Comparação de índices morfométricos obtidos na radiografia odontológica panorâmica na identificação de indivíduos com osteoporose/osteopenia
Radiologia Brasileira (2008)
- ISSN: 01003984
- DOI: 10.1590/S0100-39842008000300011
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Comparação de índices morfométricos obtidos na radiografia odontológica panorâmica na identificação de indivíduos com osteoporose/osteopenia
183
Radiografia odontológica na identificação de osteoporose/osteopenia
Radiol Bras. 2008 Mai/Jun;41(3):183–187
Artigo Original • Or ginal Article
Comparação de índices morfométricos obtidos
na radiografia odontológica panorâmica na identificação
de indivíduos com osteoporose/osteopenia*
Comparison of morphometric indices obtained from dental panoramic radiography
for identifying individuals with osteoporosis/osteopenia
Celia Regina Winck Mahl
1
, Renata Licks
2
, Vania Regina Camargo Fontanella
3
OBJETIVO: Comparar índices obtidos de radiografias panorâmicas odontológicas com a densitometria óssea
na identificação de indivíduos com osteopenia/osteoporose. MATERIAIS E MÉTODOS: Os índices panorâmico
mandibular, mentoniano, antegoníaco, goníaco e cortical mandibular foram obtidos de radiografias panorâ-
micas de mulheres na pós-menopausa e comparados aos resultados da densitometria óssea, por um obser-
vador duas vezes, e por outro observador uma vez. RESULTADOS: Não foram observadas diferenças signi-
ficativas entre as duas medições realizadas pelo mesmo observador, exceto para o índice antegoníaco no
lado esquerdo. Houve boa concordância entre os diagnósticos utilizando o lado esquerdo e o lado direito e
entre os diagnósticos dos dois observadores. A análise de variância demonstrou diferenças significativas
entre os grupos (normal, osteopenia e osteoporose) para todos os índices. Para os índices panorâmico man-
dibular e mentoniano todas as médias diferiram entre si. Já para os índices antegoníaco e goníaco, somente
o grupo normal apresentou média superior aos demais (osteopenia e osteoporose), as quais não diferiram
entre si. CONCLUSÃO: Os índices avaliados foram reprodutíveis; os índices panorâmico mandibular e men-
toniano foram os que apresentaram maiores valores de sensibilidade para detectar osteopenia/osteoporose,
porém a especificidade do índice panorâmico mandibular foi baixa; todos os índices avaliados foram capazes
de identificar baixa massa óssea, contudo, apenas os índices panorâmico mandibular e mentoniano permiti-
ram diferenciar pacientes com osteopenia/osteoporose.
Unitermos: Osteoporose; Radiografia panorâmica; Fatores de risco.
OBJECTIVE: The present study was aimed at comparing indices obtained from dental panoramic radiographs
with bone densitometry results in the identification of individuals affected by osteoporosis/osteopenia.
MATERIALS AND METHODS: Panoramic mandibular, mental, antegonial, gonial and mandibular cortical indices
calculated with basis on dental panoramic radiographs of postmenopausal women were compared with bone
densitometry results, twice by one observer and once by a second observer. RESULTS: Significant differences
were not found between the two measurements performed by the same observer, except for the antegonial
index on the left side. Interobserver agreement for both sides was good. The variance analysis demonstrated
statistically significant differences among groups (normal, osteopenia and osteoporosis) for all the indices
evaluated. Differences were significant among all mean panoramic mandibular and mental indices. On the
other hand, for the antegonial and gonial indices, only the normal group presented higher means as compared
with the other groups (osteopenia and osteoporosis) which did not differ between themselves. CONCLUSION:
The indices evaluated were reproducible; panoramic mandibular and mental indices presented the highest
sensitivity in the detection of osteopenia/osteoporosis, however the panoramic mandibular index specificity
was low. Although all the indices evaluated could identify low bone density, only the panoramic mandibular
and mental indices could differentiate patients affected by osteopenia/osteoporosis.
Keywords: Osteoporosis; Panoramic radiography; Risk factors.
Resumo
Abstract
* Trabalho realizado na Universidade Luterana do Brasil (Ul-
bra), Canoas, RS, Brasil.
1. Doutorado, Professora Adjunta da Universidade Luterana
do Brasil (Ulbra), Canoas, RS, Brasil.
2. Mestrado, Cirurgiã-dentista, Porto Alegre, RS, Brasil.
3. Pós-Doutorado, Professora Adjunta da Universidade Lute-
rana do Brasil (Ulbra), Canoas, RS, e da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil.
