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renato da silva freitas

  • Associate Professor
  • Federal University of Paraná
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About

O indivíduo se relaciona com os seus pares de múltiplas maneiras, porém sua expressão facial e sua aparência apresentam muita importância nesta conexão. Deste modo, as deformações da face levam a maiores dificuldades para estas pessoas em sua vida social. A cirurgia plástica e uma de suas áreas de atuação, a cirurgia craniofacial, contribuem para amenizar, se não corrigir, as deformidades faciais, restabelecendo uma maior auto-estima a estes pacientes. Nesse sentido, venho atuando no estudo, na pesquisa e na transmissão do conhecimento da cirurgia plástica e craniofacial há 12 anos, cujos principais resultados obtidos encontram-se sumarizados neste memorial. Também estão incluídas outras atividades por mim realizadas no contexto da minha vida acadêmica, desde me responsabilizar, conjuntamente com o Prof. Dr. GILVANI AZOR DE OLIVEIRA E CRUZ, pelas Disciplinas de Cirurgia Plástica I e de Cirurgia Plástica II no curso de Graduação em Medicina da Universidade Federal do Paraná, e pela Especialização em Cirurgia Plástica, até executar tarefas administrativas necessárias para o funcionamento de nosso serviço. Visto que este documento procura sistematizar meu trabalho como pesquisador e professor, vou descrever a minha formação. Após a Graduação em Medicina em 1990, fiz a minha Residência de Cirurgia Geral entre 1991 e 1992 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, aonde também tive o meu primeiro contato com a cirurgia plástica. Na época, conheci o Dr. CARLOS FONTANA que me incentivou direta e indiretamente a me candidatar em cirurgia plástica. Aprovado para residência no Hospital das Clínicas da FMUSP, tive a oportunidade de estar no melhor Serviço de Cirurgia Plástica do Brasil, com um staff inigualável em nosso meio, chefiado pelo Prof. Dr. MARCUS CASTRO FERREIRA. Prof. MARCUS, um dos pioneiros da microcirurgia, sempre me apoiou na minha trajetória no Hospital de Clínicas. Proporcinou-me um estágio no quinto ano da residência na Universidade de Wisconsin. Posteriormente, também permitiu que eu realizasse meu mestrado e doutorado na USP. Tinhamos jantares em sua residência, onde nos falava sobre o campo de atuação do cirurgião plástico e a necessidade de nos diferenciar. Suas observações de que a cirurgia reparadora nos abriria portas, fez com que eu e tantos outros residentes, nos especializássemos numa das grandes áreas da cirurgia plástica. Desde o início tive grande interesse no tratamento das fissuras lábio palatinas, na época, sob coordenação do Dr. SÍLVIO STERMAN. Nos períodos livres da residência, frequentava o ambulatório da CEFILPA e o centro cirúrgico para auxiliá-lo voluntariamente. No segundo ano da cirurgia plástica, dediquei-me ao tratamento de fraturas de face, sob a coordenação do Prof. Dr. NIVALDO ALONSO. Ao final do segundo ano da residência (1994), fui aprovado para o título de Especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. No terceiro ano da residência, tendo a certeza que cursaria o estágio de Cirurgia Craniofacial e que me candidataria ao Mestrado em Cirurgia Plástica da FMUSP, cursei os créditos da Pós-Graduação Strictu Sensu neste mesmo ano. Observando meu interesse no tratamento de pacientes fissurados, Dr. DIÓGENES LAÉRCIO ROCHA me convidou a viajar mensalmente a Bauru, cobrindo meus gastos com alimentação e hospedagem, para passar 2-3 dias assistindo a suas cirurgias no Centrinho. Este contato mais próximo me fez conhecer um dos melhores cirurgiões no tratamento de pacientes fissurados do mundo. Ao final da residência, fui aprovado no Mestrado em Cirurgia Plástica, o que me impediu de candidatar ao