot
(ibidem), o ver amplia-se para um querer e um poder. No caso aqui
considerado, a Lagoa pode ser cobiçada e encarada como um desafio,
evocando uma atitude que se diferencia daquela de passividade,
associada à idéia de sossego:
Pra mim toda vez que eu venho e olho pra Lagoa, eu imagino o dia que eu
vou atravessar à nado e chegar até o outro lado... é um desafio que eu
estou querendo a toda hora superar. (visitante, psicóloga)
Percebe-se assim, mesmo sabendo que os relatos apenas sugerem
o que é experienciado como intenção ou volição, que a Lagoa assume
significados que vão além das simples definições fornecidas pelos
estereótipos.
Um outro dado que revela a afetividade de alguns moradores pelo
lugar e por conseguinte à Lagoa, surge num intento onde sua forma é
comparada a de um coração. Cientes desta analogia, percebe-se o sentido
implícito na declaração de um morador:
Eu sou apaixonado pelo formato dessa Lagoa! (morador, surfista)
De acordo com a literatura esotérica e psicanalítica, a água –
especialmente a água parada – tende a ser um símbolo do princípio
feminino. Daí este mesmo morador se pronunciar à respeito do que
mais gosta na paisagem e destacar a Lagoa como se estivesse se referindo
a uma mulher:
Lógico que é da Lagoa... de poder ter esse corpo d’água ao meu lado!
Diante da hipótese de não mais poder freqüentar o lugar, um
visitante recorre à mesma metáfora:
Se eu não pudesse vir mais aqui, eu iria tentar achar um lugar que fosse
parecido, que tivesse as mesmas características. Agora eu ia sentir muita
falta porque a gente se apaixona, é um namoro que eu tenho com esse
lugar. Eu acho que eu sentiria uma grande falta daqui, uma saudade
enorme dessa Lagoa! (visitante, professor/corretor de imóveis)
(81-94)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200886
Tal relato, ainda torna conveniente observar que enquanto
visitantes e fiscais recorrem a idéia de substituírem a perda (hipotética)
por um outro local semelhante, os moradores ratificam de diversas formas
a idéia do lugar como algo único e insubstituível, daí “nem é bom pensar”
na possibilidade de se mudar da Lagoa do Peri.
A Lagoa e as significações místico-religiosas
Refletindo sobre a natureza como espaço de celebração, Bruhns
(1997), afirma que numa ótica subjetiva as experiências íntimas do
“corpo” com a natureza pode levar a um reconhecimento de sua
espacialidade na relação com o mundo e a uma revisão dos valores,
bem como a um encontro muito particular do homem com ele mesmo.
“A busca ou escolha de paisagens privilegiadas é uma forma da procura
de si mesmo.”, ratifica Collot (1990, p. 28). Este aspecto da religiosidade
(no sentido de re-ligação), referenciado por ambos os autores, permite
inserir alguns relatos que evocam o sentido do divino associado à Lagoa
e à paisagem como um todo.
No meu trabalho de pesquisa, eu tive que fazer um monitoramento de
temperatura em tocas de lontra. Por três meses seguidos, eu ia três
vezes por semana e três vezes ao dia. Numa das noites, deu uma
tempestade, eu me perdi pelo caminho e acabei indo parar dentro de
uma toca. Lá fora o vento, a chuva... estava cada vez mais forte e eu
exausto acabei dormindo. No meio da noite, acordei de repente e já não
se escutava mais nada, só um silêncio... parecia que eu tava morto num
túmulo. Resolvi sair e quando eu botei a cabeça pra fora, a Lagoa tava
que era um espelho, a lua enorme no céu e bem na minha frente, tinha
três lontras nadando e brincando, foi inesquecível... daquele em diante
dia eu acho que comecei a acreditar em Deus e desde então eu tenho
essa toca como um lugar especial! (morador, professor universitário)
Pra mim esse lugar me dá uma paz de espírito... se a gente tá mal é só
sair um pouco que já volta bem... aí eu vou mais pro lado espiritual... pra
mim aqui tem muito haver com Deus […] Eu me sinto com Deus quando
vejo essa Lagoa, espelhando esses morros... esse lugar é demais!
(moradora, dona de casa)
Olhar essa natureza é uma forma de olhar a si mesmo... nossa origem...
é uma introspecção que a gente faz. Aqui eu me sinto integrado à natureza
e procuro fazer coisas que não agridam... nem pescar eu gosto aqui! […]
Aqui há lugares onde eu posso fazer um relaxamento mais profundo,
uma meditação... fazer um abandono das coisas comuns e ficar um
pouquinho com a gente mesmo. (visitante, professor)
(81-94)
Tal relato, ainda torna conveniente observar que enquanto
visitantes e fiscais recorrem a idéia de substituírem a perda (hipotética)
por um outro local semelhante, os moradores ratificam de diversas formas
a idéia do lugar como algo único e insubstituível, daí “nem é bom pensar”
na possibilidade de se mudar da Lagoa do Peri.
A Lagoa e as significações místico-religiosas
Refletindo sobre a natureza como espaço de celebração, Bruhns
(1997), afirma que numa ótica subjetiva as experiências íntimas do
“corpo” com a natureza pode levar a um reconhecimento de sua
espacialidade na relação com o mundo e a uma revisão dos valores,
bem como a um encontro muito particular do homem com ele mesmo.
