Testes de secreção de hormônio de crescimento e suas implicações no tratamento da baixa estatura

  • Seick D
  • Boguszewski M
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Abstract

A valorização dos testes de secreção de GH no diagnóstico da baixa estatura continua sendo motivo de discussões. A secreção de GH é considerada um continuum entre uma secreção normal e anormal. Situações em que a deficiência de GH é severa, como nos defeitos do gene do GH e no craniofaringeoma, cursam com atraso importante do crescimento e ausência total ou quase total de GH nos testes provocativos. Estas situações poderiam servir como padrão para definir a deficiência total de GH. Entretanto, a deficiência parcial ou menos severa de GH também cursa com atraso do crescimento, porém com um grau variável de resposta nos testes provocativos. Somando-se a isto, devemos considerar que muitos fatores estão envolvidos na secreção de GH e no eixo GH-IGFs. A determinação de valores de corte em um teste não fisiológico que indique onde termina o normal e começa a deficiência é enganosa e pode induzir ao erro. Além disso, a falta de normatização dos diferentes testes e ensaios laboratoriais nas diferentes situações clínicas aumenta a dificuldade para decidir sobre o tratamento de uma criança com baixa estatura baseando-se apenas nos resultados dos testes provocativos. As considerações acima não implicam que os testes de secreção de GH são irrelevantes no diagnóstico da baixa estatura, mas que os resultados destes testes não deveriam ser o determinante final de uma decisão clínica. Eles deveriam ser usados como medidas confirmatórias associadas ao quadro clínico e a todo o leque de exames atualmente disponíveis para avaliar a integridade da região hipotálamo-hipofisária e do eixo GH-IGFs. Reduzir o risco de prescrever um tratamento desnecessário para uma criança com função hipofisária normal ao mesmo tempo em que evita-se o atraso ou o não tratamento de uma criança que poderia se beneficiar do uso do GH biossintético devem ser os princípios que norteiam a decisão do especialista.The use of GH provocative tests to diagnose children with short stature continues to be a controversial issue. GH secretion is considered a continuum ranging from absent to normal secretion. When GH deficiency is severe, as in GH gene defects and craniopharyngiomas, there is a very important growth failure and absent or minimal GH response to stimulation tests. These situations could be used as standards to define total GH deficiency. However, partial GH deficiency also can show growth failure, but with variability of GH secretion on provocative tests. Moreover, several factors can influence GH secretion and GH-IGF axis. Determination of cutoff values in a non-physiological test to define normality is erroneous and can induce to error. Moreover, the lack of knowledge of normal values for different tests and assays in each clinical situation increases the difficulty to decide the treatment of a child with short stature based only on the results of a GH provocative tests. The considerations above do not mean that GH provocative tests are not important for diagnosis of short stature, but that the results of these tests should not be the final determinant of a clinical decision. They should be used in association with the clinical picture and other laboratory methods available to evaluate the hypothalamo-pituitary region and the GH-IGF axis. To reduce the risk of unnecessary treatment of a child with normal pituitary function and, on the other hand, to avoid delay or no-treatment of a child that could benefit with the use of recombinant human GH should be the principles to orient a medical decision.

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Seick, D., & Boguszewski, M. C. S. (2003). Testes de secreção de hormônio de crescimento e suas implicações no tratamento da baixa estatura. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 47(4), 303–311. https://doi.org/10.1590/s0004-27302003000400003

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