Endereço para correspondência: Dra. Vania Fontanella. Rua
Coronel Paulino Teixeira, 169/403, Rio Br nco. Porto Alegre, RS,
Brasil, 90420-160. E-mail: vaniafontanella@terra.com.br
da microarquitetura do osso, ocasionando
fragilidade e, conseq entemente, aumen-
tando o risco de fraturas
(1)
. De acordo com
a Organiza ªo Mundial da Saœde (OMS)
(2)
,
um ter o das mulheres brancas acima dos
65 anos de idade Ø portadora de osteopo-
rose. No Brasil
(3)
, estima-se que aproxima-
damente um milhªo de mulheres poderªo
Mahl CRW, Licks R, Fontanella VRC. Comparação de índices morfométricos obtidos na radiografia odontológica panorâmica
na identificação de indivíduos com osteoporose/osteopenia. Radiol Bras. 2008;41(3):183–187.
INTRODU˙ˆO
A osteoporose Ø uma doen a sistŒmica
progressiva caracterizada por diminui ªo
da massa ssea que resulta em deteriora ªo
0100-3984 ' Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Recebido para publicação em 20/3/2007. Aceito, após revi-
são, em 5/9/2007.
Radiografia odontológica na identificação de osteoporose/osteopenia
Radiol Bras. 2008 Mai/Jun;41(3):183–187
Artigo Original • Or ginal Article
Comparação de índices morfométricos obtidos
na radiografia odontológica panorâmica na identificação
de indivíduos com osteoporose/osteopenia*
Comparison of morphometric indices obtained from dental panoramic radiography
for identifying individuals with osteoporosis/osteopenia
Celia Regina Winck Mahl
1
, Renata Licks
2
, Vania Regina Camargo Fontanella
3
OBJETIVO: Comparar índices obtidos de radiografias panorâmicas odontológicas com a densitometria óssea
na identificação de indivíduos com osteopenia/osteoporose. MATERIAIS E MÉTODOS: Os índices panorâmico
mandibular, mentoniano, antegoníaco, goníaco e cortical mandibular foram obtidos de radiografias panorâ-
micas de mulheres na pós-menopausa e comparados aos resultados da densitometria óssea, por um obser-
vador duas vezes, e por outro observador uma vez. RESULTADOS: Não foram observadas diferenças signi-
ficativas entre as duas medições realizadas pelo mesmo observador, exceto para o índice antegoníaco no
lado esquerdo. Houve boa concordância entre os diagnósticos utilizando o lado esquerdo e o lado direito e
entre os diagnósticos dos dois observadores. A análise de variância demonstrou diferenças significativas
entre os grupos (normal, osteopenia e osteoporose) para todos os índices. Para os índices panorâmico man-
dibular e mentoniano todas as médias diferiram entre si. Já para os índices antegoníaco e goníaco, somente
o grupo normal apresentou média superior aos demais (osteopenia e osteoporose), as quais não diferiram
entre si. CONCLUSÃO: Os índices avaliados foram reprodutíveis; os índices panorâmico mandibular e men-
toniano foram os que apresentaram maiores valores de sensibilidade para detectar osteopenia/osteoporose,
porém a especificidade do índice panorâmico mandibular foi baixa; todos os índices avaliados foram capazes
de identificar baixa massa óssea, contudo, apenas os índices panorâmico mandibular e mentoniano permiti-
ram diferenciar pacientes com osteopenia/osteoporose.
Unitermos: Osteoporose; Radiografia panorâmica; Fatores de risco.
OBJECTIVE: The present study was aimed at comparing indices obtained from dental panoramic radiographs
with bone densitometry results in the identification of individuals affected by osteoporosis/osteopenia.
MATERIALS AND METHODS: Panoramic mandibular, mental, antegonial, gonial and mandibular cortical indices
calculated with basis on dental panoramic radiographs of postmenopausal women were compared with bone
densitometry results, twice by one observer and once by a second observer. RESULTS: Significant differences
were not found between the two measurements performed by the same observer, except for the antegonial
index on the left side. Interobserver agreement for both sides was good. The variance analysis demonstrated
statistically significant differences among groups (normal, osteopenia and osteoporosis) for all the indices
evaluated. Differences were significant among all mean panoramic mandibular and mental indices. On the
other hand, for the antegonial and gonial indices, only the normal group presented higher means as compared
with the other groups (osteopenia and osteoporosis) which did not differ between themselves. CONCLUSION:
The indices evaluated were reproducible; panoramic mandibular and mental indices presented the highest
sensitivity in the detection of osteopenia/osteoporosis, however the panoramic mandibular index specificity
was low. Although all the indices evaluated could identify low bone density, only the panoramic mandibular
and mental indices could differentiate patients affected by osteopenia/osteoporosis.
