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DESCRIÇÃO DE UMA NOVA ESPÉCIE DE RHOPALURUS THORELL , 1876 ( SCORPIONES : BUTHIDAE ) DO NORDESTE BRASILEIRO

by Ângelo Ricardo I P Lenarducci, Ricardo Pinto-da-Rocha, Sylvia Marlene Lucas
Biota Neotropica (2005)

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DESCRIÇÃO DE UMA NOVA ESPÉCIE DE RHOPALURUS THORELL , 1876 ( SCORPIONES : BUTHIDAE ) DO NORDESTE BRASILEIRO

http://www.biotaneotropica.org.br
DESCRIÇÃO DE UMA NOVA ESPÉCIE DE RHOPALURUS THORELL,
1876 (SCORPIONES: BUTHIDAE) DO NORDESTE BRASILEIRO
1
Instituto Butantan, Laboratório de Artrópodes Peçonhentos, Av. Vital Brasil, 1500, São Paulo, CEP: 05530-900, Brasil,
e-mail: angelolenarducci@ig.com.br, sylvialucas@butantan.gov.br.
2
Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 11461, CEP: 05422-970,
São Paulo, SP, Brasil, e-mail: ricrocha@usp.br.
Abstract
Rhopalurus guanambiensis n. sp. is described from Guanambi, state of Bahia, northeastern Brazil. The new species
is related to R. lacrau Lourenço & Pinto-da-Rocha, 1997 (Itaeté, state of Bahia) by having the same number of oblique rows
of granules on the movable finger of the pedipalpal chela, same number of keels on metasomal segments I, III, IV, V and
similar body size; it is related to R. crassicauda Di Caporiacco, 1947 (state of Roraima) by having the same number of keels
on metasomal segments I, II, IV and V, last two metasomal segments darker colored and enlarged, and similar body size. It
is distinguished from R. lacrau by the different color of the carapace, meso and metasomal segments IV-V, higher number of
pectinal teeth and metasomal segment II with ten carinae; and from R. crassicauda by the lower number of oblique rows of
granules on the movable finger of the pedipalp chela, metasomal segment III with eight carinae; segment V with vestigial
keels and by the telson with a strong subaculear tubercle. The males of R. guanambiensis are distinguished from the female
by having more robust pedipalp chelae and by the enlarged metasomal segments IV and V. This species raises the total
number of species of the genus Rhopalurus in Brazil to nine.
Key words: Scorpiones, Buthidae, Rhopalurus guanambiensis n. sp., Northeastern Brazil.
Resumo
Rhopalurus guanambiensis n.sp. é descrita de Guanambi, Estado da Bahia, nordeste do Brasil. A nova espécie
aproxima-se de R. lacrau Lourenço & Pinto-da-Rocha, 1997 (Itaeté, Estado da Bahia) por apresentar o mesmo número de
séries de grânulos no dedo móvel da quela do pedipalpo, igual quantidade de carenas nos segmentos metasomais I, III, IV
e V e pelo tamanho do corpo semelhante; aproxima-se de R. crassicauda Di Caporiacco, 1947 (Estado da Roraima) por
apresentar o mesmo número de carenas nos segmentos metasomais I, II, IV e V, pela coloração mais escura dos dois últimos
segmentos metasomais, que são dilatados e por apresentar aproximadamente o mesmo tamanho. Distingue-se de R. lacrau
pela coloração diferente da carapaça, mesosoma e dos segmentos metasomais IV-V, maior número de dentes pectínios e pela
presença de dez carenas no segmento metasomal II; de R. crassicauda, devido ao menor número de séries de grânulos no
dedo móvel da quela do pedipalpo, maior número de dentes pectíneos, presença de oito carenas no segmento metasomal III
e por apresentar um tubérculo subaculear acentuado no telson e carenas do segmento V do metasoma vestigiais. O macho
de R. guanambiensis distingue-se da fêmea pela mão mais robusta e pela dilatação dos dois últimos segmentos do metasoma.
A descrição desta espécie amplia para nove o número de espécies que ocorrem no Brasil.
Palavras-chave: Scorpiones, Buthidae, Rhopalurus guanambiensis sp. n., Nordeste, Brasil.
Biota Neotropica v5 (n1a) –http://www.biotaneotropica.org.br/v5n1a/pt/abstract?taxonomic-review+bn017051a2005
Ângelo Ricardo I. P. Lenarducci
1
,

