Abstract
Cuidado paliativo é uma "filosofia", um "modo de cuidar" que visa à aprimorar a qualidade de vida dos pacientes e famílias que enfrentam problemas relacionados a doenças ameaçadoras da vida, provendo alívio da dor e de outros sintomas, suporte espiritual e psicossocial, do diagnóstico ao fim da vida e luto. Em cuidado paliativo preconiza-se a compaixão, o não abandono, a não suspensão de tratamentos e a não indução da morte (eutanásia); não se recomendam tratamentos fúteis (obstinação terapêutica), aceita-se o limite da vida e o objetivo é o cuidado e não a cura. Em cuidado paliativo a relação profissional-paciente pretende ser humanizadora, a morte digna e o respeito aos princípios éticos da veracidade (base para a confiança no relacionamento profissional-paciente), da proporcionalidade terapêutica (implementação apenas de medidas terapêuticas úteis), do duplo efeito (busca-se o efeito positivo, apesar de se reconhecer a possibilidade de efeitos negativos) e da prevenção (implementação de medidas para prevenir complicações), um eixo constante. Estudos indicam que os profissionais de enfermagem despendem mais tempo com pacientes no final da vida do que qualquer outro profissional de saúde e, outros estudos também indicam, que os profissionais de enfermagem não se sentem competentes ou confiantes para o cuidado no final da vida. Mas o que é esse cuidado no final da vida? Cuidar em enfermagem paliativa é prover conforto, agir e reagir adequadamente frente a situação de morte com o doente, família e consigo mesmo; é promover o crescimento pessoal do doente, família e de si mesmo, é valorizar o sofrimento e as conquistas, empoderar o outro com seu cuidado e empoderar-se pelo cuidado, é lutar para preservar a integridade física, moral, emocional e espiritual, é conectar-se e vincular-se e auxiliar o outro e a si mesmo a encontrar significados nas situações. Cuidar em enfermagem paliativa é prover o alívio de sintomas, ser flexível, ter objetivos de cuidado, advogar pelo doente e reconhecê-lo como ser humano único. Os papéis do enfermeiro em cuidados paliativos são educar, cuidar, promover, advogar e coordenar e os atributos para exercer tais papéis são ter "expertise" clínica, manter o foco no doente e família, ter atos deliberados, intencionais, de cooperação, manter a honestidade na comunicação e estar presente, disponível e atento (discernir com sabedoria). A filosofia dos cuidados paliativos está bem estabelecida, mas a pesquisa na área, em fase de crescimento e consolidação. Há significativo conhecimento sobre a dinâmica dos processos de morrer, morte e luto, de comunicação, dos aspectos emocionais e dos princípios legais e bioéticos aplicados aos cuidados paliativos. No entanto, há grandes lacunas na compreensão do que seja angústia espiritual, do papel da espiritualidade/ religiosidade nas situações de luto e morte, de estratégias para aliviar o sofrimento espiritual, melhorar o acolhimento e a comunicação. Na área de controle de sintomas há importante produção de conhecimento sobre a etiologia e estratégias para o controle da dor, mas muito menos se sabe sobre a fisiopatologia e terapias
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Pimenta, C. A. de M. (2010). Cuidados paliativos: uma nova especialidade do trabalho da enfermagem? Acta Paulista de Enfermagem, 23(3), v–viii. https://doi.org/10.1590/s0103-21002010000300001
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