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Scientific Note / Nota Científica Efeitos alelopáticos de extratos aquosos de Crinum americanum L .

by José Pedro N Ribeiro, Reginaldo S Matsumoto, Leandro K Takao, Valquíria M Voltarelli, Inês S Lima
Pesquisa Agropecuária Brasileira (2009)

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Scientific Note / Nota Científica Efeitos alelopáticos de extratos aquosos de Crinum americanum L .

Revista Brasil. Bot., V.32, n.1, p.183-188, jan.-mar. 2009
Scientific Note/Nota Científica
Efeitos alelopáticos de extratos aquosos de Crinum americanum L.
JOSÉ PEDRO N. RIBEIRO1, REGINALDO S. MATSUMOTO1, LEANDRO K. TAKAO1,
VALQUÍRIA M. VOLTARELLI1 e MARIA INÊS S. LIMA2,3
(recebido: 03 de abril de 2008; aceito: 11 de dezembro de 2008)
ABSTRACT – (Allelopathic effects of aqueous extracts of Crinum americanum L.). In this paper we investigated the action
of the allelopathic properties of aqueous extracts of Crinum americanum L. on the percentage and average time of germination
and initial growth of Lactuca sativa L., Sesamum indicum L. and Raphanus sativus L. and of the weed species: Echinochloa
crusgalli (L.) P. Beauv., Ipomoea grandifolia (Dammer) O’Donell and Bidens pilosa L. We prepared aqueous extracts from
individuals of C. americanum from a blind estuary in Caraguatatuba, São Paulo and set the osmotic control with PEG 6000.
We analyzed the germination data with Kruskal-Wallis and Dunn’s post test, and the initial growth data with ANOVA and
Tukey’s post test. For all the tested species the result we found out was a decrease in the germination and in the initial
growth and an improvement of germination average time. The osmotic control indicated little influence of osmolarity on the
tests. We concluded that C. americanum has allelopathic potential over the tested species.
Key words - allelopathy, macrophytes, Massaguaçu River, weed control
RESUMO – (Efeitos alelopáticos de extratos aquosos de Crinum americanum L.). Investigamos a ação de extratos aquosos
de Crinum americanum L. sobre a germinação e crescimento inicial de Lactuca sativa L., Sesamum indicum L. e Raphanus
sativus L. e das espécies invasoras: Echinochloa crusgalli (L.) P. Beauv., Ipomoea grandifolia (Dammer) O’Donell e Bidens
pilosa L. Preparamos os extratos aquosos a partir de exemplares de um estuário cego em Caraguatatuba, São Paulo. Montamos
controles osmóticos com PEG 6000. Analisamos os dados de germinação com Kruskal-Wallis e pós-teste de Dunn, e os
dados de crescimento inicial com ANOVA e pós-teste de Tukey. Para todas as espécies testadas obtivemos diminuição na
porcentagem e no crescimento inicial e aumento do tempo médio da germinação. O controle osmótico indicou pouca influência
da osmolaridade na germinação. Concluímos que C. americanum possui potencial alelopático sobre as espécies testadas.
Palavras-chaves - alelopatia, macrófitas, plantas daninhas, Rio Massaguaçu
1. Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais,
Universidade Federal de São Carlos, SP, Brasil.
2. Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Botânica,
Rodovia Washington Luiz, km 235, Caixa Postal 676, 13565-905
São Carlos, SP, Brasil.
3. Autor para correspondência: ines@power.ufscar.br
Introdução
Diversas plantas aquáticas produzem aleloquímicos.
A liberação destes pelas macrófitas parece ser uma
resposta evolutiva eficiente, contra o fitoplâncton e
epífitas (Gross 2003, Erhard & Gross 2006), uma vez
que o sombreamento causado por estes é o principal fator
limitante das macrófitas submersas (Phillips et al. 1978).
Hilt (2006), em uma revisão dos efeitos alelopáticos de
macrófitas sobre cianobactérias e algas, propôs que, em
muitos casos, ocorre algum tipo de inibição. Huang et
al. (1999) observaram que extratos de aguapé (Eichornia
crassipes Solms) têm propriedades alelopáticas.
Crinum americanum L. (Amaryllidaceae) é uma
macrófita que apresenta grande dominância em diversos
locais (Mayer et al. 1998, Oliveira & Ribeiro-Costa
2006), sugerindo que esta espécie possui atividades
alelopáticas.
