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Descrição de uma espécie nova de Pimelodus ( Siluriformes , Pimelodidae ) da bacia do alto rio Paraguai

by Hugo S De Souza-filho, Oscar A Shibatta
Biologia (2007)

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Descrição de uma espécie nova de Pimelodus ( Siluriformes , Pimelodidae ) da bacia do alto rio Paraguai

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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 97(4):472-480, 30 de dezembro de 2007
SOUZA-FILHO & SHIBATTA
Descrição de uma espécie nova de Pimelodus (Siluriformes,
Pimelodidae) da bacia do alto rio Paraguai
Hugo S. de Souza-Filho & Oscar A. Shibatta
Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas, Departamento de Biologia Animal e Vegetal, Centro de Ciências Biológicas,
Universidade Estadual de Londrina. Rodovia Celso Garcia Cid, 86051-990 Londrina, PR, Brasil. (shibatta@uel.br)
ABSTRACT. Description of a new species of Pimelodus (Siluriformes, Pimelodidae) from upper rio Paraguai basin. A new
species, formerly identified as P. maculatus La Cepède, 1803, is described. It differs from its congeners, except P. maculatus and P.
mysteriosus Azpelicueta, 1998 by the color pattern with dark brown blotches in the flanks. The new species is morphometricaly similar
to P. argenteus Perugia, 1891 and P. mysteriosus, differing, respectively, by the blotched color pattern and by the smaller maxillary
barbel. The described new species differs from P. maculatus for presenting the supraoccipital process more robust, with base as broad as
long (versus longer than broad); anterior nostrils 25% of distance between the margin of snout to posterior nostrils (versus 33% of this
distance); small saws in the pectoral spine more developed and present in more than half of the anterior margin of spine (versus small saws
present in less than half of that margin); very thin skin covering the head, allowing the grooves in the bones surfaces conspicuous; 22-
27 (mode=24) gill rakers in the first branchial arch [versus 19-24 (mode=21)]. This new species was also discriminated from P. maculatus
in the size free canonical variates analysis by presenting larger values of interorbital distance, mouth width and maxillar barbel length and
smaller base length of adipose-fin.
KEYWORDS. Catfishes, Neotropical, Pantanal, systematics.
RESUMO. Uma espécie nova, correntemente identificada como P. maculatus La Cepède, 1803, é descrita. Ela difere das demais espécies
do gênero, exceto de P. maculatus e P. mysteriosus Azpelicueta, 1998, pelo padrão de colorido com máculas escuras sobre os flancos. A
nova espécie é morfometricamente similar a P. argenteus Perugia, 1891 e P. mysteriosus, mas difere destas, respectivamente, pelo padrão
de colorido maculado e pelo menor comprimento do barbilhão maxilar. Difere de P. maculatus por apresentar o processo supra-occipital
mais robusto, com a base quase tão larga quanto o comprimento (versus mais comprido do que largo); narinas anteriores a 25% da margem
anterior do focinho, na distância entre o início do focinho até as narinas posteriores (versus 33% dessa distância); serrilhas do acúleo
peitoral mais desenvolvidas e presentes em mais da metade da margem anterior do acúleo (versus serrilhas leves e presentes em menos da
metade desta margem); pele que recobre a cabeça muito fina, tornando conspícuas as estrias da superfície dos ossos; 22-27 (moda=24)
rastros no primeiro arco branquial [versus 19-24 (moda=21)]. Também foi discriminado de P. maculatus na análise morfométrica
multivariada das variáveis canônicas livres do tamanho, por apresentar maiores valores da distância interorbital, largura da boca e
comprimento do barbilhão maxilar e menor comprimento da base da nadadeira adiposa.
PALAVRAS-CHAVE. Bagres, Neotropical, Pantanal, sistemática.
A bacia do rio Paraguai é conhecida pela riqueza de
suas espécies de peixes, mas poucos estudos de revisão
taxonômica com essas espécies foram publicados. Com o
recente aporte de material da região alta desta bacia no
Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Londrina
(MZUEL), foi possível estudar as espécies de Pimelodus
La Cepède, 1803 do Pantanal com profundidade. Na região
do Pantanal são estimadas 325 espécies de peixes
(WILLINK et al., 2000), dentre as quais quatro foram
apontadas por BRITSKI et al. (1999) para o gênero
Pimelodus: P. argenteus Perugia, 1891; P. cf. fur
(Reinhardt, 1874); P. maculatus La Cepède, 1803 e P.
ornatus Kner, 1857. Além dessas espécies, P. mysteriosus