“A busca ou escolha de paisagens privilegiadas é uma forma da procura
de si mesmo.”, ratifica Collot (1990, p. 28). Este aspecto da religiosidade
(no sentido de re-ligação), referenciado por ambos os autores, permite
inserir alguns relatos que evocam o sentido do divino associado à Lagoa
e à paisagem como um todo.
No meu trabalho de pesquisa, eu tive que fazer um monitoramento de
temperatura em tocas de lontra. Por três meses seguidos, eu ia três
vezes por semana e três vezes ao dia. Numa das noites, deu uma
tempestade, eu me perdi pelo caminho e acabei indo parar dentro de
uma toca. Lá fora o vento, a chuva... estava cada vez mais forte e eu
exausto acabei dormindo. No meio da noite, acordei de repente e já não
se escutava mais nada, só um silêncio... parecia que eu tava morto num
túmulo. Resolvi sair e quando eu botei a cabeça pra fora, a Lagoa tava
que era um espelho, a lua enorme no céu e bem na minha frente, tinha
três lontras nadando e brincando, foi inesquecível... daquele em diante
dia eu acho que comecei a acreditar em Deus e desde então eu tenho
essa toca como um lugar especial! (morador, professor universitário)
Pra mim esse lugar me dá uma paz de espírito... se a gente tá mal é só
sair um pouco que já volta bem... aí eu vou mais pro lado espiritual... pra
mim aqui tem muito haver com Deus […] Eu me sinto com Deus quando
vejo essa Lagoa, espelhando esses morros... esse lugar é demais!
(moradora, dona de casa)
Olhar essa natureza é uma forma de olhar a si mesmo... nossa origem...
é uma introspecção que a gente faz. Aqui eu me sinto integrado à natureza
e procuro fazer coisas que não agridam... nem pescar eu gosto aqui! […]
Aqui há lugares onde eu posso fazer um relaxamento mais profundo,
uma meditação... fazer um abandono das coisas comuns e ficar um
pouquinho com a gente mesmo. (visitante, professor)
(81-94)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200888
que navegam pela Lagoa. Esta apreciação do sagrado na paisagem
também é compartilhada por alguns moradores “de fora”, que ao
discorrerem sobre o monumento, chamam a atenção para a exuberante
vegetação à sua volta:
Gosto muito da Pedra do Oratório. Ali tem uma árvore que numa certa
época do ano, se eu não me engano é agosto, fica toda coberta com
umas flores vermelhas e que fica refletindo assim na Lagoa... Meu Deus!
Ali é o oratório mesmo! (moradora, dona de casa)
Uma outra expressão do namoro com a Lagoa pode ser encontrada
nos causos e lendas que ainda subsistem na memória de alguns
moradores nativos mais velhos. Tratam-se de narrativas que fazem parte
da “cultura residual” (COSGROVE, 1999) e que conferem ao lugar uma
aura de medo e mistério – pelo menos naqueles tempos em que os
encantamentos faziam parte do cotidiano. Interessa-nos aqui, transcrever
algumas das histórias que têm na Lagoa sua principal referência espacial.
Ao longo da conversa, Dona Euzébia, de 84 anos, sentada junto à
mesa da cozinha, vai aos poucos sacando da memória uma estória
depois da outra. Conta que em certas ocasiões as bruxas enchiam as
tarrafas de galhadas para impedir os pescadores de matarem os peixes.
Quando foi uma outra vez, meu pai e outros pescador tavam trabalhando
na roça lá em cima e abriu uma música na Lagoa... aí eles largaram os
prato de comida e escutaram, escutaram... uma música sem saber da
onde era, não via ninguém só a música, sabe como é? Aí quando a
música parou eles foram comer a comida tava tudo fria.
Diz ela, que muitas vezes ouviu de sua avó que ao meio dia
aparecia no meio da Lagoa uma malha de pasto bem verde, se o vento
era norte ela ia para o norte, se o vento era sul ela ia para o sul também:
“[...] ia contra o vento”.
Nessa Lagoa aí já apareceu muito encanto! Uma vez, a filha do falecido
Isidoro foi levar café pro avô que tava na roça, passou pela Lagoa e deu
uma vontade nela de tomar água... quando ela se agachou, no meio da
água um chapéu de ouro se abriu. Ela levou um susto tamanho que saiu
correndo. Quando chegou lá na roça, contou a história pro avô e ele
disse que ela devia ter batizado com sangue... devia ter furado o dedo e
deixado sangrar em cima do encanto... Sabe como é?
Uma noite, meu irmão tomava banho na Lagoa e viu uma mulher de
branco chamando ele pra fora... aí meu pai chegou na beira e gritou com
ele... ainda bem, se não ele tinha ido mesmo!
(81-94)
que navegam pela Lagoa. Esta apreciação do sagrado na paisagem
também é compartilhada por alguns moradores “de fora”, que ao
discorrerem sobre o monumento, chamam a atenção para a exuberante
vegetação à sua volta:
Gosto muito da Pedra do Oratório. Ali tem uma árvore que numa certa
época do ano, se eu não me engano é agosto, fica toda coberta com
umas flores vermelhas e que fica refletindo assim na Lagoa... Meu Deus!
