Geografia da desigualdade ambiental na Subprefeitura de Campo Limpo Município de São Paulo/SP
Anais XII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto (2005)
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Abstract
The purpose of this paper is the assessment of environment inequality in SubPrefeitura do Campo Limpo, in São Paulo city.
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Geografia da desigualdade ambiental na Subprefeitura de Campo Limpo Município de São Paulo/SP
Geografia da desigualdade ambiental na Subprefeitura de Campo Limpo
Município de São Paulo/SP
Rúbia Gomes Morato
Fernando Shinji Kawakubo
Ailton Luchiari
Laboratório de Aerofotogeografia e Sensoriamento Remoto – Lasere
Departamento de Geografia – FFLCH - Universidade de São Paulo
Av. Prof. Lineu Prestes, 338. Cidade Universitária - CEP 05508-900 São Paulo/SP
{rubiagm,fsk,aluchiar}@usp.br
Abstract.
The purpose of this paper is the assessment of environment inequality in “SubPrefeitura do Campo Limpo”, in
São Paulo city.
Palavras-chave: environment quality, environment inequality, environment justice, quality of life
1. Introdução
Para Acselrad et al. (2004), a desigualdade ambiental é sem dúvida uma das expressões da
desigualdade social que marcou a história de nosso país. Os pobres estão mais expostos aos
riscos decorrentes da localização de suas residências, da vulnerabilidade destas moradias a
inundações, escorregamentos e à ação de esgotos a céu aberto. Há conseqüentemente forte
correlação entre indicadores de pobreza e a ocorrência de doenças associadas à poluição por
ausência de água e esgotamento sanitários ou por lançamento de rejeitos sólidos, emissões
líquidas e gasosas de origem industrial.
A Justiça Ambiental é o princípio em que os custos ambientais e amenidades devem ser
distribuídos equilibradamente na sociedade. (Harner et al., 2002, p.318).
O diagnóstico das populações mais submetidas aos problemas ambientais é
particularmente relevante para comunidades não-privilegiadas, para os organismos de
planejamento regional, como apoio para as formulações das políticas de Saúde Pública e
Planejamento Ambiental Urbano.
O presente trabalho apresenta uma metodologia de avaliação da qualidade ambiental
urbana sob a perspectiva da justiça ambiental, ou desigualdade ambiental.
2. Desigualdade Ambiental
A qualidade do ambiente urbano torna-se um dos aspectos mais importantes para a
determinação da qualidade de vida da população. Sob o ponto de vista social, o aumento da
conscientização de que problemas ambientais podem afetar a saúde da população, associado
ao crescimento da urbanização, cria a necessidade de avaliação da qualidade ambiental das
áreas urbanas.
Entende-se por Justiça Ambiental o conjunto de princípios que asseguram que nenhum
grupo de pessoas, sejam éticos, raciais ou de classe, suporte uma parcela desproporcional das
conseqüências ambientais negativas de operações econômicas, de políticas e programas
federais, estaduais e locais, bem como resultantes da ausência ou omissão de tais políticas.
Por Injustiça Ambiental o mecanismo pelo qual sociedades desiguais destinam a maior
carga dos danos ambientais a grupos sociais de trabalhadores, populações de baixa renda,
grupos raciais marginalizadas e mais vulneráveis (Herculano, 2002, p.2).
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Município de São Paulo/SP
Rúbia Gomes Morato
Fernando Shinji Kawakubo
Ailton Luchiari
Laboratório de Aerofotogeografia e Sensoriamento Remoto – Lasere
Departamento de Geografia – FFLCH - Universidade de São Paulo
Av. Prof. Lineu Prestes, 338. Cidade Universitária - CEP 05508-900 São Paulo/SP
{rubiagm,fsk,aluchiar}@usp.br
Abstract.
The purpose of this paper is the assessment of environment inequality in “SubPrefeitura do Campo Limpo”, in
São Paulo city.
Palavras-chave: environment quality, environment inequality, environment justice, quality of life
1. Introdução
Para Acselrad et al. (2004), a desigualdade ambiental é sem dúvida uma das expressões da
desigualdade social que marcou a história de nosso país. Os pobres estão mais expostos aos
riscos decorrentes da localização de suas residências, da vulnerabilidade destas moradias a
inundações, escorregamentos e à ação de esgotos a céu aberto. Há conseqüentemente forte
correlação entre indicadores de pobreza e a ocorrência de doenças associadas à poluição por
ausência de água e esgotamento sanitários ou por lançamento de rejeitos sólidos, emissões
líquidas e gasosas de origem industrial.
