Abstract
Este artigo analisa as transformações recentes na política externa brasileira, a partir da crise política que resultou na destituição da Presidente Dilma Rousseff. Para tanto, analisa o contexto internacional e interno e realiza uma avaliação da política externa dos governos Dilma Rousseff (2011–2016), Michel Temer (2016–2018) e Jair Bolsonaro (a partir de 2019), para os eixos regional, multilateral e bilateral. Utilizando pressupostos de Análise de Política Externa (APE), esta pesquisa analisa simultaneamente os condicionamentos internos e internacionais para a formulação da política externa, identificando atores e interesses. Tem como hipótese de que a política externa brasileira já vinha sofrendo uma crise e reorientação matricial durante o Governo Dilma, baseada na crise política e econômica interna e na transformação das bases internacionais do Brasil, com a fragilização da integração regional e paralisia das negociações multilaterais. As diretrizes da política externa promovida pelo Governo Temer refletiram a conjuntura internacional, a crise brasileira e os interesses de um novo bloco de poder, que procura reorientar a política externa brasileira para uma nova matriz de projeção internacional, mas permaneceu como um período de transição. Já com o Governo Bolsonaro verifica-se uma inflexão matricial na política externa brasileira, com fortes significados internos e internacionais, tendo como principal condicionante a ascensão da direita conservadora.
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Reis da Silva, A. L. (2022). De Dilma a Bolsonaro: as transformações matriciais na política externa brasileira. Interacción Sino-Iberoamericana / Sino-Iberoamerican Interaction, 2(1), 1–26. https://doi.org/10.1515/sai-2022-0007
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