Abstract
A terceira obra da série Pensamento Feminista, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda (2020), reúne alguns textos fundamentais para a compreensão do feminismo a partir da perspectiva decolonial, uma das vertentes teórico-epistemológicas que mais tem ganhado espaço nos estudos latino-americanos hoje. Essa abordagem direcionada é o grande trunfo do volume, já que consegue garantir a coesão interna do livro e estimular reflexões de grande relevância para as diversas áreas do conhecimento que dialogam com os estudos feministas hoje. O texto de abertura assinado pela organizadora introduz de forma muito adequada o volume, apresentando as partes que o compõem e fazendo uma breve apresentação histórica do que foi o chamado giro decolonial. Ao mesmo tempo, em sua introdução, Heloísa lida com a urgência das questões que o feminismo decolonial coloca: “Como construir um feminismo sem levar em conta as perspectivas originárias? Sem absorver as gramáticas das lutas e dos levantes emancipatórios que acompanham nossas histórias? Como podemos reconsiderar as fontes e conceitos do feminismo ocidental?” (Heloísa Buarque de HOLLANDA, 2020, p. 12), são perguntas feitas pela autora ainda nesse trecho inicial e que serão respondidas de diversas formas - e por vozes igualmente diversas - ao longo das 380 páginas do livro. O volume está organizado em três partes, “Desafiando Matrizes”, “Práticas Decoloniais” e “Outras Línguas: Três artistas brasileiras”, de modo a fazer um recorte bastante abrangente, tanto temporal quanto geográfico, do chamado feminismo decolonial. Há desde textos do fim da década de 1980, como “Por um Feminismo-Afro-Latino-Americano” de Lélia Gonzalez, até textos publicados pela primeira vez em 2019, como “Fazendo uma genealogia da experiência” de Yuderkis Espinosa Miñoso. Os oito textos que compõem a primeira parte do livro têm origens bastante distintas, três autoras do Brasil, duas da República Dominicana, uma da Argentina, uma da Argélia e uma da Nigéria. Nessa primeira seção acessamos alguns dos textos mais paradigmáticos para os estudos de gênero que dialogam com a perspectiva colonial: “Colonialidade e gênero”, escrito por María Lugones é talvez o nome mais representativo nesse sentido. Nesse texto a autora parte da noção de colonialidade de Quijano para, embora reconhecendo toda a relevância do trabalho do intelectual peruano, evidenciar as limitações de suas considerações sobre a colonialidade de gênero. Lugones, então, reitera a situação de apagamento que das mulheres colonizadas no discurso capitalista eurocêntrico. Outro capítulo fundamental da primeira parte do livro é “Por um feminismo afro-latinoamericano” de Lélia Gonzalez. A inclusão desse texto, especialmente inovador para o contexto de
Cite
CITATION STYLE
de Souza, L. S. (2021). Sobre o feminismo decolonial On Decolonial Feminism. Revista Estudos Feministas, 29(1), 1–4. https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n172726
Register to see more suggestions
Mendeley helps you to discover research relevant for your work.