Abstract
Introdução: Ressalta-se que a insegurança alimentar medida pela EBIA (Escala Brasileira de Insegurança Alimentar) se refere à limitação no acesso aos alimentos e que esse não é um problema decorrente de pouca oferta, mas sim condicionado, essencialmente, pela insuficiência de poder aquisitivo das famílias. Objetivo: Analisar a evolução dos diferentes graus de insegurança alimentar e de pobreza no Brasil e avaliar, com os dados de 2023, os vários fatores associados à insegurança alimentar. Metodologia: São utilizados os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2004, 2009, 2013 e 2023 e da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017-2018. Modelos de lógite são estimados para avaliar os fatores associados à insegurança alimentar em 2023. Resultados: A insegurança alimentar no Brasil varia em consonância com o nível de pobreza, mas, de 2013 a 2017-2018, o aumento da insegurança alimentar leve é bem mais intenso do que o crescimento da pobreza, e isso é atribuído ao caráter parcialmente subjetivo da medida de insegurança alimentar. Os modelos de lógite estimados permitem quantificar o efeito do nível da renda domiciliar per capita e de outros fatores sobre a probabilidade de haver insegurança alimentar. Entre outros resultados, verifica-se que, controlando o efeito da renda e outros fatores, maior escolaridade da pessoa de referência do domicílio, residir na área rural e a presença de cônjuge no domicílio reduzem a probabilidade de insegurança alimentar. Conclusão: Reafirma-se a importância da renda como condicionante fundamental (mas não exclusivo) da insegurança alimentar no Brasil.
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Jesus, J. G. de, & Hoffmann, R. (2024). Insegurança alimentar no Brasil e relação com a pobreza e outros condicionantes, 2004 a 2023. Segurança Alimentar e Nutricional, 31, e024010. https://doi.org/10.20396/san.v31i00.8678004
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