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A estrutura da comunidade de peixes em praias de baixa energia do complexo estuarino da Baía de Paranaguá, Brasil

by Carlos Werner Hackradt, Helen Audrey Pichler, Fabiana Cézar Félix, Roberto Schwarz Jr., Lilyane De Oliveira Silva, Henry Louis Spach
Nautilus (2009)

Abstract

Fish community structure in low energy beaches of estuarine complex Paranaguá Bay, Brazil. Aiming the characterization of ichthyofaunal assemblage of low energy estuarine environments, six beaches distributed along the east-west axis of Paranaguá Bay, Paraná, were monthly evaluated through a seine beach net named picaré. Samples revealed a varied specific composition with typically estuarine species and others common to the adjacent beach environment. The beaches in general were dominated by few species, low sized and with planktofagic habits. Temporal patterns probably linked with reproductive activities were observed for some species, occurring local departure of larger individuals during the hottest months. Additionally higher standard length averages were found for the external beaches, what suggests the use of estuarine beaches as ecological corridors of connection between estuarine environment and the adjacent sea area.

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A estrutura da comunidade de peixes em praias de baixa energia do complexo estuarino da Baía de Paranaguá, Brasil

Revista Brasileira de Zoociências 11 (3): 99-101. 2009
A comunidade de peixes de praias de baixa energia .231
ISSN 1517-6770
ZOOCIÊNCIAS
11(3): 231-242, dezembro 2009
Revista Brasileira de
A estrutura da comunidade de peixes em praias de
baixa energia do complexo estuarino da Baía de Paranaguá, Brasil
Carlos Werner Hackradt1, Helen Audrey Pichler3, Fabiana Cézar Félix3, Roberto Schwarz Júnior.2,
Lilyane de Oliveira Silva4 & Henry Louis Spach4
1 Programa de Pós-Graduação em Ecologia & Conservação; Setor de Ciências Biológicas, UFPR. hackradtcw@gmail.com
2 Programa de Pós-Graduação em Zoologia; Departamento de Zoologia, UFPR.
3 Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade. Av. Senador Souza Naves, 655, ap. 252. Curitiba, Paraná
CEP: 88.050-040.
4 Centro de Estudos do Mar, UFPR. Av. Beira Mar s/n, CP: 50.002, CEP: 83.255-000; Pontal do Sul, Pontal do Paraná, Paraná, Brasil.
Abstract. Fish community structure in low energy beaches of estuarine complex Paranaguá Bay, Brazil. Aiming the characterization
of ichthyofaunal assemblage of low energy estuarine environments, six beaches distributed along the east-west axis of Paranaguá
Bay, Paraná, were monthly evaluated through a seine beach net named picaré. Samples revealed a varied specific composition with
typically estuarine species and others common to the adjacent beach environment. The beaches in general were dominated by few
species, low sized and with planktofagic habits. Temporal patterns probably linked with reproductive activities were observed for
some species, occurring local departure of larger individuals during the hottest months. Additionally higher standard length
averages were found for the external beaches, what suggests the use of estuarine beaches as ecological corridors of connection
between estuarine environment and the adjacent sea area.
Key Words: Ichthyofauna; estuarine beaches; standard length.
Resumo. Com intuito de caracterizar a ictiofauna de ambientes estuarinos de baixa energia, seis praias distribuídas ao longo do
eixo leste-oeste da Baía de Paranaguá, Paraná, foram amostradas mensalmente através de uma rede de arrasto tipo picaré. As
amostras revelaram uma composição específica variada, entre espécies tidas como tipicamente estuarinas e outras comuns ao
ambiente praial adjacente. As praias foram dominadas por poucas espécies, de pequeno tamanho e hábitos planctofágicos. Padrões
temporais provavelmente ligados a atividades reprodutivas foram observados para algumas espécies, ocorrendo saída local de
indivíduos de maior porte durante os meses mais quentes. Adicionalmente maiores médias de comprimento padrão foram
encontradas nas praias mais externas, o que sugere o uso de praias estuarinas como corredores ecológicos de ligação entre o
ambiente estuarino e a área marinha adjacente.
Palavras Chave: Iictiofauna; praias estuarinas; comprimento padrão.
INTRODUÇÃO
Os ambientes rasos dentro dos estuários são
comumente considerados como áreas de criação
(MANDERSON et al., 2004) e apresentam importância
relevante na manutenção das populações de peixes.
