Abstract
Em vista do contraste proposto por Viveiros de Castro entre antropocentrismo ocidental e antropomorfismo ameríndio, o ensaio procura problematizar essa segunda noção através do estudo de algumas das etnografias em que se baseia a formulação do “perspectivismo cosmológico”. Para tanto, são analisados (i) variantes conceituais, nem sempre equivalentes, do postulado antropomórfico na obra do antropólogo; e (ii) modos divergentes da diferença ontológica entre humanidade e não-humanidade em algumas cosmologias. Levanta-se a hipótese segundo a qual o perspectivismo ameríndio comporta, em vez de uma concepção unívoca de humanidade, um conflito permanente entre antropomorfia e monstruosidade: uma sabedoria humana, “antropocêntrica”, entendida como crítica cultural da sobrenatureza, contra uma sabedoria extra-humana, teratológica, como crítica sobrenatural da cultura – e vice-versa.
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Valentim, M. A. (2017). “Talvez eu não seja um homem” - antropomorfia e monstruosidade no pensamento ameríndio. CAMPOS - Revista de Antropologia Social, 15(2). https://doi.org/10.5380/campos.v15i2.42905
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