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Caracterização Atual do Uso da Terra e da Cobertura Vegetal na Região da Terra Indígena Sangradouro/Volta Grande - Mato Grosso, Brasil

by Fernando Shinji Kawakubo, Rubia Gomes Morato, Paulo Almeida Correia Junior, Ailton Luchiari
Investigaciones Geográficas (2004)

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Caracterização Atual do Uso da Terra e da Cobertura Vegetal na Região da Terra Indígena Sangradouro/Volta Grande - Mato Grosso, Brasil

Investigaciones Geográficas
Universidad Nacional Autónoma de México
edito@igiris.igeograf.unam.mx
ISSN (Versión impresa): 0188-4611
MÉXICO




2004
Fernando Shinji Kawakubo / Rúbia Gomes Morato / Paulo Almeida Correia Junior /
Ailton Luchiari
CARACTERIZAÇÃO ATUAL DO USO DA TERRA E DA COBERTURA VEGETAL NA
REGIÃO DA TERRA INDÍGENA SANGRADOURO/VOLTA GRANDE-MATO
GROSSO, BRASIL
Investigaciones Geográficas, abril, número 053
Universidad Nacional Autónoma de México
Distrito Federal, México
pp. 27-38




Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal
Universidad Autónoma del Estado de México

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Investigaciones Geográficas, Boletín del Instituto de Geografía, UNAM
ISSN 0188-4611, Núm. 53, 2004, pp. 27-38
Caracterização atual do uso da terra e da cobertura
vegetal na região da Terra Indígena Sangradouro/Volta
Grande-Mato Grosso, Brasil
Fernando Shinji Kawakubo Recibido: 23 de octubre de 2003
Rúbia Gomes Morato Aceptado en versión final: 3 de abril de 2004
Paulo Almeida Correia Junior
Ailton Luchiari
Resumo. O objetivo desta pesquisa foi realizar o mapeamento do uso e cobertura vegetal na Terra Indígena
Sangradouro/Volta Grande-MT (Brasil). As técnicas utilizadas consistem na aplicação do Modelo Linear de Mistura
Espectral seguidas pela segmentação das imagens sintéticas e classificação supervisionada dos componentes seg-
mentados. O cálculo das áreas correspondentes as classes de uso e cobertura vegetal permitiu avaliar a situação atual
da Terra Indígena no contexto ambiental.
Palavras Chave: Sensoriamento remoto, modelo linear de mistura, mapeamento, uso da terra, cobertura vegetal.
Caracterización actual de la utilización del uso del suelo
y la cobertura vegetal en la región de la Tierra Indígena
Sangradouto/Volta Grande-Mato Grosso, Brasil
Resumen. El objeto de este trabajo fue el mapear el uso y cobertura vegetal en la tierra indígena Sangradouro/Volta
Grande-MT (Brasil). Para ello se emplearon técnicas de Modelo Lineal de Mezcla Espectral acompañadas por la
segmentación de las imágenes sintéticas y clasificación supervisada de los componentes divididos. El cálculo de las
áreas correspondientes a las clases de uso del suelo y cobertura vegetal, permitió estimar el estado actual de la tierra
en el contexto ambiental.
Palabras claves: Percepción remota, modelo lineal de mezcla, cartografía, uso del suelo, cobertura vegetal.
* Laboratório de Aerofotogeografia e Sensoriamento Remoto do Departamento de Geografia da FFLCH-USP, Avenida
Professor Lineu Prestes, 338, São Paulo-SP-Brasil, CEP: 05508-900. E-mail para correspondência: fsk@usp.br
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Fernando Shinji Kawakubo, Rúbia Gomes Morato, Paulo Almedia Correia Junior y Ailton Luchiari
Current characterization of land cover of "Terra
Indígena" (Indegenous Land) Sangradouro/Volta
Grande-Mato Grosso, Brazil
Abstract. The purpose of this paper was to depict the current land use cover mapping in "Terra Indíge-
na" (Indigenous Land) Sangradouro/Volta Grande-MT (Brazil). The techniques employed consisted in the application
of Linear Mixing Model, synthetic image segmentation and supervised classification of the segmented components.
