Terapia celular para acidente vascular cerebral isquêmico: esperança ou panacéia?

  • Dohmann H
  • Oliveira Filho J
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Abstract

Células-tronco são definidas como células que mantêm a capacidade de auto-replicação e diferenciação em múltiplas linhagens 1. Estas células, presentes em proporções variáveis em órgãos adultos, teoricamente podem dar origem a qualquer tecido vivo de um organismo. Embora o conceito de transplante de células-tronco não seja novo, vem tendo um interesse crescente com este tipo de terapia, após a demonstração de que a medula óssea adulta poderia fornecer uma quantidade sufi ciente de células multipotentes para um transplante autólogo 2. Entretanto, o otimismo relacionado a qualquer novo tratamento deve ser avaliado com cautela. Na edição de janeiro/06 dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia (Vol. 86, págs. 52-55), Mendonça e cols. relataram o primeiro transplante autólogo de células-tronco derivadas da medula óssea em paciente com acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. Apesar dos resultados parecerem sugerir que o procedimento tenha sido seguro, exeqüível e resultado em um aumento precoce do metabolismo na região cerebral afetada pela isquemia, o simples relato de caso não deve receber um título que defi na estes atributos. Portanto, tais termos devem ser suprimidos do título, o que já foi feito na versão eletrônica dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Ainda mais quando sabemos que a análise da fase aguda do AVC isquêmico é um desafi o e os autores corretamente enfatizaram que os achados nesta paciente podem ser secundários à recuperação espontânea. Em uma série de casos local, por exemplo, 61% dos pacientes apresentaram recuperação espontânea para independência completa (medida pelo escore de Rankin < 3) 3. Além disso, nesse relato de caso, houve recanalização espontânea da artéria cerebral média, evidenciado pelo Doppler transcraniano, o qual é um preditor de bom prognóstico 4,5 .

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Dohmann, H. F. R., & Oliveira Filho, J. (2006). Terapia celular para acidente vascular cerebral isquêmico: esperança ou panacéia? Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 86(2). https://doi.org/10.1590/s0066-782x2006000200002

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