Mata, Iacy Maia. Conspirações da raça de cor: escravidão, liberdade e tensões raciais em Santiago de Cuba (1864-1881)

  • Chira A
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Abstract

Entre 1864 e 1881, a jurisdição de Santiago de Cuba, situada na região oriental da ilha, foi palco de conspirações e insurreições antiescravistas e anticoloniais. Em 1867, foi descoberto um plano de sublevação envolvendo escravos e livres de cor com o objetivo de pôr fim à escravidão; nos anos seguintes, a região seria o cenário de duas guerras anticoloniais: a Guerra de Dez Anos (1868-1878) e a Guerra Pequena (1879-1880). Nos conflitos, houve grande mobilização de escravos e livres de cor e os insurretos lograram formar um Exército Libertador multirracial. Estas insurreições forçaram a Espanha a encaminhar a emancipação gradual da escravidão e foram marcadas pela emergência de líderes negros e mulatos que pautaram a luta contra o domínio colonial, a escravidão e as barreiras raciais. Em 1880-1881, após ser aprovado o Patronato (última lei de emancipação), as autoridades espanholas promoveram uma violenta repressão a uma suposta “conspiração da gente de cor” e a deportação de centenas de negros e mulatos para Fernando Pó, na Costa da Guiné. Através destes episódios, investigados a partir de uma vasta documentação, que inclui textos de viajantes, testamentos, censos, processos instaurados pela Comissão Militar, correspondências de autoridades coloniais e debates parlamentares, discuto como uma parte da população de cor passou a reivindicar a identidade racial. Para isto, analiso o complexo sistema de classificação racial em Cuba e as diversas clivagens internas à população de cor, as transformações no vocabulário político dos não brancos e a aproximação entre negros e mulatos para fins de mobilização política. Concluo argumentando que, entre 1864-1881, quando se fortaleceram as críticas à escravidão e foram aprovadas leis de emancipação gradual, houve o recrudescimento das linhas raciais em Santiago de Cuba, ao mesmo tempo em que, junto à formação da identidade nacional que se forjava nas lutas anticoloniais, negros e mulatos se unificavam reivindicando o pertencimento à “raça de cor”

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Chira, A. (2016). Mata, Iacy Maia. Conspirações da raça de cor: escravidão, liberdade e tensões raciais em Santiago de Cuba (1864-1881). Revista Brasileira de História, 36(73), 267–270. https://doi.org/10.1590/1806-93472016v36n73-015

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