Telepoesis.net – Poesia em rede
Artech 2005 Nas fronteiras do imaginário (2005)
- ISBN: 9729906246
Abstract
Partindo da apresentação de exemplos de poesia criada para o meio digital, pretende-se com este artigo propor uma reflexão acerca das novas textualidades emergentes com as tecnologias digitais interactivas. Assim, acreditando que as características da hipermédia constituem um terreno fértil para o experimentalismo literário, critica-se uma postura de mera remediação dos arquétipos analógicos para os meios digitais, argumentando a favor da criatividade colectiva em rede enquanto possibilidade de conhecimento e esclarecimento acerca dos novos media.
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Telepoesis.net – Poesia em rede
Telepoesis.net – Poesia em rede
Rui Torres
CETIC-Centro de Estudos de Texto Informático e Ciberliteratura; Universidade Fernando Pessoa –
Praça 9 de Abril, 349 - 4249-004 Porto
Resumo — Partindo da apresentação de exemplos de poesia
criada para o meio digital, pretende-se com este artigo propor
uma reflexão acerca das novas textualidades emergentes com
as tecnologias digitais interactivas. Assim, acreditando que as
características da hipermédia constituem um terreno fértil
para o experimentalismo literário, critica-se uma postura de
mera remediação dos arquétipos analógicos para os meios
digitais, argumentando a favor da criatividade colectiva em
rede enquanto possibilidade de conhecimento e
esclarecimento acerca dos novos media.
Palavras-chave — Poesia e hipermédia; ciberliteratura;
remediação e hipermediação.
I. Introdução
O que propomos com esta comunicação é medir o
alcance, e as limitações, da aplicação de uma teoria do
texto literário aos múltiplos acontecimentos que,
dependendo de suportes digitais, se constituem como
textualidade(s), isto é, como conjunto permanente de
elementos estruturalmente organizados, regulados por
determinados sistemas sígnicos passíveis de serem
delimitados topologica e/ou cronologicamente. Dado o
vasto campo de aplicações culturais e até comerciais que
ocupam hoje em dia o espaço público virtual da Internet e
dos computadores pessoais, mitificando desse modo a
função social dessas novas textualidades, centraremos a
nossa atenção especificamente sobre as aplicações que se
apresentam como textos que investem, não num mero
processo de remediação e transparência, mas em novas
ambiguidades de cariz opaco que nos permitem reflectir
sobre os processos que constituem a textualidade
hipermediática. Assim, julgamos que a melhor forma de
investigar as condições em que os novos media (aqui
considerados como aplicações hipermédia interactivas que
são distribuídas em suportes electrónicos, ou actualizadas
em rede) podem contribuir para uma semiose estética é
investindo em novas posturas criativas.
II. Pontos de partida
Para alcançar os nossos objectivos, e tendo em
consideração o carácter relativamente desconhecido – ou
provisório – do terreno em que nos movemos,[1] partimos
de vários pressupostos que, não sendo inovadores, nos
podem ajudar a identificar novos terrenos para a
necessária intervenção critico-lúdico-transgressora no
ciberespaço.
Primeiro, a convicção de que estas novas textualidades,
emergentes com as tecnologias digitais interactivas e com
as redes de informação e do conhecimento distribuído em
redes, nos permitem ter um conhecimento efectivo (e
talvez afectivo também) dos diferentes códigos semióticos
implicados no texto artístico e literário. Não é por isso de
estranhar que a nossa abordagem se centre essencialmente
sobre a poesia experimental: move-nos o princípio (não
consensual) de que a materialidade dos significantes
poéticos, manifestados ao nível da expressão, contribuem
de forma significativa para uma complexidade
informacional onde o verbal, o visual e o sonoro (o
verbovocovisual) se combinam, in praesentia, num jogo
de actualizações e potencialidades.