A Justiça Ambiental é o princípio em que os custos ambientais e amenidades devem ser
distribuídos equilibradamente na sociedade. (Harner et al., 2002, p.318).
O diagnóstico das populações mais submetidas aos problemas ambientais é
particularmente relevante para comunidades não-privilegiadas, para os organismos de
planejamento regional, como apoio para as formulações das políticas de Saúde Pública e
Planejamento Ambiental Urbano.
O presente trabalho apresenta uma metodologia de avaliação da qualidade ambiental
urbana sob a perspectiva da justiça ambiental, ou desigualdade ambiental.
2. Desigualdade Ambiental
A qualidade do ambiente urbano torna-se um dos aspectos mais importantes para a
determinação da qualidade de vida da população. Sob o ponto de vista social, o aumento da
conscientização de que problemas ambientais podem afetar a saúde da população, associado
ao crescimento da urbanização, cria a necessidade de avaliação da qualidade ambiental das
áreas urbanas.
Entende-se por Justiça Ambiental o conjunto de princípios que asseguram que nenhum
grupo de pessoas, sejam éticos, raciais ou de classe, suporte uma parcela desproporcional das
conseqüências ambientais negativas de operações econômicas, de políticas e programas
federais, estaduais e locais, bem como resultantes da ausência ou omissão de tais políticas.
Por Injustiça Ambiental o mecanismo pelo qual sociedades desiguais destinam a maior
carga dos danos ambientais a grupos sociais de trabalhadores, populações de baixa renda,
grupos raciais marginalizadas e mais vulneráveis (Herculano, 2002, p.2).
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Alguns autores preferem o termo Desigualdade Ambiental, (Chakraborty e Armstrong,
1997), apesar de continuarem com o mesmo enfoque em suas análises. Também preferimos
este termo, pois como afirmam Silva e Barros (2002, p.375), “a qualidade de ser igual ou
desigual possui caráter apenas descritivo, sem associação necessária com um juízo de valor
sobre justiça ou injustiça”.
O conceito de Justiça Ambiental nasceu no final da década de 1970, nos Estados Unidos,
em movimentos sociais de negros, índios, latinos e populações de baixa renda, vizinhos de
depósitos de lixos químicos e radioativos e de indústrias com efluentes poluentes.
No Brasil, a temática da Desigualdade Ambiental ainda engatinha. Em setembro de 2001,
foi realizado na Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ), o Colóquio Internacional
sobre Justiça Ambiental, Trabalho e Cidadania, quando foi criada a Rede Brasileira de Justiça
Ambiental – RBJA. Esta, foi senão a primeira, uma das primeiras iniciativas de cunho
acadêmico e político no Brasil, feita para discutir enfoques teóricos e implicações políticas da
proposta de Justiça Ambiental (Herculano, 2002).
Várias unidades geográficas, variáveis demográficas, testes estatísticos e indicadores de
riscos têm sido utilizados para avaliar a magnitude das disparidades na distribuição dos riscos
ambientais. As unidades geográficas incluem estados, países, códigos postais e unidades
censitárias. As variáveis demográficas abrangem a renda familiar média, a proporção de
população não-branca, a porcentagem da população abaixo de determinado nível de pobreza.
São aplicados testes estatísticos como Qui-Quadrado, Regressão Múltipla, Teste T, etc.
(Harner, 2002, p.318-319).
3. O Geoprocessamento para avaliação da Desigualdade Ambiental
Recentemente, entretanto, as técnicas de Geoprocessamento vêm sendo cada vez mais
utilizadas pela Saúde Pública. Assim, abrem-se caminhos para o estudo da dimensão espacial
nos assuntos relacionados ao Ambiente e à Saúde Pública. Numerosos autores têm valorizado
a utilização destas técnicas.
Loyola et al. (2002, p.427) enfatizam que os SIGs podem ser utilizados para simplificar e
sintetizar resultados complexos de análises da situação de saúde. Além disso, eles permitem
definir a magnitude e a distribuição dos fenômenos de saúde e seus fatores determinantes,
identificar desigualdades em matéria de saúde; identificar grupos de população que se
encontram em maior risco de adoecer ou morrer; determinar a presença de necessidades de
saúde insatisfeitas; estratificar epidemiologicamente os grupos vulneráveis de população;
determinar prioridades de saúde e formular intervenções focalizadas e permitir que se
programem e planejem atividades com maior eficácia e eqüidade.
