Abstract
OR QUALQUER ângulo que se aproxime do tema, qualquer que seja o nó que se tente desfazer, constata-se que, para vencer os grandes de-safios que terá no século XXI, o Brasil deverá mudar radicalmente sua postura-colocar a questão ambiental no início e no centro de todas as políticas, para que ela perpasse todas as concepções e todas as ações. Se não for assim, caminhará de precariedade em precariedade, retornará sempre a um ponto de partida cada vez mais complexo e grave. Pode-se começar pelo desafio que está sendo considerado o mais grave e imediato de todos-superar os constrangimentos nas contas externas do país. Para isso, teríamos de dobrar as exportações, de modo a obter um saldo comercial que nos permitisse suportar as contas deficitárias de juros, remessa de lucros, royalties, assistência técnica, viagens etc. Mas a prática está mostrando um quadro bem diferente. Partiu-se da previsão de um saldo comercial de US$ 10 bilhões, que foi minguando. E já se admite até a possibilidade de déficit comercial em 2000. Não é exatamente surpresa. Desde os primeiros anos da década de 90, seguidos diagnósticos têm apontado a falta estrutural de competitividade das exportações brasileiras. Essencialmente, por falta de inovação tecnológica real. Para compensar, recorre-se à apropriação de fatores ambientais, como se fossem financeiros. E à mão-de-obra barata, aos salários reais deprimidos. É o que diz, por exemplo, o Relatório do Desenvolvimento Humano no Bra-sil (PNUD, 1996). Só que custos ambientais e custos sociais costumam ter preços altos, ao longo do tempo. São finitos, esgotam-se. E mesmo quando a competiti-vidade é assim obtida, a falta de escala para competir leva a outro obstáculo quase insuperável. Outro documento mais recente-Agenda 21 Brasileira-Bases para Discussão-confirma esse diagnóstico. Esse documento é fruto de exaustivas discussões e análises no âmbito da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável (CPDS) e da Agenda 21 Nacional, criada pelo governo federal, mas que é paritária-além de membros do governo, tem representantes do empresariado e da sociedade.
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Novaes, W. (2000). Os desafios do século XXI. Estudos Avançados, 14(40), 107–115. https://doi.org/10.1590/s0103-40142000000300011
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