Não podemos, claro, ficar alheios ao facto de a poesia
vanguardista do princípio do século XX (institucionalizada
com o Modernismo e desinstitucionalizada pelo
Concretismo), anunciar já uma espécie de poética pré-
digital, nomedamente ao propor uma separação, através da
colagem, de todos os elementos que as tecnologias
multimédia com facilidade (e necessariamente) hoje
isolam. De facto, conforme também explica Lev
Manovich, “all the strategies developed to awaken
audiences from a dream-existence of bourgeois society
(constructivist design, New Typography, avant-garde
cinematography and film editing, photo-montage, etc.)
now define the basic routine of a post-industrial society:
the interaction with a computer.” [2]
A diferença, fundamental, é que nos meios digitais esses
elementos verbovocovisuais são interpretados
numericamente, potenciando desse modo o seu controlo e
transformação, em tempo real, num espaço virtual de
performance ou em ambiente(s) de leitura privada.
Por outro lado, não podemos esquecer que uma das
propostas do experimentalismo literário do século XX foi
precisamente a abertura de um espaço lúdico onde o leitor
pudesse se envolver, desse modo despragmatizando, não
apenas a arbitrariedade dos signos, mas principalmente a
transparência e a ocultação dos processos; ora a
Rui Torres
CETIC-Centro de Estudos de Texto Informático e Ciberliteratura; Universidade Fernando Pessoa –
Praça 9 de Abril, 349 - 4249-004 Porto
Resumo — Partindo da apresentação de exemplos de poesia
criada para o meio digital, pretende-se com este artigo propor
uma reflexão acerca das novas textualidades emergentes com
as tecnologias digitais interactivas. Assim, acreditando que as
características da hipermédia constituem um terreno fértil
para o experimentalismo literário, critica-se uma postura de
mera remediação dos arquétipos analógicos para os meios
digitais, argumentando a favor da criatividade colectiva em
rede enquanto possibilidade de conhecimento e
esclarecimento acerca dos novos media.
Palavras-chave — Poesia e hipermédia; ciberliteratura;
remediação e hipermediação.
I. Introdução
O que propomos com esta comunicação é medir o
alcance, e as limitações, da aplicação de uma teoria do
texto literário aos múltiplos acontecimentos que,
dependendo de suportes digitais, se constituem como
textualidade(s), isto é, como conjunto permanente de
elementos estruturalmente organizados, regulados por
determinados sistemas sígnicos passíveis de serem
delimitados topologica e/ou cronologicamente. Dado o
vasto campo de aplicações culturais e até comerciais que
ocupam hoje em dia o espaço público virtual da Internet e
dos computadores pessoais, mitificando desse modo a
função social dessas novas textualidades, centraremos a
nossa atenção especificamente sobre as aplicações que se
apresentam como textos que investem, não num mero
processo de remediação e transparência, mas em novas
ambiguidades de cariz opaco que nos permitem reflectir
sobre os processos que constituem a textualidade
hipermediática. Assim, julgamos que a melhor forma de
investigar as condições em que os novos media (aqui
considerados como aplicações hipermédia interactivas que
são distribuídas em suportes electrónicos, ou actualizadas
em rede) podem contribuir para uma semiose estética é
investindo em novas posturas criativas.
II. Pontos de partida
Para alcançar os nossos objectivos, e tendo em
consideração o carácter relativamente desconhecido – ou
provisório – do terreno em que nos movemos,[1] partimos
de vários pressupostos que, não sendo inovadores, nos
podem ajudar a identificar novos terrenos para a
necessária intervenção critico-lúdico-transgressora no
ciberespaço.
Primeiro, a convicção de que estas novas textualidades,
emergentes com as tecnologias digitais interactivas e com
as redes de informação e do conhecimento distribuído em
redes, nos permitem ter um conhecimento efectivo (e
talvez afectivo também) dos diferentes códigos semióticos
implicados no texto artístico e literário. Não é por isso de
estranhar que a nossa abordagem se centre essencialmente
sobre a poesia experimental: move-nos o princípio (não
consensual) de que a materialidade dos significantes
poéticos, manifestados ao nível da expressão, contribuem
de forma significativa para uma complexidade
informacional onde o verbal, o visual e o sonoro (o
verbovocovisual) se combinam, in praesentia, num jogo
de actualizações e potencialidades.
