Abstract
Buridina é uma pequena aldeia karajá incrustada no centro da turística cidade de Aruanã (GO), à beira do Rio Araguaia. Na década de 1970, sua população iniciou uma série de casamentos com os não índios regionais, de modo que, hoje, a maioria da população é mestiça. Este fato, aliado ao extremo conhecimento e engajamento desta po- pulação no mundo não indígena, não raro faz pesar sobre Buridina o estigma da aculturação. Partindo dos casamentos interétnicos, dos filhos gerados por eles e da forma como os Karajá os classificam para explorar a forma indígena da relação entre as pers- pectivas indígena e não indígena, o artigo se dedi- ca a mostrar que, para estes Karajá, o aprendizado e experimentação do mundo dos tori (os brancos) não implica uma “perda cultural”. Antes que de um processo aculturativo, trata-se de uma experiência corporal dupla, na qual ambas as perspectivas se re- lacionam numa unidade repartida.
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Nunes, E. S. (2010). De corpos duplos: mestiçagem, mistura e relação entre os Karajá de Buridina (Aruanã-GO). Cadernos de Campo (São Paulo, 1991), 19(19), 113. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v19i19p113-134
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