PRODUTIVISMO A QUALQUER CUSTO? GERENCIALISMO E ASSÉDIO MORAL NA UNIVERSIDADE

  • FIGUEIREDO V
  • BERNO I
  • ADIY N
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RESUMO: Considerando a importância dos aspectos da organização do trabalho e, principalmente, das práticas de gestão para a disposição de relações abusivas, este artigo tem como objetivo classificar as situações de assédio e de violência moral assinaladas por professores universitários, assim como caracterizar o contexto laboral onde ocorriam as agressões. Participaram da pesquisa 18 professores universitários de uma instituição no centro-oeste brasileiro que relataram terem vivenciado assédio moral, através da resposta ao item 31 do Questionário de Atos Negativos (QAN). Para a sistematização das situações de violência e do assédio foi avaliada a periodicidade das agressões, assim como a frequência de respostas dos itens do QAN, do questionário sociodemográfico e ocupacional e da Escala de Avaliação do Contexto de Trabalho. Os resultados apontam para um contexto laboral caracterizado por práticas injustas e ritmo de trabalho intenso, propiciando relações hostis e abusivas. Para os docentes assediados, a universidade exige competitividade (94%, n=17) e há falta de integração (83%, n=15), indicando uma vivência solitária que conduz ao individualismo. Em relação ao assédio moral, 9 (50%) docentes foram/eram alvo de maledicências e tiveram/tinham seu posicionamento desprezado mensalmente, semanalmente ou diariamente. Já sobre situações que aconteciam de vez em quando (violência), 10 (55,6%) professores reportaram serem constantemente criticados no serviço. Conclui-se que as ocorrências de violência moral são prova da necessidade de se repensar o ambiente universitário, cujos laços sociais têm sido arrebatados pela lógica quantitativa, métrica, meritocrática, em desprezo à qualidade e ao sentido do fazer.RESUMEN: Considerando la importancia de aspectos de la organización laboral y, principalmente, de las prácticas de gestión para la eliminación de relaciones abusivas, este artículo tiene como objetivo clasificar situaciones de acoso y violencia moral denunciadas por profesores universitarios, así como caracterizar el contexto de trabajo donde ocurrieron las agresiones. La investigación incluyó a 18 profesores universitarios de una institución del centro-oeste brasileño que habian experimentado acoso moral, a través de su respuesta al ítem 31 del Cuestionario de Actos Negativos (CAN). Para sistematizar situaciones de violencia y acoso se evaluó la frecuencia de agresiones, la frecuencia de respuestas a los ítems QAN, el cuestionario sociodemográfico y ocupacional y la Escala de Evaluación del Contexto Laboral. Los resultados apuntan a un contexto laboral caracterizado por prácticas injustas y ritmo de trabajo intenso, fomentando relaciones hostiles y abusivas. Para los profesores acosados, la universidad exige competitividad (94%, n=17) y hay falta de integración (83%, n=15), indicando una experiencia solitaria que conduce al individualismo. En relación al acoso moral, 9 (50%) docentes fueron objeto de calumnias y ignorados en su cargo en el mes, semana o diariamente. Respecto a situaciones que ocurrían de vez en cuando (violencia), 10 (55,6%) docentes relataron haber sido criticados constantemente en el servicio. Se concluye que los hechos de violencia moral son prueba de la necesidad de repensar el ambiente universitario, cuyos vínculos sociales han sido arrebatados por lógicas cuantitativas, métricas, meritocráticas, sin tener en cuenta la calidad y el significado de lo que se hace.ABSTRACT: Considering the importance of aspects of work organization and, primarily, management practices in addressing abusive relationships, this article aims to classify situations of harassment and moral violence reported by university professors, as well as to characterize the work context in which these incidents occurred. The research included 18 university professors from an institution in the Brazilian center-west who reported experiencing moral harassment, as indicated by their responses to item 31 of the Negative Acts Questionnaire (NAQ). To systematize situations of violence and harassment, the frequency of attacks was evaluated, as well as the frequency of responses to the NAQ items, the sociodemographic and occupational questionnaire and the Work Context Assessment Scale. The results point to a work context characterized by unfair practices and an intense work pace, fostering hostile and abusive relationships. For harassed professors, the university demands competitiveness (94%, n=17), and there is a lack of integration (83%, n=15), indicating a solitary experience that leads to individualism. Concerning moral harassment, 9 (50%) teachers were the target of slander and had their position disregarded monthly, weekly, or daily. Regarding situations that happened from time to time (violence), 10 (55,6%) teachers reported being constantly criticized in the service. It is concluded that the occurrences of moral violence are proof of the need to rethink the university environment, whose social ties have been snatched away by quantitative, metric, meritocratic logic, in disregard of the quality and meaning of what is done.

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FIGUEIREDO, V. C. N., BERNO, I. F., & ADIY, N. R. (2025). PRODUTIVISMO A QUALQUER CUSTO? GERENCIALISMO E ASSÉDIO MORAL NA UNIVERSIDADE. Educação Em Revista, 41. https://doi.org/10.1590/0102-469854453

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