Aspectos da pesca da baleia no Brasil colonial

  • Canales J
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Abstract

O tema dêste estudo despertou-nos curiosidade e interêsse, quando há alguns anos atrás iniciávamos as pesquisas para a nossa tese de doutoramento sôbre o monopólio do sal no Brasil durante o período colonial (1) . Curiosidade devida aos pontos de contacto entre os dois assuntos e, interêsse, pela importância da pesca da baleia na economia da época. Quanto à relação existente entre o comércio do sal no Brasil e a pesca da baleia, ambos foram monopólios de Estado. Ambos foram postos em arrendamento pela Corôa portuguêsa e arremata-dos muitas vêzes pelos mesmos Contratadores, comerciantes que tiveram em mãos os contrato do sal e o da pesca da baleia, como por exemplo, Domingos Gomes da Costa, Inácio Pedro Quintela e Joaquim Pedro Quintela (2) . A supressão do estanque do sal realizou-se concomitantemen-te com a do monopólio da pesca da baleia, pelo alvará de 24 de abril de 1801. E a aplicação do dinheiro resultante dos dois con-tratos teve, muitas vêzes, destinos comuns, como, por exemplo, o sustento da Colônia do Sacramento e a manutenção de fortalezas do litoral do Brasil (3) . E não é só. A pesca da baleia consumia muito sal. De acôrdo com a técnica usada no Brasil durante o período colonial, a baleia pescada era, em geral, retalhada em seguida e os pedaços, depois de salgados, transportados às armações, para a fa-bricação do azeite (4). Sôbre a importância daquela pesca para a economia colonial, cumpre dizer que a carne da baleia, salgada e embarrilada, servia de alimento para o escravo negro que na expressão de Antonil era "as mãos e os pés do senhor de engenho" (5); era aproveitada pa-ra as matalotagens das naus de comércio. O óleo extraído da ba-leia destinava-se à iluminação, à impermeabilização de barcos e dizem que à liga de rebôco para erguimento de muros e paredes. Os resíduos, provenientes da fritura do toicinho do cetáceo, comu-mente denominados "bôrra", misturados à cal do Reino, eram em-pregados nas construções: por isso, na demolição de antigas edifi-cações foi necessário, muitas vêzes, usar a dinamite (6). Ainda mais. Com o azeite da baleia era refinado o enxôfre, eram preparados couros e panos, fabricado o alcatrão, dissolvidas as tintas, fixadas as côres em tecidos de lã, algodão e linho, preparado o sabão mole e de pedra, mais baratos do que os fabricados com azeite de oliveira. Isto tudo, sem mencionar o âmbar, barbatanas e tendões, êstes últimos destinados à indústria de cordoaria, o espermacete — maté-ria oleosa, dura e cristalina existente nas cavidades do cérebro do cachalote — empregado nas boticas e na fabricação de velas (7). Eis pois, a razão do nosso estudo sôbre a pesca da baleia no Brasil durante a época colonial, estudo do qual não pudemos nos furtar ao desêjo de apresentar, por ora, à "Revista de História", es-tas discretas e despretenciosas notas prévias. Aqui vão elas.

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Canales, J. C. (1960). Aspectos da pesca da baleia no Brasil colonial. Hispanic American Historical Review, 40(2), 301–301. https://doi.org/10.1215/00182168-40.2.301

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