Dentre as áreas rasas estuarinas ocorrem às praias
protegidas ou praias estuarinas, que diferem das
expostas por apresentarem um substrato estável,
permitindo a fixação de fauna e flora (NORDSTROM,
1992). Segundo JACKSON et al. (2002), praias que
apresentam ondas inferiores a 25 cm, sem exceder
50 cm durante tempestades, tem a largura da face
praial estreita, normalmente menor que 20 m em
ambientes de micro maré e as feições morfológicas
que incluem aquelas herdadas de eventos altamente
energéticos podem ser consideradas como estuarinas.
Os estudos sobre a comunidade de peixes em
ambientes praiais já registraram o predomínio
numérico de poucas espécies e de formas juvenis
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Revista Brasileira de Zoociências 11 (3): 99-101. 2009
232. HACKRADT et al.
(LASIAK, 1986; SANTOS & NASH, 1995; CLARK et al., 1994;
CLARK, 1997; GIBSON et al., 1993; STRYDOM, 2003) com
a maioria dos peixes permanecendo um curto
período de tempo nesse ambiente (GIBSON et al.,
1993) e um reduzido número de espécies
apresentando permanência anual (BROWN &
MCLACHLAN, 1990). Estas áreas são tidas como
importantes áreas de refúgio e alimentação,
fornecendo proteção devido à baixa transparência
(PATE RSON & WHITFIELD , 2000) e devido à
concentração de predadores em áreas mais
profundas, como os canais (BLABER et al., 1995).
No litoral brasileiro, as principais estudos sobre a
fauna de peixes praiais visaram descrever a estrutura
da comunidade e identificar suas variações espaço
temporais (MONTEIRO-NETO et al., 1990; MONTEIRO-
NETO & MUSICK, 1994; SANTOS, 1994; GIANNINI & PAIVA
FILHO 1995; GOMES et al., 2003; GODEFROID et al., 1997,
2004) ou ainda a influência do morfodinamismo
praial sobre as comunidades ictíicas (GAELZER &
ZALMON, 2003; VASCONSELOS et al., 2007).
Procurando aumentar o conhecimento existente
acerca da ictiofauna de praias estuarinas o presente
estudo visa caracterizar e identificar possíveis
padrões temporais e espaciais da comunidade
ictíica pertencente às praias no interior do estuário
da baía de Paranaguá, Paraná, Brasil.
MATERIAIS E MÉTODOS
Área de Estudo
Seis praias estuarinas foram selecionadas dentro
do complexo estuarino da Baía de Paranaguá, ao
longo do eixo leste-oeste. São elas: Europinha
(25°27‘39,2"S; 48°36‘41,1"W), localizada na região
oligo-mesohalina; Piaçaguera (25°29‘03,1"S;
48°29‘40,0"W) situada na região polihalina, em frente
ao porto de Paranaguá e; na região euhalina as praias
de Ilha das Cobras (25°29‘03,1"S; 48°25‘50,6"W),
Coroinha (25°30‘40,9"S; 48°22‘38,8"W), Brasília
(25°31´36,4"S; 48°20‘35,7"W) e Encantadas
(25°33´49,1"S; 48°19‘05,1"W) as três últimas
localizadas na Ilha do Mel (LANA et al., 2001) (fig.1).
Uma descrição mais detalhada da região e das praias
estudadas pode ser encontrada em HACKRADT (2006).
Coleta de dados
Entre junho de 2005 e maio de 2006, foram
conduzidos três arrastos mensais em cada praia
estudada utilizando-se uma rede de arrasto de malha
0,5 cm em toda sua extensão com 15m de
comprimento x 2,6 m altura e 2 m de ensacadouro. Os
arrastos foram efetuados paralelos à praia percorrendo
uma distância de 20 m com intervalos de 5 m entre
arrastos sucessivos. Todas as campanhas amostrais
iniciaram-se na preamar diurna de quadratura,
respeitando a mesma seqüência de visita às praias.
Concomitantemente foram obtidos dados de
salinidade da água de superfície através de um
refratômetro; temperatura da água de superfície com
um termômetro de mercúrio; pH através de pHmetro
portátil; altura de onda mensurando com auxílio de
uma régua métrica o deslocamento da água a partir
da superfície; e período de onda cronometrando 11
ondas sucessivas e dividindo seu tempo total por 10
segundos, sendo os últimos dois procedimentos
realizados segundo PERILLO & PICCOLO (1987).