Ali é o oratório mesmo! (moradora, dona de casa)
Uma outra expressão do namoro com a Lagoa pode ser encontrada
nos causos e lendas que ainda subsistem na memória de alguns
moradores nativos mais velhos. Tratam-se de narrativas que fazem parte
da “cultura residual” (COSGROVE, 1999) e que conferem ao lugar uma
aura de medo e mistério – pelo menos naqueles tempos em que os
encantamentos faziam parte do cotidiano. Interessa-nos aqui, transcrever
algumas das histórias que têm na Lagoa sua principal referência espacial.
Ao longo da conversa, Dona Euzébia, de 84 anos, sentada junto à
mesa da cozinha, vai aos poucos sacando da memória uma estória
depois da outra. Conta que em certas ocasiões as bruxas enchiam as
tarrafas de galhadas para impedir os pescadores de matarem os peixes.
Quando foi uma outra vez, meu pai e outros pescador tavam trabalhando
na roça lá em cima e abriu uma música na Lagoa... aí eles largaram os
prato de comida e escutaram, escutaram... uma música sem saber da
onde era, não via ninguém só a música, sabe como é? Aí quando a
música parou eles foram comer a comida tava tudo fria.
Diz ela, que muitas vezes ouviu de sua avó que ao meio dia
aparecia no meio da Lagoa uma malha de pasto bem verde, se o vento
era norte ela ia para o norte, se o vento era sul ela ia para o sul também:
“[...] ia contra o vento”.
Nessa Lagoa aí já apareceu muito encanto! Uma vez, a filha do falecido
Isidoro foi levar café pro avô que tava na roça, passou pela Lagoa e deu
uma vontade nela de tomar água... quando ela se agachou, no meio da
água um chapéu de ouro se abriu. Ela levou um susto tamanho que saiu
correndo. Quando chegou lá na roça, contou a história pro avô e ele
disse que ela devia ter batizado com sangue... devia ter furado o dedo e
deixado sangrar em cima do encanto... Sabe como é?
Uma noite, meu irmão tomava banho na Lagoa e viu uma mulher de
branco chamando ele pra fora... aí meu pai chegou na beira e gritou com
ele... ainda bem, se não ele tinha ido mesmo!
(81-94)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200890
Figura 3: Cena do banho de lagoa
(área junto à sede administrativa do Parque).
Algumas observações são suficientes para poder afirmar que as
palavras podem apenas sugerir a expressão de certas crianças quando
avistam a Lagoa do Peri. Um sorriso sem igual surge no rosto e no mesmo
instante o corpo já sacode braços e pernas. A corrida em direção à água
é inevitável. Pega-pega, corre-corre, intercalam-se com incontáveis
mergulhos; embalados por gritos e falas que expressam a espontaneidade
do momento vivido. Deste modo, durante todo o tempo que permanecem
na água as crianças se lançam de forma criativa e lúdica num cenário
da imaginação e do prazer. A praia rasa de água escura, morna e doce é
como um “grande útero”. 2
É sabido que o relacionamento homem-água se dá sobre as mais
diversas formas, dependendo da intencionalidade e dos recursos
disponíveis à cada pessoa. No namoro com a Lagoa do Peri, essa
interação pode se efetuar na simples contemplação de sua beleza, porém
no caso da criança, como vimos acima, essa relação com o corpo d’água
se faz principalmente através da natação e das brincadeiras. Guimarães
(1995), explica que se para os nadadores a relação com o meio líquido
é de luta, o objetivo é vencer a água, vencer seus próprios limites e
portanto, o que importa não é a travessia e sim o seu fim - só pode rir
quem ficou menos tempo com a água - para as crianças, a água é parceira
num jogo de amor, nadar é ficar com ela o maior tempo possível... para
2 Para que essa metáfora possa ser melhor apreendida, basta lembrar que o meio líquido está
presente em toda a existência humana, desde sua gestação no útero materno.
(81-94)
Figura 3: Cena do banho de lagoa
(área junto à sede administrativa do Parque).
Algumas observações são suficientes para poder afirmar que as
palavras podem apenas sugerir a expressão de certas crianças quando
avistam a Lagoa do Peri. Um sorriso sem igual surge no rosto e no mesmo
instante o corpo já sacode braços e pernas. A corrida em direção à água
é inevitável. Pega-pega, corre-corre, intercalam-se com incontáveis
mergulhos; embalados por gritos e falas que expressam a espontaneidade
do momento vivido. Deste modo, durante todo o tempo que permanecem
na água as crianças se lançam de forma criativa e lúdica num cenário
da imaginação e do prazer. A praia rasa de água escura, morna e doce é
como um “grande útero”. 2
É sabido que o relacionamento homem-água se dá sobre as mais
diversas formas, dependendo da intencionalidade e dos recursos
disponíveis à cada pessoa. No namoro com a Lagoa do Peri, essa
interação pode se efetuar na simples contemplação de sua beleza, porém
no caso da criança, como vimos acima, essa relação com o corpo d’água
se faz principalmente através da natação e das brincadeiras. Guimarães
(1995), explica que se para os nadadores a relação com o meio líquido
é de luta, o objetivo é vencer a água, vencer seus próprios limites e
portanto, o que importa não é a travessia e sim o seu fim - só pode rir
quem ficou menos tempo com a água - para as crianças, a água é parceira
num jogo de amor, nadar é ficar com ela o maior tempo possível... para
2 Para que essa metáfora possa ser melhor apreendida, basta lembrar que o meio líquido está
presente em toda a existência humana, desde sua gestação no útero materno.