Keywords: Osteoporosis; Panoramic radiography; Risk factors.
Resumo
Abstract
* Trabalho realizado na Universidade Luterana do Brasil (Ul-
bra), Canoas, RS, Brasil.
1. Doutorado, Professora Adjunta da Universidade Luterana
do Brasil (Ulbra), Canoas, RS, Brasil.
2. Mestrado, Cirurgiã-dentista, Porto Alegre, RS, Brasil.
3. Pós-Doutorado, Professora Adjunta da Universidade Lute-
rana do Brasil (Ulbra), Canoas, RS, e da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil.
Endereço para correspondência: Dra. Vania Fontanella. Rua
Coronel Paulino Teixeira, 169/403, Rio Br nco. Porto Alegre, RS,
Brasil, 90420-160. E-mail: vaniafontanella@terra.com.br
da microarquitetura do osso, ocasionando
fragilidade e, conseq entemente, aumen-
tando o risco de fraturas
(1)
. De acordo com
a Organiza ªo Mundial da Saœde (OMS)
(2)
,
um ter o das mulheres brancas acima dos
65 anos de idade Ø portadora de osteopo-
rose. No Brasil
(3)
, estima-se que aproxima-
damente um milhªo de mulheres poderªo
Mahl CRW, Licks R, Fontanella VRC. Comparação de índices morfométricos obtidos na radiografia odontológica panorâmica
na identificação de indivíduos com osteoporose/osteopenia. Radiol Bras. 2008;41(3):183–187.
INTRODU˙ˆO
A osteoporose Ø uma doen a sistŒmica
progressiva caracterizada por diminui ªo
da massa ssea que resulta em deteriora ªo
0100-3984 ' Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Recebido para publicação em 20/3/2007. Aceito, após revi-
são, em 5/9/2007.
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184
Mahl CRW et al.
Radiol Bras. 2008 Mai/Jun;41(3):183–187
ficar invÆlidas e pelo menos 200 mil irªo
morrer v timas da osteoporose nos pr xi-
mos anos se a doen a nªo for combatida.
Assim, a osteoporose passa a ser vista
como um problema de saœde pœblica, res-
ponsÆvel por gasto anual considerÆvel
(4,5)
.
Visto que para detectar com precisªo a
perda de massa ssea a bi psia seria o
mØtodo mais preciso, a densitometria s-
sea Ø consensualmente aceita como o exa-
me padrªo-ouro para o diagn stico de os-
teoporose
(2)
; todavia, a avalia ªo sistemÆ-
tica da popula ªo por este mØtodo nªo Ø
recomendada. Os pacientes sªo referidos
para o exame com base na hist ria cl nica
positiva para risco, fratura ap s a meno-
pausa, hist ria familiar ou uso de medica-
mentos
(6)
. VÆrios questionÆrios tŒm sido
desenvolvidos e testados como ferramen-
tas para identificar pacientes com baixa
massa ssea, os quais apresentam sensibi-
lidade de aproximadamente 80% e especi-
ficidade pr xima a 50%
(7)
.
Considerando que os pacientes odonto-
l gicos sªo freq entemente encaminhados
para a realiza ªo de radiografia panor mi-
ca mØtodo amplamente dispon vel e de
baixo custo, capaz de expressar as altera-
ıes morfol gicas da mand bula decorren-
tes da idade , vÆrios ndices, tØcnicas de
anÆlise e processamento de imagens tŒm
sido pesquisados no intuito de verificar a
aplicabilidade desta radiografia na identi-
fica ªo de perda de massa ssea
(8)
. Con-
tudo, os resultados desses estudos tŒm sido
contradit rios.
O presente estudo tem por objetivo
comparar as medidas da cortical mandibu-
lar obtidas em radiografias panor micas de
mulheres na p s-menopausa com os dados
da densitometria ssea, para verificar se
essas medidas identificam os casos de os-
teopenia/osteoporose.
MATERIAIS E M TODOS
Este estudo observacional e transversal
foi aprovado pelo ComitŒ de tica em Pes-
quisa da Institui ªo (protocolo 2005-236H).