Ricardo Pinto-da-Rocha
2
& Sylvia Marlene Lucas
1
Recebido em 07/12/2003
Publicado em 01/02/2005
Page 2
hidden
http://www.biotaneotropica.org.br
2
Lenarducci, A.R.I.P.; Lucas, S.M.; Pinto da Rocha, R.- Biota Neotropica, v5 (n1a) - BN017051a2005
1. Introdução
Os escorpiões do gênero Rhopalurus Thorell, 1876
(Scorpiones, Buthidae), caracterizam-se pela presença de um
aparelho estridulatório composto de duas áreas granulosas
situadas no esternito III e uma região estriada nos dentes dos
pentes. Movimentos rápidos dos pentes, esfregando-os sobre
esta região granulosa causam a emissão de um som muitas
vezes audível ao ouvido humano (Pocock 1904, Lourenço &
Cloudsley-Thompson 1995). Outros gêneros emitem som
através da coxa dos pedipalpos e perna I; entre a quelícera e o
prossoma; do aguilhão com segmentos caudais I-II e entre os
tergitos abdominais III e VI (Acosta & Maury 1990).
O gênero contém 13 espécies com ampla
distribuição nas Antilhas, América Central e do Sul (Fet
et al. 2000), das quais oito ocorrem no Brasil (Lourenço
2002). As espécies sul-americanas habitam
exclusivamente formações vegetais de campos abertos
como, savanas, caatingas e Llanos da Venezuela e
Colômbia (Mello-Leitão 1945; Lourenço 1979, 1982, 1986).
Durante os trabalhos de reorganização da Coleção
de Scorpiones do Instituto Butantan, atualmente com quase
10.000 exemplares, encontramos um lote, composto de quatro
machos e uma fêmea, enviados ao Laboratório de Artrópodes
em 1985 por um fornecedor de animais peçonhentos. Trata-
se de uma nova espécie do gênero cuja descrição é
apresentada neste trabalho.
2. Material & método
Os exemplares utilizados neste trabalho encontram-
se depositados na Coleção de Escorpiões do Instituto
Butantan (IBSP-SC) e na Coleção do Museu de Zoologia
da Universidade de São Paulo (MZSP). O espécimes fo-
ram examinados com o auxílio de estereomicroscópio
Leica MZ 125, os desenhos confeccionados em câmara
clara do mesmo modelo e as medidas com auxílio de ocu-
lar milimetrada. Foi feita a dissecção e desenhado o
hemiespermatóforo direito do holótipo.
Para a elaboração da diagnose foram estudados:
holótipo fêmea de R. lacrau:, Lapa do Bode, Itaeté, Bahia,
Brasil, 7.IX.1993, E. Trajano leg. (MZSP-15175) e R.
crassicauda: Fazenda São Marcos, Roraima, Brasil, VI/1964,
Hoge, leg., 3J 7 1 (IBSP– SC 884), Normandia/Bonfim,
Roraima, Brasil 26.VI.2002, Yassaka, et al. leg., 3 2
(IBSP–SC 3252).
3. Descrição
Rhopalurus guanambiensis n. sp.
(Figs 1-11, Tabela I - II)
Tipos: Holótipo macho. Brasil, Estado da Bahia,
Guanambi, (14° 11’ 15"S, 42° 48’45"W) 1985, Neves, V. F. leg.
(IBSP-SC 3404); parátipos: uma fêmea (IBSP-SC 3405); três
machos (IBSP-SC 3406-3407), (MZSP-22590), com os
mesmos dados do holótipo.
Etimologia: nome derivado da localidade-tipo,
Guanambi, que em Tupi-guarani significa “beija-flor”.
Diagnose: Rhopalurus guanambiensis n. sp. aproxima-
se de R. lacrau Lourenço & Pinto-da-Rocha, 1997 (Itaeté,
Estado do Bahia) por apresentar o mesmo número de séries de
grânulos no dedo móvel da quela do palpo, igual quantidade
de carenas nos segmentos metassomais I, III, IV e V e pelo
tamanho do corpo; e aproxima-se de R. crassicauda Di
Caporiacco, 1947 (Fazenda São Marcos, Estado do Roraima)
por apresentar o mesmo número de carenas nos segmentos
metassomais I, II, IV e V, coloração mais escura dos dois últimos
segmentos metassomais, dilatação dos segmentos caudais
IV-V e tamanho aproximado. Distingue-se de R. lacrau pela
coloração amarelo-castanho na carapaça e tergitos, segmentos
metassomais IV-V marrom avermelhados (R. lacrau
basicamente amarelo, segmentos I ao IV amarelos), número de
dentes pectíneos 27-27 (R. lacrau com 16-17 dentes) e
presença de 10 carenas no segmento metassomal II (R. lacrau
com oito); de R. crassicauda, pelo número de grânulos em
série no dedo móvel da quela do palpo (R. crassicauda com 8-
9 séries), maior número de dentes pectíneos (R. crassicauda
20-25), presença de oito carenas no segmento metassomal III
(R. crassicauda com 10), tubérculo subaculear acentuado no
telson (R. crassicauda com tubérculo pequeno e não
espinhoso), carenas do segmento V do metassoma vestigiais
(R. crassicauda com carenas granulosas em toda sua
extensão). A Tabela II apresenta uma comparação dos
principais caracteres morfológicos apresentados pelas
espécies que ocorrem no Brasil.
Descrição (holótipo macho, fig. 11): Medidas: vide
Tabela I. Colorido geral do corpo amarelo castanho e pernas
de colorido amarelo mais claro. Apêndices: quelíceras
amarelas com as pontas dos dedos avermelhados;
pedipalpos amarelos com dedos avermelhados e ponta mais
clara e pernas amarelas com as pontas das garras vermelhas.
Prossoma: amarelo-castanho, olhos medianos e laterais
envolvidos por pigmentação negra. Mesossoma: amarelo-
castanho com uma faixa mais escura na margem posterior
dos tergitos I-VI, tergito VII amarelo. Ventre amarelo.
Metassoma: segmento I-III amarelos, IV-V marrom
avermelhado; vesícula mais clara que os dois últimos
segmentos; aguilhão, tubérculo subaculear e grânulos
próximos à margem anterior com a ponta negra. Morfologia:
Prossoma (Fig. 1) com grânulos grossos esparsos
distribuídos entre olhos mediais, laterais e margem anterior;
margem anterior com concavidade mediana com uma fila de
grânulos grossos; cristas mediais oculares, mediais
posteriores e laterais centrais com grânulos robustos; dois
grânulos projetados na margem posterior seguindo a direção
das carenas mediais posteriores e grânulos moderados no

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