Não podemos, claro, ficar alheios ao facto de a poesia
vanguardista do princípio do século XX (institucionalizada
com o Modernismo e desinstitucionalizada pelo
Concretismo), anunciar já uma espécie de poética pré-
digital, nomedamente ao propor uma separação, através da
colagem, de todos os elementos que as tecnologias
multimédia com facilidade (e necessariamente) hoje
isolam. De facto, conforme também explica Lev
Manovich, “all the strategies developed to awaken
audiences from a dream-existence of bourgeois society
(constructivist design, New Typography, avant-garde
cinematography and film editing, photo-montage, etc.)
now define the basic routine of a post-industrial society:
the interaction with a computer.” [2]
A diferença, fundamental, é que nos meios digitais esses
elementos verbovocovisuais são interpretados
numericamente, potenciando desse modo o seu controlo e
transformação, em tempo real, num espaço virtual de
performance ou em ambiente(s) de leitura privada.
Por outro lado, não podemos esquecer que uma das
propostas do experimentalismo literário do século XX foi
precisamente a abertura de um espaço lúdico onde o leitor
pudesse se envolver, desse modo despragmatizando, não
apenas a arbitrariedade dos signos, mas principalmente a
transparência e a ocultação dos processos; ora a
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hipermédia, seja nos trabalhos colaborativos em rede ou
nos jogos interactivos, apresenta-se como espaço ideal
para o experimentalismo literário trabalhar o seu potencial
ilimitado de significações. Conforme Manuel Portela
esclarece, a aproximação do concretismo dos anos 60 à
ciberliteratura parece evidente no sentido em que ambas
conduzem ao conhecimento do processo e à abertura,
apontando uma semiose ilimitada: “Em ambos os casos, o
jogo combinatório, inspirado nas formas computacionais
de codificação e descodificação de mensagens, permitiu
destruir a cristalização semântica contida nos enunciados e
abrir os signos ao seu potencial significante
indeterminado”. [3]
Concluímos, assim, que a hipermédia nos possibilita a
intencionalidade experimentalista: não apenas promove
uma opacidade autoreflexiva, ao permitir a apresentação
criativa dos vestígios da construção dos textos, como
também concretiza a abertura da obra, manifestada na
potencialidade infinita de variações e potenciada pela
interactividade, o jogo, a multimodalidade e o multimédia.
Conforme um estudo de Pedro Barbosa confirma, na
ciberliteratura “a mensagem literária assume-se quase
sempre estruturalmente como obra aberta - seja na sua
modalidade potencial seja na sua modalidade interactiva.
Tal facto implica a participação do "utilizador" para lhe
dar existência verbal. Ora, sendo a mensagem constituída
por opções do próprio utente-leitor no contexto de um
labirinto tantas vezes inesgotável de percursos leiturais,
qualquer texto final assim concretizado é também a
emanação personalizada do utilizador do programa; e tal
emanação é acrescida quando o programa lhe concede a
possibilidade de intervir com dados pessoais, modificando
ou reescrevendo o texto virtualmente proposto..” [4]
Uma vez expostos estes princípios, julgamos que a
melhor forma de reflectir acerca da possibilidade de uma
poesia (em meio) digital e em rede é adoptando uma
postura experimental, com o objectivo de poetizar e
desmistificar a rede, propiciando ao mesmo tempo um
testemunho desta condição de transição e de passagem em
que vivemos.
III. Poesia Digital - enquadramento
A criatividade ciberliterária enquadra-se numa definição
de texto enquanto tecido de citações e espaço de
dimensões múltiplas, mas ajuda-nos também, ao mesmo
tempo, a identificar as limitações e as ideologias desse
tipo de concepção herdada do estruturalismo.