(81-94)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200892
Convém lembrar que a ambiência nos territórios de lazer ou
“clareiras” proporciona algumas vantagens em relação à certos
inconvenientes do espaço aberto: insolação intensa e falta de
privacidade. Deste modo, atende-se às necessidades humanas de espaço
e lugar, de aventura e refúgio, liberdade e dependência, movimento e
repouso (TUAN, 1983). É curioso observar como os grupos (família,
amigos...) se apropriam das “clareiras”, ali permanecendo por horas e
até mesmo durante o dia todo. Nelas, os visitantes instalam-se com
seus apetrechos de lazer e levam à cabo suas necessidades de descanso,
alimentação e sociabilidade. Mesmo longe de casa, muitos dos ritmos
cotidianos se conservam, principalmente em relação os horários de
alimentação.
Embora haja toda uma infra-estrutura de lazer coletiva
(churrasqueiras, mesas, bancos, pias, banheiros, estacionamento,
playground) à disposição dos visitantes no bosque de eucaliptos, junto
à sede administrativa, há uma certa preferência pelos abrigos às margens
da Lagoa. Já nas primeiras horas da manhã, quando a área da sede ainda
nem começou a ser ocupada, algumas famílias já se apropriam desses
locais, possivelmente por oferecerem mais privacidade.
Por outro lado, sabe-se que entre as pessoas o resultado do namoro
é gratificante apenas se houver respeito mútuo. Embora esse preceito
também seja essencial à uma interação saudável com o entorno,
infelizmente, ele é negligenciado na maioria das vezes. No caso da
visitação à Lagoa do Peri, isto é facilmente verificado no corte da
vegetação arbustiva, no uso do fogo e, principalmente, no descaso
com o lixo. Logo, apesar de estar na moda apregoar paixão e devoção à
natureza, não podemos nos esquecer que a prática das pessoas pode
ser outra.
Últimas considerações
Ainda que as apreciações líricas da paisagem sejam eventuais,
efêmeras e dependam da sensibilidade do sujeito, elas aqui foram
elucidadas sob a metáfora do “namoro”, para ratificar que sob certas
circunstâncias externas e internas, a experiência dos usuários revelam-
se únicas. O poema “hay kay” escrito por Suzana Mafra (1999, p. 38),
sugere essa singularidade e simplicidade:
Lagoa do Peri
Em estado de graça
A garça ri.
(81-94)
Convém lembrar que a ambiência nos territórios de lazer ou
“clareiras” proporciona algumas vantagens em relação à certos
inconvenientes do espaço aberto: insolação intensa e falta de
privacidade. Deste modo, atende-se às necessidades humanas de espaço
e lugar, de aventura e refúgio, liberdade e dependência, movimento e
repouso (TUAN, 1983). É curioso observar como os grupos (família,
amigos...) se apropriam das “clareiras”, ali permanecendo por horas e
até mesmo durante o dia todo. Nelas, os visitantes instalam-se com
seus apetrechos de lazer e levam à cabo suas necessidades de descanso,
alimentação e sociabilidade. Mesmo longe de casa, muitos dos ritmos
cotidianos se conservam, principalmente em relação os horários de
alimentação.
Embora haja toda uma infra-estrutura de lazer coletiva
(churrasqueiras, mesas, bancos, pias, banheiros, estacionamento,
playground) à disposição dos visitantes no bosque de eucaliptos, junto
à sede administrativa, há uma certa preferência pelos abrigos às margens
da Lagoa. Já nas primeiras horas da manhã, quando a área da sede ainda
nem começou a ser ocupada, algumas famílias já se apropriam desses
locais, possivelmente por oferecerem mais privacidade.
Por outro lado, sabe-se que entre as pessoas o resultado do namoro
é gratificante apenas se houver respeito mútuo. Embora esse preceito
também seja essencial à uma interação saudável com o entorno,
infelizmente, ele é negligenciado na maioria das vezes. No caso da
visitação à Lagoa do Peri, isto é facilmente verificado no corte da
vegetação arbustiva, no uso do fogo e, principalmente, no descaso
com o lixo. Logo, apesar de estar na moda apregoar paixão e devoção à
natureza, não podemos nos esquecer que a prática das pessoas pode
ser outra.
Últimas considerações
Ainda que as apreciações líricas da paisagem sejam eventuais,
efêmeras e dependam da sensibilidade do sujeito, elas aqui foram
elucidadas sob a metáfora do “namoro”, para ratificar que sob certas
circunstâncias externas e internas, a experiência dos usuários revelam-
se únicas. O poema “hay kay” escrito por Suzana Mafra (1999, p. 38),
sugere essa singularidade e simplicidade:
Lagoa do Peri
Em estado de graça
A garça ri.
