PADRÕES DE FRAGMENTAÇÃO FLORESTAL E SUAS RELAÇÕES COM OS ATROPELAMENTOS DE FAUNA SILVESTRE : O CASO DA BR-040
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PADRÕES DE FRAGMENTAÇÃO FLORESTAL E SUAS RELAÇÕES COM OS ATROPELAMENTOS DE FAUNA SILVESTRE : O CASO DA BR-040
IV SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE MEIO AMBIENTE
PAS para a PAZ
Rio de Janeiro – 6 a 10 de Julho de 2009
ISBN 978-85-61987022
526
PADRÕES DE FRAGMENTAÇÃO FLORESTAL E SUAS RELAÇÕES COM
OS ATROPELAMENTOS DE FAUNA SILVESTRE: O CASO DA BR-040
MA061
Cecília Bueno1, Leonardo Freitas2, Bruno Coutinho2, cecilia.bueno@pobox.com
1. Projeto Caminhos da Fauna/ Céu Aberto/Universidade Veiga de Almeida ,Rio de Janeiro,RJ
2. Projeto Caminhos da Fauna. Estruturar Meio Ambiente – Rio de Janeiro RJ
(RESUMO) O atropelamento de animais silvestres nas estradas é um fator de pressão sobre
as populações naturais, mas os estudos sobre este tema são escassos no Brasil. Este estudo
aponta a importância da análise da paisagem, através dos padrões de fragmentação florestal
ao longo da rodovia e de elementos como a rede de drenagem, para o entendimento da
dinâmica dos atropelamentos, apoiando a proposição de medidas mitigadoras dos
atropelamentos.
(INTRODUÇÃO) O atropelamento de animais silvestres é um problema que ameaça a
conservação da biodiversidade, de forma que o impacto decorrente deve ser observado e
considerado (Bueno, 2008). Isto é ainda mais importante, pois os atropelamentos tendem a se
acentuar, dada a grande quantidade de estradas em operação e construção no Brasil, muitas
das quais atravessam unidades de conservação ou grandes fragmentos florestais.
Os atropelamentos ocorrem, geralmente, por dois aspectos: o fato da rodovia cortar o habitat
de determinado táxon (o que interfere no deslocamento da espécie, durante o período de
migração, reprodução) e a oferta de alimento ao longo das rodovias (por lixo ou carcaças), que
serve como atrativo para a fauna (DNIT/IME 2004; Bueno, 2008).
A rodovia BR-040 perpassa o corredor de biodiversidade da Serra do Mar
(http://www.bioatlantica.org.br/serra_do_mar.asp, 2009), seguindo do município de Duque de
Caxias, no estado do Rio de Janeiro, até Juiz de Fora, em Minas Gerais. O trajeto da rodovia
cruza a APA Petrópolis e um trecho da Reserva Biológica do Tinguá, subindo a Serra de
Petrópolis, onde corta vastas áreas de Mata Atlântica em ótimo estado de conservação,
sobretudo na vertente sul da Serra do Mar, onde está o corredor de vegetação que liga a
REBIO Tinguá ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos.
Parcos são os estudos referentes ao tema, focados na análise da paisagem, indicando que há
pouco conhecimento sobre os impactos gerados nas populações naturais e sobre a relação
dos padrões de fragmentação da paisagem e as ocorrências de atropelamento. Para a
implantação de políticas mitigadoras desse impacto, é necessário entender a influência da
estrada na paisagem e na fragmentação florestal na dinâmica de atropelamentos.
(OBJETIVOS) Este estudo objetiva relacionar os eventos de atropelamento ocorridos na
rodovia BR-040, que corta o Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar, com os padrões de
fragmentação florestal existentes em diferentes trechos desta rodovia.
(METODOLOGIA) O monitoramento da fauna atropelada na BR-040 é realizado em parceria
com a concessionária que administra a rodovia. Os inspetores de tráfego, que atuam 24h/dia,
foram capacitados e registram os animais atropelados em um formulário. Quinzenalmente,
técnicos do projeto percorrem toda a estrada, recolhendo as informações e registrando as
ocorrências. Os animais recolhidos são identificados e tombados na coleção do Museu
Nacional (UFRJ), quando as carcaças apresentam condições viáveis para serem preparadas.
