Projeto PREFER: informação de apoio à prevenção de incêndios florestais e à recuperação de áreas ardidas, com recurso à deteção remota

  • Lourenço L
  • Oliveira S
  • Félix F
  • et al.
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Abstract

Introdução À agitação marítima que chega à costa ou a zonas portuárias estão associados múltiplos acontecimentos perigosos, não só para os utilizadores dessas zonas e para as atividades que aí se desenvolvem, mas também para as estruturas de proteção costeira e portuária e para as infraestruturas aí localizadas ou na sua vizinhança. Exemplos desses acontecimentos são a variação da posição da linha de costa, o encalhe ou mesmo o naufrágio de navios em manobra, o dano ou a ruína das estruturas de proteção e a inundação dessas zonas devido ao galgamento destas estruturas. Ao longo da costa portuguesa já ocorreram vários episódios de galgamentos que causaram danos relevantes (fig. 1): o galgamento do quebra-mar de proteção da Marina de Cascais, em outubro de 1999, que interrompeu parte das operações da marina; o galgamento do quebra-mar do Porto da Praia da Vitória, Açores, completamente destruído após a tempestade de dezembro de 2001; o galgamento do quebra-mar de proteção da Marina do Lugar de Baixo, destruído como consequência de tempestades ocorridas em 2005, pouco depois de terminada a sua construção; o galgamento do quebra-mar do Porto de Ponta Delgada, Açores, em setembro de 2011, onde ocorreram graves constrangimentos à atividade portuária, especialmente carga e descarga de mercadoria; o galgamento do paredão da frente urbana da Costa da Caparica, em janeiro de 2014, que levou à interdição da circulação de pessoas desde São João da Caparica até à Nova Praia, para além de avultados danos materiais; e o galgamento frequente do paredão Estoril-Cascais, que danifica o próprio paredão e afeta a sua utilização por pessoas e veículos. Neste âmbito, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) tem vindo a desenvolver uma metodologia para a avaliação do risco associado à ocorrência de galgamentos não admissíveis em estruturas costeiras e portuárias (D. Silva et al., 2012; D. Neves et al., 2012; T. Rocha et al., 2013; P. poseiRo et al., 2013), que foi implementada na ferramenta informática HIDRALERTA (C. FoRtes et al., 2013), que é um upgrade do sistema GUIOMAR (D. Neves et al., 2009, 2010). Trata-se de um sistema integrado de apoio à decisão na gestão costeira e portuária que aproveita as potencialidades dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG). O primeiro passo desta metodologia é sempre a determinação da agitação marítima ao largo do local em estudo, seguida da aplicação, através do sistema HIDRALERTA, de modelos numéricos capazes de simular a evolução das caraterísticas da mesma desde o largo até à costa ou interior de bacias abrigadas. Depois, é necessário avaliar os efeitos da agitação marítima em termos de galgamento, normalmente caraterizado pelo caudal médio que transpõe a estrutura exposta à ação direta das ondas. Sendo os principais fins das estruturas marítimas a proteção e o abrigo, a existência de galgamentos pode levar à ocorrência, para além de danos na própria estrutura, de danos na instalação portuária protegida pela estrutura, de danos pessoais, de inundações e de outros prejuízos. Consoante a utilização da zona protegida pela estrutura, assim é estabelecido um valor limite para o caudal médio galgado, o que permite definir a ocorrência de galgamento não admissível. Face ao caráter irregular da agitação marítima incidente nas estruturas, à diversidade das soluções construtivas e aos diferentes materiais empregues, a estimação do caudal médio galgado por unidade de comprimento de determinada estrutura marítima envolve um processo complexo que deve ser efetuado levando em conta as caraterísticas da geometria da estrutura, do nível de maré e da agitação nela incidente, sendo por conseguinte comum a utilização de ferramentas empíricas (P. Besley, 1999; T. Pullen et al., 2007; M. Reis et al., 2008; E. Coeveld et al., 2005) baseadas em resultados de ensaios em modelo físico e/ou em medições em protótipo (M. Reis et al., 2011)a para esse efeito. Com tais ferramentas, é possível estimar a série temporal dos caudais médios galgados no trecho em estudo a partir da série temporal da agitação marítima incidente no mesmo trecho. À semelhança do que se faz com a altura de onda ou o período de onda, também o caudal médio galgado, q, pode ser tratado como uma variável aleatória. Do tratamento estatístico de amostras constituídas a partir da série de caudais podem estabelecer-se os chamados regime geral observado, médios e de extremos para esta grandeza. Também, utilizando a teoria dos extremos, é possível definir a distribuição de probabilidade da variável aleatória q, o que permite o cálculo da probabilidade de ocorrência de galgamentos não admissíveis, isto é, de ocorrência de valores de caudais médios galgados que ultrapassam o limiar de admissibilidade referido atrás. Assim, com base nessa probabilidade de ocorrência Fig. 1 -Exemplo de galgamentos em Portugal. Fonte: elaboração própria a partir de imagens de arquivo do LNEC, do Jornal Público e do Jornal Notícias de Cascais.

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Lourenço, L., Oliveira, S., Félix, F., Bento-Gonçalves, A., Nunes, A., & Vieira, A. (2014). Projeto PREFER: informação de apoio à prevenção de incêndios florestais e à recuperação de áreas ardidas, com recurso à deteção remota. Territorium, (21), 196–199. https://doi.org/10.14195/1647-7723_21_17

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