4. Metodologia
A metodologia proposta para a avaliação da desigualdade ambiental em áreas urbanas divide-
se em duas vertentes. Na primeira, é analisada a qualidade ambiental de cada setor censitário,
a partir de indicadores considerados relevantes para assegurar a qualidade de vida e a saúde da
população. Na segunda, são analisadas as desigualdades espaciais na distribuição dos índices
de qualidade ambiental.
A qualidade ambiental urbana, neste trabalho, é entendida como a provisão de condições
adequadas para o conforto e a saúde da população. Assim, incluem-se as condições de
abastecimento de água, o destino da água servida e do lixo, a ocorrência de domicílios
improvisados e a presença de cobertura vegetal.
Os números de domicílios com disposição de abastecimento de água pela rede geral; de
esgotamento sanitário pela rede geral ou fossa séptica; de domicílios improvisados e com
coleta de lixo são fornecidos pelo IBGE (2002).
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1997), apesar de continuarem com o mesmo enfoque em suas análises. Também preferimos
este termo, pois como afirmam Silva e Barros (2002, p.375), “a qualidade de ser igual ou
desigual possui caráter apenas descritivo, sem associação necessária com um juízo de valor
sobre justiça ou injustiça”.
O conceito de Justiça Ambiental nasceu no final da década de 1970, nos Estados Unidos,
em movimentos sociais de negros, índios, latinos e populações de baixa renda, vizinhos de
depósitos de lixos químicos e radioativos e de indústrias com efluentes poluentes.
No Brasil, a temática da Desigualdade Ambiental ainda engatinha. Em setembro de 2001,
foi realizado na Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ), o Colóquio Internacional
sobre Justiça Ambiental, Trabalho e Cidadania, quando foi criada a Rede Brasileira de Justiça
Ambiental – RBJA. Esta, foi senão a primeira, uma das primeiras iniciativas de cunho
acadêmico e político no Brasil, feita para discutir enfoques teóricos e implicações políticas da
proposta de Justiça Ambiental (Herculano, 2002).
Várias unidades geográficas, variáveis demográficas, testes estatísticos e indicadores de
riscos têm sido utilizados para avaliar a magnitude das disparidades na distribuição dos riscos
ambientais. As unidades geográficas incluem estados, países, códigos postais e unidades
censitárias. As variáveis demográficas abrangem a renda familiar média, a proporção de
população não-branca, a porcentagem da população abaixo de determinado nível de pobreza.
São aplicados testes estatísticos como Qui-Quadrado, Regressão Múltipla, Teste T, etc.
(Harner, 2002, p.318-319).
3. O Geoprocessamento para avaliação da Desigualdade Ambiental
Recentemente, entretanto, as técnicas de Geoprocessamento vêm sendo cada vez mais
utilizadas pela Saúde Pública. Assim, abrem-se caminhos para o estudo da dimensão espacial
nos assuntos relacionados ao Ambiente e à Saúde Pública. Numerosos autores têm valorizado
a utilização destas técnicas.
Loyola et al. (2002, p.427) enfatizam que os SIGs podem ser utilizados para simplificar e
sintetizar resultados complexos de análises da situação de saúde. Além disso, eles permitem
definir a magnitude e a distribuição dos fenômenos de saúde e seus fatores determinantes,
identificar desigualdades em matéria de saúde; identificar grupos de população que se
encontram em maior risco de adoecer ou morrer; determinar a presença de necessidades de
saúde insatisfeitas; estratificar epidemiologicamente os grupos vulneráveis de população;
determinar prioridades de saúde e formular intervenções focalizadas e permitir que se
programem e planejem atividades com maior eficácia e eqüidade.
4. Metodologia
A metodologia proposta para a avaliação da desigualdade ambiental em áreas urbanas divide-
se em duas vertentes. Na primeira, é analisada a qualidade ambiental de cada setor censitário,
a partir de indicadores considerados relevantes para assegurar a qualidade de vida e a saúde da
população. Na segunda, são analisadas as desigualdades espaciais na distribuição dos índices
de qualidade ambiental.
A qualidade ambiental urbana, neste trabalho, é entendida como a provisão de condições
adequadas para o conforto e a saúde da população. Assim, incluem-se as condições de
abastecimento de água, o destino da água servida e do lixo, a ocorrência de domicílios
improvisados e a presença de cobertura vegetal.
