Abstract
nas durante seus afazeres diários e pequenos passatempos mundanos, mas tam-bém por ocasião da grande festa coletiva em que se estava transformando o Car-naval. Espelhados no modo de vida burguês europeu, passaram pouco a pouco a se identificar com a nova paisagem que se projetava edificar na cidade. Aprende-ram a apreciar e a conviver com o espaço público e a desejá-lo mais e mais, procurando conformá-lo à imagem dos grandes centros urbanos d'além mar. Era também por ocasião das celebrações públicas-festas religiosas, cívicas ou reais e pelo Carnaval-que a sociedade representava a si mesma. Seus vários grupos e classes sociais eram postos lado a lado, o que permitia vislumbrar as relações de força que estabeleciam entre si. A festa expunha a cidade, as camadas dominantes bem o sabiam. Daí o empenho em implantar um outro modelo de festa carnavalesca em tudo diferente dos jogos de Entrudo, desde a origem que lhes era atribuída-herança dos antigos colonizadores portugueses-até a forma de exibição e de participação dos vários sujeitos sociais. O Carnaval idealizado pelas elites urbanas, com o qual desejaram substi-tuir e eliminar definitivamente o Entrudo do rol das diversões momescas-de resto, tido como selvagem, indecente, bruto, bárbaro e grosseiro-, inspirava-se nos monumentais festejos realizados em Veneza, Roma, Paris e Nice. O Carna-val deveria converter-se num belo espetáculo, produzido pelas camadas ricas e letradas, para ser contemplado e aplaudido por todos. As máscaras eram seus mais elaborados e cortejados objeto e artifício, pois o disfarce permitia ao masca-rado fazer a crítica de seu tempo e lugar.
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Araújo, R. de C. B. de. (1997). Carnaval do Recife: a alegria guerreira. Estudos Avançados, 11(29), 203–216. https://doi.org/10.1590/s0103-40141997000100011
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