The surface computation corresponding to the use cover class permitted to assess the actual situation of "Terra
Indígena" within the environmental context.
Key words: Remote sensing, linear mixing model, mapping, land use, cover.
INTRODUÇÃO
O Programa de Desenvolvimento para o
Cerrado (POLOCENTRO), sob a responsabi-
lidade da SUDECO, foi na década de 1970 o
instrumento governamental que possuía a
atribuição de incentivar o desenvolvimento
regional do Centro-Oeste brasileiro. Para tal,
foram realizados importantes investimentos
em infra-estrutura e tecnologia.
Os incentivos gerados pelo governo fede-
ral dinamizou a produção agrícola na região,
elevando o Brasil ao posto de um dos maio-
res produtores de grãos do mundo. Todavia,
o avanço da fronteira agrícola tem gerado em
praticamente toda a região sérios conflitos de
terra entre camponeses, mineradores, índios
e agroindustriais (Oliveira, 1991).
Além dos conflitos agrários, há a questão
do desmatamento do cerrado. Apesar de não
ser reconhecido pela Constituição como Pa-
trimônio Nacional (parágrafo 4°, artigo 225),
o cerrado vem sendo considerado como um
importante domínio da vegetação brasileira.
Segundo a WWF (2000), ocupando um quar-
to do território do Brasil (cerca de 200
milhões de hectares), é a savana mais rica em
espécies do mundo, e, por conta do descaso
com que vem sendo tratado, está entre as 25
áreas de ecossistemas ameaçados no planeta.
Em virtude destes problemas, o presente
trabalho consiste em realizar o mapeamento
do Uso da Terra e Cobertura Vegetal na
Terra Indígena (TI) Sangradouro/Volta Gran-
de e seu entorno, situado à Sudeste do Mato
Grosso.
A importância deste trabalho consiste no
fato da referida área sofrer sérios problemas
de conflitos de terra entre fazendeiros e
índios. O mapeamento contribui para a iden-
tificação das áreas pressionadas pelo avanço
do cultivo da soja e permite avaliar a atual
situação da cobertura vegetal presente na re-
gião, fornecendo subsídios para o planeja-
mento físico-territorial.
LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DA ÁREA DE ESTUDO
A TI Sangradouro/Volta Grande, que possui
área de 100 200 ha, está localizada na região
Sudeste do Estado do Mato Grosso, entre as
coordenadas 15° 10' 28"- 15° 44' 37" de Lati-
tude Sul e 53a 43' 25"- 54° 00 28" de Longitu-
de Oeste. Em termos de localização física,
situa-se na porção oriental do Planalto do
Guimarães-Planalto Central do Brasil. A Fi-
gura 1 localiza a TI no estado do MT e os
principais rios que cortam a área em questão.
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Caracterização atual do uso da terra e da cobertura vegetal...
Inserida nos limites das regiões geográ-
ficas de Rondonópolis e Barra do Garça, a TI
Sangradouro/Volta Grande situa-se numa
área de transição econômica regional. En-
quanto Rondonópolis é caracterizada pela
expansão da agricultura mecanizada da soja,
milho, sorgo e algodão, Barra do Garça
dedica-se principalmente à atividade da pe-
cuária de corte. Possuindo terras divididas
entre os municípios de General Carneiro,
Poxoréo e Santo Antônio do Leste, a cidade
mais próxima da TI é Primavera do Leste, a
50 km de distância pela Rodovia BR-070.
Primavera do Leste é um dos municípios
de maior desenvolvimento econômico do
Estado nos últimos anos. As atividades que
impulsionaram seu desenvolvimento foram
principalmente a cultura da soja e a pecuária
extensiva de gado bovino.
