Abstract
A ideia do Antropoceno como nova Época geológica surgiu vinculada ao modelo geoepistémico da Ciência do Sistema Terrestre, emergente na segunda metade da década de 1980, e foi pacificamente adotada no âmbito da comunidade de pesquisa da Ciência da Sustentabilidade. Todavia, no domínio da Ecologia Política, as suas figuras mais proeminentes enjeitaram-na, numa reação idêntica à tida por vários destacados académicos das Humanidades, propondo, ambos, em convergência, periodizações e nomenclaturas alternativas. O propósito deste artigo é, pois, triplo: examinar como é que a corrente da Ecologia Política reagiu à adesão conjunta da Ciência do Sistema Terrestre e da Ciência da Sustentabilidade à ideia do Antropoceno; analisar como é que académicos das Humanidades se distanciaram dessa proposta e alvitraram, alternativamente, conceitos de conotação menos neutral (e.g., “Capitaloceno”); ponderar criticamente como é que se pode abandonar, no plano ontológico, a velha separação natureza/cultura, implicada na ideia do Antropoceno, conservando, ao mesmo tempo, no plano lógico, a indissolúvel distinção entre o natural e o social.
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Veiga, J. E. da. (2022). Antropoceno e Humanidades. Anthropocenica. Revista de Estudos Do Antropoceno e Ecocrítica, 3. https://doi.org/10.21814/anthropocenica.4203
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