Interseccionalidades das Desigualdades Raciais e Socioeconômicas na Perspectiva Neuropsicológica: Entrevista com o Grupo de Trabalho de Neuropsicologia do Conselho Federal de Psicologia

  • Nórte C
  • Miranda M
  • Pires I
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Abstract

Resumo Este artigo discute como o racismo estrutural e a pobreza multidimensional impactam o desenvolvimento humano a partir de uma perspectiva neuropsicológica crítica. A pobreza é compreendida não apenas como escassez de recursos financeiros, mas como um fenômeno complexo que envolve privações em saúde, educação, moradia e saneamento. Essas condições afetam diretamente o desenvolvimento cognitivo e emocional, especialmente na infância, ao comprometer a saúde mental dos cuidadores e a qualidade das interações parentais. O racismo, por sua vez, é tratado como um estressor crônico com repercussões neurobiológicas ‒ como ativação prolongada do eixo HPA, aumento de cortisol e alterações em estruturas cerebrais ligadas à regulação emocional e ao processamento da memória. Em contraponto ao reducionismo biológico da neuropsicologia hegemônica, os autores propõem uma abordagem dialética, na qual o psiquismo é concebido como resultado da cogênese entre o funcionamento cerebral e o contexto sociocultural. A entrevista com membros do Grupo de Trabalho de Neuropsicologia do Conselho Federal de Psicologia evidencia os limites do modelo biomédico e propõe caminhos para uma neuropsicologia crítica, antirracista e socialmente comprometida. Defende-se a incorporação das interseccionalidades de raça, classe, gênero, deficiência e território como dimensões constitutivas da subjetividade, e a urgência de uma formação neuropsicológica com letramento racial e competência cultural.Abstract This article discusses how structural racism and multidimensional poverty affect human development from a critical neuropsychological perspective. Poverty is understood not merely as financial deprivation but as a complex phenomenon involving multiple forms of social exclusion, including lack of access to healthcare, education, housing, and sanitation. These adverse conditions directly affect cognitive and emotional development, particularly in childhood, by compromising caregivers’ mental health and the quality of parenting. Racism is addressed as a chronic stressor with neurobiological effects - such as prolonged HPA axis activation, elevated cortisol levels, and alterations in brain structures responsible for emotional regulation and memory processing. In contrast to the reductionist stance of mainstream neuropsychology, the authors advocate for a dialectical framework in which the psyche emerges from the co-genesis of brain function and sociocultural context. The interview with members of the Neuropsychology Working Group of the Brazilian Federal Council of Psychology highlights the limitations of the biomedical model and outlines pathways toward a critical, anti-racist, and socially engaged neuropsychology. The authors argue for the inclusion of race, class, gender, disability, and territory as structural dimensions of subjectivity and stress the urgent need for neuropsychological training grounded in racial literacy and cultural competence.Resumen Este artículo analiza cómo el racismo estructural y la pobreza multidimensional afectan el desarrollo humano desde una perspectiva neuropsicológica crítica. La pobreza se entiende no solo como carencia económica, sino como un fenómeno complejo que incluye privaciones en salud, educación, vivienda y saneamiento. Estas condiciones impactan directamente el desarrollo cognitivo y emocional humano, especialmente en la infancia, al comprometer la salud mental de los cuidadores y la calidad de la parentalidad. El racismo se considera como un estresor crónico con efectos neurobiológicos -como la activación prolongada del eje HPA, el aumento del cortisol y las alteraciones en estructuras cerebrales vinculadas a la regulación emocional y la memoria. En contraposición al reduccionismo biológico de la neuropsicología hegemónica, los autores proponen un enfoque dialéctico que concibe el psiquismo como resultado de la cogénesis entre el funcionamiento cerebral y el contexto sociocultural. La entrevista con miembros del Grupo de Trabajo de Neuropsicología del Consejo Federal de Psicología pone en evidencia los límites del modelo biomédico y plantea caminos hacia una neuropsicología crítica, antirracista y comprometida socialmente. Se defiende la incorporación de interseccionalidades de raza, clase, género, discapacidad y territorio como dimensiones constitutivas de la subjetividad, así como la urgencia de una formación con alfabetización racial y competencia cultural.

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Nórte, C. E., Miranda, M. C., & Pires, I. A. H. (2025). Interseccionalidades das Desigualdades Raciais e Socioeconômicas na Perspectiva Neuropsicológica: Entrevista com o Grupo de Trabalho de Neuropsicologia do Conselho Federal de Psicologia. Psicologia: Ciência e Profissão, 45(spe2). https://doi.org/10.1590/1982-3703003298612

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