Abstract
O ensaio teórico avalia como a difusão da Inteligência Artificial (IA) pode reconfigurar fronteiras epistemológicas e institucionais da ciência contábil sob condições específicas de dados, governança e incentivos acadêmicos. Com base em revisão crítica, análise temática e síntese integrativa, articula literatura clássica e recente em quatro eixos: sociologia dos campos científicos; filosofia da ciência; psicodinâmica do trabalho; e aplicações de IA em auditoria, relato financeiro e classificação fiscal. Sugerem-se quatro proposições: (1) a expansão da IA tende a recompensar pesquisas híbridas que integrem teoria substantiva, desenho interdisciplinar e validação fora da amostra; (2) programas que combinam contabilidade e ciência de dados podem ampliar impacto institucional, mas enfrentam barreiras de legitimação; (3) modelos robustos a validações automatizadas tendem a ganhar reconhecimento quando acompanhados de transparência, interpretação substantiva e governança; e (4) a ubiquidade algorítmica pode tensionar a fragmentação paradigmática quando houver incentivos à coautoria interdisciplinar. Experiências iniciais sugerem ganhos operacionais contextuais, enquanto reguladores e pesquisas recentes reforçam transparência, auditoria de viés e documentação de dados. Conclui-se que a Contabilidade é chamada a deslocar-se da lógica de muros à lógica de pontes, alinhando capital simbólico a relevância prática, pluralismo metodológico e responsabilidade social.
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Takamatsu, R. T. (2026). Entre espelhos e muros: disputas simbólicas e reconfiguração algorítmica na ciência contábil. Cadernos EBAPE BR. https://doi.org/10.1590/1679-395120250083
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