(81-94)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008 93
Concordamos com Relph (1979), quando diz que o sentido de
paisagem não inclui somente os cenários exteriores nos quais se vive,
na realidade eles se fundem e se complementam com nossas
experiências interiores e nesse caso, as paisagens tornam-se particulares
e revelam um espírito íntimo, chamado pelo autor de “inscape”. E não
há necessidade de definir claramente isso porque embora seja
extremamente difícil racionalizar a esse respeito: “[...] cada um de nós
é plenamente capaz de reconhecer, em algum grau, os inscapes e a
natureza dos ambientes que encontramos. Isso é evidente porque cada
paisagem tem seu próprio conjunto e contém significados específicos
para nós em termos das nossas atitudes para com ela.” (Ibid., p. 15).
Uma vez decodificadas, tais significações evidenciam o valor das
paisagens vividas, assim como, o papel que exercemos na reprodução
da cultura e da geografia de nossas existências.
Talvez, até aqui, a abordagem tenha excedido os limites do
romanticamente aceitável num texto acadêmico, porém, é preciso
confessar ser quase impossível evitar essa apreciação sabendo que ela
torna visível algumas das formas mais profundas de topofilia com a
paisagem – ainda que raramente expressas.
REFERÊNCIAS
BRUHNS, Heloísa Turini. O corpo visitando a natureza: possibilidades de um
diálogo crítico. In: SERRANO, Célia Maria de Toledo e _____ (orgs.). Viagens
à natureza: turismo, cultura e ambiente. São Paulo: Papirus, 1997, p. 125-
140.
CABRAL, Luiz Otávio. Bacia da Lagoa do Peri: sobre as dimensões da
paisagem e seu valor. Florianópolis, 1999. Dissertação (Mestrado em Geografia)
– Departamento de Geociências, Universidade Federal de Santa Catarina.
COLLOT, Michel. Pontos de vista sobre a percepção das paisagens.
Boletim de Geografia Teorética, Rio Claro, v. 20, n. 39, p. 21-32, 1990.
COSGROVE, Denis. A geografia está em toda parte: cultura e simbolismo nas
paisagens humanas. In: CORRÊA, Roberto Lobato e ROSENDAHL, Zeny (orgs.).
Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro: Editora da UERJ, 1998, p. 92-
123.
DUBOS, René. Namorando a Terra. São Paulo: Melhoramentos, 1981.
GUIMARÃES, Elaine Vargas. Nadar : uma conversa com a Lagoa do Peri. In:
SILVA, Maurício Roberto da (org.). Caderno de Pesquisa – RPD: pesquisando
o lazer/recreação na perspectiva da graduação em educação física da UFSC.
Florianópolis: Ed. da UFSC, 1995, p. 71-85.
(81-94)
Concordamos com Relph (1979), quando diz que o sentido de
paisagem não inclui somente os cenários exteriores nos quais se vive,
na realidade eles se fundem e se complementam com nossas
experiências interiores e nesse caso, as paisagens tornam-se particulares
e revelam um espírito íntimo, chamado pelo autor de “inscape”. E não
há necessidade de definir claramente isso porque embora seja
extremamente difícil racionalizar a esse respeito: “[...] cada um de nós
é plenamente capaz de reconhecer, em algum grau, os inscapes e a
natureza dos ambientes que encontramos. Isso é evidente porque cada
paisagem tem seu próprio conjunto e contém significados específicos
para nós em termos das nossas atitudes para com ela.” (Ibid., p. 15).
Uma vez decodificadas, tais significações evidenciam o valor das
paisagens vividas, assim como, o papel que exercemos na reprodução
da cultura e da geografia de nossas existências.
Talvez, até aqui, a abordagem tenha excedido os limites do
romanticamente aceitável num texto acadêmico, porém, é preciso
confessar ser quase impossível evitar essa apreciação sabendo que ela
torna visível algumas das formas mais profundas de topofilia com a
paisagem – ainda que raramente expressas.
REFERÊNCIAS
BRUHNS, Heloísa Turini. O corpo visitando a natureza: possibilidades de um
diálogo crítico. In: SERRANO, Célia Maria de Toledo e _____ (orgs.). Viagens
à natureza: turismo, cultura e ambiente. São Paulo: Papirus, 1997, p. 125-
140.
CABRAL, Luiz Otávio. Bacia da Lagoa do Peri: sobre as dimensões da
paisagem e seu valor. Florianópolis, 1999. Dissertação (Mestrado em Geografia)
– Departamento de Geociências, Universidade Federal de Santa Catarina.
COLLOT, Michel. Pontos de vista sobre a percepção das paisagens.
Boletim de Geografia Teorética, Rio Claro, v. 20, n. 39, p. 21-32, 1990.
COSGROVE, Denis. A geografia está em toda parte: cultura e simbolismo nas
paisagens humanas. In: CORRÊA, Roberto Lobato e ROSENDAHL, Zeny (orgs.).
Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro: Editora da UERJ, 1998, p. 92-
123.
DUBOS, René. Namorando a Terra. São Paulo: Melhoramentos, 1981.
GUIMARÃES, Elaine Vargas. Nadar : uma conversa com a Lagoa do Peri. In:
SILVA, Maurício Roberto da (org.). Caderno de Pesquisa – RPD: pesquisando
o lazer/recreação na perspectiva da graduação em educação física da UFSC.
