Abstract
Prezado Editor, Gostaríamos de chamar a atenção dos leitores para uma comunicação breve publicada na edição de janeiro de 2012, que traz como conclusão uma prevalência aumentada de hipertrofia ventricular esquerda em indivíduos com Índice Tornozelo-Braquial (ITB) alterado. O estudo de Albuquerque e cols. 1 comparou indivíduos portadores de hipertensão arterial com ou sem ITB alterado. Uma vez que se encontrou uma alta prevalência (10,5%) de ITB baixo em um grande estudo realizado no Brasil 2 , tornam-se de suma importância a identificação e a caracterização dos indivíduos com ITB alto ou baixo. Entretanto, a utilização do ITB em pesquisas e na prática clínica requer a estrita observância das diretrizes. Nesse contexto, a técnica de cálculo do ITB recomendada pelas diretrizes não foi utilizada no estudo de Albuquerque e cols. 1 Os autores usaram a média de duas leituras tomadas em um tornozelo para o cálculo do ITB para o respectivo membro. No entanto, o ITB direito ou esquerdo deve ser determinado utilizando-se o maior pulso dos pés, quer seja da artéria pediosa ou da tibial posterior em cada tornozelo (e não a média), como numerador na fórmula. Então, o menor dos ITB direito e esquerdo calculados deve ser registrado como ITB final do paciente. Quando se utiliza o valor médio, o valor do numerador diminui, o que resulta na detecção de um maior número de indivíduos com ITB baixo. Essa é, na realidade, a técnica recomendada tanto pelas diretrizes práticas do ACC/AHA de 2005 para o tratamento de pacientes com doença arterial periférica (DAP) 3 quanto pela diretriz do Consenso Inter-Sociedades para o Tratamento de DAP (TASC II) 4. Ademais, essa questão é uma das razões pelas quais a avaliação do ITB através de aparelhos oscilométricos automáticos não consegue reproduzir completamente a técnica clássica por Doppler 5. Para além dos achados deste estudo, a aplicação do cálculo correto do ITB torna-se ainda mais importante se considerarmos que, ao utilizar esse valor, o clínico diagnostica DAP, o que altera significativamente o tratamento e o prognóstico do paciente. Artigo recebido em 16/02/12; revisado em 16/02/12; aceito em 10/07/12. Palavras-chave Hipertrofia ventricular; índice tornozelo-braquial; hipertensão. 1. Albuquerque PF, Albuquerque PH, Albuquerque GO, Servantes DM, Carvalho SM, Oliveira Filho JA. Ankle-brachial index and ventricular hypertrophy in arterial hypertension. Arq Bras Cardiol. 2012;98(1):84-6.
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Kabul, H. K., Aydogdu, A., & Tasci, I. (2012). Cálculo do Índice Tornozelo-Braquial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 99(2), 772–773. https://doi.org/10.1590/s0066-782x2012001100012
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