Diversos autores (Putnam 1983, Santos & Rezende
2008) demonstraram a possibilidade de controlar
espécies invasoras através de aleloquímicos. Os compostos
naturais têm várias vantagens sobre os compostos
sintéticos, como maior solubilidade em água, ausência
de moléculas halogenadas e menor meia vida (Duke et
al. 2000). É cada vez maior a necessidade de descoberta
de novos herbicidas, visto que o número de espécies de
ervas invasoras resistentes aos compostos tradicionais
cresce a cada dia (Inderjit & Bhowmik 2002).
O crescimento rápido e a rusticidade de C. americanum
facilitam seu plantio, manutenção e reprodução em
tanques colocando-o como uma boa possibilidade de
planta doadora de herbicidas naturais em escala. Não
localizamos nenhum trabalho sobre alelopatia para essa
espécie. No entanto, estudos mostram a existência de
flavanas e alcalóides (Ali et al. 1986, Ali et al. 1988,
Trimino et al. 1987). Garuccio & Arrigoni (1989)
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J. P. N. Ribeiro et al.: Efeitos alelopáticos de Crinum americanum L.184
encontraram licorina em C. americanum, um alcalóide
tido como forte inibidor da germinação.
Investigamos o potencial alelopático de extratos
aquosos de C. americanum em diferentes concentrações
sobre a porcentagem e tempo médio de germinação e
sobre o crescimento inicial de espécies olerícolas
bioindicadoras e de espécies invasoras de culturas.
Material e métodos
Realizamos este trabalho em duas fases distintas. Na
primeira (fase I) submetemos as espécies olerícolas (Lactuca
sativa L. (alface), Sesamum indicum L. (gergelim) e Raphanus
sativus L. (rabanete)), utilizadas como indicadoras, aos
extratos de C. americanum. Uma vez detectadas propriedades
alelopáticas, iniciamos a segunda fase (fase II), constituída
pelos ensaios dos extratos em espécies invasoras de culturas
(Bidens pilosa L. (picão-preto), Echinochloa crusgalli (L.)
P. Beauv. (capim-arroz) e Ipomoea grandifolia (Dammer)
O’Donell (corda-de-viola)).
De forma assistemática coletamos indivíduos de C.
americanum no estuário do Rio Massaguaçu, Caraguatatuba,
SP. Dividimos 10 indivíduos em raiz, folhas e bainha das
folhas. Trituramos o material na proporção 3/4 (p/p) que
estabelecemos como extrato 100%. Filtramos a vácuo, papel
filtro (80 g m-2, 205 µm) e fizemos outras diluições em água
(75%, 50%, 25% e 12,5%). Determinarmos a relação massa
fresca/seca de cada parte (à 60 °C, 48 h).
A fase I mostrou que a folha é o órgão mais ativo e a
utilização de massa seca é a que possibilita uma melhor
comparação com outros trabalhos. Assim, na fase II utilizamos
apenas as folhas, secas à 40 °C, por 48 horas. Trituramos o
material, homogeneizamos o pó em água destilada nas
proporções 1% e 5%, e depois filtramos o extrato a vácuo
em papel filtro (80 g m-2, 205 µm).
Ensaio de germinação – Esterilizamos placas de Petri (9 cm)
forradas com papel filtro. Distribuímos 30 sementes na placa
pré umedecida com 5 mL do tratamento. Colocamos as
placas em incubadora climatizada a 28 °C e sem iluminação.
A cada 12 h contamos e retiramos as sementes germinadas,
com protusão radicular igual ou maior a 2 mm (Brasil, 1992).
Quebramos a dormência das sementes de corda-de-viola com
escarificação química (H2SO4 PA, durante 4 minutos).
Crescimento inicial – Esterilizamos placas de Petri (14 cm)
forradas com papel filtro e adicionamos 10 plântulas (pré-
germinadas em água destilada por 48 horas, 28 °C) com
radículas de 3 ± 1 mm (Fase I) e de 5 ± 1 mm (Fase II) e 12 mL
do tratamento. Colocamos as placas em incubadora climatizada
a 28 °C, com fotoperíodo de 12 horas. Após cinco dias, medimos
o comprimento da parte aérea e a raiz de cada plântula.
