Abstract
MA DAS características marcantes da economia brasileira nas últi-mas décadas, incluindo os seis anos em que foi implementado o Plano Real, é o elevadíssimo grau de concentração de renda e de ri-queza. Estudo recente do IPEA (1) ressalta que o grau de desigualdade na sociedade brasileira é um dos mais altos do mundo. O Brasil é o país que apresenta maior diferença entre a renda média dos 10% mais ricos e a dos 40% mais pobres. Em nosso caso, essa diferença é de nada menos que 28 vezes! O Brasil também é o único país em que a razão da renda média dos 20% mais ricos da população e a dos 20% mais pobres supera o dilatado valor de 30, chegando a 31. No Relatório sobre o Desenvolvimento do Mundo 1999-2000, do Banco Mundial, o Brasil é o vice-campeão mundial da desigualdade, com um índice Gini de 0,60 (1995), só perdendo para Serra Leoa, 0,629 (1989). " No que se refere ao Plano Real " , observam os autores do estudo do IPEA, " não dispomos de evidência alguma de que tenha produzido qual-quer impacto significativo sobre a redução da desigualdade, apesar da po-breza ter sofrido redução importante. " Houve declínio pouco relevante no grau de desigualdade de 1989 a 1992. Nos anos posteriores ao Plano Real o grau de desigualdade permaneceu estável e similar ao de 1993, mas sempre superior ao de 1992, conforme indicado na tabela 1. No período de 1977 a 1998, salvo no ano de 1981, os que represen-tavam 1% dos mais ricos da população brasileira tiveram uma participação na renda agregada maior do que a dos 50% mais pobres, sem modificação significativa nos anos recentes do Plano Real, como demonstrado na ta-bela 2.
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Suplicy, E. M. (2000). A persistência da desigualdade, o endividamento crescente e o caminho da eqüidade. Estudos Avançados, 14(40), 23–41. https://doi.org/10.1590/s0103-40142000000300004
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