Febre a bordo: migrantes, epidemias, quarentenas

  • Bastos C
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Resumo Neste artigo faço uma retrospetiva dos estudos sobre epidemias a que me dediquei enquanto antropóloga, dando destaque a um fenómeno que interseta os interesses da antropologia da biossegurança e da história das plantações de açúcar e migrações laborais: os surtos epidémicos a bordo dos barcos de migrantes em finais do século XIX. Baseada num relato de mais de 50 mortes infantis por sarampo numa viagem de emigrantes da Madeira para o Hawaii em 1884, e constatando que existiu uma sequência de pelo menos três mortandades equivalentes no espaço de dois anos, discuto questões mais amplas de saúde, desigualdade, tráfico, corpo, género, família, não sem dar atenção à materialidade da vida dos navios que se foram reconfigurando no transporte de força do trabalho escravizada, vinculada e contratada.Abstract In this article I present an overview of my previous work on epidemics, leading to a new topic that stands at the intersection of an anthropology of biosecurity and a critical history of sugar plantation societies: the epidemics on board of late 19th century migrant ships. Starting with a report about a measles outburst on a steamer carrying migrants from Madeira to Hawaii in 1884, in which over fifty children died of the disease, and realizing that this was one of a sequence of at least three equivalent devastations in less than two years, I discuss broader questions of health, social inequalities, trade in humans, body, gender, kinship, not without a focus on the materiality of the vessels that transported the labor force, whether in enslavement, indenture, sponsored contracts or other modalities of bondage.

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Bastos, C. (2020). Febre a bordo: migrantes, epidemias, quarentenas. Horizontes Antropológicos, 26(57), 27–55. https://doi.org/10.1590/s0104-71832020000200002

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