Segundo os levantamentos realizados
pelo projeto Radambrasil (1981), as formas
de acumulação e de dissecação do relevo
presentes na área são marcadas pelas se-
guintes características:
Formas de acumulação
Planície Fluvial. Freqüentemente encontrada
ao longo dos córregos e ribeirões que ban-
ham a região, principalmente nos ribeirões
da Alminha, Sangradouro Grande e Couro
do Porco. Correspondem as áreas aplanadas
resultantes da acumulação fluvial, periódica
ou permanentemente alagada.
Figura 1. Localização da TI no Estado do MT e os principais rios que cortam a TI.
A imagem de fundo representa a hipsometria da região (quanto mais escuro, maior a altitude).
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Áreas de Acumulação Inundáveis. Encontra-
das no entono de uma importante lagoa
dentro da TI (chamada de Lagoa Encantada)
e num ponto de maior umidade (cabeceira de
drenagem) localizado à direita do Ribeirão
Couro de Porco, próximo ao Rio das Mortes.
Esta Unidade é caracterizada por áreas apla-
nadas com ou sem cobertura arenosa, perió-
dica ou aparentemente alagada, precaria-
mente incorporada à rede de drenagem.
Formas de Dissecação
Formas Tabulares. São as feições que cobrem
praticamente toda a área de estudo, exce-
tuando as áreas ocupadas pelas unidades
mencionadas anteriormente. São as áreas
cujas altitudes oscilam na maior parte das
vezes entre 600 e 700 metros. Corresponde
aos relevos de topos aplanados, com dife-
rentes ordens de grandeza e de aprofunda-
mento da drenagem, eventualmente separa-
dos por vales de fundo chato.
Formas Convexas. São encontradas com
maior predominância nas terras mais altas
(mais de 700 metros), nas porções do extre-
mo Sul e Sudeste da TI. Representam os rele-
vos de topos convexos, com diferentes or-
dens de grandeza e de aprofundamento da
drenagem, eventualmente separados por va-
les de fundo plano.
Em se tratando das características climá-
ticas regionais, a área de estudo possui esta-
ções chuvosas e secas bem definidas. As
chuvas estão concentradas durante o período
que vai de novembro a março. Já a seca se
estende de maio a novembro.
MATERIAIS UTILIZADOS
Foram utilizadas as seguintes cartas topo-
gráficas publicadas pelo IBGE 1976 e 1986: na
escala 1: 250 000 , a folha General Carneiro
(SD-22-Y-C); na escala 1: 100 000, as folhas
Lago do Cervo (SD-22-Y-C-I), Batovi (SD-22-
Y-C-IV), Fazenda Luciana (SD-21-Z-D-III) e
Poxoréo (SD-21-Z-D-VI). As informações te-
máticas de Geologia, Geomorfologia, Solo e
Vegetação foram obtidas pela folha Goiás-22
do Projeto Radambrasil.
O mapa atualizado e de maior detalhe do
Uso/Cobertura Vegetal foi elaborado a partir
das imagens do satélite Landsat7/ ETM+. As
bandas utilizadas para o processamento digi-
tal foram as ETM/3, ETM/4 e ETM/5, corres-
pondente aos canais do vermelho (0.63-
0.69 mm), infravermelho próximo (0.76-
0.90 mm) e infravermelho médio (1.55-1.75
mm). No sistema WRS, a cena localiza-se na
órbita 225/71.A passagem do satélite corres-
ponde ao dia 04 de agosto de 2002.
Em termos de hardware, a mesa digitaliza-
dora Sumergraphic Al foi utilizada para con-
verter as informações analógicas em formato
digital. Os softwares escolhidos para o pro-
cessamento das imagens foram o SPRING
(INPE) e o ILWIS (ITC).
PROCEDIMENTOS EXECUTADOS
Implementação das bases cartográfica e
temática
A implementação da base cartográfica e dos
mapas temáticos foi o primeiro procedimen-
to. Nesta etapa, parâmetros cartográficos
como o retângulo envolvente da área de es-
tudo e o Datum Horizontal foram definidos.
