Abstract
Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking do mercado mundial desses produtos, ultrapassando a França e estando atrás apenas dos Estados Unidos e Japão. O Brasil possui ainda grande potencial de crescimento tendo como carac-terísticas: ser fonte de princípios ativos e insumos (principalmente os de origem natural), propiciar oportunidade para o uso de novas tecnologias com intuito de aumentar produtividade e eficácia dos produtos, apresentar constante aumento do consumo e de avanços na área regulatória (1). Muitos ativos naturais pesquisados ultimamente são compostos instáveis, podendo sofrer reações que levam à diminuição ou perda de eficácia e até mesmo a degradação do produto. Por isso, novas tecnologias vêm sendo propostas para melhorar o desempenho dos produtos cosméticos e sua aceitação pelo consumidor. Uma alterna-tiva para aumentar a estabilidade e, ainda, permitir a liberação con-trolada é o encapsulamento das substâncias ativas através de técnicas que envolvem a nanotecnologia. A nanoencapsulação consiste na compartimentalização de substâncias em carreadores, cujo tamanho situa-se na faixa nanométrica, tipicamente entre 50 e 300 nm. Os princípios da nanotecnologia foram introduzidos na área cosmética há alguns anos. No período entre 1994 e 2005, a L'Oreal (França) foi classificada como a quinta empresa no mundo com base no número de patentes relacionadas à nanotecnologia depositadas (2). Outras grandes empresas já utilizam a técnica de nanoencapsu-lamento em seus produtos, como, por exemplo, Lancôme e Given-chy (3). No Brasil, por exemplo, a empresa O Boticário apresenta uma linha de tratamento antienvelhecimento composta por dife-rentes produtos utilizando a nanotecnologia. Uma classe de ativos que podem ser encapsulados são os com-postos extraídos de vegetais. Os extratos vegetais são fontes promis-soras de substâncias bioativas, porém em seu estado bruto podem ter a atividade antioxidante comprometida em razão de sua insta-bilidade físico-química. Neste contexto, a nanotecnologia pode ser utilizada para a estabilização de diferentes compostos, aumentando também a estabilidade dos produtos finais (4-6). Adicionalmente, a nanoencapsulação de compostos antioxidantes pode aumentar a sua atividade antioxidante e prolongar a liberação dos mesmos, aumen-tando assim a sua eficácia (7-9). A nanotecnologia tem sido utilizada no desenvolvimento de formulações cosméticas mais estáveis, mais eficazes e com sensorial cosmético diferenciado (2; 6; 10). NaNoestruturas em cosmétIcos: característIcas e aPlIcações A indústria cosmética tem investido cada vez mais na utilização de sistemas nanoestruturados, com diferentes aplicações que serão apre-sentadas ao longo deste artigo. As nanopartículas, em geral, são caracterizadas por possuir uma alta superfície de contato e um grande número de partículas por unidade de peso. Para a formação de nanopartículas, a área de superfície por unidade de peso da partícula aumenta 10 2 vezes quando a partícula é reduzida de 1 µm para 10 nm e o número de partículas por peso aumenta 10 6 vezes. Com isso, as propriedades originais do material bruto, como, por exemplo, a temperatura de fusão e a solubilidade, também se modificam (2). Com base nas características decorrentes do tamanho diminuto, as nanopartí-culas contendo substâncias ativas são utilizadas com a intenção de melhorar sua funcionalidade, como, por exemplo, melhorar a disponibilidade ou estabilidade quando comparada com o mesmo material na forma molecular (2). Os sistemas nanoestruturados mais utilizados em cosméticos po-dem ser classificados em nanocápsulas, nanoesferas, nanopartículas lipídicas sólidas, nanoemulsões, microemulsões, lipossomas e niosso-mas, que serão explicados mais detalhadamente no decorrer do texto. As nanocápsulas são sistemas nanovesiculares que apresentam uma estrutura com núcleo e invólucro típica, com tamanho de par-tícula na faixa de aproximadamente 100 a 500 nm. As substâncias ativas podem ser transportadas dentro de uma cavidade envolvida por uma membrana polimérica, adsorvida na superfície ou impreg-nada na matriz polimérica. As nanocápsulas de núcleo lipídico são carreadores nanovesiculares nos quais o controle da liberação do ati-vo é atingido pela variação da concentração do polímero, do lipídio líquido e/ou lipídio sólido da formulação (7-11). Alguns polímeros que podem ser utilizados na formação das nanocápsulas são a po-licaprolactona, o ácido polilático, poli(ácido glicólico) e poli(ácido glicólico-co-ácido lático) (12). As nanocápsulas são normalmente utilizadas em cosméticos para proteger ativos sensíveis, reduzir odores indesejáveis e evitar incompatibilidades entre os ingredientes da formulação. Um dos primeiros produtos a utilizar nanocápsulas foi um creme antirrugas com vitamina A encapsulada; as partículas atuavam como reservató-rios, liberando a substância ativa lentamente (13). As nanocápsulas também têm sido investigadas intensivamente como veículos para filtros solares como o metoxicinamato de octila, salicilato de octila e benzofenona-3. Acredita-se que as nanocápsulas formem um filme de proteção na superfície da pele e controlem a penetração das subs-tâncias encapsuladas (12). As nanoesferas diferem das nanocápsulas por serem formadas por uma matriz polimérica, onde a substância pode ficar retida ou adsorvida, e não possuem óleo em sua composição (11). As
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Daudt, R. M., Emanuelli, J., Külkamp-Guerreiro, I. C., Pohlmann, A. R., & Guterres, S. S. (2013). A nanotecnologia como estratégia para o desenvolvimento de cosméticos. Ciência e Cultura, 65(3), 28–31. https://doi.org/10.21800/s0009-67252013000300011
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