Atividade física e envelhecimento: aspectos epidemiológicos

  • Matsudo S
  • Matsudo V
  • Barros Neto T
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Abstract

INTRODUÇÃO A relação entre atividade física, saúde, qualidade de vida e envelhecimento vem sendo cada vez mais discutida e ana-lisada cientificamente. Atualmente é praticamente um con-senso entre os profissionais da área da saúde que a ativida-de física é um fator determinante no sucesso do processo do envelhecimento. É o objetivo desta revisão estabelecer os principais fatores determinantes do nível de atividade física durante o envelhecimento e os benefícios do estilo de vida ativo na prevalência de doenças crônicas não trans-missíveis, na mortalidade e na manutenção da capacidade funcional durante esse processo. Alguns dos conceitos que serão utilizados ao longo da discussão dos assuntos aqui tratados têm sido adequada-mente definidos e compilados pelos melhores especialis-tas da área, que em reunião especial chegaram a alguns consensos 1 . Dentre aqueles, os conceitos que merecem es-pecial atenção são: a) Atividade física: definida como qualquer movimento corporal produzido em conseqüência da contração muscu-lar que resulte em gasto calórico. b) Exercício: definido como uma subcategoria da ativi-dade física que é planejada, estruturada e repetitiva; resul-tando na melhora ou manutenção de uma ou mais variá-veis da aptidão física. c) Aptidão física: é considerada não como um compor-tamento, mas uma característica que o indivíduo possui ou atinge, como a potência aeróbica, endurance muscular, for-ça muscular, composição corporal e flexibilidade. Desta forma poderíamos também considerar a própria definição dos autores 1 , de epidemiologia da atividade físi-ca, como a parte da epidemiologia que se preocupa com: a) a associação entre os comportamentos da atividade físi-ca e a doença; b) a distribuição e determinantes dos com-portamentos da atividade física em populações específi-cas; e c) a associação entre atividade física e outros com-portamentos. Nível de atividade física, barreiras e motivação nos adul-tos de maior idade Dentre essas associações propostas pela epidemiologia da atividade física, têm surgido pesquisas tentando estabe-lecer o padrão do nível de atividade física em diferentes populações de indivíduos de maior idade. Em 1994, Cas-persen et al. 1 compilaram informação de cinco grandes le-vantamentos realizados na população do sexo masculino maior de 65 anos da Inglaterra, Estados Unidos e Holanda. De acordo com aquelas pesquisas, a caminhada foi uma das atividades mais realizadas, variando de 38% a 72%, seguida pela jardinagem, que foi prevalente entre 37% e 67%. Já atividades como correr, trotar, jogar tênis e golfe foram realizadas por menos que um em cada dez indiví-duos. Dados provenientes de 2.783 homens e 5.018 mulheres maiores de 65 anos de idade da Pesquisa Nacional de Saú-de dos Estados Unidos de 1990 2 determinaram a prevalên-cia de atividade física regular, que naquele estudo foi defi-nida como a participação em atividades físicas no tempo livre por três ou mais vezes por semana e por mais de 30 minutos nas últimas duas semanas. Com esses parâmetros os autores encontraram uma prevalência de atividade físi-ca regular de 37% no sexo masculino e 24% no sexo femi-nino. Mais uma vez, conforme os dados apresentados an-teriormente, as atividades mais comumente realizadas fo-ram a caminhada (69% dos homens e 75% das mulheres) e a jardinagem (45% dos homens e 35% das mulheres). O processo de avaliação diagnóstica do Programa Agita São Paulo realizado na Região Metropolitana e no Interior do Estado de São Paulo determinou o nível de conheci-mento, barreiras e facilitadores à prática da atividade físi-ca em uma amostra de mais de 2.000 indivíduos maiores de 50 anos. De acordo com os dados encontrados por An-drade et al. 3 , constatou-se que as barreiras mais freqüentes para ambos os sexos em cidades pequenas do Interior do

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Matsudo, S. M., Matsudo, V. K. R., & Barros Neto, T. L. (2001). Atividade física e envelhecimento: aspectos epidemiológicos. Revista Brasileira de Medicina Do Esporte, 7(1), 2–13. https://doi.org/10.1590/s1517-86922001000100002

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