Florianópolis: Ed. da UFSC, 1995, p. 71-85.
(81-94)
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 200896
enable the fluency, mobility and accessibility in the territories, growth the
spatial interactions, the trades and the industrial and agropecuary production.
The circulation and mobility of capital enable your reproduction and growth
the inter-regional articulation, with a logistic of otimization of production
armazenament and transport. More, the spatial interactions represent the
intensity of economic activities and the social reproduction in the territory,
differentials.
KEY-WORDS: fluvial waterway transport, merchandising, substructures,
logistic, spatial interactions.
INTRODUÇÃO
O processo de globalização econômica é regido em função,
sobretudo, das empresas globais (PORTER, 1986) e da tecnocracia.
Compreender a contemporaneidade significa considerar diversos
elementos, aspectos e agentes imbricados e inerentes ao seu bojo, e
que constituem uma rede complexa de interações e cooperações no
espaço. A inserção dos territórios na internacionalização dos mercados,
juntamente com a expansão e modernização do sistema de comunicação,
informação e transportes, determinou sobremaneira as mudanças de
relacionamento entre o local, regional, nacional e global (SANTOS, 2002).
A constituição de redes e fluxos a partir de fixos (SANTOS, 1996),
levam a redução do tempo de deslocamento entre as diferentes cidades
e regiões, e intensificam a divisão internacional do trabalho. Para garantir
a fluidez na circulação material e imaterial é fundamental a construção
e readequação das bases materiais (infra-estruturas) e a otimização da
gestão e da logística, visto que as transformações decorrentes da
economia flexível e da forte competição entre as empresas globais
(PORTER, 1986) demandam constantes inovações tecnológicas ligadas
a produção-distribuição, além de flexibilidade e adaptações ao mercado.
Diante da globalização – regida em função dos interesses do
capital – atribuir relevância ao sistema de circulação e transportes é
condição indispensável para fomentar as interações espaciais (CORRÊA,
1997), a integração dos territórios, o comércio, a produção e os fluxos
de mercadorias e pessoas. Assim, as hidrovias fluviais e a
intermodalidade são alternativas que devem ser melhor exploradas no
Brasil, mediante maiores investimentos e iniciativas para aumentar e
qualificar suas infra-estruturas e elevar o fluxo de meios circulantes no
espaço.
O arcabouço tecnológico existente na atualidade é permeado, em
muitos casos, pela cooperação e interdependência entre o sistema virtual
(95-112)
enable the fluency, mobility and accessibility in the territories, growth the
spatial interactions, the trades and the industrial and agropecuary production.
The circulation and mobility of capital enable your reproduction and growth
the inter-regional articulation, with a logistic of otimization of production
armazenament and transport. More, the spatial interactions represent the
intensity of economic activities and the social reproduction in the territory,
differentials.
KEY-WORDS: fluvial waterway transport, merchandising, substructures,
logistic, spatial interactions.
INTRODUÇÃO
O processo de globalização econômica é regido em função,
sobretudo, das empresas globais (PORTER, 1986) e da tecnocracia.
Compreender a contemporaneidade significa considerar diversos
elementos, aspectos e agentes imbricados e inerentes ao seu bojo, e
que constituem uma rede complexa de interações e cooperações no
espaço. A inserção dos territórios na internacionalização dos mercados,
juntamente com a expansão e modernização do sistema de comunicação,
informação e transportes, determinou sobremaneira as mudanças de
relacionamento entre o local, regional, nacional e global (SANTOS, 2002).
A constituição de redes e fluxos a partir de fixos (SANTOS, 1996),
levam a redução do tempo de deslocamento entre as diferentes cidades
e regiões, e intensificam a divisão internacional do trabalho. Para garantir
a fluidez na circulação material e imaterial é fundamental a construção
e readequação das bases materiais (infra-estruturas) e a otimização da
gestão e da logística, visto que as transformações decorrentes da
economia flexível e da forte competição entre as empresas globais
(PORTER, 1986) demandam constantes inovações tecnológicas ligadas
a produção-distribuição, além de flexibilidade e adaptações ao mercado.
Diante da globalização – regida em função dos interesses do
capital – atribuir relevância ao sistema de circulação e transportes é
condição indispensável para fomentar as interações espaciais (CORRÊA,
1997), a integração dos territórios, o comércio, a produção e os fluxos
de mercadorias e pessoas. Assim, as hidrovias fluviais e a
intermodalidade são alternativas que devem ser melhor exploradas no
Brasil, mediante maiores investimentos e iniciativas para aumentar e
qualificar suas infra-estruturas e elevar o fluxo de meios circulantes no
espaço.
O arcabouço tecnológico existente na atualidade é permeado, em
muitos casos, pela cooperação e interdependência entre o sistema virtual
(95-112)
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dos serviços, além de facilitar a articulação e a integração das diferentes
regiões. Ademais, a inclusão de novos espaços na dinâmica produtiva e
no mercado global é resultado de agentes e forças de convergência que
se manifestam no próprio espaço e desencadeiam um processo em que
novos centros nodais são responsáveis por grande parte da circulação e
distribuição de mercadorias, interconectando diferentes territórios
nacionais e internacionais.
