Abstract
Como pode a antropologia contribuir para uma agenda endógena de pesquisa nos es- tudos de género em Cabo Verde e/ou entre os cabo-verdianos capaz de produzir leituras múltiplas, que evitem a produção de categorias estanques e encarcerantes como sejam “mulher cabo-verdiana” ou “homem cabo-verdiano”? A partir do trabalho de pesquisa entre mulheres cabo-verdianas em Portugal que viajaram para “tirar um curso” e com mulheres cabo-verdianas em Cabo Verde que não tiveram oportunidade de estudar e de possuir os capitais académicos altamente valorizados pela sociedade cabo-verdiana, o artigo procura evidenciar a valorização que as mulheres atribuem à educação como um dos idiomas identitários centrais na construção de percursos biográficos diferenciados; argumentando que esses percursos biográficos atestam a necessidade de construção de agenda de pesquisa dos estudos de género, cuja tarefa central deve passar pela pesquisa das diferentes estratégias de uso situacional e contextual dos diferentes idiomas, nativos, (de género, classe, etnicidade, etc) que obrigam a adopção de olhares pluralizantes sobre o que significa “ser mulher cabo-verdiana”, contribuindo, por conseguinte, para a hetero- geneização da categoria “mulher cabo-verdiana” e a introdução de novas problemáticas na, ainda jovem, agenda de pesquisa dos estudos de género.
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Fortes, C. (2013). “M t’studa p’m k ter vida k nha mãe tem”. Género e Educação em Cabo Verde. Ciências Sociais Unisinos, 49(1). https://doi.org/10.4013/csu.2013.49.1.10
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