Os dados deste estudo correspondem ao período compreendido entre 8/04/2006 e 08/12/2008
para toda a área inserida no estado do Rio de Janeiro. Para o estado de Minas Gerais, o início
dos dados é 16/07/2007. No total, estão incluídas no trabalho 248 ocorrências. A área definida
para o estudo engloba toda a extensão da rodovia sob a concessão (Rio de Janeiro/Juiz de
Fora). Essa área foi subdivida em trechos de 10 quilômetros, para uma análise da relação
entre atropelamentos e as características da paisagem de cada trecho, definidas de forma
geral e descritiva. Para a análise da relação dos padrões de fragmentação com os
PAS para a PAZ
Rio de Janeiro – 6 a 10 de Julho de 2009
ISBN 978-85-61987022
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PADRÕES DE FRAGMENTAÇÃO FLORESTAL E SUAS RELAÇÕES COM
OS ATROPELAMENTOS DE FAUNA SILVESTRE: O CASO DA BR-040
MA061
Cecília Bueno1, Leonardo Freitas2, Bruno Coutinho2, cecilia.bueno@pobox.com
1. Projeto Caminhos da Fauna/ Céu Aberto/Universidade Veiga de Almeida ,Rio de Janeiro,RJ
2. Projeto Caminhos da Fauna. Estruturar Meio Ambiente – Rio de Janeiro RJ
(RESUMO) O atropelamento de animais silvestres nas estradas é um fator de pressão sobre
as populações naturais, mas os estudos sobre este tema são escassos no Brasil. Este estudo
aponta a importância da análise da paisagem, através dos padrões de fragmentação florestal
ao longo da rodovia e de elementos como a rede de drenagem, para o entendimento da
dinâmica dos atropelamentos, apoiando a proposição de medidas mitigadoras dos
atropelamentos.
(INTRODUÇÃO) O atropelamento de animais silvestres é um problema que ameaça a
conservação da biodiversidade, de forma que o impacto decorrente deve ser observado e
considerado (Bueno, 2008). Isto é ainda mais importante, pois os atropelamentos tendem a se
acentuar, dada a grande quantidade de estradas em operação e construção no Brasil, muitas
das quais atravessam unidades de conservação ou grandes fragmentos florestais.
Os atropelamentos ocorrem, geralmente, por dois aspectos: o fato da rodovia cortar o habitat
de determinado táxon (o que interfere no deslocamento da espécie, durante o período de
migração, reprodução) e a oferta de alimento ao longo das rodovias (por lixo ou carcaças), que
serve como atrativo para a fauna (DNIT/IME 2004; Bueno, 2008).
A rodovia BR-040 perpassa o corredor de biodiversidade da Serra do Mar
(http://www.bioatlantica.org.br/serra_do_mar.asp, 2009), seguindo do município de Duque de
Caxias, no estado do Rio de Janeiro, até Juiz de Fora, em Minas Gerais. O trajeto da rodovia
cruza a APA Petrópolis e um trecho da Reserva Biológica do Tinguá, subindo a Serra de
Petrópolis, onde corta vastas áreas de Mata Atlântica em ótimo estado de conservação,
sobretudo na vertente sul da Serra do Mar, onde está o corredor de vegetação que liga a
REBIO Tinguá ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos.
Parcos são os estudos referentes ao tema, focados na análise da paisagem, indicando que há
pouco conhecimento sobre os impactos gerados nas populações naturais e sobre a relação
dos padrões de fragmentação da paisagem e as ocorrências de atropelamento. Para a
implantação de políticas mitigadoras desse impacto, é necessário entender a influência da
estrada na paisagem e na fragmentação florestal na dinâmica de atropelamentos.
(OBJETIVOS) Este estudo objetiva relacionar os eventos de atropelamento ocorridos na
rodovia BR-040, que corta o Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar, com os padrões de
fragmentação florestal existentes em diferentes trechos desta rodovia.
