Abstract
Este artigo discute atributos de Os sertões, analisando sua ontologia discursiva, em particular os aspectos ligados às narrativas imaginárias e literárias. Mostra que a principal obra de Euclides conjuga pelo menos dois modos discursivos: o das ciências e um outro que caracteriza as narrativas sobre realidades imaginárias e literárias. Trechos são destacados com o objetivo de demonstrar que na sua construção híbrida participam elementos que poderiam pertencer tanto à ficção como à historiografia. Apoiando-se em Hayden White, o autor contempla três modos interpretativos da história de Canudos em Os sertões: o argumentativo, o explicativo e o ideológico. Finalmente, realiza breve comparação com A guerra do fim do mundo, de Vargas Llosa, quanto ao modo e a seqüência como são narrados os fatos.This analysis of the discursive ontology of Os sertões is particularly concerned with the book’s imaginary and literary narratives. Cunha’s main work combines at least two discursive styles: the discourse of the sciences and the discourse that characterizes narratives dealing with imaginary and literary realities. Selected excerpts show how the hybrid construction of Os sertões relies on elements which may belong to the realm of either fiction or historiography. Based on the ideas of Hayden White, the article detects three ways in which Os sertões interprets the history of Canudos: argumentative, explanatory, and ideological. The text ends with a brief comparison of the narration and sequencing of facts in Vargas Llosa’s La guerra del fin del mundo and Cunha’s Os sertões.
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Bernucci, L. M. (1998). A ontologia discursiva de Os sertões. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, 5(suppl), 57–72. https://doi.org/10.1590/s0104-59701998000400004
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