Abstract
O artigo propõe uma reflexão acerca do tema da humanização do parto no contexto da formação em obstetrícia, fundamentalmente instigada pela contribuição de uma etnografia do processo de ensino-aprendizagem em medicina nessa área. As técnicas de pesquisa utilizadas foram observação participante, entrevistas semi-estruturadas e pesquisa documental. Apresenta-se o material etnográfico produzido no acompanhamento de um curso oferecido pelo Departamento de Obstetrícia e Ginecologia de conceituada faculdade de medicina em São Paulo e de visitas de seus alunos a serviços públicos de "assistência humanizada" e suas repercussões no ensino da atenção ao parto. Chama atenção que os embates em torno da noção de humanização contrapõem modelos de atenção apresentados nas visitas àqueles serviços ao existente no Hospital-Escola e, ainda, a modelos ideais propostos por seus professores. A discussão também põe em pauta o próprio ideal de profissão e seu campo de competências. Neste sentido, as visitas e suas repercussões constituíram também uma oportunidade de consolidação de uma identidade coletiva em formação. A dificuldade de lidar com o pluralismo de propostas de conduta, objetivo da disciplina em pauta, impede, da perspectiva do ensino, a formação do pensamento crítico e a maior autoconfiança na tomada de decisão.The article discusses humanization in the context of Obstetric training, instigated by contributions from ethnography on the process of learning medicine in this field. Research techniques utilized include participant observation, primary source analysis, and in-depth interviews. Ethnographic material was produced while accompanying a course offered by the Department of Gynecology and Obstetrics of a renown São Paulo medical school and visits by students to public services offering "humanized care" in birth, as part of its curricular activities. Repercussions of these visits in class are also presented. Conflicting views on the notion of humanization contrast the models of care presented by the hospitals visited and by the Medical School Hospital, as well as ideal models of obstetric care upheld by its professors. The ensuing discussion also highlights the ideal of the medical profession and its field of competence. Thus, the visit and its repercussions were also an opportunity for further consolidating a collective identity: that of physician in training. The difficulty in dealing with pluralisms as to conducts, proposed by different schools of thought within Medicine is brought to attention. As a consequence, difficulties arise in developing a critical outlook and in gaining self-confidence in decision-making.
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Hotimsky, S. N., & Schraiber, L. B. (2005). Humanização no contexto da formação em obstetrícia. Ciência & Saúde Coletiva, 10(3), 639–649. https://doi.org/10.1590/s1413-81232005000300020
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