Abstract
O texto discute como a escola atua como espaço de vigilância e controle, reproduzindo práticas que reforçam a patologização da infância. Educadores tendem a classificar e rotular comportamentos infantis que fogem do padrão esperado, muitas vezes sem considerar o contexto social, familiar e cultural da criança. Essa postura se relaciona a uma lógica de medicalização, em que dificuldades escolares e condutas “indisciplinadas” são entendidas como transtornos ou deficiências, exigindo encaminhamento médico ou psicológico. A escola, em vez de abrir espaço para a diversidade de modos de aprender e se expressar, frequentemente busca a normalização do aluno, funcionando como um dispositivo de exclusão. O discurso médico-psicológico legitima essa prática, pois fornece diagnósticos que sustentam a ideia de que o problema está no aluno, e não na estrutura escolar ou nas condições sociais. A autora articula essas práticas com a noção foucaultiana de biopoder e disciplina, mostrando como a instituição escolar regula corpos e mentes, estabelecendo padrões de “normalidade”. Ao transformar diferenças em patologias, a escola acaba colaborando para a marginalização das crianças que não se encaixam. O capítulo também critica a visão de infância reduzida à obediência, rendimento e adaptação às regras, deixando de lado a criatividade, espontaneidade e subjetividade das crianças. Destaca-se a necessidade de resistência a essa lógica, com práticas educativas que reconheçam a criança como sujeito histórico e singular, e não como objeto de controle.
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Luengo, F. C. (2010). A vigilância punitiva: a postura dos educadores no processo de patologização e medicalização da infância. A vigilância punitiva: a postura dos educadores no processo de patologização e medicalização da infância. Editora UNESP. https://doi.org/10.7476/9788579830877
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