(METODOLOGIA) O monitoramento da fauna atropelada na BR-040 é realizado em parceria
com a concessionária que administra a rodovia. Os inspetores de tráfego, que atuam 24h/dia,
foram capacitados e registram os animais atropelados em um formulário. Quinzenalmente,
técnicos do projeto percorrem toda a estrada, recolhendo as informações e registrando as
ocorrências. Os animais recolhidos são identificados e tombados na coleção do Museu
Nacional (UFRJ), quando as carcaças apresentam condições viáveis para serem preparadas.
Os dados deste estudo correspondem ao período compreendido entre 8/04/2006 e 08/12/2008
para toda a área inserida no estado do Rio de Janeiro. Para o estado de Minas Gerais, o início
dos dados é 16/07/2007. No total, estão incluídas no trabalho 248 ocorrências. A área definida
para o estudo engloba toda a extensão da rodovia sob a concessão (Rio de Janeiro/Juiz de
Fora). Essa área foi subdivida em trechos de 10 quilômetros, para uma análise da relação
entre atropelamentos e as características da paisagem de cada trecho, definidas de forma
geral e descritiva. Para a análise da relação dos padrões de fragmentação com os
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Rio de Janeiro – 6 a 10 de Julho de 2009
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atropelamentos foi incluída uma área de 20 km no entorno da estrada, que foi subdividida em
hexágonos de 1000 hectares, dentro dos quais se estabeleceram as métricas da paisagem
relacionadas aos fragmentos florestais.
A definição das métricas foi realizada sobre o mapa de cobertura vegetal e uso do solo de
2007, disponibilizado pelo ZEE-RJ, na escala 1:100.000. Esse trabalho foi realizado em
ambiente de Sistema de Informações Geográfico, com o apoio da extensão FRAGSTAT.
(RESULTADOS) Na análise das duas pistas da estrada (sentido Juiz de Fora - JF e sentido
Rio de Janeiro – RJ) de forma agregada percebe-se que há um maior número de
atropelamentos na área do corredor central da Mata Atlântica, que corresponde, de grosso
modo, aos trechos entre os quilômetros 80 e 100, os dois que possuem maior número de
ocorrências (Figura 1). É justamente a área com maior concentração de floresta e fragmentos
de maior porte. Nestes 20 quilômetros, que correspondem a 11% dos 180 km da estrada,
ocorreram 64 dos 248 atropelamentos registrados, o que representa 26%. Estes dados
indicam um papel importante das fragmentação nos atropelamentos. Nesse trecho, a riqueza
da fauna atropelada também foi maior, tendo sido encontradas 24 espécies, do total de 64 já
identificadas para o conjunto da estrada, o que corresponde a 38%. Além disso, nove espécies
atropeladas, correspondentes a 14% do total, foram encontradas somente nesse trecho,
indicando uma relação entre fragmentação e redução da riqueza de espécies. Nesse caso,
merece atenção a espécie de preguiça Bradypus variegatus, que teve 12 exemplares
atropelados, todos nesse trecho da estrada. Na região dos quilômetros 60 a 70 da BR-040,
localizada no reverso da serra do Mar, mas ainda sob a interferência direta dos grandes
remanescentes florestais que se conectam com a floresta da Rebio Tinguá, apresentou uma
quantidade significativa de atropelamentos, com registro de 17 espécies distintas. Além da
presença de floresta, por uma boa parte do trecho, a estrada corre ladeada pelo rio da Cidade,
que representa uma drenagem localmente importante e um atrativo para a fauna, levando à
maior possibilidade de atropelamentos.
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99,9
100-
109,9
110-
119,9
Intervalos da quilometragem da estrada
BR-040
Figura 1 – Atropelamentos na BR-040 a cada trecho de 10 quilômetros
Os dados referentes a análise de atropelamentos a partir da individualização das pistas da
estrada mostram distinções entre aquela que segue sentido Juiz de Fora e a pista sentido Rio
de Janeiro. Na pista sentido Juiz de Fora, um dos trechos com mais atropelamentos é aquele
entre os quilômetros 60 e 70, onde o rio da Cidade está ao lado da estrada, mas do lado da
pista sentido Rio de Janeiro (Figura 2). Isto parece indicar a necessidade dos animais
atravessarem a estrada para acessar o rio, o que está levando a mais atropelamentos no
sentido Juiz de Fora, que é justamente a primeira pista a ser atravessada. Esta interpretação
se reforça quando percebe que, em relação à quantidade de atropelamentos, este mesmo
trecho tem menor importância no sentido Rio de Janeiro. Ademais, há uma grande quantidade
de ocorrências também entre os quilômetros 40 a 49, onde a presença de mata é pouco
significativa no entorno da estrada, mas há importante presença do rio Piabanha, que também
corre ao lado da estrada.