Os números de domicílios com disposição de abastecimento de água pela rede geral; de
esgotamento sanitário pela rede geral ou fossa séptica; de domicílios improvisados e com
coleta de lixo são fornecidos pelo IBGE (2002).
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Pode-se obter o Índice de Vegetação de Densidade Normalizada (NDVI), utilizando-se
imagens de sensores como o TM, o ETM+ dos satélites americanos LANDSAT 5 e 7, ou o
HRV do satélite francês SPOT.
Para tornar estes indicadores básicos comparáveis e facilitar a posterior combinações das
informações, foram calculados índices para cada uma das variáveis. A construção dos índices
seguiu os mesmos critérios adotados pelo PNUD para o cálculo do IDH. Assim, o valor de
cada índice é igual ao quociente entre: a diferença entre o valor observado e o mínimo
possível; e a diferença entre os limites máximos e mínimos possíveis.
Após o cálculo dos cinco índices básicos, foi gerado o índice sintético. O Índice de
Qualidade Ambiental Urbana é a média dos cinco índices básicos.
Os estudos de desigualdade ambiental, ou justiça ambiental, se preocupam em mostrar o
quanto os problemas ambientais estão distribuídos de maneira desigual entre a população.
Então, para analisa-la, foram considerados os desvios em torno da média. Os resultados
encontrados foram normalizados para o intervalo entre 0 e 1, como os demais índices.
É importante ressaltar que a desigualdade foi analisada entre os setores censitários, e não
dentro deles. O próprio IBGE considera como critério na delimitação dos setores, a
homogeneidade. Então, quando há a justaposição de áreas discrepantes, elas são separadas em
setores distintos.
O software utilizado foi o Sistema de Informação Geográfica ILWIS 3.2 e para a análise
estatística dos dados foi utilizado o MINITAB 13.0.
5. Área de Estudo
A área de estudo selecionada para a aplicação da metodologia proposta é a SubPrefeitura de
Campo Limpo, no Município de São Paulo. Esta SubPrefeitura possui 500 mil habitantes,
sendo muito representativa da realidade encontrada na maioria das grandes cidades
brasileiras. É composta pelos Distritos de Capão Redondo, Campo Limpo e Vila Andrade.
Ao todo, são 472 setores censitários. Cada setor possui área equivalente à cerca de 3 a 5
quadras e população média em torno de 1000 pessoas.
6. Resultados
Os cartogramas a seguir mostram a distribuição espacial dos índices básicos gerados a partir
dos cinco indicadores considerados, e do índice sintético, gerado a partir da média dos cinco
anteriores.
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imagens de sensores como o TM, o ETM+ dos satélites americanos LANDSAT 5 e 7, ou o
HRV do satélite francês SPOT.
Para tornar estes indicadores básicos comparáveis e facilitar a posterior combinações das
informações, foram calculados índices para cada uma das variáveis. A construção dos índices
seguiu os mesmos critérios adotados pelo PNUD para o cálculo do IDH. Assim, o valor de
cada índice é igual ao quociente entre: a diferença entre o valor observado e o mínimo
possível; e a diferença entre os limites máximos e mínimos possíveis.
Após o cálculo dos cinco índices básicos, foi gerado o índice sintético. O Índice de
Qualidade Ambiental Urbana é a média dos cinco índices básicos.
Os estudos de desigualdade ambiental, ou justiça ambiental, se preocupam em mostrar o
quanto os problemas ambientais estão distribuídos de maneira desigual entre a população.
Então, para analisa-la, foram considerados os desvios em torno da média. Os resultados
encontrados foram normalizados para o intervalo entre 0 e 1, como os demais índices.
É importante ressaltar que a desigualdade foi analisada entre os setores censitários, e não
dentro deles. O próprio IBGE considera como critério na delimitação dos setores, a
homogeneidade. Então, quando há a justaposição de áreas discrepantes, elas são separadas em
setores distintos.
O software utilizado foi o Sistema de Informação Geográfica ILWIS 3.2 e para a análise
estatística dos dados foi utilizado o MINITAB 13.0.
5. Área de Estudo
A área de estudo selecionada para a aplicação da metodologia proposta é a SubPrefeitura de
Campo Limpo, no Município de São Paulo. Esta SubPrefeitura possui 500 mil habitantes,
sendo muito representativa da realidade encontrada na maioria das grandes cidades
brasileiras. É composta pelos Distritos de Capão Redondo, Campo Limpo e Vila Andrade.