Processamento digital de imagens
Pré-Processamento
Antes de efetuar a correção geométrica, as
imagens foram convertidas para radiância e
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Caracterização atual do uso da terra e da cobertura vegetal...
posteriormente para reflectância exoatmos-
férica com base na metodologia apresentada
por Luiz et al. (2003). Os parâmetros de cali-
bração, como por exemplo os valores de
Irradiância (E) no topo da atmosfera e Lmin e
Lmax para cada banda foram extraídas da
página eletrônica da NASA (2003).
A retificação geométrica foi feita com
apoio de pontos de controle identificados na
imagem e na base cartográfica digitalizada.
Após o georeferenciamento, as imagens
foram reamostradas pelo método do vizinho
mais próximo.
Modelo Linear de Mistura Espectral
(MLME)
Como forma de realçar os alvos de interesse
na imagem foi aplicado sobre as ETM 3, 4 e 5
o Modelo Linear de Mistura Espectral
(MLME) apresentado por Shimabukuro e
Smith (1991).
Foram geradas três imagens sintéticas re-
presentando as frações solo, sombra e vege-
tação. As amostras puras, denominadas de
endmembers (componentes puros de referên-
cia) foram selecionadas na própria imagem
com o uso do mouse.
A fundamentação metodológica do
MLME baseia-se nos problemas de mistura
que ocorrem nas imagens de Sensoriamento
Remoto em virtude da resolução espacial do
sensor.
Em geral esta mistura espectral está rela-
cionada ao campo de visada do sensor
(Instantaneous Field of View-IFOV). O IFOV
registra em cada pixel da imagem a média
integrada da radiância de todas as coberturas
dispostas nesta superfície (Figura 2). Assim,
dentro de um único elemento de 30 x 30
metros, a radiância registrada inclui mais de
um tipo de cobertura do terreno (além dos
efeitos de contaminação atmosférica).
A idéia do MLME consiste em estimar a
proporção de cada tipo de cobertura do
terreno em cada elemento pixel da cena. Para
isso, o MLME fundamenta-se no pressuposto
de que a resposta espectral de um pixel,
numa imagem qualquer (bandas 1, 2, ..., m) é
uma combinação linear das diversas cober-
turas contidas na superfície. Nestas condi-
ções, para qualquer imagem (multiespectral
ou hiperespectral) e sendo as respostas
espectrais dos componentes conhecidos, as
proporções destes podem ser estimadas
de forma individual por meio da geração de
imagens-fração (Shimabukuro e Smith, 1991).
Adotando a linearidade do modelo, o
valor do pixel em qualquer banda espectral
pode ser dada por:
i = 1, ..., m (número de bandas)
j = 1,..., n (número de componentes)
onde:
ri = reflectância espectral da i.ésima banda
espectral de um pixel que contém um ou mais
componentes;
aij = reflectância espectral conhecida da j . é s i m a
componente dentro de um pixel sobre a
j . é s i m a banda espectral;
Xj = valor da j.ésima proporção de componente
dentro do pixel;
ei = erro da i.ésima banda espectral.
O termo de erro da equação acima, corres-
pondendo aos valores residuais presentes em
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sendo:
i = 1,2,..., m (número de bandas espectrais);
j = 1, 2,..., n (número de componentes);
ei = erro para a banda i;
ri = reflectância espectral observada na banda
i de um pixel contendo um ou mais
componentes;
aij = reflectância espectral do componente j
para uma banda espectral i;
xj = proporção do componente j dentro de
um pixel.
A estimativa de XJ segue as seguintes res-
trições:
Segundo Ferreira et al. (2003), estas duas
últimas restrições são importantes à medida
que orienta a análise das proporções de cada
componente amostrado na imagem.
Os métodos utilizados para estimar a mis-
tura de componentes dentro de um pixel
procuram selecionar as proporções de modo
que as combinações das assinaturas espec-
trais dos componentes seja a melhor aproxi-
mação do valor do pixel observado (SPRING
3.5).