Azpelicueta, 1998 pode ser incluída na lista, pois a sua
área de distribuição também abrange a região de Cáceres,
estado do Mato Grosso (AZPELICUETA, 1998), e P. cf. fur
deve ser identificada como P. absconditus Azpelicueta
1995. Dessas espécies destaca-se a que é identificada
como Pimelodus maculatus, pois nossos estudos
apontam que ela representa uma nova espécie da bacia
do alto rio Paraguai.
Pimelodus é o gênero mais diversificado da família
Pimelodidae, contendo 24 espécies válidas (LUNDBERG &
LITTMAN, 2003). Identificar seguramente o gênero ainda é
um problema, pois nenhum caráter apomórfico foi
reconhecido. LUNDBERG et al. (1991) mencionaram uma
possível sinapomorfia relativa aos forames do nervo
trigeminofacial, presente em Pimelodus maculatus,
espécie-tipo do gênero, além de outras espécies de
Pimelodus, mas que foi posteriormente observada em
outros representantes de Pimelodidae (LUNDBERG & PARISI,
2002). O que se tem utilizado, portanto, são caracteres
morfológicos tais como presença ou ausência de dentes
no vômer em pequenos retalhos, fontanela não se
estendendo para trás além dos olhos, processo pós-
cleitral largo, topo da cabeça granuloso, espinhos das
nadadeiras peitorais e dorsal fortes (EIGENMANN &
EIGENMANN, 1890), processo pós-occipital alcançando a
placa pré-dorsal, olhos com margem orbital livre,
barbilhões teretes, espinho peitoral forte e denteado em
ambas as margens, nadadeira anal com 10 a 13 raios,
nadadeira caudal furcada com lobos pontiagudos
(RINGUELET et al., 1967), lábios normais sem margem livre
em sua parte superior, cabeça mais ou menos deprimida,
boca grande (BRITSKI, 1972), tamanho moderado a grande,
barbilhões longos, barbilhões maxilares usualmente
alcançando a base da nadadeira caudal ou próximo, um
pequeno poro acima da parte posterior da base da
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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 97(4):472-480, 30 de dezembro de 2007
Descrição de uma nova espécie de Pimelodus (Siluriformes...
nadadeira peitoral, ou ausente (MEES, 1974), maxila superior
um pouco mais longa que a mandíbula e a base da nadadeira
adiposa mais longa que a anal (BRITSKI et al., 1999).
Além da espécie nova, que é descrita neste trabalho,
apresentamos uma chave de identificação de todas as
espécies de Pimelodus do Pantanal e fotos que facilitam
a sua identificação.
MATERIAL E MÉTODOS
As medidas foram tomadas ponto a ponto em linha
reta, diretamente sobre o lado esquerdo do peixe, com
auxílio de um paquímetro digital com precisão de 0,01mm.
Para a escolha das medidas e contagens seguiu-se
AZPELICUETA (1995) com modificações. O comprimento
da cabeça não incluiu a membrana opercular e foram
adicionadas as seguintes medidas: altura do pedúnculo
caudal (obtida na região mais estreita), largura da cintura
peitoral (na região mais larga), comprimento do barbilhão
maxilar (da base até a extremidade) e distância entre a
base das nadadeiras dorsal e adiposa (espaço entre as
nadadeiras dorsal e adiposa). Medidas da cabeça foram
expressas como porcentagens do comprimento da cabeça
(CC) e as medidas do corpo como porcentagens do
comprimento padrão (CP). Os valores mínimos e máximos
das porcentagens dos dados morfométricos foram
apresentados, com a média entre parênteses. Assim como
em AZPELICUETA (1995), a trava do acúleo dorsal foi
incluída na contagem como sendo um raio duro indiviso.
Para a discriminação das espécies foi utilizada a
análise das variáveis canônicas livres do tamanho
(AVCLT), através do pacote estatístico SAS, conforme o
protocolo de REIS et al. (1990).
As preparações osteológicas foram realizadas
manualmente sob microscópio estereoscópico.
As amostras foram provenientes de diferentes
localidades da bacia do alto rio Paraguai (Fig. 1). As
abreviações utilizadas neste estudo são: CESP,
Companhia Energética de São Paulo; ECPUEL, Equipe de
Coleta de Peixes da Universidade Estadual de Londrina;
LAPAD, Laboratório de Biologia e Cultivo de Peixes de
Água Doce da Universidade Federal de Santa Catarina;
LIS, Laboratório de Ictiologia e Sistemática do
Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da
Universidade Federal de São Carlos; MZUL, Museu de
Zoologia da Universidade Estadual de Londrina; MZUSP,
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo; NUP,
Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e
Aqüicultura da Universidade Estadual de Maringá
(NUPÉLIA).
Fig. 1. Mapa com os locais de coleta de Pimelodus pantaneiro sp. nov. na bacia do alto rio Paraguai.

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