Potencial osmótico e pH – Determinamos o potencial osmótico
dos extratos e convertemos os valores obtidos em µosm kg-1
em MPa utilizando a fórmula: 1 µosm kg-1 = 0,00832 × T MPa;
onde T = temperatura em K. Baseado nos valores obtidos
em MPa, montamos um controle com os potenciais -0,1,
-0,2, -0,3 e -0,4 MPa utilizando Polietilenoglicol 6000
(PEG-6000) com a mesma metodologia descrita anteriormente.
Determinamos também o pH dos extratos.
Análise dos dados – Utilizamos um delineamento experimental
inteiramente casualizado com cinco réplicas em ambas as
fases. Para todos os tratamentos fizemos testemunhas com
água destilada. Calculamos a porcentagem e o tempo médio
de germinação para cada réplica. Analisamos os dados da
porcentagem e tempo médio de germinação com o teste
Kruskal-Wallis e pós teste Dunn 5%, e os dados de crescimento
com ANOVA e pós teste Tukey 5%.
Resultados
Todas as concentrações do extrato de folha reduziram
significativamente a porcentagem de germinação das
sementes de alface, e quanto mais concentrados, maiores
os efeitos inibitórios. Os extratos de bainha diminuíram
a porcentagem de germinação (% G) nas concentrações
50%, 75% e 100%, e o extrato de raiz apenas na
concentração 100%. O tempo médio de germinação (Tmg)
de alface foi maior nos extratos de folha e raiz a partir
de 25% e de bainha a partir de 50% (tabela 1).
As sementes de gergelim foram mais inibidas pelos
extratos de folha, que reduziram a % G a partir da
concentração 25%. Assim como, pelas concentrações 75%
e 100% de bainha e raiz. O Tmg do gergelim foi afetado
em concentrações maiores que 75% nos extratos de
bainha, 50% nos extratos de raiz e por todos os extratos
de folha (tabela 1).
Com exceção dos extratos de folha 12,5% e bainha
25%, todos os extratos diminuíram significativamente a
% G de rabanete. Para o Tmg, houve aumento para extrato
de bainha e raiz nas concentrações 75% e 100%, e para
folha acima de 12,5% (tabela 1).
Desconsideramos os valores de Tmg nas réplicas em
que nenhuma semente germinou, e o Tmg do tratamento
que apresentou três ou mais réplicas sem germinação
(lacunas na tabela 1).
Os extratos de C. americanum inibem também
crescimento inicial das espécies olerícolas. As raízes das
plântulas de alface foram inibidas por todas as
concentrações dos extratos de folha e raiz, e pelo extrato
de bainha nas concentrações maiores que 25%. Apenas
o extrato de raiz nas concentrações menores que 75%
não inibiram significativamente a parte aérea das
plântulas de alface (tabela 1). Atribuímos valor zero para
plântulas mortas ou inviáveis (raízes enegrecidas,
plântulas atacadas por fungos ou apodrecidas). Todas
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Revista Brasil. Bot., V.32, n.1, p.183-188, jan.-mar. 2009 185
Tabela 1. Porcentagem e tempo médio de germinação das sementes e crescimento inicial das plântulas de alface, rabanete e
gergelim submetidas à ação de diferentes extratos de Crinum americanum. Médias seguidas pelas mesmas letras, maiúsculas
para concentração e minúsculas para as partes da planta, não diferem entre si pelo teste Kruskal-Wallis com pós teste de
Dunn 5% para porcentagem e tempo médio de germinação; e pelo teste ANOVA com pós teste de Tukey 5% para o crescimento
inicial. As lacunas (–) correspondem aos tratamentos cujo tempo médio de germinação das sementes não foi calculado.
Table 1. Percentage and germination average time of the seeds and initial growth of the seedings of lettuce, radish and
sesame submitted to different extract concentrations of Crinum americanum. The averages followed by the same letters,
capital for concentration and lower case for the parts of the plant, don’t differ by Kruskal-Wallis with Dunn 5% pos test for
percentage and average time and by ANOVA with Tukey 5% pos test for initial growth. The lacunes (–) correspond to the
treatments whose average time of germination wasn’t calculated.
