Educação para o futuro: psicanálise e educação

  • Santos L
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Abstract

O que podem fazer, conjuntamente, psicanalistas e educadores, pela Educação? Essa é uma questão que interroga, sutilmente, o leitor que se embrenha nas idéias de Maria Cristina Machado Kupfer sobre a delicada (e polêmica) intersecção entre Psicanálise e Educação. Os psicanalistas, quando não são ortodoxamente clínicos, se aventuram em outros aspectos da cultura e, ainda assim, comumente duvidam da possibilidade de algum tipo de colaboração efetiva da Psicanálise para alguma intervenção nos fenômenos do cotidiano escolar. Partem de uma premissa de que cada sujeito deve ser considerado singularmente, portanto o professor ou o aluno necessitariam ser escutados individualmente, para que alguma transformação oriunda da Psicanálise possa se fazer notar. Como pensar então, em fenômenos de amplitude social como o fracasso escolar, da indisciplina e do vandalismo que assolam algumas escolas, da desvalorização da figura do professor no imaginário social ou ainda da própria descrença sobre uma suposta garantia de ascensão socioeconômica por via de uma carreira escolar supostamente efetuada com sucesso. Já os educadores, não entendem como alguém que ocupa um lugar de saber, não responde diretamente às questões formuladas, devolve questões no lugar de respostas, pergunta por aspectos subjetivos do educador ao invés do educando, não diz o que fazer, aponta sentidos estranhos aos discursos dos diversos atores da cena escolar, pede com freqüência para falar um pouco mais (falar o quê, afinal?) de um aluno ou de uma situação. Mas, afinal, como pode haver um diálogo, então, entre esses dois interlocutores? Esse livro fornece alguns subsídios para que haja algum início de interlocução entre o psicanalista e o educador, pois a autora ocupa esses dois lugares em seu percurso acadêmico e profissional. É psicanalista de formação lacaniana, docente de graduação e pós-graduação no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e idealizou, além de coordenar, a Pré Escola Terapêutica Lugar de Vida. A oferta dessa instituição é caracterizada pela pesquisa, atividades de ensino e extensão, além do atendimento terapêutico de crianças portadoras de distúrbios globais do desenvolvimento, incluindo-se ai as variadas síndromes genéticas além das psicoses e autismos. Um aspecto crucial que deve ser destacado é, de que essas crianças encontram poucas chances de escolarização no sistema tradicional, dai a tentativa do grupo de profissionais (realmente multi-disciplinar, composto por psicanalistas, fonoaudiólogos, médicos e outros especialistas) de ar-quitetar uma proposta inovadora, chamada educação terapêutica. A idéia norteadora dessa proposta é, de que por meio de um processo educacional, possa haver um espaço, potencializado pelos profissionais, para a assunção de um sujeito, em cada criança que se matricula no Lugar de Vida. Essa aposta, tratar o aluno como sujeito e não objeto, é o resultado de um programa de pesquisa, iniciado em 1982 com sua dissertação de mestrado, que tratava da relação professor-aluno sob um olhar psicanalítico, até 1999, com sua tese de livre-docência (que gerou esse livro),

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Santos, L. A. R. dos. (2000). Educação para o futuro: psicanálise e educação. Psicologia Escolar e Educacional, 4(1), 299–300. https://doi.org/10.1590/s1413-85572000000100005

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