Curso de Especialização em Cirurgia Craniofacial, sob a coordenação do Prof. Dr. NIVALDO ALONSO. Entretanto, fui voluntário durante o ano de 1996, realizando todos os deveres dos especializandos do Serviço, ao mesmo tempo em que preparava a monografia do Mestrado. Neste ano, passava quatro das sete noites da semana dentro de ônibus entre Curitiba e São Paulo. Na segunda e terça feiras eu permanecia em São Paulo atendendo no ambulatório de cirurgia craniofacial e auxiliando as cirurgias da especialidade. Na quarta feira atendia no meu consultório em Curitiba. Na quinta feira estava em São Paulo no grupo de fraturas de face, junto com Drs. MARCO TÚLIO AMARANTE e OTÁVIO MACHADO, sob coordenação do Prof. NIVALDO, e no ambulatório de fissuras lábio palatinas com Dr. SÍLVIO. Na sexta feira atendia aos meus pacientes novamente em Curitiba. Minha carreira acadêmica começou efetivamente em 1997, quando defendi o Mestrado em Cirurgia Plástica, sob orientação do Prof. Dr. NIVALDO ALONSO, meu grande incentivador. O tema estudado foi a distração osteogênica de mandíbula, que naquele momento estava se iniciando. Havia em 1995 menos de 20 artigos publicados no tema, todos com poucos pacientes. Junto com Prof. NIVALDO e Dr. RODRIGO NOVAES CANTO, organizamos um curso sobre o tema, trazendo o Prof. Dr. FERNANDO MOLINA do México, com o qual realizamos os primeiros casos de distração mandibular no Brasil. Com o aprendizado da técnica, foi possível iniciar o tratamento de uma série de pacientes, que foram publicados nacionalmente (Folha Médica) e internacionalmente (Journal of Craniofacial Surgery e Journal of Cranio-Maxillofacial Surgery). Esta experiência nos estimulou a apresentar em congressos internacionais os nossos casos. Em 2002, apresentamos 72 pacientes tratados com a distração óssea mandibular numa mesma mesa em que o inventor da técnica, Prof. Dr. JOSEPH MCCARTHY, da Universidade de Nova Iorque, apresentou 71 pacientes. Meu doutorado, versando sobre a avaliação de uma série de pacientes tratados com alongamento ósseo de mandíbula onde se utilizou os aparelhos internos, foi defendido em 2003, sob orientação do Prof. NIVALDO. Pessoalmente acredito que um marco ocorreu em minha trajetória, quando em 2005 fui convidado pelo Prof. Dr. JOSEPH SHIN a conferir uma palestra na Disciplina de Cirurgia Plástica da Universidade de Yale (New Haven – EUA) sobre fissuras raras da face. Conheci então o Prof. Dr. JOHN PERSING, chefe do Serviço, que havia feito o convite ao Prof. NIVALDO para escrever um capítulo sobre este tema em seu novo livro. Posteriormente, Prof. NIVALDO me convidou a escrever consigo. Em 2006 decidi continuar minha formação, e após contato com Prof. PERSING, programei para em 2007 ir a New Haven para o Pós-Doutoramento, sob orientação do Prof. Dr. JOSEPH SHIN. Fiz a solicitação de bolsa de estudos a CAPES, acreditando que seria deferido por ser aos 37 anos Professor Adjunto de uma universidade pública (Universidade Federal do Paraná), com Mestrado e Doutorado, tendo alguns trabalhos publicados em revistas nacionais e internacionais. Infelizmente, 20 dias antes da data da viagem, recebi o indeferimento por parte da CAPES. O avaliador referiu que meu currículo era muito fraco, pois tinha somente um artigo no PUBMED. Este fato, acredito eu, foi o divisor de águas em minha vida acadêmica. Decidido a me aprimorar, fui com minha família a New Haven - EUA, para passar um ano, cobrindo pessoalmente nossos gastos. No Pós-Doutorado pude assistir a um dos maiores cirurgiões craniofaciais do mundo, principalmente no tratamento das craniossinostoses. Realizei diversos trabalhos científicos, que culminou com a publicação de 20 deles no ano de 2008, nove no ano de 2009 e um no ano de 2010. Tive o melhor aproveitamento de um aluno de Pós-Doutorado em Cirurgia