A quinta Revolução Logística, surgida no final do século XX, se
caracteriza pela presença de novas tecnologias e pela otimização das
infra-estruturas e da logística (SILVEIRA, 2007). Tem-se uma imbricação
e cooperação entre as telecomunicações e a informática (telemática),
que contribuem sobremaneira para facilitar a circulação de informações
entre os indivíduos, mediante o deslocamento de ondas eletromagnéticas
no espaço. O meio técnico-científico-informacional (SANTOS, 2002)
condiciona à reestruturação econômica e tecnológica em âmbitos
nacional e global, a partir da acumulação flexível, com o just in time,
circulação anterior a produção, flexibilidade quanto a produção e
mercado, tecnologias de ponta, trabalhador polivalente e altamente
qualificado, logística e gestão empresarial otimizadas etc, além de
assegurar a mobilidade e acessibilidade no território.
As inovações contemporâneas superaram a concorrência apenas
local/regional e passaram-na para a escala global. Os atuais circuitos
espaciais de produção (SANTOS, 1996) são decorrentes da expansão e
modernização do sistema de circulação, comunicação e transportes, e
refletem a busca por novos mercados nacionais e externos. As infra-
estruturas, vias e meios de transportes são imprescindíveis dentro desse
contexto, pois contribuem para a articulação e integração espaciais e
asseguram a formação de redes de circulação no território. Os fixos
permitem a existência de fluxos (SANTOS, 1996), maior fluidez das
mercadorias e indivíduos, a intermodalidade e fomentam o
desenvolvimento.
Ademais, as interações espaciais de Roberto Lobato Corrêa (1997)
será base para compreensão da dinâmica e do desenvolvimento inerente
a cada território, considerando os diversos agentes e elementos (naturais,
infra-estruturas e capitais) existentes e que geram mutações no espaço
e, por conseguinte, lhe atribuem peculiaridade e influência regional.
Assim, o presente trabalho realiza uma discussão acerca de vários
aspectos ligados ao transporte hidroviário interior, internacionalização
dos mercados e conexões entre territórios, e está estruturado em duas
partes, quais sejam: a primeira se refere às infra-estruturas, logística e
transporte de cargas, a partir de uma visão integrada entre esses três
elementos, e a segunda trata do transporte hidroviário e articulação
(95-112)
dos serviços, além de facilitar a articulação e a integração das diferentes
regiões. Ademais, a inclusão de novos espaços na dinâmica produtiva e
no mercado global é resultado de agentes e forças de convergência que
se manifestam no próprio espaço e desencadeiam um processo em que
novos centros nodais são responsáveis por grande parte da circulação e
distribuição de mercadorias, interconectando diferentes territórios
nacionais e internacionais.
A quinta Revolução Logística, surgida no final do século XX, se
caracteriza pela presença de novas tecnologias e pela otimização das
infra-estruturas e da logística (SILVEIRA, 2007). Tem-se uma imbricação
e cooperação entre as telecomunicações e a informática (telemática),
que contribuem sobremaneira para facilitar a circulação de informações
entre os indivíduos, mediante o deslocamento de ondas eletromagnéticas
no espaço. O meio técnico-científico-informacional (SANTOS, 2002)
condiciona à reestruturação econômica e tecnológica em âmbitos
nacional e global, a partir da acumulação flexível, com o just in time,
circulação anterior a produção, flexibilidade quanto a produção e
mercado, tecnologias de ponta, trabalhador polivalente e altamente
qualificado, logística e gestão empresarial otimizadas etc, além de
assegurar a mobilidade e acessibilidade no território.
As inovações contemporâneas superaram a concorrência apenas
local/regional e passaram-na para a escala global. Os atuais circuitos
espaciais de produção (SANTOS, 1996) são decorrentes da expansão e
modernização do sistema de circulação, comunicação e transportes, e
refletem a busca por novos mercados nacionais e externos. As infra-
estruturas, vias e meios de transportes são imprescindíveis dentro desse
contexto, pois contribuem para a articulação e integração espaciais e
asseguram a formação de redes de circulação no território. Os fixos
permitem a existência de fluxos (SANTOS, 1996), maior fluidez das
mercadorias e indivíduos, a intermodalidade e fomentam o
desenvolvimento.
Ademais, as interações espaciais de Roberto Lobato Corrêa (1997)
será base para compreensão da dinâmica e do desenvolvimento inerente
a cada território, considerando os diversos agentes e elementos (naturais,
infra-estruturas e capitais) existentes e que geram mutações no espaço
e, por conseguinte, lhe atribuem peculiaridade e influência regional.
Assim, o presente trabalho realiza uma discussão acerca de vários
aspectos ligados ao transporte hidroviário interior, internacionalização
dos mercados e conexões entre territórios, e está estruturado em duas
partes, quais sejam: a primeira se refere às infra-estruturas, logística e
transporte de cargas, a partir de uma visão integrada entre esses três
elementos, e a segunda trata do transporte hidroviário e articulação
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Revista Geografia e Pesquisa - v.2 - n.1 jan-jun 2008100
espaços em que o poder público oferece vantagens tributárias (incentivos
e isenções). Isto demonstra a falta de planejamento e de um projeto de
desenvolvimento por parte do Estado, visando arrefecer as
heterogeneidades inter-regionais inerentes ao território nacional.