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ISBN 978-85-61987022
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atropelamentos foi incluída uma área de 20 km no entorno da estrada, que foi subdividida em
hexágonos de 1000 hectares, dentro dos quais se estabeleceram as métricas da paisagem
relacionadas aos fragmentos florestais.
A definição das métricas foi realizada sobre o mapa de cobertura vegetal e uso do solo de
2007, disponibilizado pelo ZEE-RJ, na escala 1:100.000. Esse trabalho foi realizado em
ambiente de Sistema de Informações Geográfico, com o apoio da extensão FRAGSTAT.
(RESULTADOS) Na análise das duas pistas da estrada (sentido Juiz de Fora - JF e sentido
Rio de Janeiro – RJ) de forma agregada percebe-se que há um maior número de
atropelamentos na área do corredor central da Mata Atlântica, que corresponde, de grosso
modo, aos trechos entre os quilômetros 80 e 100, os dois que possuem maior número de
ocorrências (Figura 1). É justamente a área com maior concentração de floresta e fragmentos
de maior porte. Nestes 20 quilômetros, que correspondem a 11% dos 180 km da estrada,
ocorreram 64 dos 248 atropelamentos registrados, o que representa 26%. Estes dados
indicam um papel importante das fragmentação nos atropelamentos. Nesse trecho, a riqueza
da fauna atropelada também foi maior, tendo sido encontradas 24 espécies, do total de 64 já
identificadas para o conjunto da estrada, o que corresponde a 38%. Além disso, nove espécies
atropeladas, correspondentes a 14% do total, foram encontradas somente nesse trecho,
indicando uma relação entre fragmentação e redução da riqueza de espécies. Nesse caso,
merece atenção a espécie de preguiça Bradypus variegatus, que teve 12 exemplares
atropelados, todos nesse trecho da estrada. Na região dos quilômetros 60 a 70 da BR-040,
localizada no reverso da serra do Mar, mas ainda sob a interferência direta dos grandes
remanescentes florestais que se conectam com a floresta da Rebio Tinguá, apresentou uma
quantidade significativa de atropelamentos, com registro de 17 espécies distintas. Além da
presença de floresta, por uma boa parte do trecho, a estrada corre ladeada pelo rio da Cidade,
que representa uma drenagem localmente importante e um atrativo para a fauna, levando à
maior possibilidade de atropelamentos.
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Intervalos da quilometragem da estrada
BR-040
Figura 1 – Atropelamentos na BR-040 a cada trecho de 10 quilômetros
Os dados referentes a análise de atropelamentos a partir da individualização das pistas da
estrada mostram distinções entre aquela que segue sentido Juiz de Fora e a pista sentido Rio
de Janeiro. Na pista sentido Juiz de Fora, um dos trechos com mais atropelamentos é aquele
entre os quilômetros 60 e 70, onde o rio da Cidade está ao lado da estrada, mas do lado da
pista sentido Rio de Janeiro (Figura 2). Isto parece indicar a necessidade dos animais
atravessarem a estrada para acessar o rio, o que está levando a mais atropelamentos no
sentido Juiz de Fora, que é justamente a primeira pista a ser atravessada. Esta interpretação
se reforça quando percebe que, em relação à quantidade de atropelamentos, este mesmo
trecho tem menor importância no sentido Rio de Janeiro. Ademais, há uma grande quantidade
de ocorrências também entre os quilômetros 40 a 49, onde a presença de mata é pouco
significativa no entorno da estrada, mas há importante presença do rio Piabanha, que também
corre ao lado da estrada.
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