Plástica na Universidade de Yale. Após seis meses, já tinha concluído o trabalho principal, quando decidi retornar ao Brasil. A Universidade Federal do Paraná entrou na minha vida em dois momentos. Fui aprovado por ela em Medicina, aos 16 anos de idade, obtendo a 19ª colocação na UFPR, que era o vestibular mais concorrido em meu estado. Cursei a Medicina entre 1985 e 1990. E, em 1998, quando fui aprovado no concurso para Professor Substituto na Disciplina de Técnica Cirúrgica e Cirurgia Experimental da mesma Universidade. Tive contato com acadêmicos de medicina do 3º ano da graduação, que me motivou a seguir na carreira acadêmica. No ano seguinte, houve concurso com uma vaga para Professor Assistente na Disciplina de Cirurgia Plástica e Reparadora da UFPR, quando fui aprovado. A progressão funcional na UFPR ocorre automaticamente a cada cinco anos, ou pode ser solicitada a cada dois anos por merecimento. Após ascensão a Professor Adjunto I em 2003 devido ao grau de Doutor, tive progressão bianual, atingindo a Professor Adjunto IV em 2009. Na Disciplina, tenho contato estreito com alunos do 4º ano de Medicina, participando ativamente do curso de graduação em cada semestre. Também, tenho a supervisão direta dos alunos do estágio eletivo em cirurgia plástica que acontece durante a semana, tanto no centro cirúrgico como no ambulatório. Em 2006 criamos o Estágio Não-Obrigatório em Cirurgia Plástica para 24 alunos do 7º período, que tiveram 100 horas-aula, distribuídas entre ambulatório, centro cirúrgico e aulas teórico-práticas. Os alunos do Estágio Não-Obrigatório foram estimulados a realizar trabalhos científicos, que descreverei abaixo. A idéia evoluiu para a criação de uma nova disciplina optativa, denominada Cirurgia Plástica II, para 18 alunos, locada no oitavo período do curso de graduação, que se iniciou em 2010. Criamos em 1999, junto com o Prof. Dr. GILVANI AZOR DE OLIVEIRA E CRUZ, o Curso de Especialização em Cirurgia Plástica no Hospital de Clínicas da UFPR, que permite a entrada de dois especializandos por ano. Nestes 10 anos, formamos 14 cirurgiões plásticos. Demonstrando que estamos no caminho certo, no teste para o título de especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, nos últimos três anos, obtivemos em dois anos o prêmio de melhor residente do Brasil (Drs. ANDRÉ RICARDO DALL’OGLIO TOLAZZI em 2007 e MARIA CECÍLIA CLOSS ONO em 2009). Fui orientador de oito alunos da especialização, com monografias apresentadas em congressos nacionais, e algumas delas publicadas. Conheci o Dr. ANDRÉ RICARDO DALL’OGLIO TOLAZZI durante o período de Professor Substituto na Disciplina de Técnica Operatório, quando ele era monitor da disciplina. Depois me ajudou em alguns trabalhos científicos. Vendo seu interesse em Cirurgia Plástica, mantive contato até sua aprovação para especializando em nosso serviço. Durante sua residência, pudemos trabalhar juntos na confecção de vários trabalhos científicos e na organização da Liga de Cirurgia Plástica da UFPR, que evoluiu para a Disciplina Optativa em Cirurgia Plástica II. Após obter o título de especialista, Dr. ANDRÉ cursou o mestrado na Pós-Graduação em Cirurgia da UFPR, trabalhando com cola cirúrgica, tema de um trabalho nosso publicado alguns anos antes no Acta Cirúrgica Brasileira. Não fui seu orientador por não pertencer a Pós-Graduação da Clínica Cirúrgica, e não estive em sua banca de defesa do Mestrado, apesar do convite, devido estar em meu Pós-Doutorado naquele momento, morando nos EUA. Dr. ANDRÉ está atualmente como médico voluntário no Serviço de Cirurgia Plástica e Reparadora do Hospital de Clínicas da UFPR, e tenho a certeza, terá um futuro acadêmico brilhante. Dra. MARIA CECÍLIA CLOSS ONO foi também minha aluna de graduação, mas tive maior contato na especialização. De grande capacidade