De acordo com Shimabukuro e Smith
(1991), existem várias técnicas para estimar
a proporção de componentes dentro de um
pixel. Os autores (op cit.) descrevem o uso de
duas técnicas para avaliar estas proporções: a
técnica dos Mínimos Quadrados com Res-
trições (MQR) e a dos Mínimos Quadros
Ponderada (MQP). Ambos voltados para mi-
nimizar a soma dos quadrados dos erros.
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cada pixel, não solucionado pelo método pro-
posto é dado por:
Fernando Shinji Kawakubo, Rúbia Gomes Morato, Paulo Almedia Correia Junior y Ailton Luchiari
Figura 2. Representação esquemática de mistura espectral em um pixel de 30 x 30 m.
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Caracterização atual do uso da terra e da cobertura vegetal...
A técnica aplicada para estimar as frações,
após a aquisição dos componentes puros foi
a MQR. Esta técnica é a mais simples e rá-
pida computacionalmente (SPRING 3.5), sen-
do requerida quando o número de compo-
nentes é igual a três. As imagens sintéticas
geradas por este modelo estão ilustradas na
Figura 3.
Segmentação das imagens sintéticas
Com base nos resultados obtidos no MLME,
as imagens sintéticas sombra, solo e vege-
tação foram utilizadas como imagens de en-
trada para a segmentação. Em termos de
processamento, a segmentação consiste num
processo de subdivisão de uma imagem em
diversas partes ou regiões significativas.
Na segmentação, o termo região pode ser
entendido como um conjunto de pixels con-
tíguos, que se espalham bidimensionalmente
e que apresentam uniformidade em relação
a um dado atributo (SPRING 3.5). Elas
apresentam duas características básicas:
exibem uniformidade interna e as regiões
diferenciam-se de sua vizinhança. Em geral
os algoritmos de segmentação implementa-
dos nos sistemas de processamento de ima-
gens consideram as características de descon-
tinuidade e de similaridade dos valores dos
pixels para separar as regiões.
Os algoritmos que consideram a desconti-
nuidade dos níveis de cinza baseiam-se prin-
cipalmente na mudança abrupta dos valores
de cinza. Como é o caso por exemplo, do mé-
todo de detecção de bacias.
Já os algoritmos que consideram a simi-
laridade são os mais utilizados na segmen-
tação. Isso porque permite, segundo Kai e
Muller apud Shimabukuro e Almeida Filho
(2002), extrair um conjunto mais rico de
atributos e de selecionar amostras mais re-
presentativas de cada classe. Estes sistemas
Figura 3. De esquerda para a direita: fração sombra, fração solo, fração vegetação e composição
colorida das frações Solo (R), Vegeta (G), Sombra (B).
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baseiam-se na procura de pixels vizinhos
similares, os quais são agrupados em regiões
homogêneas se os critérios de similaridades
forem satisfeitos (Bins et al, 1996). O método
por crescimento de regiões é um exemplo
deste algoritmo.
O desenvolvimento do método por cresci-
mento de regiões é feito a partir de um "pixel
semente" que possui a propriedade de agru-
par pixels adjacentes com características pró-
ximas. Esta propriedade é definida pelos
limiares de similaridade e de área.
O limiar de similaridade é a distância
euclidiana máxima entre os centros espec-
trais de duas regiões. Já o limiar de área é o
tamanho mínimo em pixel de uma região que
se pretende delimitar.
Realizando vários testes de segmentação,
os valores que forneceram os melhores
resultados na separação das classes foram 10
para similaridade e 18 para área, juntamente
com a seleção das imagens sombra e solo
exposto. Os testes mostraram que visual-
mente a seleção da vegetação aumentava os
erros de segmentação, por isto ela não foi
utilizada.
Rotulação dos componentes
segmentados
Após a segmentação das imagens sintéticas,
foi realizada uma classificação supervisio-
nada com o intuito de gerar o Mapa de Uso e
Cobertura Vegetal da área em estudo. A
classificação supervisionada consistiu em
duas etapas: na determinação de amostras
correspondentes a cada classe a ser mapea-
da; e na escolha de um classificador automá-
tico.
