Abstract
Rio Içana, afluente do Rio Negro. O primeiro conjunto foi documentado em oficinas realizadas em São Ga-briel da Cachoeira, já que o contexto urbano dificultava a elaboração das preparações tradicionais, enquanto o segundo o foi no contexto aldeão. A seção dedicada às receitas Baniwa é ainda precedida por Comendo e Be-bendo entre os Baniwa, capítulo de autoria de Garnelo, no qual busca descrever o sistema alimentar do grupo. A autora apresenta, em linguagem acessível mesmo pa-ra não-especialistas, dados sobre a produção, a prepa-ração e o consumo de alimentos, situando as práticas no âmbito das relações sociais e da visão de mundo nativas. A terceira parte da obra, Avaliação Final do Projeto, é composta pelas falas de duas mulheres indígenas so-bre o significado e as perspectivas do projeto. A seção é brevíssima, mas nem por isso menos relevante den-tro da estrutura da publicação: Idária da Silva Barreto e Gilda Barreto Baré nos trazem depoimentos emocio-nantes, que complementam as falas apresentadas na contextualização do projeto e onde ficam, por fim, evi-dentes os desafios enfrentados ao longo de sua execu-ção, além das perspectivas que se apresentam a partir do momento de sua realização. Os especialistas não encontrarão, enfim, discus-sões teóricas aprofundadas, mas tão somente por não ser esse o objetivo expresso da publicação. No entanto, irão se deparar com um relato de uma iniciativa inova-dora e plena de nuances em todas as suas seções, in-cluindo desdobramentos teóricos e práticos importan-tes. É, assim, um livro a ser lido com atenção, desde a sua apresentação até a última seção. E que interessará tanto a especialistas no tema como aqueles que o fo-lheiem de forma menos pretensiosa. Em tempos em que a alimentação quotidiana vem sendo objeto de crescente normatização por profis-sionais e políticas de saúde e a solução de problemas locais obedece muitas vezes a lógicas exógenas, é mais que bem-vinda uma publicação que, mediante a deli-cadeza das falas das mulheres indígenas, a riqueza de suas trajetórias de vida e a beleza de suas imagens, nos brinda com a eloqüência de práticas alimentares – e idéias sobre alimentação – singulares. Que nos brinda, enfim, com a eloqüência da diversidade humana.
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Leite, M. S. (2010). Comidas tradicionais indígenas do alto Rio Negro. Cadernos de Saúde Pública, 26(3), 637–638. https://doi.org/10.1590/s0102-311x2010000300021
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