de organização, pudemos publicar alguns trabalhos científicos. Fui seu Orientador na monografia de conclusão de especialização, sobre método de avaliação do volume orbital com tomografia. Fui Co-Orientador de sua tese de mestrado na Pós-Graduação em Cirurgia da UFPR sobre cicatrização, defendida em dezembro de 2009. Iniciando a doutorado na mesma instituição, serei novamente seu Co-Orientador. Como se pode notar no relato acima, minhas atividades de pesquisa têm contado com a fundamental colaboração de alguns pesquisadores com quem tenho tido a felicidade em trabalhar em conjunto. Além dos colaboradores, minha pesquisa tem envolvido intensa participação de alunos de graduação e de pós-graduação, algo que comento com mais detalhes em seguida. Minhas linhas de pesquisa são na área de cirurgia craniofacial, especialmente no tratamento de fissuras da face, e na reconstrução mamária. Tenho atualmente alguns projetos de pesquisa aprovados e em curso. Um trabalho em conjunto com a Unidade de Cirurgia Craniofacial do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da FMUSP, sobre o uso de Proteína Morfogenética no tratamento de fissura óssea alveolar, foi realizado, sendo aceito para a publicação numa revista de alto impacto, e é tema do aluno de mestrado Dr. LADY WILSON CANAN JUNIOR, que sou co-orientador. Outro projeto de pesquisa versa sobre a avaliação da função respiratória de pacientes fissurados. Alguns projetos de pesquisa foram apresentados em congressos nacionais e internacionais. Em 2003 apresentei um trabalho em Monterey- EUA, no Xth International Congress of Craniofacial Surgery, com bolsa de estudo coberta pela Fundação Araucária (Processo no. 23075.38375/03-08 – DOU No. 179 – 16 se setembro de 2003). Posteriormente tive outro trabalho agraciado com uma bolsa de estudo pela Fundação Araucária para o ISCFS XIII Biennial International Congress, em Oxford – Inglaterra (Processo no. 23075.099107/2009-75 – DOU No. 169 – 03 de setembro de 2009). Um projeto de grande monta, junto a Disciplina de Genética Médica da Universidade de São Paulo, sob coordenação da Profa. Dra. MARIA RITA PASSOS-BUENO, Professora Titular, para estudar as malformações craniofaciais e doenças genéticas, recebeu o apoio do CNPQ no valor aproximado de oito milhões de Reais. Outro apoio que temos recebido é da Organização Não-Governamental Americana, chamada Smile Train. No ano de 2000, durante um congresso na Suíça sobre fissuras lábio palatinas, tive contato com a organização que iniciava, naquele momento, seu apoio a centros de fissurados ao redor do mundo. Desde 2001, depois de firmado o contrato entre a organização e nosso centro (Centro de Atendimento Integral ao Fissurado Lábio Palatal - CAIF), temos recebido o valor de 75 mil dólares anuais, para apoio ao funcionamento da instituição. Outros projetos de pesquisa que considero relevantes foram os desenvolvidos com alunos de graduação de medicina, no estágio não obrigatório de cirurgia plástica. Já foram publicados quatro trabalhos, havendo dois trabalhos em avaliação, em revistas nacionais e internacionais. A cirurgia craniofacial é uma nova área de atuação do cirurgião plástico, que se iniciou no final da década de sessenta. Assim como a distração osteogênica dos ossos faciais, que está completando vinte anos do relato dos primeiros operados. Ambas são as áreas que mais tenho trabalhado, sendo objetos das minhas teses de mestrado e doutorado (distração óssea), ou pós-doutorado (riscos radioativos na realização de tomografias computadorizadas em recém-natos com craniossinostose). Também são as fontes de minhas maiores publicações científicas. Dos 80 trabalhos publicados, ao redor de 60% deles são na área de cirurgia craniofacial. Tenho tentado divulgar os bons resultados das pesquisas obtidos pelo grupo