Aleatoriamente, sub-amostras de 30 indivíduos
da mesma espécie, por amostragem, foram retirados
e posteriormente mensurados os comprimentos
padrão e total (mm), pesados (g), sexados, e
classificados visualmente segundo o estádio de
maturação gonadal descritos por VAZZOLER (1981),
sendo os indivíduos excedentes contabilizados para
a biomassa em número e peso.

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Baía de Paranaguá
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Baía das
Laranjeiras
Oceano
Atlântico
Figura 1. Mapa do Complexo Estuarino da Baia de Paranaguá mos-
trando as seis praias amostrais. EU: Europinha; PI: Piaçaguera; IC:
Ilha das Cobras; CO: Coroinha; BR: Brasília; EN: Encantadas.
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Revista Brasileira de Zoociências 11 (3): 99-101. 2009
A comunidade de peixes de praias de baixa energia .233
Espécies com freqüência de ocorrência > 10% foram
consideradas freqüentes; aquelas com freqüência 10%
> x > 5% foram consideradas pouco freqüentes; entre
5% > x > 1% foram tidas como muito pouco freqüentes
e, < 1%, raras. Quanto à ocorrência temporal das
espécies, estas foram classificadas como: Constantes,
presentes em oito oi mais meses de coleta; Ocasionais,
aquelas que foram capturadas entre quatro e sete meses
de coleta e, sendo consideradas esporádicas quando
presentes em menos de quatro meses.
Análise dos Dados
Para avaliar a variação temporal e espacial na
estrutura em tamanho, aplicou-se a análise de
variância unifatorial (ANOVA) sobre os dados de
comprimento padrão das principais espécies
capturadas nas praias estudadas. Exist indo
diferenças significativas (p < 0,05) aplicou-se o
teste a posteriori LSD para identificar quais médias
foram estatisticamente diferentes entre si. (SOKAL
& ROHLF, 1995).
RESULTADOS
Variáveis ambientais
A temperatura variou sazonalmente alcançando seus
maiores valores durante os meses de janeiro a março
em todos os pontos amostrados, atingindo seu maior
valor em janeiro, e os menores em setembro (fig.2a). A
salinidade, no entanto, foi maior nas praias mais externas
e apresentou maiores valores entre os meses de junho
a agosto e menores durante a época chuvosa,
concentrada de outubro a janeiro (fig.2b). As variáveis
relacionadas ao estado energético praial (altura e
período de ondas) aumentaram a partir da área interna
em direção a desembocadura da Baía de Paranaguá,
seguindo o gradiente crescente de energia (fig. 2c e
2d). A praia Encantadas foi a que apresentou os maiores
valores de altura de ondas.
Ictiofauna
Foram capturados 18.462 peixes, distribuídos em
76 táxons pertencentes a 32 famílias. Em número de
espécies, as famílias mais representativas foram:
Carangidae e Sciaenidae (9 espécies), Engraulidae (6),
Gerreidae (5), Clupeidae, Gobiidae e Paralichthyidae
(4), Belonidae, Syngnathidae e Tetraodontidae (3),
Ariidae, Centropomidae e Haemulidae (2), com as
demais famílias representadas por apenas uma
espécie. Os táxons com maior abundância foram:
Atherinella brasiliensis (38,7%), Mugil sp. (14,1%),
Cetengraulis edentulus (11,3%), Anchoa parva (6,9%)
e Harengula clupeola (Cuvier) (6,5%), contribuindo
com 78,0% das capturas (tab.1).
O peso total da captura somou 69.959,65 g,
sendo o espécime de maior peso pertencente à
espécie Paralichthys orbignyanus (1.600,00 g),
enquanto um juvenil de Engraulidae (0,01g) foi o
indivíduo de menor peso capturado. A espécie que
mais contribuiu para a captura total em peso foi A.
brasiliensis, perfazendo 29,37% do total, seguida por
Cetengraulis edentulus (14,0%), Harengula clupeola
(10,6%), Sphoeroides testudineus (9,1%),
Sphoeroides greeleyi (4,0%) e Mugil sp. (3,4%).
Todas as demais espécies contribuíram com menos
de três por cento da captura total.
