Abstract
Uma das preocupações políticas que com frequência vem ganhando os noticiários dos principais meios de comunicação é a ética na ação política. Pelo menos desde a bem-sucedida campanha pelo impeachment do então presidente Collor, a cobrança de um comportamento que combata a corrupção e as más práticas na política é cada vez mais presente em nosso quotidiano. Páginas e páginas são publicadas em defesa da ética na política e nas relações comerciais. A pre-ocupação com a formação ética proporcionada pelo sistema de ensino também é inegável e está formalmente incorporada tanto nos parâmetros curriculares nacionais para o primeiro e segun-do ciclos de formação, como nas diretrizes curriculares aprovadas pelo Ministério da Educação. No nosso caso e dos demais profissionais de saúde, esta atribuição foi associada de forma inconteste e peremptória ao processo formativo. Muitos ainda discutem de que forma é possí-vel tornar essa associação efetiva. Alguns ainda pensam nas aulas magnas ou na prescrição de comportamentos idealizados, acreditando que a prática não ética possa estar associada ao des-conhecimento do que seja considerado certo pela sociedade ou, ao menos, pela nossa corpora-ção. Entretanto, em geral, esta concepção é considerada francamente ultrapassada ou ineficaz. Nos últimos meses, essa expectativa da sociedade se manifestou no apoio ao chamado projeto da "ficha limpa". Espera-se que apenas candidatos a cargos eletivos que ainda não tenham sido condenados por um colegiado de juízes possam se candidatar. Tal projeto − aprovado com uma emenda que, segundo alguns, pode ter modificado o "espírito" de sua versão inicial − conseguiu canalizar as esperanças de observância desse preceito ético, como as diretrizes curriculares o fizeram em relação ao requisito da formação ética. Uma das faces do processo de transformação curricular que ocorre em várias escolas médicas desde a última década do século passado é a ênfase na produção científica. Tal ênfase tem estimulado a formação de grupos de pesquisa, ligas acadêmicas e grupos de extensão em nosso meio, além da introdução sistemática desse tema em nossos congressos anuais. O au-mento da produção científica, secundária a uma institucionalização maior dos esforços pela produção científica, pode ser constatado pelo volume de trabalhos submetidos a publicação em nossa revista e por aqueles encaminhados para apresentação em nossos congressos e nos demais congêneres. Se é verdade que muitos desses trabalhos são relatos de experiências de ensino ou assistência à saúde, também o é que a qualidade desses relatos melhorou sensivel-mente, e hoje já não se admite um relato que não faça também a discussão teórica associada. É também evidente a todos os que se dedicam a conhecer a produção científica em educação médica que vem sendo produzida e divulgada em nossas páginas e nas de outros periódicos que abrem espaço à divulgação das pesquisas em nosso campo, que nossa produção científi-ca, em geral, é de boa qualidade e merecedora da interlocução nacional e internacional. Entretanto, e por motivos que desconhecemos, muitos de nossos colegas ainda escolhem citar, preferencialmente, os trabalhos publicados no exterior, dialogando pouco com os colegas que publicam nas revistas nacionais. Como a imensa maioria desses artigos publicados em peri-ódicos nacionais ainda não é oferecida no idioma inglês, o diálogo acadêmico não se dá, de fato, com os autores que são mais citados e que publicam em inglês. I Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ. Brasil.
Cite
CITATION STYLE
Rego, S. (2010). Índice H, autoria e integridade na produção científica. Revista Brasileira de Educação Médica, 34(2), 189–190. https://doi.org/10.1590/s0100-55022010000200001
Register to see more suggestions
Mendeley helps you to discover research relevant for your work.