Ao todo, são 472 setores censitários. Cada setor possui área equivalente à cerca de 3 a 5
quadras e população média em torno de 1000 pessoas.
6. Resultados
Os cartogramas a seguir mostram a distribuição espacial dos índices básicos gerados a partir
dos cinco indicadores considerados, e do índice sintético, gerado a partir da média dos cinco
anteriores.
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Cartogramas dos Indicadores de Qualidade Ambiental Urbana
SubPrefeitura de Campo Limpo – Município de São Paulo/SP (2000)
2284
SubPrefeitura de Campo Limpo – Município de São Paulo/SP (2000)
2284
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Percebe-se claramente nos seis cartogramas, que a Vila Andrade, à nordeste da área de
estudo, sempre detêm os melhores índices. Os Distritos de Campo Limpo e Capão Redondo
possuem indicadores semelhantes, sendo os deste último, ligeiramente piores.
Diagrama de Caixas dos Indicadores de Qualidade de Desigualdade Ambientais
Podemos observar que os índices mais elevados são os de abastecimento de água pela
rede geral, seguido pelo de ocorrência de domicílios improvisados e de coleta de lixo
domiciliar. Os valores médios se aproximam da universalização (são eles, respectivamente:
99,5%, 98,2% e 94,1%).
Como os dados são relativamente numerosos, 472 setores, a quantidade de setores
discrepantes, marcados como asteriscos no diagrama de caixas, é alta. Freqüentemente, estes
setores estão localizados em favelas, que carecem de infraestrutura e serviços básicos.
Os índices de vegetação são os piores, a média é de 0,341 e a mediana de 0,293. Ao
contrário dos demais índices, em que os dados espúrios eram os inferiores, para a vegetação,
são exceção os setores mais arborizados. Os setores com maior presença de vegetação estão
situados quase que exclusivamente na Vila Andrade.
O índice de qualidade ambiental urbana é uma média dos cinco indicadores básicos.
Como os índices de abastecimento de água, esgotamento sanitário, de coleta de lixo e de
ocorrência de domicílios improvisados são relativamente favoráveis, o índice de qualidade
ambiental tem média de 0,821. Há setores espúrios tanto superiores como inferiores. Os
superiores são de setores com altos índices para todos os indicadores. Os inferiores são os
setores com baixos índices para todos os indicadores considerados, localizados maciçamente
em favelas.
A vegetação foi o indicador mais determinante no índice de qualidade ambiental urbana,
em decorrência de sua distribuição mais desigual. A partir dos cartogramas, observa-se que a
vegetação é o indicador que apresenta a maior correlação espacial com o índice sintético.
A desigualdade ambiental, resultante dos desvios da média de qualidade ambiental urbana
(0,821) apresentou variação considerável. A média foi de 0,657 e a mediana 0,695. Os setores
discrepantes com índices baixos são muito mais numerosos que os altos.
O mapa de desigualdade ambiental mostra que os setores mais privilegiados (com índice
maior que 0,9) concentram-se no Distrito de Vila Andrade. O segundo grupo mais
privilegiado (entre 0,75 e 0,9) distribui-se com freqüência na Vila Andrade, seguida pelo
Campo Limpo e Capão Redondo.
O grupo intermediário com índices entre 0,66 e 0,74 concentra-se nos Distritos de Campo
Limpo e Capão Redondo. Os dois grupos de índices baixos (entre 0,6 e 0,65) e muito baixos
(entre 0,0 e 0,6) localizam-se freqüentemente em favelas dos três Distritos.
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estudo, sempre detêm os melhores índices. Os Distritos de Campo Limpo e Capão Redondo
possuem indicadores semelhantes, sendo os deste último, ligeiramente piores.
Diagrama de Caixas dos Indicadores de Qualidade de Desigualdade Ambientais
Podemos observar que os índices mais elevados são os de abastecimento de água pela
rede geral, seguido pelo de ocorrência de domicílios improvisados e de coleta de lixo
domiciliar. Os valores médios se aproximam da universalização (são eles, respectivamente:
99,5%, 98,2% e 94,1%).
Como os dados são relativamente numerosos, 472 setores, a quantidade de setores
discrepantes, marcados como asteriscos no diagrama de caixas, é alta. Freqüentemente, estes
setores estão localizados em favelas, que carecem de infraestrutura e serviços básicos.