A análise macroscópica das gônadas de 7.630 peixes
mostrou o predomínio de exemplares juvenis. Nos peixes
onde foi possível realizar a identificação do sexo (1.066
indivíduos ou 5,7% da captura) foram observados 44,2%
de machos e 55,8% de fêmeas. Em 6.564 indivíduos
não foi possível determinar o sexo, e entre o restante,
quase que a totalidade dos indivíduos (91%) teve as
gônadas classificadas como imaturas (estádio A).
A ictiofauna amostrada nas praias estuarinas foi
constituída principalmente por indivíduos de pequeno
porte. Em média os espécimes mediam
aproximadamente 50 mm, sendo o maior exemplar um
indivíduo de Rhinobathus percellens com 562 mm
(comprimento padrão) e o menor um Mentichirrus
americanus de 10 mm.
A estrutura em comprimento foi avaliada
temporalmente a f im de observar padrões de
ocupação específica. Dos 76 táxons amostrados
apenas 20 foram avaliados, por serem constantes e
freqüentes durante o período amostral (tab.2). Destes
apenas dois não apresentaram diferenças
significativas entre as médias do comprimento padrão
nas praias estudadas, sendo selecionadas as nove
espécies mais freqüentes e constantes para a
representação gráfica (fig. 3).
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Revista Brasileira de Zoociências 11 (3): 99-101. 2009
234. HACKRADT et al.
As espécies Harengula clupeola, Eucinostomus
argenteus e Sphoeroides greeleyi apresentaram
médias de comprimento maiores entre os meses de
junho e novembro, sendo substituídas por médias
menores nos meses subseqüentes, de dezembro a
fevereiro. A partir destes observa-se um aumento
gradativo do comprimento padrão destes indivíduos
até o fim do período amostral (fig. 3c, g, i). No
entanto para Atherinella brasiliensis um padrão
semelhante foi observado. Anterior ao período de
crescimento progressivo reportado para as espécies
citadas acima se observou um contínuo declínio a
partir de julho até o mês de dezembro, seguido por
um período de crescimento (fig. 3a).
O táxon Mugil sp., constante em todos os meses
amostrais, apresentou médias de comprimento
sucessivamente maiores a partir do mês de agosto,
diminuindo somente em maio (fig. 3b). As demais
espécies Trachinothus carolinus, Anchoa parva, Anchoa
tricolor e juvenis de Engraulidae não apresentaram
padrões de crescimento contínuos, tendo flutuações
ao longo do período estudado (Fig. 3h, d, e, f).
De forma semelhante às médias de comprimento
padrão foram avaliadas espacialmente para os 23 táxons
freqüentes com ocorrência em pelo menos cinco das
seis praias estudadas. Destes, 14 táxons apresentaram
médias de comprimento em geral menores nas praias
mais internas o oposto ocorrendo nas praias mais
externas. Seis táxons (Mugil sp., S. greeleyi, M.
americanus, L. grossidens, E. melanopterus, C.

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Figura 2. Variação mensal dos dados abióticos avaliados nas seis praias estuarinas estudadas. UE: Europinha, PI: Piaçaguera, IC: Ilha das
Cobras, CO: Coroinha, BR: Brasília, EN: Encantadas (a: Temperatura; b: Salinidade; c: Altura de Onda; d: Período de Onda).
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Revista Brasileira de Zoociências 11 (3): 99-101. 2009
A comunidade de peixes de praias de baixa energia .235
Tabela 1. Composição específica, abundância (N), abundância relativa (N %), número de amostras (NA) em que a espécie esteve presente e
a freqüência relativa de ocorrência nas amostras.