através da elaboração de publicações e apresentação de trabalhos em encontros científicos. Embora seja difícil medir completamente a receptividade de tais trabalhos junto à comunidade científica, existem alguns mecanismos aceitos internacionalmente que servem de indicadores complementares para tal avaliação. Um dos indicadores de impacto mais comumente aceitos refere-se às citações obtidas pelos trabalhos publicados. Apesar do curto período que venho publicando em revistas internacionais, tenho alguns trabalhos com várias citações no Scopus, Web-of-Science e no Google Scholar. A listagem completa das citações que levantei junto a esses mecanismos de busca encontra-se incluída na documentação complementar deste memorial. A minha experiência no tratamento da Síndrome de Poland foi publicada em 2007 e, devido a isto, fui convidado a escrever um capítulo no livro do Dr. MELVIN SHIFMANN, publicado em 2008. Outros dois capítulos em livros americanos escrevi, junto com Dr. JOSEPH SHIN, durante meu pós-doutorado na Yale. Também escrevi capítulos de livro junto com meu mentor, Prof. NIVALDO, sobre tratamento de craniossistonose sindrômica (publicado em 2009) e sobre sequelas de trauma nasal (a ser publicado este ano), e junto com o Coordenador do nosso serviço, Prof. Dr. GILVANI AZOR de OLIVEIRA e CRUZ, sobre microssomia craniofacial e fissura lábio palatina (a serem também publicado em 2010). As atividades de pesquisa acima descritas representam os esforços que tenho empreendido para a geração de novos conhecimentos e consequente contribuição no avanço da ciência. Grande parte da confiança que se pode colocar na ciência depende de dois aspectos distintos da geração do conhecimento: sua produção e a subsequente avaliação por parte da comunidade científica. Essa segunda atividade, de avaliação, representada por tarefas como bancas e revisão por pares em boas conferências e periódicos, possui uma importância capital no avanço científico ao definir padrões de qualidade a serem alcançados pela comunidade científica (além, obviamente, de permitir que a própria comunidade analise e avalie os novos conhecimentos em termos de diferentes parâmetros como veracidade, originalidade ou correção). Por dar grande importância a esse tipo de atividade de avaliação, tenho procurado atuar intensamente para também contribuir nesse sentido. Tenho participado como revisor de alguns periódicos nacionais e internacionais. Além da atividade de revisão, tenho procurado igualmente colaborar através da participação como membro de avaliação em Eventos de Iniciação Científica. Sou atualmente co-editor da Revista Brasileira de Cirurgia Craniomaxilofacial. Outra atividade relacionada que realizei foi organizar alguns eventos científicos locais e nacionais, um dos quais foi o I Congresso Brasileiro de Fissura Lábio Palatina, realizado em Curitiba em 2005, onde fui o Presidente do Congresso. Analogamente, tenho me esforçado para participar, sempre que possível, de bancas para as quais sou convidado. A formação de recursos humanos através de pesquisa é um dos objetivos na minha vida acadêmica. Esse trabalho de orientação envolve diversos desafios instigantes como a procura por temas originais de pesquisa, o recrutamento de bons alunos, a busca por financiamento de bolsas e equipamento necessário e o acompanhamento do desenvolvimento do projeto de pesquisa, com todas as pequenas angústias e vitórias que tipicamente aparecem no dia-a-dia de um cientista. Desde 1998, orientei 54 alunos de graduação e oito alunos da especialização, e co-orientei uma aluna de mestrado, Dra. MARIA CECÍLIA CLOSS ONO, que foi minha aluna na graduação e residente, defendeu o mestrado em dezembro de 2009 sobre o tema cicatrização, uma das linhas de pesquisa da Pós-Graduação. Estou co-orientando outro aluno