A amostra foi constitu da de mulheres com
mais de 40 anos, que no ano de 2006 foram
encaminhadas para a realiza ªo de radio-
grafia panor mica para tratamento odonto-
l gico, as quais tinham densitometria ssea
realizada em per odo nªo-superior a trŒs
meses da panor mica, e que concordaram
em participar do estudo e preencheram os
seguintes critØrios de inclusªo: p s-meno-
pausa, nªo estar usando terapia de reposi-
ªo hormonal ou de cÆlcio, nªo ter sofrido
histerectomia ou ooforectomia e nªo apre-
sentar doen as metab licas relacionadas
osteoporose. AlØm disso, foram exclu das
da amostra mulheres em que se constatou
presen a de lesªo ssea, fratura, deformi-
dade ou cirurgia prØvia na mand bula.
As radiografias foram obtidas em apa-
relho Ortophos (Siemens; Frankfurt, Ale-
manha), com quilovoltagem variando de 65
kV a 80 kV e corrente elØtrica fixa em 16
mA. Foram utilizados filmes Kodak T-Mat
(Kodak; Sªo Paulo, SP), processados em
mÆquina Dent X 9000 (Dent X Co.; Elms-
ford, EUA). Foram exclu das da amostra as
radiografias que nªo se apresentassem com
boa qualidade, considerando-se posiciona-
mento do paciente, densidade, contraste e
detalhe, de acordo com critØrios previa-
mente estabelecidos
(9)
.
A cada radiografia foi atribu do um
nœmero de identifica ªo, de modo que os
observadores, ambos especialistas em ra-
diologia odontol gica, com experiŒncia de
17 e 2 anos, respectivamente, nªo tivessem
conhecimento dos resultados da densitome-
tria ssea quando da avalia ªo das radio-
grafias panor micas. Os tra ados das estru-
turas de interesse foram realizados sobre
transparŒncias fixadas nas radiografias,
com o uso de molduras em cartolina preta
e sobre negatosc pio, com canetas Pigma
Micron 01 (Sakura Corporation; Osaka,
Japªo) com ponta que gera linha de 0,25
mm de espessura. As medidas foram reali-
zadas bilateralmente, com paqu metro ele-
tr nico digital de resolu ªo 0,01 mm (Star-
rett; Jedburg, Esc cia), sobre a transparŒn-
cia, pelo mesmo observador (radiologista
odontol gico). Este procedimento foi repe-
tido em todos os casos da amostra, com
intervalo de duas semanas entre uma leitura
e outra. Um segundo observador obteve as
mesmas medidas em apenas um dos lados
da imagem e em um œnico momento. As ra-
diografias foram mensuradas (Figura 1) de
forma a se obter os seguintes ndices radio-
morfomØtricos:
Figura 1. Obtenção dos índices morfométricos mandibulares, de acordo com os artigos originais que os
preconizaram
(10–13)
. A, tangente à base da mandíbula; B, tangente à borda anterior do ramo; C, perpendi-
cular a A, na altura em que B cruza a base da mandíbula; D, tangente à borda posterior do ramo; E, bis-
setriz do ângulo formado pelas linhas A e D; F, perpendicular a A, na altura do centro do forame mento-
niano. Os índices são obtidos, em mm, da seguinte maneira: IA – espessura da cortical mandibular sobre
a linha C; IG – espessura da cortical mandibular sobre a linha E; IM – espessura da cortical mandibular
sobre a linha F; IPM – razão da medida da espessura da cortical mandibular sobre a linha C pela distân-
cia entre a borda inferior da mandíbula e o limite inferior do canal mandibular sobre a mesma linha.
Mahl CRW et al.
Radiol Bras. 2008 Mai/Jun;41(3):183–187
ficar invÆlidas e pelo menos 200 mil irªo
morrer v timas da osteoporose nos pr xi-
mos anos se a doen a nªo for combatida.
Assim, a osteoporose passa a ser vista
como um problema de saœde pœblica, res-
ponsÆvel por gasto anual considerÆvel
(4,5)
.
Visto que para detectar com precisªo a
perda de massa ssea a bi psia seria o
mØtodo mais preciso, a densitometria s-
sea Ø consensualmente aceita como o exa-
me padrªo-ouro para o diagn stico de os-
teoporose
(2)
; todavia, a avalia ªo sistemÆ-
tica da popula ªo por este mØtodo nªo Ø
recomendada. Os pacientes sªo referidos
para o exame com base na hist ria cl nica
positiva para risco, fratura ap s a meno-
pausa, hist ria familiar ou uso de medica-
mentos
(6)
. VÆrios questionÆrios tŒm sido
desenvolvidos e testados como ferramen-
tas para identificar pacientes com baixa
massa ssea, os quais apresentam sensibi-
lidade de aproximadamente 80% e especi-
ficidade pr xima a 50%
(7)
.