Família Espécie N N (%) NA FO (%)
Achiridae Achirus lineatus (Linnaeus, 1758) 2 0,01 2 0,93
Albulidae Albula vulpes (Linaeus, 1758) 15 0,08 9 4,17
Cathorops spixii (Agassiz, 1829) 38 0,21 8 3,70
Genidens genidens (Valenciennes, 1829) 16 0,09 8 3,70
Atherinopsidae Atherinella brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1825) 7158 38,77 161 74,54
Strongylura marina (Walbaum, 1792) 13 0,07 13 6,02
Strongylura sp. 18 0,10 13 6,02
Strongylura timucu (Walbaum, 1792) 11 0,06 6 2,78
Caranx hippos (Linnaeus, 1766) 1 0,01 1 0,46
Caranx latus Agassiz, 1831 1 0,01 1 0,46
Chloroscombrus chrysurus (Linnaeus, 1766) 101 0,55 11 5,09
Oligoplites saliens Bloch, 1793 77 0,42 18 8,33
Oligoplites saurus (Bloch & Schnider, 1801) 28 0,15 19 8,80
Selene vômer (Linnaeus, 1758) 4 0,02 3 1,39
Trachinotus carolinus (Linnaeus, 1766) 342 1,85 52 24,07
Trachinotus falcatus (L innaeus, 1758) 101 0,55 33 15,28
Trachinotus goodei Jordan & Evermann, 1896 27 0,15 14 6,48
Centropomus parallelus Poey, 1860 4 0,02 4 1,85
Centropomus undecimalis Bloch, 1792 1 0,01 1 0,46
Harengula clupeola (Cuvier , 1829) 1216 6,59 59 27,31
Ophistonema oglinum Lesueur, 1818 6 0,03 4 1,85
Platanichthys platana Regan, 1917 5 0,03 1 0,46
Sardinella brasiliensis (Steindachner, 1879) 236 1,28 5 2,31
Cynoglossidae Symphurus tesselatus (Quoy & Gaimard, 1824) 2 0,01 2 0,93
Diodontidae Cyclichthys spinosus (Linnaeus, 1758) 22 0,12 18 8,33
Anchoa lyolepis (Everman & Marsh, 1902) 156 0,85 5 2,31
Anchoa parva (Valenciennes, 1848) 1279 6,93 42 19,44
Anchoa tricolor (Spix & Agassiz, 1829) 581 3,15 39 18,06
Cetengraulis edentulus (Cuvier, 1829) 2096 11,35 9 4,17
Juvenil de Engraulidae 391 2,12 36 16,67
Lycengraulis grossidens (Agassiz, 1829) 37 0,20 12 5,56
Ephippidae Chaetodipterus faber (Broussonet, 1782) 24 0,13 16 7,41
Fistularidae Fistular ia tabacaria Linnaeus, 1758 3 0,02 2 0,93
Diapterus rhombeus (Valenciennes, 1830) 15 0,08 10 4,63
Eucinostomus argenteus Baird & Girard, 1855 588 3,18 65 30,09
Eucinostomus melanopterus Bleeker, 1863 105 0,57 4 1,85
Eucinostomus sp. 217 1,18 21 9,72
Ulaema lefroyi (Goode, 1874) 11 0,06 5 2,31
Bathygobius soporator (Valenciennes, 1837) 3 0,02 1 0,46
Ctenogobius shufeldti (Jordan & Eigenmann, 1887) 1 0,01 1 0,46
Microgobius meeki Evermann & Marsh, 1899 11 0,06 6 2,78
Microgobius sp. 1 0,01 1 0,46
Gobidae
Centropomidae
Clupeidae
Engraulidae
Gerreidae
Ariidae
Belonidae
Carangidae
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Revista Brasileira de Zoociências 11 (3): 99-101. 2009
236. HACKRADT et al.
edentulus) apresentaram comportamento inverso, com
menores indivíduos nas praias mais externas (tab.2).
As espécies que obtiveram médias de comprimento
significativamente distintas entre as praias estudadas
foram escolhidas para ilustrar a presença de indivíduos
com médias maiores nas áreas mais externas (fig. 4).
Para as espécies A. brasiliensis, E. argenteus,
Trachinotus falcatus, Hyporhamphus unifasciatus, A.
parva e A. tricolor há um evidente crescimento da média
do comprimento padrão em direção às praias mais
energéticas, havendo algumas flutuações pontuais em
determinadas praias. Em A. brasiliensis observou-se
diferenças significativas entre as praias internas
Europinha e Piaçaguera em relação à Coroinha e
Encantadas. E. argenteus apresentou diferenças
somente nas praias de Ilha das Cobras e Encantadas.