atualmente. Dr. LADY WILSON CANAN JUNIOR está cursando o mestrado sobre o uso de proteína morfogenética para formação de osso em pacientes fissurados, devendo defender ainda no ano de 2010. Na Pós-Graduação em Cirurgia do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná há uma norma da necessidade de duas co-orientações para poder receber alunos sob minha orientação direta. Desta forma, pretendo em breve indicar novos alunos para a seleção da Pós-Graduação, uma das minhas metas futuras. Os frutos obtidos durante a interação com esses alunos compensam enormemente os esforços empregados; assim, considero-me particularmente afortunado por ter encontrado alunos tão inteligentes, empenhados e de excelente trato pessoal durante minha carreira na UFPR. Dentre as minhas atribuições como professor universitário, tenho realizado atividades administrativas necessárias para o funcionamento da universidade. Desde minha admissão na Disciplina de Cirurgia Plástica e Reparadora, assumi a Vice-Coordenação do serviço. Exerci também a função de membro de várias comissões intra-hospitalar. Fui membro representante do Departamento de Cirurgia no Comitê Setorial de Pesquisa por seis anos, onde aprendi muito sobre as fontes de fomentos, avaliações Ad-Hoc, e projetos de pesquisa. O serviço de saúde no Brasil tem passado por problemas crônicos de funcionamento, com superlotação de hospitais e postos de atendimento. Todo médico deveria exercer alguma atividade assistencial a população carente. Principalmente médicos oriundos de universidades públicas. Minha atividade assistencial distribui-se basicamente em duas instituições. No Hospital de Clínicas da UFPR, atendo um ambulatório de cirurgia plástica que se foca em pacientes sequelados (por queimaduras, úlceras de pressão, cicatrizes inestéticas – queloide, e reconstrução mamária), ou em deformidades congênitas. E no Centro de Atendimento Integral ao Fissurado Lábio Palatal. Em 1996, após um filho de um amigo nascer com fissura labial, fiquei sabendo de um centro especializado no tratamento desta deformidade em Curitiba. No mesmo dia, fui ao CAIF que é atualmente segundo maior centro de tratamento desta malformação no Brasil. O diretor Dr. LAURO CONSENTINO FILHO me acolheu, e após uma longa conversa, apresentou-me a quem seria a minha primeira paciente no serviço. Era um caso de fissura de face número 30 de Tessier, um caso raro de fenda mediana de mandíbula, que precisava realizar a distração osteogênica. Entrei no centro no grupo da Cirurgia Buco-maxilo-facial, sob coordenação do Prof. Dr. JOÃO LUIS CARLINI. Após algum tempo, iniciei o atendimento a todas as deformidades da face. Minha experiência no CAIF veio me ajudar na elaboração de minha tese de Mestrado, de Doutorado e, agora, de Livre-Docência. Em 2004, pudemos iniciar a realização de cirurgias intracranianas para tratamento de craniossinostoses, quando da inclusão no grupo de cirurgia craniofacial do CAIF do neurocirurgião Dr. CÉSAR VINÍCIUS GRANDE. Trabalhando ativamente no CAIF com deformidades craniofaciais, iniciei o treinamento de cirurgiões na área de craniofacial. O Dr. LUCIANO SAMPAIO BUSATO fez residência de cirurgia plástica em outro serviço de Curitiba, e após eu notar o seu interesse no tratamento de pacientes portadores de fissura lábio palatina, convidei-o a realizar um treinamento em deformidades craniofaciais. Durante três anos, Dr. LUCIANO esteve me auxiliando num primeiro momento, e depois realizando as cirurgias sob minha orientação, até o momento quando pode assumir seu ambulatório próprio e um dia cirúrgico no CAIF. Hoje Dr. LUCIANO atende semanalmente 20 pacientes e realiza quatro cirurgias. Posteriormente pudemos treinar outro cirurgião, Dr. ÁLVARO FAGOTTI FILHO, que tinha sido meu residente e também tinha interesse em pacientes