Os índices de vegetação são os piores, a média é de 0,341 e a mediana de 0,293. Ao
contrário dos demais índices, em que os dados espúrios eram os inferiores, para a vegetação,
são exceção os setores mais arborizados. Os setores com maior presença de vegetação estão
situados quase que exclusivamente na Vila Andrade.
O índice de qualidade ambiental urbana é uma média dos cinco indicadores básicos.
Como os índices de abastecimento de água, esgotamento sanitário, de coleta de lixo e de
ocorrência de domicílios improvisados são relativamente favoráveis, o índice de qualidade
ambiental tem média de 0,821. Há setores espúrios tanto superiores como inferiores. Os
superiores são de setores com altos índices para todos os indicadores. Os inferiores são os
setores com baixos índices para todos os indicadores considerados, localizados maciçamente
em favelas.
A vegetação foi o indicador mais determinante no índice de qualidade ambiental urbana,
em decorrência de sua distribuição mais desigual. A partir dos cartogramas, observa-se que a
vegetação é o indicador que apresenta a maior correlação espacial com o índice sintético.
A desigualdade ambiental, resultante dos desvios da média de qualidade ambiental urbana
(0,821) apresentou variação considerável. A média foi de 0,657 e a mediana 0,695. Os setores
discrepantes com índices baixos são muito mais numerosos que os altos.
O mapa de desigualdade ambiental mostra que os setores mais privilegiados (com índice
maior que 0,9) concentram-se no Distrito de Vila Andrade. O segundo grupo mais
privilegiado (entre 0,75 e 0,9) distribui-se com freqüência na Vila Andrade, seguida pelo
Campo Limpo e Capão Redondo.
O grupo intermediário com índices entre 0,66 e 0,74 concentra-se nos Distritos de Campo
Limpo e Capão Redondo. Os dois grupos de índices baixos (entre 0,6 e 0,65) e muito baixos
(entre 0,0 e 0,6) localizam-se freqüentemente em favelas dos três Distritos.
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Foi analisada a distribuição da renda dos responsáveis pelos domicílios, para identificar se
havia alguma relação com a desigualdade ambiental. A tabela seguinte relaciona os grupos de
desigualdade ambiental com a renda dos responsáveis pelos domicílios, com a distribuição da
população.
Relação entre a Desigualdade Ambiental
e o Rendimento Médio dos Responsáveis pelos Domicílios
Grupo Índice Setores População Porcentagem Rend Méd Resp (R$)
A 0.9 a 1.0 18 12631 2,51 5448.57
B 0.75 a 0.89 97 90064 17,89 2178.06
C 0.66 a 0,74 262 244658 48,60 803.39
D 0.61 a 0.64 41 36405 7,23 735.11
E 0.0 a 0.6 117 119616 23,76 532.25
A seguir, relacionamos as características dos cinco grupos, com os respectivos bairros:
Grupo A – Possuem os índices de desigualdade ambiental mais privilegiados (entre 0.9 e
1). É o menor grupo populacional, com 12631 pessoas (2,51% do total). A renda média dos
responsáveis pelos domicílios é de R$ 5448,57. Estão concentrados quase que exclusivamente
no Distrito de Vila Andrade, nos limites com o Morumbi. Incluem-se os bairros de Jd.
Morumbi, Jd. Vitória Régia, Paraíso do Morumbi, Jd. Eunice, e Jd. Nova Taboão.
Grupo B – Possuem índices de desigualdade ambiental elevados (entre 0.75 e 0.89). É
constituído por 90064 pessoas (17.79% da população). A renda média dos responsáveis pelos
domicílios é de R$ 2178,06. Encontram-se em grande número no Distrito de Vila Andrade,
seguido pelos Distritos de Campo Limpo e Capão Redondo. Os bairros são Jd. Fonte do
Morumbi, Vila Teixeira, Vila Ernesto, Jd. São Januário, Capelinha, Ch. N. S. Bom Conselho,
Pirajussara, Jd. Paris, Jd. Helga, Jd. Bom Refúgio, Jd. Taboão, Jd. Lílian, Prestes Maia, Jd.
Dom José e parte da Ch. Santa Maria.
Grupo C – Os índices de desigualdade ambiental são intermediários (entre 0.65 e 0.74).