Família Espécie N N (%) NA FO (%)
Pomadasys corvinaeformis Steindachner, 1868 19 0,10 9 4,17
Pomadasys ramosus Steindachner, 1868 2 0,01 2 0,93
Hemiramphidae Hyporhamphus unifasciatus (Ranzani, 1842) 113 0,61 35 16,20
Monacanthidae Stephanolepis hispidus (Linnaeus, 1766) 3 0,02 3 1,39
Mugilidae Mugil sp. 2613 14,15 80 37,04
Ophichthidae Ophichthus gomesii (Castelnau, 1855) 1 0,01 1 0,46
Paralichthys orbignyanus (Valenciennes, 1842) 1 0,01 1 0,46
Citharichthys arenaceus Evermann & Marsh, 1900 34 0,18 12 5,56
Citharichthys spilopterus Günther, 1822 50 0,27 25 11,57
Etropus crossotus Jordan & Gilbert, 1882 16 0,09 11 5,09
Rhinobatidae Rhinobatos percellens (Walbaum,1792) 1 0,01 1 0,46
Bairdiella ronchus (Cuvier, 1830) 13 0,07 6 2,78
Menticirrhus americanus (Linnaeus, 1758) 68 0,37 31 14,35
Menticirrhus littoralis (Holbrook, 1847) 57 0,31 32 14,81
Micropogonias furnieri (Desmaresti, 1823) 11 0,06 6 2,78
Stellifer brasiliensis (Schultz, 1945) 3 0,02 2 0,93
Stellifer rastrifer (Jordan, 1889) 5 0,03 3 1,39
Stellifer stellifer Bloch, 1790 17 0,09 3 1,39
Umbrina canosai Berg, 1895 4 0,02 2 0,93
Umbrina coróides Cuvier, 1830 8 0,04 3 1,39
Scombridae Scomberomorus sp. 2 0,01 2 0,93
Serranidae Mycteroperca sp. 2 0,01 2 0,93
Archosargus rhomboidalis (Linnaeus, 1758) 3 0,02 2 0,93
Juvenil de Sparidae 47 0,25 1 0,46
Sphyraenidae Sphyraena tome (Fowler, 1903) 1 0,01 1 0,46
Syngnathus elucens Poey, 1868 1 0,01 1 0,46
Syngnathus folletti Herald, 1942 3 0,02 3 1,39
Syngnatus pelagicus Linnaeus, 1758 8 0,04 6 2,78
Synodontidae Synodus foetens (Linnaeus, 1766) 60 0,33 25 11,57
Lagocephalus laevigatus (Linnaeus, 1766) 1 0,01 1 0,46
Sphoeroides greeleyi Gilbert, 1900 237 1,28 79 36,57
Sphoeroides testudineus (Linnaeus, 1758) 90 0,49 33 15,28
Triglidae Prionotus nudigula Ginsburg, 1950 3 0,02 3 1,39
Uranoscopidae Astroscopus ygraecum (Cuvier, 1829) 2 0,01 2 0,93
18.462 216
Sparidae
Syngnatidae
Tetraodontidae
Total
Haemulidae
Paralichthyidae
Sciaenidae
Continuação Tabela 1
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Revista Brasileira de Zoociências 11 (3): 99-101. 2009
A comunidade de peixes de praias de baixa energia .237
Já em T. falcatus diferiram as praias de Brasília e
Encantadas de Piaçaguera e Ilha das Cobras em
comparação a Europinha e Coroinha. H. unifasciatus
ocorreu significativamente em tamanhos maiores em
Brasília e Encantadas, em relação à Europinha,
Piaçaguera e Ilha das Cobras. As médias de tamanho
de A. parva nas praias de Coroinha, Brasília e
Encantadas foram estatisticamente maiores que as
relativas à Europinha e Piaçaguera e, para a congênere
A. tricolor somente as médias de Ilha das Cobras e
Coroinha diferiram estatisticamente de Europinha e
Piaçaguera. Para as espécies restantes tal tendência
não foi evidenciada, mesmo existindo diferenças
significativas entre as praias mais externas e internas.
Quanto à estrutura reprodutiva da comunidade ictíica,
apenas três espécies foram encontradas com indivíduos
nos quatro estádios de maturação gonadal, A. brasiliensis,
S. greeleyi e Sphoeroides testudineus, sendo a primavera
o período onde a maioria dos indivíduos em estádio
reprodutivo (C e D) foram evidenciados (Fig 5). Com
relação às outras espécies, somente A. parva apresentou
indivíduos desovantes no local.
DISCUSSÃO
O Complexo Estuarino de Paranaguá (CEP) já
foi estudado por diversos autores, que se
preocuparam em avaliar a ictiofauna dos diversos
ambientes existentes e registraram para as áreas rasas
adjacentes valores similares quanto ao número de
táxons encontrado nas praias estuarinas (GODEFROID
et al., 1997; FÉLIX et al., 2006; FÉLIX et al., 2007),
indicando ser o padrão para a região estudada e
resultante da posição geográfica da área amostral,
afinal maiores diversidades são esperadas em baixas
latitudes (ROMER, 1990).