Desconfiamos porém que uma mera transposição de
uma teoria do texto enquanto rede de significações para as
novas textualidades em rede possa representar uma
posição retrógrada. Na verdade, perante um novo
paradigma textual, o do cibertexto, é possível finalmente
saltar fora dessa diacronia, inaugurando o novo tempo com
a passagem. Transitando entre tipologias textuais distintas,
esbatendo as fronteiras dos géneros do discurso, o leitor
do cibertexto é crítico e criativo, remetendo-se
intuitivamente para a totalidade (estrutura) e a
complexidade (ambiguidade). Conforme já salientámos, o
meio digital abre-se à poesia de inovação, acolhendo-a na
sua arquitectura descentrada e múltipla do eu. De facto, tal
como a poesia de inovação (experimental e concreta)
reconhece, e permite o reconhecimento, da importância
dos materiais da escrita para a própria escrita, isto é, da
função estética da linguagem e do meio como mensagem,
também a poesia em meio digital possibilita uma reflexão
acerca dos processos de organização e desenvolvimento
dos sistemas de comunicação que nos envolvem.
Resumindo, redescobre-se o apelo da poesia à crítica: que
seja uma postura reflexiva acerca dos métodos usados para
interpretar.
Assim, e ao contrário dos teóricos da poesia digital
(Aarseth, Glazier), da linguagem dos novos média
(Manovich) e do hipertexto (Landow, Bolter), que têm
observado uma certa linha de continuidade entre a
hipertextualidade digital e as poéticas de ruptura a que
também já fizemos referência, não nos parece útil recorrer
apenas a Baudrillard, Derrida, Foucault, a desconstrução
ou o pós-estruturalismo, para explicar estes fenómenos de
construção rizomática, se, na base desta análise, estiver a
legitimação da projecção do meio analógico no digital.
Na verdade, o que uma concepção do computador
enquanto um potencial acelerador de cálculos e algoritmos
previamente executados “à mão” esquece é que há outros
usos essenciais à operacionalidade informática,
nomeadamente a comunicação e o controlo, em rede e em
tempo real.
Por outro lado, não podemos deixar de reconhecer que o
tele-leitor investe num espaço marcado pela promessa do
virtual e do global. Ele lê os banners da Internet e recebe
cartões animados postais, anima palavras na tela do
computador com ferramentas de autoria hipermédia
disponíveis para todos. Assim, parece-nos ser
precisamente dentro deste arquétipo da cultura ocidental,
plasmado no mito da velocidade e da tecnologia, que é
pertinente interferir, criando mensagens que deformem
essa língua comum das redes e dos computadores, já
vítima da entropia e do assalto neo-liberal.
IV. Poesia Digital - exemplos
Algumas das experiências aqui descritas são informadas
por uma postura teórico-lúdico-crítica, isto é, são textos
criativos que reflectem na sua concepção os limites da
nossa própria cosmovisão, colocando no centro da sua
atenção a constituição do próprio canal (e sua função
nos jogos interactivos, apresenta-se como espaço ideal
para o experimentalismo literário trabalhar o seu potencial
ilimitado de significações. Conforme Manuel Portela
esclarece, a aproximação do concretismo dos anos 60 à
ciberliteratura parece evidente no sentido em que ambas
conduzem ao conhecimento do processo e à abertura,
apontando uma semiose ilimitada: “Em ambos os casos, o
jogo combinatório, inspirado nas formas computacionais
de codificação e descodificação de mensagens, permitiu
destruir a cristalização semântica contida nos enunciados e
abrir os signos ao seu potencial significante
indeterminado”. [3]
Concluímos, assim, que a hipermédia nos possibilita a
intencionalidade experimentalista: não apenas promove
uma opacidade autoreflexiva, ao permitir a apresentação
criativa dos vestígios da construção dos textos, como
também concretiza a abertura da obra, manifestada na
potencialidade infinita de variações e potenciada pela
interactividade, o jogo, a multimodalidade e o multimédia.
Conforme um estudo de Pedro Barbosa confirma, na
ciberliteratura “a mensagem literária assume-se quase
sempre estruturalmente como obra aberta - seja na sua
modalidade potencial seja na sua modalidade interactiva.
