Psicologia social dos estereótipos

  • Guerra P
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Abstract

Pereira, M. E. (2002). Psicologia social dos estereótipos. São Paulo, SP: EPU. Marcos Emanoel Pereira leciona na Universi-dade Federal da Bahia as disciplinas psicologia social e psicologia social dos estereótipos, dedicando-se também ao estudo dos estereótipos étnicos. Seu livro, Psicologia social dos estereótipos, compreende sete capítulos e uma conclusão ao final. A introdução corresponde ao primeiro capítulo e apresenta o enfoque de " quem são os outros " , pela perspectiva da análise individual. O outro poderia ser qualquer um, inclusive o próprio observador em outra situação, e geralmente a análise do outro é feita por concepções errôneas, conferindo uma avaliação negativa. Várias anedotas étnicas são analisadas em termos sociológicos, delineando-se limites geográficos, sociais e morais de nações ou grupos, que refletem valores e normas. O autor mostra que há uma tendência siste-mática na autovalorização e na valorização do próprio grupo, concomitante a uma desvalorização do outro, mas não há consenso de como ou por que isso ocorre. O enfoque da instalação do estereótipo observa que pessoas, inicialmente, imaginam e definem o mundo e em seguida o observam. A interpretação estaria fundamentalmente associada à cultura, que determinaria de forma estereotipada a noção interna sobre o mundo externo. Assim, já haveria uma opinião formada, de acordo com os códigos da cultura, para se analisar o mundo antes mesmo de observá-lo. O mundo estaria ordenado por códigos, passados de geração a geração, favorecendo a estereotipia, que por função defenderia as tradições culturais e posições sociais. O segundo capítulo apresenta um posiciona-mento etimológico e histórico dos termos estereótipo e estereotipia, centrando-se nas ciências sociais, que usam para referências às imagens generalizadas sobre grupos ou membros destes. Outra questão é a preocupação desta área em esclarecer os conteúdos dos estereótipos e suas influências à percepção social, julgamentos e comportamentos. Vários métodos de investigação dos estereótipos são descritos, porém afirma-se haver um predomínio da metodologia experimental. Questões conceituais sobre preconceito e discriminação, partindo-se da existência do estereótipo, e suas inter-relações são abordadas no terceiro capítulo. A idéia defendida é que tanto se alimentam discriminação e preconceito utilizando-se fatores sociais, afetivos, e cognitivos, quanto se diminuem com métodos, como a hipótese do contato e a redução da ignorância. Desde a década de 90, teorias sobre estereótipos têm considerado o individual ou o contextual, enfatizando ou não o conflito, delineando quatro perspectivas. A primeira observa a teoria individualista e o conflito, em geral teorias psicanalíticas, centradas em noções de repressão, projeção e catarse. Essa micro-análise observa que crenças surgem com o tempo e devido a experiências repetidas. A segunda concepção avalia o contexto e não o conflito. São teorias socio-culturais, que enfatizam a aprendizagem social, especialmente evolução e meios de transmissão dos estereótipos. A observação e repetição de comporta-mentos seria favorável à associação de um papel, um critério e por fim um diagnóstico social. Essa macro-análise enfoca que crenças são compartilhadas, sendo a sociedade o depósito da informação, além de admitir a importante influência da mídia, contribuinte para uma " indústria cultural " . A teoria da identidade social corresponde à terceira concepção, reunindo a dimensão contextual e o conflito. Sugere que ao se perceber membro de um grupo, o indivíduo sente-se com as características daquele grupo, compartilhando percepções e comportamentos. A última abordagem refere-se à teoria da cognição social, que observa o individual e não o conflito. Essa visão considera estereótipos estruturas cognitivas, tem sido preponderante nos últimos vinte anos e estuda o processamento da informação, enfatizando os mediadores cognitivos. Esses processos favoreceriam a similaridade entre membros de um grupo. Seriam usados para racionalizar as próprias atitudes e dos demais e forneceriam prescrições, por definirem concepções e comportamentos em relação a uma situação. O autor descreve também mecanismos envolvidos na formação dos estereótipos, citando memória, atenção, codificação das informações, afetos, auto-imagem e processos automáticos controlados. Esses mecanismos seriam agentes na categorização do 1 Endereço para correspondência: Rua Buriti, 95 − Bairro Palmeiras − Campinas-SP − 13094-220

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Guerra, P. B. de C. (2002). Psicologia social dos estereótipos. Psico-USF, 7(2), 239–240. https://doi.org/10.1590/s1413-82712002000200013

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