fissurados. Hoje Dr. ÁLVARO é o responsável pelo tratamento destes pacientes em Londrina - Paraná, no Centro de Fissura Lábio Palatina de Londrina (CEFIL), e vem trabalhando como professor convidado da Universidade de Londrina no grupo de Otorrinolaringologia. Tenho atualmente outro cirurgião em treinamento, Dr. LADY WILSON CANAN JUNIOR, que deverá assumir um ambulatório no CAIF no tratamento de deformidades maxilomandibulares e malformações vasculares. Deste modo, acredito estar formando profissionais tanto em nível de residência, como na área de atuação da Cirurgia Craniofacial. Paralelamente as minhas atividades acadêmicas, tenho tentado contribuir com a sociedade em geral realizando atividades voluntárias. Iniciei no ano de 2000 minha atividade de voluntariado numa organização não-governamental americana denominada Operation Smile International, que provêm tratamento à pacientes com deformidades craniofaciais, indicado pelo Prof. Dr. MARCUS CASTRO FERREIRA. Após uma missão em Cuiabá, sob sua coordenação, fiquei muito motivado com a possibilidade de ajudar pessoas com deformidades faciais, em outras partes do mundo. Tenho realizado ao redor de quatro missões ao ano, tendo já realizado 24 missões voluntárias em países como Quênia, Etiópia, Marrocos, China, Nicarágua e Jordânia, mas também em nosso país, em estados como Goiás, Pará e Ceará. Durante estas jornadas, objetiva-se não somente realizar o tratamento cirúrgico destes pacientes, mas também treinar os profissionais locais para que num futuro sejam auto-suficientes, e possam realizar estes procedimentos, sem a necessidade de receber voluntários de outras regiões ou países. Pude aprender muito no contato com profissionais de todo o mundo e, principalmente, com a população local e os pacientes, sobre o que é o voluntariado e a ajuda humanitária sem retorno financeiro. Sentir o agradecimento e a felicidade na face destes pacientes que, muitas vezes, nem conseguimos nos comunicar verbalmente, é uma força que me move a seguir neste caminho. Vim de uma família simples, último filho de um pai lavrador e uma mãe professora de escola primária, que sempre pensaram que a melhor opção para seus filhos seria o estudo. Deste modo, venderam suas terras e foram para a cidade. Dos seus 10 filhos, seis se formaram em Medicina, uma em odontologia, uma em educação física e uma em pedagogia. No ano de 1984, durante o chamado terceirão, meu Pai sofreu infarto do miocárdio, vindo a falecer. Isto me deu ainda mais força para continuar, visto que ele fez tudo que foi possível para que seus filhos estudassem. Não poderia deixar de mencioná-los neste memorial, que conta não a história da minha vida, mas sim, representa todos os desejos daqueles que fizeram de tudo para que eu aqui estivesse, neste momento, ultrapassando mais uma importante etapa da minha trajetória. Este Prólogo apresentado procura resumir os pontos mais importantes de minha carreira, de maneira a salientar meu engajamento em diversas atividades. Apresento, em seguida, uma listagem completa dos tópicos que compõem meu Curriculum Vitae, devidamente documentado, e coloco-me à disposição da banca para quaisquer esclarecimentos e informações adicionais.

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Professional experience

Associate Professor

Federal University of Paraná

April 1998 - Present

Education

Livre Docencia

FMUSP

June 2010 - Present

Doutorado em Cirurgia Plástica

FMUSP

November 2002 - Present

Mestrado em Cirurgia Plástica

FMUSP

January 1997 - Present

Residência de Cirurgia Plástica

Universidade de São Paulo

January 1996 - Present

Residência de Cirurgia Geral

Universidade de São Paulo

January 1993 - Present

Médico

Federal University of Paraná

December 1990 - Present

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