Abstract
scientiae zudia, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 45-82, 2006 dos erros que deviam ser urgentemente corrigidos pelas descobertas e novas concep-ções. É, ainda, no interior das discussões entre os médicos dogmáticos e os empíricos que vemos surgir as primeiras interpretações metodológicas que, ao longo da posteri-dade, separaram aqueles que acreditavam que a teoria (logos) servia como ponto de partida do raciocínio médico daqueles que sustentavam que tal papel somente poderia ser executado pela experiência ou observação empírica. A segunda e historicamente mais importante interpretação do legado hipocrático foi realizada pelo trabalho de exegese de Galeno, ainda hoje considerado o maior in-térprete de Hipócrates, mesmo levando-se em consideração a sua forte impregnação doutrinal. Além de comen-tar os principais tratados da coleção hipocrática, Galeno foi o primeiro compilador dos comentadores anterio-res. Com ele, Hipócrates e os tratados hipocráticos fo-ram conhecidos à luz de sua filosofia natural, ela pró-pria um esforço monumental para reconciliar Hipó-crates, Platão e Aristóteles. Esse esforço resultou no hipocratismo galênico e rei-nou até o século xv, quando médicos e filósofos, influ-enciados pelos humanistas, passaram a exigir obras "puras", livres de comentá-rios e interpretações. Figura 1. Asclépio coroado ofe-rece uma bebida à serpente. Metáfora da dupla face dos me-dicamentos (ao mesmo tempo, veneno e remédio), conhecidos e administrados com maestria pelo médico.
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Rebollo, R. A. (2006). O legado hipocrático e sua fortuna no período greco-romano: de Cós a Galeno The hippocratic legacy and its fortune in the greco-roman period: from Cós to Galen. Scientiae Studia, 4(1), 45–81. https://doi.org/10.1590/S1678-31662006000100003
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