Abstract
No final dos anos de 1960, Harold Garfinkel causou algum alvoroço nas ciências sociais ao sustentar, em seu Studies in ethnomethodology, que não há diferença significativa entre a investigação científica e a condução dos mais prosaicos assuntos cotidianos-uma vez que ambas se orientam por um mesmo domínio factual-e propor, a partir daí, uma nova e suposta-mente mais fundamental agenda de investigação sociológica. A sociologia se pergunta como é possível a ordem social. Ora, raciocina Garfinkel, tal pergunta, ela mesma, só é possível na medida em que se subscreve, irrefle-tidamente, o pressuposto de senso comum de que há, no mundo, algo passível de ser reconhecido como "ordem social". Como, entretanto, esse pressuposto se estabelece? Por meio de que práticas ou atividades as pes-soas, incluindo os cientistas sociais, estabelecem o "fato" de que há, no mundo, algo que possa ser legitimamente chamado de "ordem social" e, mais do que isso, que "ordem social" seja algo passível de "explicação"? Posto que fora de tais atividades sociais não há nada reconhecível como "ordem social", então, examiná-las é algo mais fundamental do que inves-tigar como determinados sistemas de ordem são possíveis. Nessa perspec-tiva, mais fundamental do que investigar, por exemplo, as origens e a via-bilidade do capitalismo moderno, seria examinar as atividades por meio das quais se institucionaliza, entre grupos determinados de pessoas-in-cluindo, como não poderia deixar de ser, os cientistas sociais-a crença de
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Freitas, R. S. de. (2005). A sedução da etnografia da ciência. Tempo Social, 17(1), 229–253. https://doi.org/10.1590/s0103-20702005000100010
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