A ciência e as idas e voltas do senso comum

  • Paty M
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Abstract

Não podemos conceber a compreensão e a comunicação de idéias sem fazer referência ao senso comum. Porém, por outro lado, todo conhecimento novo que seja importante precisa ultrapassar o senso co- mum e, portanto, romper com ele. Essas duas exigências, aparentemente contraditórias, podem ser conciliadas? E, se for o caso, de qual maneira? Devemos, na verdade, reconhecer que, quando conheci- mentos novos são adquiridos e bem compreendidos, assimilados, completamente inteligíveis, e até ensinados; quando neles nos baseamos para avançar na direção de conhecimentos ainda mais novos, estes que foram adquiridos participam da constituição de um senso comum, modificado, diferente do precedente, mas que tem tanto direito quanto este à qualificação de “ senso comum ”, exatamente no mesmo sentido que o antigo. Desta maneira, o senso comum se enriquece pela assimilação dos conhe- cimentos científicos. Mostraremos como ele beneficia-se, de fato, das “ampliações” da racionalidade que permitem compreender de que maneira o progresso do conhecimento torna-se possível. Vários exemplos examinados na área da física contemporânea (com a teoria da relatividade e a teoria quântica) ajudarão a explicitar concretamente a tese assim resumida. Estas considerações têm implicações éticas, do ponto de vista da comunicação, pela possibilidade de compartilhar o conhecimento em termos inte- ligíveis com os não-especialistas, através do senso comum submetido à crítica. Uma reflexão epistemo- lógica se faz necessária a respeito dos elementos de significação do conhecimento a serem compartilha- dos prioritariamente.

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Paty, M. (2003). A ciência e as idas e voltas do senso comum. Scientiae Studia, 1(1). https://doi.org/10.1590/s1678-31662003000100002

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