Abstract
Como processo social, o folclorismo insere-se em contextos nacionais específicos. Neste artigo é analisada a consolidação do folclorismo português, ocorrida nas décadas de 30 a 50. Destaca-se o aparecimento de um discurso etnográfico próprio, paralelo e concorrente com o discurso científico. O universo social do folclore é encarado pelo poder político como um espaço para a construção dum consenso nacional, com o objectivo de neutralizar conflitos globais da nação (luta de classes, questão religiosa). O processo português de folclorização caracterizou-se por uma mobilização da sociedade em torno duma luta de gostos que substituiu a impossibilidade de debater a conflitualidade social.Folklorism, as a social process, always exists in a specific national context. This article analyses the Portuguese case of folklorism as it developed in the 30s, 40s and 50s. The emergence of this particular ethnographic discourse is addressed as paralel and rival to the scientific discourse of anthropology. The social space of folklorism was seen by political authorities as a site for the construction of a national consensus. It’s aim was to neutralize national conflicts such as class struggle and religious confrontation. Because of the impossibility of debating social conflicts, the process of folklorism mobilized Portuguese society around a discussion based on opposing tastes instead.
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Branco, J. F. (2022). A fluidez dos limites: discurso etnográfico e movimento folclórico em Portugal. Etnografica, 3 (1), 23–48. https://doi.org/10.4000/etnografica.2685
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