Abstract
"Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós" (Manoel de Barros, p. 43) 1. A mentoria, relação de orientação e suporte entre um profissional experiente e um iniciante, tem sido reconhecida como importante estratégia de desenvolvimento profissional e pessoal na formação médica, beneficiando mentores e mentorados. Além do caráter desenvolvimental, a relação de mentoria diminui o estresse emocional, potencializando recursos para o enfrentamento de adversidades. Embora não nomeada especificamente como mentoria, encontramos nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de Graduação em Medicina 2 , publicadas em 2014, indicativos coerentes com esse conceito. Citamos, como exemplo, dois trechos em destaque nas DCN: Art. 7º Na Educação em Saúde, o graduando deverá corresponsabilizar-se pela própria formação inicial, continuada e em serviço, autonomia intelectual, responsabilidade social, ao tempo em que se compromete com a formação das futuras gerações de profissionais de saúde, e o estímulo à mobilidade acadêmica e profissional, objetivando: IV-aprender em situações e ambientes protegidos e controlados, ou em simulações da realidade, identificando e avaliando o erro, como insumo da aprendizagem profissional e organizacional e como suporte pedagógico; Art. 29. A estrutura do Curso de Graduação em Medicina deve: V-criar oportunidades de aprendizagem, desde o início do curso e ao longo de todo o processo de graduação, tendo as Ciências Humanas e Sociais como eixo transversal na formação de profissional com perfil generalista [...]. No artigo 7º, identificamos a valorização de um processo educacional que desenvolva o autoconhecimento e a autonomia do educando da mesma forma que explicita a importância do ambiente de aprendizagem seguro para que a reflexão sobre a prática aconteça de forma sistematizada e orientada. No artigo 29, destaca-se a importância de a gestão do curso, de forma intencional e transversal, oportunizar o desenvolvimento pessoal e profissional de forma ampla e individualizada. Nesse contexto, a reflexão sobre a mentoria apresentada no suplemento é coerente e apoia os objetivos da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) para a melhoria da formação médica, desde o momento de ingresso na escola médica. A pandemia do novo coronavírus, com as necessárias medidas de controle, afetou médicos e profissionais da saúde na linha de frente do cuidado, com intensa sobrecarga física e emocional, impactando fortemente também a formação médica. Em um período turbulento, de interferência drástica nas atividades das escolas médicas, as ações de suporte, entre elas a mentoria, tornaram-se ainda mais relevantes. A divulgação científica sobre mentoria pela Revista Brasileira de Educação Médica (RBEM), por meio de um suplemento especial, visou estimular a reflexão sobre as potencialidades dessa intervenção a qual, ao mesmo tempo que incrementa a formação, por meio das trocas intergeracionais, promove saúde mental, por meio de relações próximas, empáticas e solidárias. Considerando a diversidade de públicos, práticas e contextos nos quais pode ser desenvolvida, buscou-se com essa iniciativa
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Silveira, L. M. C. da, Bellodi, P. L., Diniz, R. V. Z., & Afonso, D. H. (2021). Mentoria em contexto. Revista Brasileira de Educação Médica, 45(suppl 1). https://doi.org/10.1590/1981-5271v45.supl.1-editorial
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