A utilização das praias estuarinas por uma fauna
tão diversificada, como a apresentada neste estudo,
denota a importância destes ambientes, como
habitats essenciais em parte do ciclo de vida de
muitas espécies de peixes (ROSS, 1983; LASIAK, 1986).
A grande abundância de aterinopsídeos, mugilídeos
e engraulídeos, espécies tidas como residentes,
migrantes sazonais e estuarino-dependentes,
respectivamente, reforçam o papel ecológico deste
ambiente estuarino como criadouros.
Embora similar em número de espécies a
composição ictiofaunística das praias estudadas
diferiu do encontrado para ambientes equivalentes
na literatura. A presença de táxons como A. brasiliensis,
Mugil sp., A. parva, C. spixii, C. spilopterus, típicas de
planícies mareais lodosas (SANTOS et al., 2002; VENDEL
et al., 2003), e T. falcatus, T. goodei, S. foetens, M.
littoralis, O. saliens, H. clupeola, amplamente
capturadas nos ambientes praiais próximos a área de
estudo (FÉLIX et al., 2006; 2007) parecem indicar a
extensa utilização destes ambientes por uma fauna
diversificada e comum aos vários ambientes da baia
de Paranaguá, demonstrando assim a contribuição
de ambientes adjacentes ao estuarino na
composição do elenco de espécies que utilizam as
praias estuarinas estudadas. A presença de um
mosaico específico com contribuições de espécies
com distintos requerimentos ambientais parece
evidenciar o papel destas praias na transição entre
etapas do ciclo de vida de cada uma delas.
O comprimento padrão médio dos peixes
capturados indica uma fauna de pequeno porte, uma
Espécies F(meses) p F(praias) p
Achirus lineatus -,9 na - 9,80 p<0,05
Anchoa parva 4,7 35,49 p<0,05 49,20 p<0,05
Anchoa tricolor 5,8 77,10 p<0,05 43,90 p<0,05
Atherinella brasiliensis 1 ,1 77,10 p<0,05 184,10 p<0,05
Cetengraulis edentulus na - 15,80 p<0,05
Cithar ichthys arenaceus na - 12,98 p<0,05
Cithar ichthys spilopterus 8,92 p<0,05 2,91 p>0,05
Cyclichthys spinosus na - 2,23 p>0,05
Eucinostomus argentus 7,3 43,87 p<0,05 24,70 p<0,05
Eucinostomus melanopterus na - 13,76 p<0,05
Harengula clupeola 3,2 81,59 p<0,05 16,50 p<0,05
Hyporhamphus unifasciatus -,6 3,80 p>0,05 68,60 p<0,05
Juvenil de Engraulidae 6,- 15,83 p<0,05 26,72 p<0,05
Lycengraulis grossidens na - 22,40 p<0,05
Menticirrhus americanus 11,78 p<0,05 13,20 p<0,05
Menticirrhus littoralis 13,80 p<0,05 1,89 p>0,05
Mugil sp. 2,- 81,60 p<0,05 39,90 p<0,05
Oligoplites saliens 15,67 p<0,05 na -
Oligoplites saurus 12,98 p<0,05 12,70 p<0,05
Sphoeroides greeleyi 9,- 20,28 p<0,05 25,20 p<0,05
Sphoeroides testudineus 11,81 p<0,05 10,50 p<0,05
Strongylura marina 5,45 p>0,05 na -
Synodus foetens 4,20 p>0,05 25,30 p<0,05
Trachinotus carolinus 8,4 26,70 p<0,05 14,90 p<0,05
Trachinotus falcatus -,5 8,66 p<0,05 15,54 p<0,05
Trachinotus goodei 3,50 p>0,05 na -
Tabela 2. Resultado da ANOVA para as 20 espécies analisadas tempo-
ralmente e as 23 espécies analisadas espacialmente.
