Abstract
Este artigo tem como objetivo reconhecer desafios vividos e enfrentados por uma professora negra da Educação Básica, mãe solo, atípica e periférica no contexto da pandemia de Covid-19 no Brasil, com foco no Ensino Remoto Emergencial (ERE). O estudo se justifica pela urgente necessidade de ampliar e aprofundar pesquisas sobre trabalho e condição docente, especialmente em articulação com discussões sobre condições de vida de mulheres negras e pobres em nossa sociedade. Configuramos a metodologia na perspectiva de um estudo de caso, em diálogo com a pesquisa narrativa, por meio da realização de entrevista semiestruturada, aplicação de questionário e registros de netnografia de uma docente dos anos iniciais de uma escola privada de pequeno porte situada em região periférica de Belo Horizonte, Minas Gerais. Os dados foram tratados por meio da análise de conteúdo, sob o prisma da interseccionalidade. O estudo permite evidenciar bagagens históricas culturais de exclusões que abrangem etnia, gênero, classe, geração e tantas outras variantes que se interseccionam; aspecto que deve ser levado em consideração ao estudar e refletir sobre a temática investigada. Desafios enfrentados por mulheres cujas características se assemelham à de nossa entrevistada apresentam obstáculos enraizados em um contexto histórico e estrutural marcado pelo racismo, sendo fundamental reconhecer que esses desafios não são individuais, mas sim resultados de sistemas sociais e estruturas de poder que perpetuam desigualdades.
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Leal, Á. A. A., & Santos, K. V. dos. (2025). Ser professora da Educação Básica, mulher negra, mãe solo, atípica e periférica no contexto da pandemia de covid-19 no Brasil. Cadernos de Pesquisa, 1–33. https://doi.org/10.18764/2178-2229v32n3e25588
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