Planta Concentração Germinação Tempo médio de Crescimento (cm)
receptora dos extratos (%) (%) germinação (horas) Raiz Parte aérea Total
Testemunho 0 82,10 A 39,97 A 3,34 A 3,02 A 6,36
12,5 53,10 Ba 47,35 Aa 0,87 Ba 0,96 Ba 1,83
25,0 39,17 Ba 77,01 Ba 0,89 Ba 0,45 Ba 1,34
Folha 50,0 30,40 BCa 88,99 Ba 0,40 Ba 0,22 Ba 0,62
75,0 8,77 Ca – 0,00 Ca 0,00 Ba 0,00
100,0 3,00 Da – 0,00 Ca 0,00 Ba 0,00
12,5 65,80 Ab 38,78 Aa 1,94 Bb 3,75 Aa 5,69
25,0 54,29 Aab 84,60 Ba 1,59 Bb 3,48 Aa 5,07
Lactuca sativa Raiz 50,0 51,06 Ab 70,44 Ba 1,55 Ba 2,68 ABa 4,23
75,0 52,31 Ab 68,07 B 1,38 Bb 1,83 Bb 3,21
100,0 23,47 Bd 72,66 B 0,86 Bb 0,89 Cb 1,75
12,5 67,10 Ab 42,90 Aa 1,00 Aa 1,20 Bb 2,20
25,0 72,03 Ab 52,66 Aa 0,83 Aa 0,48 Bb 1,31
Bainha 50,0 10,87 Ba 127,77 Bb 0,25 Ba 0,13 BCa 0,38
75,0 5,98 Ba – 0,00 Ca 0,00 Ca 0,00
100,0 20,57 Bb – 0,00 Ca 0,00 Ca 0,00
Testemunho 0 82,55 A 16,31 A 3,79 A 10,97 A 14,76
12,5 79,48 Aa 37,83 Ba 2,48 Ba 2,66 ABa 5,14
25,0 42,28 Ba 49,51 Ba 2,66 Ba 1,85 BCa 4,51
Folha 50,0 28,04 BCa 35,06 Ba 1,71 Ba 1,26 Ca 2,97
75,0 15,73 Ca 76,10 Ba 1,71 Ba 0,99 Ca 2,70
100,0 5,09 Ca – 1,40 Ba 0,69 Ca 2,09
12,5 56,78 Bb 34,60 Aa 5,12 Bb 3,80 Aa 8,92
25,0 63,07 Bb 29,99 Aa 5,30 Bb 4,05 Ab 9,35
Raphanus sativus Raiz 50,0 65,62 Bb 28,41 Aa 1,57 Ca 2,58 Ba 4,15
75,0 59,33 Bb 53,81 Ba 2,51 Ca 2,60 Ba 5,11
100,0 36,03 Cb 51,10 Ba 1,07 Ca 0,84 Ca 1,91
12,5 49,20 Bb 43,96 Aa 2,59 Ba 2,52 Ba 5,11
25,0 72,74 ABb 28,00 Aa 2,21 Ba 2,06 Ba 4,27
Bainha 50,0 55,80 Bb 50,68 Aa 1,45 Ba 1,27 Ba 2,72
75,0 45,38 Bb 63,63 Ba 1,05 Ba 1,52 Ba 2,57
100,0 32,50 Bb 67,07 Ba 0,71 Ba 1,46 Ba 2,17
continua
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as plântulas de alface foram consideradas mortas ou
inviáveis no extrato de folha e bainha 100%. A testemunha
apresentou viabilidade total.
Todos os extratos inibiram significativamente o
crescimento das raízes das plântulas de gergelim, exceto
o extrato de bainha 12,5%. A parte aérea dessas plântulas
foi inibida por extratos de raiz acima de 50% e de folha e
bainha acima de 12,5% (tabela 1). Na concentração 75% e
100% do extrato de bainha, nenhuma plântula sobreviveu.
O rabanete sofreu inibição das raízes sob todos os
extratos e a parte aérea, sob extratos com concentrações
maiores que 50%, quando comparados com a testemunha
(tabela 1). Mais da metade das plântulas foi considerada
morta ou inviável no extrato de raiz 100%.
Mesmo quando consideradas viáveis, as plântulas
de espécies olerícolas foram cada vez menos saudáveis
com o aumento da concentração dos extratos. Comparados
à testemunha, apresentaram raízes menos vigorosas, muitas
vezes amarronzadas e com manchas nos cotilédones.