Considerando que os pacientes odonto-
l gicos sªo freq entemente encaminhados
para a realiza ªo de radiografia panor mi-
ca mØtodo amplamente dispon vel e de
baixo custo, capaz de expressar as altera-
ıes morfol gicas da mand bula decorren-
tes da idade , vÆrios ndices, tØcnicas de
anÆlise e processamento de imagens tŒm
sido pesquisados no intuito de verificar a
aplicabilidade desta radiografia na identi-
fica ªo de perda de massa ssea
(8)
. Con-
tudo, os resultados desses estudos tŒm sido
contradit rios.
O presente estudo tem por objetivo
comparar as medidas da cortical mandibu-
lar obtidas em radiografias panor micas de
mulheres na p s-menopausa com os dados
da densitometria ssea, para verificar se
essas medidas identificam os casos de os-
teopenia/osteoporose.
MATERIAIS E M TODOS
Este estudo observacional e transversal
foi aprovado pelo ComitŒ de tica em Pes-
quisa da Institui ªo (protocolo 2005-236H).
A amostra foi constitu da de mulheres com
mais de 40 anos, que no ano de 2006 foram
encaminhadas para a realiza ªo de radio-
grafia panor mica para tratamento odonto-
l gico, as quais tinham densitometria ssea
realizada em per odo nªo-superior a trŒs
meses da panor mica, e que concordaram
em participar do estudo e preencheram os
seguintes critØrios de inclusªo: p s-meno-
pausa, nªo estar usando terapia de reposi-
ªo hormonal ou de cÆlcio, nªo ter sofrido
histerectomia ou ooforectomia e nªo apre-
sentar doen as metab licas relacionadas
osteoporose. AlØm disso, foram exclu das
da amostra mulheres em que se constatou
presen a de lesªo ssea, fratura, deformi-
dade ou cirurgia prØvia na mand bula.
As radiografias foram obtidas em apa-
relho Ortophos (Siemens; Frankfurt, Ale-
manha), com quilovoltagem variando de 65
kV a 80 kV e corrente elØtrica fixa em 16
mA. Foram utilizados filmes Kodak T-Mat
(Kodak; Sªo Paulo, SP), processados em
mÆquina Dent X 9000 (Dent X Co.; Elms-
ford, EUA). Foram exclu das da amostra as
radiografias que nªo se apresentassem com
boa qualidade, considerando-se posiciona-
mento do paciente, densidade, contraste e
detalhe, de acordo com critØrios previa-
mente estabelecidos
(9)
.
A cada radiografia foi atribu do um
nœmero de identifica ªo, de modo que os
observadores, ambos especialistas em ra-
diologia odontol gica, com experiŒncia de
17 e 2 anos, respectivamente, nªo tivessem
conhecimento dos resultados da densitome-
tria ssea quando da avalia ªo das radio-
grafias panor micas. Os tra ados das estru-
turas de interesse foram realizados sobre
transparŒncias fixadas nas radiografias,
com o uso de molduras em cartolina preta
e sobre negatosc pio, com canetas Pigma
Micron 01 (Sakura Corporation; Osaka,
Japªo) com ponta que gera linha de 0,25
mm de espessura. As medidas foram reali-
zadas bilateralmente, com paqu metro ele-
tr nico digital de resolu ªo 0,01 mm (Star-
rett; Jedburg, Esc cia), sobre a transparŒn-
cia, pelo mesmo observador (radiologista
odontol gico). Este procedimento foi repe-
tido em todos os casos da amostra, com
intervalo de duas semanas entre uma leitura
e outra. Um segundo observador obteve as
mesmas medidas em apenas um dos lados
da imagem e em um œnico momento. As ra-
diografias foram mensuradas (Figura 1) de
forma a se obter os seguintes ndices radio-
morfomØtricos:
Figura 1. Obtenção dos índices morfométricos mandibulares, de acordo com os artigos originais que os
preconizaram
(10–13)
. A, tangente à base da mandíbula; B, tangente à borda anterior do ramo; C, perpendi-
cular a A, na altura em que B cruza a base da mandíbula; D, tangente à borda posterior do ramo; E, bis-
setriz do ângulo formado pelas linhas A e D; F, perpendicular a A, na altura do centro do forame mento-
niano. Os índices são obtidos, em mm, da seguinte maneira: IA – espessura da cortical mandibular sobre
a linha C; IG – espessura da cortical mandibular sobre a linha E; IM – espessura da cortical mandibular
sobre a linha F; IPM – razão da medida da espessura da cortical mandibular sobre a linha C pela distân-
cia entre a borda inferior da mandíbula e o limite inferior do canal mandibular sobre a mesma linha.
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