O processo de amostragem foi acom-
panhado de informações obtidas no Mapa de
Vegetação do Radambrasil e em trabalhos
de campo. O classificador automático utiliza-
do, após o processo de amostragem, foi o
Distância Bhattacharyya, que mede a dis-
tância entre as distribuições de probalidade
i e j das classes espectrais.
Edição do mapa de uso e cobertura vegetal
Os erros de rotulação de classes foram
corrigidos por meio da edição de polígonos.
Estes erros foram definidos quando havia
discordância entre os resultados da classifica-
ção e as informações obtidas nos trabalhos de
campo e no mapeamento realizado pelo Ra-
dambrasil (1981).
Quando houve erros de fronteira entre as
classes mapeadas, a edição foi feita com o
uso da tabela de dupla entrada, também
conhecida como tabela bidimensional. Esta
técnica de análise espacial em formato raster
(matricial) combina informações de dois ma-
pas por meio de uma análise de tabela.
O primeiro passo na construção da tabela
é criar um novo mapa que contenha os novos
limites a serem traçados no mapa com erro.
O passo seguinte consiste em inserir os
novos limites com base nas regras de inter-
seções booleanas.
As classes mapeadas
A terminologia e as descrições consideradas
no mapeamento do Uso e Cobertura Vegetal
seguiu a classificação Fisionômico-Ecológica
da Vegetação Neotropical do Projeto
Radambrasil (1981).
A resolução geométrica de 30 x 30 metros
(unidade de resolução) que o sistema
Landsat 7 ETM+ possui permitiu definir um
maior detalhe no mapeamento, com 11
classes de Uso/Cobertura.
Entre estas onze, duas classes pertencem
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à Região da Floresta Estacionai Semidecidual
e três pertencem à Região da Savana
(Cerrado). As seis classes restantes corres-
pondem à classes de usos diversos, como
corpos d'água e uso antrópico.
Região da Floresta Estacionai Semidecidual
A Região da Floresta Estacionai Semidecia-
dual é composta pela Formação Submontana
e Aluvial. A Formação Submontana recobre
os terrenos Terciários na margem esquerda
do Rio das Mortes. Apresenta dossel arbóreo
emergente com a característica principal da
decidualidade entre 20 a 50% das espécies
que o formam.
Menos concentrada que a Formação Sub-
montana, a Formação Aluvial encontra-se
distribuída ao longo das planícies fluviais
Quaternárias que beiram os rios. Apresenta
estrutura caracterizada pela queda parcial da
folhagem de suas árvores mais altas, embora
na maioria apresenta-se com aspecto sempre
verde, juntamente com os arbustos e arvore-
tas das submatas.
Região da Savana (Cerrado)
A Região da Savana corresponde às áreas de
vegetação xeromórfica com fisionomia diver-
sa, de arbórea densa, com porte quase flores-
tal até gramíneo lenhosa, fisionomia essen-
cialmente campestre. Na área mapeada, a
Região da Savana (Cerrado) é composta
pelas Formações Parque com Floresta de
Galeria ("natural" e "antrópico") e Arbóreo
Aberto.
As Formações Parque com Floresta de
Galeria individualiza-se por fisionomia cam-
pestre intercalada por árvores muito espaça-
das e raquíticas. Pode ocorrer naturalmente
ou ser resultado da ação antrópica.
Quando natural, delimita-se pelas áreas
encharcadas das depressões (áreas de acu-
mulações inundáveis). Ocorrem principal-
mente ao Norte do Rio das Mortes e no
Centro-Oeste da TI, estando associado à
ocorrência de solos hidromórficos.
O Parque antrópico é encontrado em toda
a Savana alterada pela devastação, principal-
mente pelo fogo que seleciona um pequeno
número de arvoretas bastante espaçadas
entre si.