Concentra aproximadamente metade da população: 244658 pessoas (48,6%). A renda média
dos responsáveis pelos domicílios é de R$ 803,39. São numerosos nos Distritos de Campo
Limpo e Capão Redondo e raros em Vila Andrade. Fazem parte Jd. Atlântico, Jd. Germânia,
Pq. Maria Helena, Pq. Santana, Jd. B. Esperança, Jd. Éster, V. Guiomar, Jd. S. José, Jd. S.
Bento, Jd. Ana, Pq. Fernanda, Jd. Comercial, parte do Jd. Macedônia, Valo Velho, Jd.
Lusitânia, Jd. Rosana, V. das Belezas, V. Franca, Jd. Elisa, Jd. Ingá e Jd. Umarizal.
Grupo D – Os índices de desigualdade ambiental são baixos (entre 0.6 e 0.64). É um dos
menores grupos, com 36405 pessoas (7.23%). A renda média dos responsáveis pelos
domicílios é de R$ 735,11, aproximando-se razoavelmente do grupo anterior. Incluem Jd. N.
Germânia, Jd. S. Vítor, Jd. Dorli, parte do Jd. Macedônia, alguns setores situados em favelas,
como em Paraisópolis e Jd. S. Antônio, no Distrito de Vila Andrade, Malvina, Campo dos
Ferreira, São Bento Velho e Nuno Roland, no Distrito de Capão Redondo.
Grupo E – Possui os piores índices de desigualdade ambiental (entre 0.0 e 0.6). É um
grupo relativamente numeroso, com 119616 pessoas (23.76% da população). A renda média
dos responsáveis pelos domicílios é de R$ 532,25. Muitos setores estão situados em favelas,
em áreas sujeitas à inundações ou em fortíssimas declividades do terreno, dificultando a
construção das habitações. Grande parte da favela de Paraisópolis está nesta classe. Também
estão as favelas Vila Praia, Pullman e Inhanduva, no Distrito de Vila Andrade. No Distrito de
Campo Limpo temos as favelas de V. N. Pirajussara, Armando Erse Figueiredo, Viela Cinco,
Monforte de Lemos, Capelinha, Vale das Virtudes/Umuarama. No Capão Redondo, as favelas
Jd. Ângela, Moacir Tavares de Paiva, Pq. Fernanda, São Bento Velho, Jd. Lídia/S. Dias/Vaz
de Lima, Campo de Fora, Terra Portucalense, Antônio Nunes de Azevedo, João da Cruz e
Souza, Jd. das Rosas, Olímpio Rodrigues de Araújo e Jd. Olinda.
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havia alguma relação com a desigualdade ambiental. A tabela seguinte relaciona os grupos de
desigualdade ambiental com a renda dos responsáveis pelos domicílios, com a distribuição da
população.
Relação entre a Desigualdade Ambiental
e o Rendimento Médio dos Responsáveis pelos Domicílios
Grupo Índice Setores População Porcentagem Rend Méd Resp (R$)
A 0.9 a 1.0 18 12631 2,51 5448.57
B 0.75 a 0.89 97 90064 17,89 2178.06
C 0.66 a 0,74 262 244658 48,60 803.39
D 0.61 a 0.64 41 36405 7,23 735.11
E 0.0 a 0.6 117 119616 23,76 532.25
A seguir, relacionamos as características dos cinco grupos, com os respectivos bairros:
Grupo A – Possuem os índices de desigualdade ambiental mais privilegiados (entre 0.9 e
1). É o menor grupo populacional, com 12631 pessoas (2,51% do total). A renda média dos
responsáveis pelos domicílios é de R$ 5448,57. Estão concentrados quase que exclusivamente
no Distrito de Vila Andrade, nos limites com o Morumbi. Incluem-se os bairros de Jd.
Morumbi, Jd. Vitória Régia, Paraíso do Morumbi, Jd. Eunice, e Jd. Nova Taboão.
Grupo B – Possuem índices de desigualdade ambiental elevados (entre 0.75 e 0.89). É
constituído por 90064 pessoas (17.79% da população). A renda média dos responsáveis pelos
domicílios é de R$ 2178,06. Encontram-se em grande número no Distrito de Vila Andrade,
seguido pelos Distritos de Campo Limpo e Capão Redondo. Os bairros são Jd. Fonte do
Morumbi, Vila Teixeira, Vila Ernesto, Jd. São Januário, Capelinha, Ch. N. S. Bom Conselho,
Pirajussara, Jd. Paris, Jd. Helga, Jd. Bom Refúgio, Jd. Taboão, Jd. Lílian, Prestes Maia, Jd.
