Leitora comenta situação do professor no Brasil
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Notícias Quinta-Feira, 08 de março de 2007
JC e-mail 3217, de 07 de Março de 2007.
Leitora comenta situação do professor no Brasil
Professores mais bem remunerados não têm a necessidade de
assumir um grande número de aulas e podem dispor de mais tempo
para prepará-las, podem se reciclar e reduzir os níveis de stress
Leia a mensagem de Rúbia Gomes Morato, geógrafa e doutoranda
em Geografia Humana na USP:
“A revista Veja de 7 de março de 2007 publica uma reportagem
intitulada "Os quatro mitos da escola brasileira": São eles: "o
professor brasileiro é mal remunerado; a educação só vai melhorar
no dia em que os professores receberem salário mais alto; o Brasil
investe pouco dinheiro em educação; e a escola particular é
excelente".
Para justificar que o professor brasileiro não é mal remunerado, a
revista compara a remuneração dos professores com a remuneração
média do Brasil e a remuneração média nacional de países mais
ricos (não citados).
O fato dos professores brasileiros possuírem rendimento superior à
média nacional não significa que são bem remunerados. E este não
é um indicador apropriado para avaliar se uma categoria profissional
é bem ou mal remunerada.
Até porque a média nacional de países ricos não é comparável com
a média nacional de um país tão desigual quanto o Brasil. A maioria
de nossas categorias profissionais é mal remunerada.
Na edição da semana anterior (28 de fevereiro de 2007) a Veja
apresentou uma matéria sobre a escola mais bem classificada no
Enem, o Instituto Dom Barreto, de Teresina, no Piauí.
O principal mérito atribuído pela reportagem para o excelente
resultado foi o investimento nos professores, citado como uma
cartilha que deu certo em outros países.
Uma semana depois a Veja diz que as experiências internacional e
brasileira mostram que elevar a remuneração não faz melhorar os
resultados em sala de aula.
Ora, professores mais bem remunerados não têm a necessidade de
assumir um grande número de aulas e podem dispor de mais tempo
para prepará-las, podem se reciclar e reduzir os níveis de stress.
A revista também sugere que a universidade pública brasileira é
ineficiente. Todos sabemos que as melhores universidades
brasileiras são exatamente as públicas.
É das universidades públicas que saem os melhores profissionais
brasileiros nas mais diversas áreas do conhecimento. A universidade
pública é responsável por quase toda a pesquisa científica e
publicação de artigos científicos do país, sobretudo as universidades
estaduais paulistas e as federais.
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Por último, dizer que existe um mito de que a escola particular é
excelente é uma generalização irresponsável. Em geral, as escolas
de ensino fundamental e médio particulares são melhores que as
públicas, mas falar em excelência é um exagero.
Algumas poucas escolas têm nível de excelência, e entre essas
também há escolas públicas, como algumas escolas técnicas
federais e colégios de aplicação ligados a universidades.”
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