Separou-se os Parques natural e antrópico
(de características muito similares nas ima-
gens de satélite) com o auxílio do mosaico
semicontrolado de radar (SD22-Y-C, 1976)
produzido pelo Radambrasil. A chave de in-
terpretação do radar permitiu distinguir os
Parques naturais dos antrópicos a partir da
tonalidade cinza escuro que as áreas enchar-
cadas possuem. Sendo atribuído à mancha
localizada no Centro Leste da TI como
Parque Antrópico com Floresta de Galeria.
A Formação Arbórea Aberta com Floresta
de Galeria é a classe de vegetação predomi-
nante na região, ocorrendo sobre as super-
fícies planas ou levemente onduladas dos
interflúvios. Trata-se de uma formação cam-
pestre com arvoretas, exclusivas das áreas
areníticas lixiviadas. Sua estrutura é mais
aberta e baixa em relação ao Cerradão. As
Florestas de Galeria apresentam uma com-
posição entre os elementos florestais mis-
turados aos da savana (cerrado) que nesta
área são mais desenvolvidos.
Usos diversos
As áreas de Solo Exposto/Agricultura cobrem
praticamente todo o entorno das terras
demarcadas como de áreas indígenas.
As classes Campo/Pastagem 1 e Campo/
Pastagem 2 destinam-se a atividade pecua-
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rista, concentrando-se na região Sul da TI. O
Campo/Pastagem 2 são áreas de preparo
para o plantio de gramíneas destinado à
alimentação do gado.
Áreas de Regeneração, Queimada e Cor
pos d'água completam o quadro do mapea-
mento. As áreas de regeneração são aquelas
quase sempre próximas às queimadas,
constituindo-se num estágio de recuperação
natural. Os dois principais corpos d'água
estão localizados um pouco ao Sul do rio das
Mortes, dentro da TI. A Figura 4 ilustra o
mapeamento realizado.
Figura 4. Distribuição do Uso e Cobertura Vegetal na região da TI Sangradouro/Volta Grande.
36 Investigaciones Geográficas, Boletín 53, 2004
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Caracterização atual do uso da terra e da cobertura vegetal...
A distribuição das áreas mapeadas
O recorte total da área mapeada perfaz
aproximadamente 635 mil hectares, sendo
pelos menos 100 mil considerada Terra Indí-
gena (15 % da área total).
A distribuição dos tipos de uso e cober-
tura em hectares e em porcentagem podem
ser observadas na Figura 5. Nela constata-se,
por exemplo, que dentro da TI a cobertura
vegetal predominante é o Cerrado Arbóreo
Aberto com Floresta de Galeria, ocupando
mais de 60% da área. Outro fato importante é
que praticamente não ocorrem queimadas
fora da TI (porém, dentro dela a área é
significativa, com quase 10%). Em relação as
áreas de solo exposto e de agricultura, 26%
das terras localizadas fora da TI estão sendo
usadas para o cultivo agrícola e as áreas
menos propícias para o seu plantio (região
localizada ao Sul da TI, principalmente) per-
fazem quase 30% (soma das classes Campo
Pastagem 1 e 2).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A técnica do Modelo Linear de Mistura
Espectral (MLME) mostrou-se eficiente no
mapeamento das classes de uso e cobertura,
possibilitando uma maior agilidade no pro-
cessamento dos dados As distinções entre as
classes naturais e antrópicas foram muito
claras. O cálculo das áreas de cada classe,
dentro e fora da TI permitiram as seguintes
conclusões: a maior parte da TI é composta
Investigaciones Geográficas, Boletín 53, 2004 37
Figura 5. Distribuição das classes de uso e de cobertura vegetal dentro e fora da TI:
em números de hectares e em proporção.
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Fernando Shinji Kawakubo, Rúbia Gomes Morato, Paulo Almedia Correia Junior y Ailton Luchiari
pelo Cerrado Arbóreo Aberto com Floresta
de Galeria. Praticamente não ocorrem quei-
madas fora da TI, e a maior parte das terras
em seu entorno são de uso antrópico.
REFERENCIAS
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