Tal facto implica a participação do "utilizador" para lhe
dar existência verbal. Ora, sendo a mensagem constituída
por opções do próprio utente-leitor no contexto de um
labirinto tantas vezes inesgotável de percursos leiturais,
qualquer texto final assim concretizado é também a
emanação personalizada do utilizador do programa; e tal
emanação é acrescida quando o programa lhe concede a
possibilidade de intervir com dados pessoais, modificando
ou reescrevendo o texto virtualmente proposto..” [4]
Uma vez expostos estes princípios, julgamos que a
melhor forma de reflectir acerca da possibilidade de uma
poesia (em meio) digital e em rede é adoptando uma
postura experimental, com o objectivo de poetizar e
desmistificar a rede, propiciando ao mesmo tempo um
testemunho desta condição de transição e de passagem em
que vivemos.
III. Poesia Digital - enquadramento
A criatividade ciberliterária enquadra-se numa definição
de texto enquanto tecido de citações e espaço de
dimensões múltiplas, mas ajuda-nos também, ao mesmo
tempo, a identificar as limitações e as ideologias desse
tipo de concepção herdada do estruturalismo.
Desconfiamos porém que uma mera transposição de
uma teoria do texto enquanto rede de significações para as
novas textualidades em rede possa representar uma
posição retrógrada. Na verdade, perante um novo
paradigma textual, o do cibertexto, é possível finalmente
saltar fora dessa diacronia, inaugurando o novo tempo com
a passagem. Transitando entre tipologias textuais distintas,
esbatendo as fronteiras dos géneros do discurso, o leitor
do cibertexto é crítico e criativo, remetendo-se
intuitivamente para a totalidade (estrutura) e a
complexidade (ambiguidade). Conforme já salientámos, o
meio digital abre-se à poesia de inovação, acolhendo-a na
sua arquitectura descentrada e múltipla do eu. De facto, tal
como a poesia de inovação (experimental e concreta)
reconhece, e permite o reconhecimento, da importância
dos materiais da escrita para a própria escrita, isto é, da
função estética da linguagem e do meio como mensagem,
também a poesia em meio digital possibilita uma reflexão
acerca dos processos de organização e desenvolvimento
dos sistemas de comunicação que nos envolvem.
Resumindo, redescobre-se o apelo da poesia à crítica: que
seja uma postura reflexiva acerca dos métodos usados para
interpretar.
Assim, e ao contrário dos teóricos da poesia digital
(Aarseth, Glazier), da linguagem dos novos média
(Manovich) e do hipertexto (Landow, Bolter), que têm
observado uma certa linha de continuidade entre a
hipertextualidade digital e as poéticas de ruptura a que
também já fizemos referência, não nos parece útil recorrer
apenas a Baudrillard, Derrida, Foucault, a desconstrução
ou o pós-estruturalismo, para explicar estes fenómenos de
construção rizomática, se, na base desta análise, estiver a
legitimação da projecção do meio analógico no digital.
Na verdade, o que uma concepção do computador
enquanto um potencial acelerador de cálculos e algoritmos
previamente executados “à mão” esquece é que há outros
usos essenciais à operacionalidade informática,
nomeadamente a comunicação e o controlo, em rede e em
tempo real.
Por outro lado, não podemos deixar de reconhecer que o
tele-leitor investe num espaço marcado pela promessa do
virtual e do global. Ele lê os banners da Internet e recebe
cartões animados postais, anima palavras na tela do
computador com ferramentas de autoria hipermédia
disponíveis para todos. Assim, parece-nos ser
precisamente dentro deste arquétipo da cultura ocidental,
plasmado no mito da velocidade e da tecnologia, que é
pertinente interferir, criando mensagens que deformem
essa língua comum das redes e dos computadores, já
vítima da entropia e do assalto neo-liberal.
IV. Poesia Digital - exemplos
Algumas das experiências aqui descritas são informadas
por uma postura teórico-lúdico-crítica, isto é, são textos
criativos que reflectem na sua concepção os limites da
nossa própria cosmovisão, colocando no centro da sua
atenção a constituição do próprio canal (e sua função
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