As sementes de picão-preto e corda-de-viola foram
as mais sensíveis aos extratos (tabela 2). O extrato 5%
afetou a % G destas espécies. O Tmg de todas as espécies
aumentou com esse extrato. O crescimento inicial de
todas as espécies invasoras foi inibido significativamente
pelos extratos de C. americanum, reduzindo o comprimento
da raiz e da parte aérea das plântulas.
O potencial osmótico dos extratos variou entre -0,1
e -0,36 MPa e o pH, entre 5,1 e 6,1. O controle osmótico
(-0,1, -0,2, -0,3 e -0,4 MPa) não afetou significativamente
a germinação ou afetou menos que o extrato correspondente.
A relação massa fresca/seca de C. americanum
é de 15,2, 11,77 e 7,83 para folha, raiz e bainha,
respectivamente. Portanto, o extrato 100% utilizando
material vegetal fresco equivale em massa seca às
concentrações de 4,9%, 6,3% e 9,5%.
Discussão
Diversos estudos mostraram que o potencial
osmótico do extrato, e não seus componentes químicos,
afeta a germinação (Wardle et al. 1992, (Haugland &
Brandsaeter 1996). Como os controles osmóticos, quando
comparados com os extratos de mesma osmolaridade,
apresentavam ou ausência ou inibição significativamente
menor, descartamos a influência da osmolaridade dos
extratos nos resultados observados. Souza Filho et al.
(1996) propõem que são necessários valores de pH
extremos para influenciar significativamente a
germinação. Correia et al. (2005) não detectaram
influência na germinação utilizando tratamentos entre
pH 4,5 e 8,5. Assim descartamos a influência do pH
sobre a germinação e crescimento inicial das plântulas
testadas.
Como a % G é menos sensível que o Tmg, este é
um indicativo importante das atividades alelopáticas
(Ferreira & Áquila 2000, Peres et al. 2004). Os extratos
Planta Concentração Germinação Tempo médio de Crescimento (cm)
receptora dos extratos (%) (%) germinação (horas) Raiz Parte aérea Total
Testemunho 0 84,20 A 38,10 A 4,49 A 2,54 A 7,03
12,5 75,00 Aa 36,40 Aa 0,75 Ba 1,50 ABa 2,25
25,0 56,78 Ba 69,61 Ba 0,20 Ba 1,10 Ba 1,30
Folha 50,0 40,71 Ba 73,98 Ba 0,58 Ba 1,10 Ba 1,68
75,0 14,83 Cab 116,40 Ba 0,27 Ba 0,85 Ba 1,12
100,0 5,79 Ca – 0,04 Ba 0,75 Ba 0,79
12,5 81,8 Ab 36,74 Aa 1,77 Ba 2,09 Aa 3,86
25,0 77,98 Ab 47,26 Aa 1,70 Ba 1,86 Aa 3,56
Sesamum indicum Raiz 50,0 65,94 Aa 64,69 Ba 1,22 Ba 1,64 Aa 2,86
75,0 28,96 Ba 95,86 Ba 0,97 Ba 1,26 Ba 2,23
100,0 12,51 Ba – 0,89 Ba 1,00 Ba 1,89
12,5 75,00 Aa 36,00 Aa 3,70 Ab 1,37 Aa 5,07
25,0 65,01 Aa 54,50 Aa 0,77 Bb 0,95 Ba 1,72
Bainha 50,0 66,94 Ab 71,94 Aa 0,13 Ba 0,25 Bb 0,38
75,0 2,10 Ba – 0,00 Cb 0,03 BCb 0,03
100,0 7,37 Ba – 0,00 Cb 0,00 Cb 0,00
continuação
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de C. americanum reduziram a porcentagem e crescimento
inicial e aumentaram o Tmg de todas as espécies
olerícolas testadas, indicando um potencial alelopático.
Os bioensaios com plantas invasoras de culturas
reforçam esses indícios, com a redução da porcentagem
e atraso no tempo médio de germinação de picão-preto
e corda-de-viola e atraso no Tmg de capim-arroz.
As três espécies invasoras estudadas apresentaram
inibição do crescimento inicial sob ação dos extratos.
Diversos trabalhos atestam que os efeitos dos aleloquímicos
sobre o crescimento inicial refletem em um atrofiamento
das partes da plântula (Peres et al. 2004, Aires et al.