Ademais, a presença de infra-estruturas modernas e de qualidade também
é um fator que favorece a instalação de empresas no espaço, visto que
são essenciais para a produção e escoamento dos bens até os centros
de demanda.
A expansão do sistema de circulação e transportes permite a
especialização funcional e produtiva das diversas regiões. A divisão
territorial do trabalho se intensifica, já que cada região não precisa
produzir tudo aquilo que os indivíduos necessitam para sobrevivência.
A independência dos espaços se enfraquece e até mesmo se desfaz, ao
mesmo tempo em que aumenta a conexão e integração entre eles. Os
fluxos materiais e imateriais e a formação de redes entre cidades, regiões
e países surgem a partir dos fixos existentes no espaço (SANTOS, 1996),
o que conduz à idéia de revalorização do local diante da globalização.
Assim, a relação global/local ganha pujança, visto que o global está no
local e o local é base para o global (SANTOS, 2002).
Os transportes e comunicações possuem grande relevância diante
da internacionalização econômica e dos mercados, já que é
representada, antes de tudo, pelas inter-relações entre espaços, empresas,
instituições e indivíduos. Com as cinco revoluções logísticas existentes
na história da humanidade houve a superação dos obstáculos e entraves
à articulação entre os espaços e, por conseguinte, o fim do isolamento
de diversos grupos sociais (SILVEIRA, 2007). Dessa maneira, a
necessidade de auto-suficiência produtiva não tem mais sentido, ao passo
que o comércio e as inter-relações se intensificaram em escala global.
Atualmente, tem-se um período de integração acentuada, com uma
economia extremamente internacionalizada e interdependente,
representando um contexto permeado pela complexidade e imbricação
de diversos agentes sociais, políticos, econômicos e financeiros. Assim:
A mundialização não diz respeito apenas às atividades dos grupos
empresariais e aos fluxos comerciais que elas provocam. Inclui também
a globalização financeira, que não pode ser abstraída da lista das forças
às quais deve ser imposta a adaptação (irmã gêmea do ajuste estrutural)
dos mais fracos e desguarnecidos (CHESNAIS, 1996, p. 29).
O atual sistema de comunicação e transportes contribui com a
integração entre as pessoas e difusão de novas ideologias e
conhecimentos. A mobilidade e acessibilidade de indivíduos e grupos
dentro de um mesmo território ou entre diferentes regiões e países é,
(95-112)
espaços em que o poder público oferece vantagens tributárias (incentivos
e isenções). Isto demonstra a falta de planejamento e de um projeto de
desenvolvimento por parte do Estado, visando arrefecer as
heterogeneidades inter-regionais inerentes ao território nacional.
Ademais, a presença de infra-estruturas modernas e de qualidade também
é um fator que favorece a instalação de empresas no espaço, visto que
são essenciais para a produção e escoamento dos bens até os centros
de demanda.
A expansão do sistema de circulação e transportes permite a
especialização funcional e produtiva das diversas regiões. A divisão
territorial do trabalho se intensifica, já que cada região não precisa
produzir tudo aquilo que os indivíduos necessitam para sobrevivência.
A independência dos espaços se enfraquece e até mesmo se desfaz, ao
mesmo tempo em que aumenta a conexão e integração entre eles. Os
fluxos materiais e imateriais e a formação de redes entre cidades, regiões
e países surgem a partir dos fixos existentes no espaço (SANTOS, 1996),
o que conduz à idéia de revalorização do local diante da globalização.
Assim, a relação global/local ganha pujança, visto que o global está no
local e o local é base para o global (SANTOS, 2002).
Os transportes e comunicações possuem grande relevância diante
da internacionalização econômica e dos mercados, já que é
representada, antes de tudo, pelas inter-relações entre espaços, empresas,
instituições e indivíduos. Com as cinco revoluções logísticas existentes
na história da humanidade houve a superação dos obstáculos e entraves
à articulação entre os espaços e, por conseguinte, o fim do isolamento
de diversos grupos sociais (SILVEIRA, 2007). Dessa maneira, a
necessidade de auto-suficiência produtiva não tem mais sentido, ao passo
que o comércio e as inter-relações se intensificaram em escala global.
Atualmente, tem-se um período de integração acentuada, com uma
economia extremamente internacionalizada e interdependente,
representando um contexto permeado pela complexidade e imbricação
de diversos agentes sociais, políticos, econômicos e financeiros. Assim:
A mundialização não diz respeito apenas às atividades dos grupos
empresariais e aos fluxos comerciais que elas provocam. Inclui também
a globalização financeira, que não pode ser abstraída da lista das forças
às quais deve ser imposta a adaptação (irmã gêmea do ajuste estrutural)
dos mais fracos e desguarnecidos (CHESNAIS, 1996, p. 29).
O atual sistema de comunicação e transportes contribui com a
integração entre as pessoas e difusão de novas ideologias e
conhecimentos. A mobilidade e acessibilidade de indivíduos e grupos
dentro de um mesmo território ou entre diferentes regiões e países é,
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