Abstract
A. (Orgs.). 2014. Saúde Mental na Escola: o que os educadores devem saber. São Paulo: Artmed. As doenças mentais são compreendidas como transtornos da trajetória da vida, que evoluem a par-tir de alterações do neurodesenvolvimento e que manifestam seus primeiros sinais na infância. Tal perspectiva enfatiza o papel da escola, pois longe de tratar apenas da questão do aprendizado, os profes-sores e a família possuem condição privilegiada, pois desde que se tornou obrigatória para todas as crianças e jovens brasileiros, esse ambiente passou a ser um local privilegiado de grande concentração de estimu-lação longitudinal e de grande impacto sobre todos os aspectos da vida. Nesse sentido, o livro Saúde Mental na Escola: o que os educadores devem saber é publicado com o objetivo de esclarecer melhor o modo como os educadores e os familiares dos alunos podem atuar para prevenção e promoção da saúde mental no contexto escolar. O primeiro capítulo evidencia a falta de conhecimento sobre saúde mental nas escolas brasileiras, o que resulta tanto nas tendências sobre a supervalorização de doen-ças, discriminação e de medicalização. Essa falta de conhecimento também impede a articulação de proje-tos sobre o desenvolvimento de habilidades não apenas intelectuais, mas também emocionais e sociais, que contribuirão para o desenvolvimento integral do aluno e constituirá um fator de proteção para problemas mentais no futuro. Porém, isso exige a aproximação de diferentes setores e áreas do conhecimento, por exemplo, educação, saúde e saúde mental, bem como de políticas públicas, para elaboração de novas práticas que atendam a esse objetivo. Os capítulos de 2 a 6 abordam a diferença entre transtorno e problema mental, definindo o que seriam quadros de transtornos mentais (TM) já instalados e dificuldades mentais intermediárias e/ou mais amenas em que não se configura um TM. A falta de informação confiável e orientação especializada sobre essa condição patológica levam ao estigma, que é um dos problemas de maior impacto na saúde mental, devido à influên-cia negativa que causa no indivíduo. Ao decorrer dos capítulos os temas família e escola são correlacionados, evidenciando a importância de ambos se relacionarem, pois essa aproximação é de grande relevância na promo-ção da saúde mental. O sistema educacional é destacado como protagonista no contexto de disseminação de saúde e define o termo " aprendizagem socioemocio-nal " , referindo-se a um processo fundamental que auxilia o relacionamento interpessoal e introspectivo do indivíduo, ressaltando cinco processos dessa aprendi-zagem: autoconhecimento, consciência social, tomadas de decisão responsável, habilidades de relacionamento e autocontrole. Essas habilidades, se bem desenvolvidas e trabalhadas, poderão resultar em fatores de proteção contra um possível TM. O capítulo 7 trata do neurodesenvolvimento e suas principais etapas. Os autores mostram dados sobre como a maturação cerebral está relacionada com o desenvolvimento de habilidades cognitivas, emocionais e sociais. Esse desenvolvimento concomitante depende da interação entre fatores biológicos, como carga gené-tica e o ambiente, que pode ser um facilitador ou um inibidor para do desabrochar das habilidades humanas. Todos esses processos estão associados a períodos de reorganização do cérebro, que podem consistir em grandes aquisições de desenvolvimento. Os transtornos psiquiátricos são descritos entre os capítulos 8 e 9, ressaltando a transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno de ansiedade social e a fobia social como as mais relevantes na infância e adolescên-cia. A estimativa é que entre 5% e 13% da população apresentem esse problema. Já o transtorno obsessivo compulsivo, que afeta entre 1% e 3% da população, tem seu tratamento postergado pela falta de conhecimento de suas características. Há também os transtornos relacionados ao humor, como depressão e transtorno bipolar, em que a criança pode apresentar dificuldades para controlar as emoções, conforme o capítulo 10. Os capítulos de 11 a 14 tratam dos critérios diagnósticos do TDAH e seus subtipos. Em casos que apresentem persistência de sinais de irritabilidade, oposição e agressividade, podem sugerir quadros definidos como do transtorno de oposição desafiante e do transtorno comporta-mental. Para todos esses casos, o diagnóstico deve considerar a manifestação dos sintomas dentro de um contexto, levando em consideração dados cole-tados em uma anamnese e troca de informações com familiares, educadores e outros profissionais de
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Garcia, J. M. (2016). Saúde Mental na Escola: O que os Educadores Devem Saber. Psico-USF, 21(2), 423–425. https://doi.org/10.1590/1413-82712016210217
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