Dom José e parte da Ch. Santa Maria.
Grupo C – Os índices de desigualdade ambiental são intermediários (entre 0.65 e 0.74).
Concentra aproximadamente metade da população: 244658 pessoas (48,6%). A renda média
dos responsáveis pelos domicílios é de R$ 803,39. São numerosos nos Distritos de Campo
Limpo e Capão Redondo e raros em Vila Andrade. Fazem parte Jd. Atlântico, Jd. Germânia,
Pq. Maria Helena, Pq. Santana, Jd. B. Esperança, Jd. Éster, V. Guiomar, Jd. S. José, Jd. S.
Bento, Jd. Ana, Pq. Fernanda, Jd. Comercial, parte do Jd. Macedônia, Valo Velho, Jd.
Lusitânia, Jd. Rosana, V. das Belezas, V. Franca, Jd. Elisa, Jd. Ingá e Jd. Umarizal.
Grupo D – Os índices de desigualdade ambiental são baixos (entre 0.6 e 0.64). É um dos
menores grupos, com 36405 pessoas (7.23%). A renda média dos responsáveis pelos
domicílios é de R$ 735,11, aproximando-se razoavelmente do grupo anterior. Incluem Jd. N.
Germânia, Jd. S. Vítor, Jd. Dorli, parte do Jd. Macedônia, alguns setores situados em favelas,
como em Paraisópolis e Jd. S. Antônio, no Distrito de Vila Andrade, Malvina, Campo dos
Ferreira, São Bento Velho e Nuno Roland, no Distrito de Capão Redondo.
Grupo E – Possui os piores índices de desigualdade ambiental (entre 0.0 e 0.6). É um
grupo relativamente numeroso, com 119616 pessoas (23.76% da população). A renda média
dos responsáveis pelos domicílios é de R$ 532,25. Muitos setores estão situados em favelas,
em áreas sujeitas à inundações ou em fortíssimas declividades do terreno, dificultando a
construção das habitações. Grande parte da favela de Paraisópolis está nesta classe. Também
estão as favelas Vila Praia, Pullman e Inhanduva, no Distrito de Vila Andrade. No Distrito de
Campo Limpo temos as favelas de V. N. Pirajussara, Armando Erse Figueiredo, Viela Cinco,
Monforte de Lemos, Capelinha, Vale das Virtudes/Umuarama. No Capão Redondo, as favelas
Jd. Ângela, Moacir Tavares de Paiva, Pq. Fernanda, São Bento Velho, Jd. Lídia/S. Dias/Vaz
de Lima, Campo de Fora, Terra Portucalense, Antônio Nunes de Azevedo, João da Cruz e
Souza, Jd. das Rosas, Olímpio Rodrigues de Araújo e Jd. Olinda.
2286
Page 7
7. Conclusões
A metodologia proposta foi eficaz para a avaliação da desigualdade ambiental. O
Geoprocessamento, por meio da análise espacial, teve contribuição fundamental, permitindo a
localização das áreas com problemas ambientais urbanos.
A estratificação segundo a magnitude dos problemas ambientais foi essencial para a
identificação dos grupos populacionais mais vulneráveis. Estas informações são valiosas para
a intervenção dos órgãos de Planejamento Ambiental Urbano e de Saúde Pública, subsidiando
a formulação de políticas públicas.
A inclusão da vegetação como um indicador de qualidade ambiental urbana foi um
diferencial, já que as metodologias similares se apoiam muito mais em dados populacionais.
O Sensoriamento Remoto, por meio de técnicas como a construção de índices de
vegetação a partir de imagens de satélite, apresentou grande eficiência.
Na SubPrefeitura do Campo Limpo, a vegetação mostrou-se distribuída com maior
desigualdade entre a população. Os indicadores mais freqüentemente utilizados como
abastecimento de água e coleta de lixo se aproximam da universalização. Então, a vegetação
foi o indicador mais determinante para avaliação da qualidade ambiental urbana.
O rendimento dos responsáveis pelos domicílios teve forte correlação espacial tanto com
a qualidade ambiental urbana, como com a distribuição da vegetação.
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As áreas com os piores índices estão desprovidas praticamente de todos os serviços
públicos e são resididas pela população de renda mais baixa. Apenas as áreas com péssimas
condições ambientais são acessíveis à população mais pobre, freqüentemente, em favelas.
8. Bibliografia
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