2005, Maraschin-Silva & Áquila 2006). Plântulas de
olerícolas inviáveis, como as observadas neste trabalho,
também foram detectadas por Oliveira et al. (2004).
Embora seja difícil comparar trabalhos sobre alelopatia
devido à grande variedade de metodologias utilizadas, os
extratos do C. americanum conseguem inibir a germinação
em menores concentrações que outras espécies normalmente
encontradas na literatura (Soares 2000, Áquila 2000,
Pires et al. 2001, Maraschinin-Silva & Aquila 2005).
Em linhas gerais, a folha é o órgão da planta mais
ativo metabolicamente. É razoável que elas apresentem
maior diversidade de aleloquímicos. Jacobi & Ferreira
(1991) encontraram efeitos alelopáticos mais efetivos
nos extratos de folhas de Mimosa bimucronata (DC).
Aires et al. (2005) trabalhando com Solanum lycocarpum
também chegaram a essa conclusão.
O alcalóide licorina, poderoso inibidor do crescimento
de plantas superiores e algas (Garuccio & Arrigoni 1989),
está presente em abundância nas folhas C. americanum,
mas é raro em suas raízes (Trimino et al. 1987). Isso
explica, pelo menos em parte, o efeito inibitório dos
extratos de C. americanum e as diferenças encontradas
entre raízes e folhas.
Além dos efeitos diretos da redução da porcentagem
de geminação, que ocorreu nas sementes picão-preto e
corda-de-viola, os extratos de C. americanum, em linhas
gerais, ao atrasarem a germinação das sementes e
reduzirem o crescimento inicial das plântulas, podem
favorecer as culturas até que estas alcancem um tamanho
menos suscetível à competição com as plantas invasoras.
Assim sendo, acreditamos que o C. americanum tem
grande possibilidade de se tornar uma planta doadora
para a elaboração de um herbicida verde.
Agradecimentos – Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq), pela bolsa de mestrado
concedida ao primeiro autor.
Referências bibliográficas
AIRES, S.S., FERREIRA, A.G. & BORGHETTI, F. 2005. Efeitos
alelopáticos de folhas e frutos de Solanum lycocarpum
A. St.-Hil. (Solanaceae) na germinação e crescimento
de Sesamum indicum L. (Pedaliaceae) em solo sob três
temperaturas. Acta Botanica Brasilica 19:339-344.
Tabela 2. Porcentagem e tempo médio de germinação e crescimento de sementes de capim-arroz, picão-preto e corda-de-
viola submetidas à ação de extratos de folha de Crinum americanum. Médias seguidas pelas mesmas letras, para cada
espécie receptora, não diferem entre si pelo teste Kruskal-Wallis com pós teste de Dunn 5% para porcentagem e tempo
médio de germinação; e pelo teste ANOVA com pós teste de Tukey 5% para o crescimento.
Table 2. Percentage and average time of germination of the seeds and initial growth of the seedings of Echinochloa cruss-
galli, Ipomoea grandifolia and Bidens pilosa submitted to different extract concentrations of Crinum americanum. The
averages followed by the same letters don’t differ by Kruskal-Wallis with Dunn 5% pos test for percentage and average time
and by ANOVA with Tukey 5% pos test for initial growth.
Planta Concentração Germinação Tempo médio de Comprimento (cm)
receptora dos extratos (%) germinação (horas) Raiz Parte aérea Total
Capim-arroz 0% 63,3 a 77,3 a 1,95 a 1,43 a 3,38 a
1% 60,0 a 83,0 a 1,04 b 1,74 b 2,78 b
5% 49,3 a 135,9 b 0,82 c 1,53 ab 2,35 c
Picão-preto 0% 82,0 a 68,9 a 2,26 a 2,00 a 4,26 a
1% 88,6 a 61,9 a 1,35 b 1,59 b 2,90 b
5% 10,6 b 135,6 b 0,22 b 0,75 b 0,97 c
Corda-de-viola 0% 86,0 a 38,15 a 2,68 a 2,50 a 5,10 a
1% 80,6 a 53,68 ab 0,90 b 1,68 b 2,50 b
5% 10,0 b 100,3 b 0,30 c 1,17 c 1,47 c
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J. P. N. Ribeiro et al.: Efeitos alelopáticos de Crinum americanum L.188
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