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238. HACKRADT et al.
característica determinante na ocupação de
ambientes rasos, visto que o fator profundidade
limitaria a presença de indivíduos de maior porte
(SUDA et al., 2002). O predomínio de juvenis
observado neste trabalho já foi constatado por
vários autores nas mais diversas áreas (LASIAK,
1986; CLARK , 1997), que em associação ao
pequeno porte dos indivíduos, à alta
disponibilidade de alimento e a proteção conferida
pela baixa visibilidade e pouco dinamismo (CLARK et
al., 1994; NASH & SANTOS, 1998), tornam estes
ambientes locais importantes para a criação de uma
variedade de espécies (BENNET, 1989). No entanto, a
influência do petrecho de pesca utilizado em
selecionar os menores tamanhos por trabalhar mais
vagarosamente, limita as conclusões. Contudo a
extensa utilização de diferentes petrechos de pesca
a fim de avaliar a seletividade dos mesmos em
planícies de maré lodosas (MORRISON et al., 2002) e
Figura 3. Resultado da ANOVA aplicada aos dados de comprimento padrão das principais espécies amostradas nas praias estuarinas
ao longo dos meses de coleta. Média mensal ( ) e desvio padrão ( ).
em ambientes praiais (MONTEIRO-NETO & MUSICK,
1994) corroboram o indicado para este trabalho e
parecem indicar que a dominância de juvenis é uma
característica inerente deste tipo de ambiente,
independentemente do artefato utilizado.
Fica evidente que para algumas espécies existe
uma relação direta entre as maiores médias de
comprimento e o aumento da energia no ambiente
praial. Esse processo de ocupação diferenciado por
parte de algumas espécies pode indicar estratégias
de recrutamento, no qual os indivíduos menores
recrutam preferencialmente nas porções mais
internas da baía, evitando assim maior pressão de
predação (WATT-PRINGLE & STRYDOM, 2003; VIEIRA,
2006), pois segundo BROWN & MCLACHLAN (1990)
peixes de maior porte, e conseqüentemente melhor
capacidade natatória, relacionam-se com praias mais
energéticas. À medida que aumentam de tamanho
fazem a transição do ambiente de criação, áreas
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A comunidade de peixes de praias de baixa energia .239
Figura 4: Resultado da ANOVA aplicada aos dados de comprimento padrão das principais espécies nas seis praias estuarinas. Média
mensal ( ) e desvio padrão ( ).rasas internas à baía, para os ambientes da
população adulta, área marinha adjacente ao
estuário, usando, no contexto deste estudo, as praias
como um corredor ecológico.
Segundo GODEFROID et al, (1997), SANTOS et al.
(2002), SPACH et al, (2004) e FÉLIX et al. (2007) os
meses mais quentes do ano, entre a primavera e o
verão, são considerados como período reprodutivo
para muitas das espécies dos ambientes marginais
rasos da região. Nas praias estuarinas, apenas três
espécies (A. brasiliensis, S. greeleyi e S. testudineus)
foram encontradas em atividade reprodutiva, entre
o final da primavera e início do outono. Como estas
espécies além de apresentarem todos os estádios
de desenvolvimento gonadal estiveram entre as mais
abundantes e ocorreram o ano inteiro, pode-se
considerá-las, segundo DYE et al. (1981) como
espécies residentes, completando todo seu ciclo de
vida dentro do estuário, demonstrando que para o
ambiente de praias estuarinas, assim como para as
praias arenosas oceânicas (MCLACHLAN, 1983),
poucas espécies podem ser consideradas
verdadeiramente residentes.
Embora as praias estuarinas não sejam locais
preferenciais no contexto reprodutivo, pois poucas
espécies de peixe foram encontradas em
reprodução nestes ambientes e poucas residem
nestes locais, todas as funções ecológicas atribuídas
à ambientes de criação estão presentes nas praias
estudadas. A importância destes locais protegidos, com
alta produtividade e baixa pressão de predação, é vital
para a manutenção de estoques populacionais, visto
que somente uma pequena porção do estoque
desovante tornar-se-á membro da população adulta, e
servindo de passagem entre a área de recrutamento e
a área adulta, as praias estuarinas são habitats essenciais
para que diversas espécies possam concluir seu ciclo
de vida, viabilizando assim os estoques adultos.
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240. HACKRADT et al.

Sphoeroides testudineus
D
C
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Ju
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Se
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Anchoa parva
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Harengula clupeola
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Atherinella brasiliensis
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Hyporhamphus unifasciatus
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Figura 5. Proporções dos estádios de maturação gonadal das principais espécies ao longo dos meses de amostragem nas praias estuarinas.
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A comunidade de peixes de praias de baixa energia .241
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